O Assassino de Düsseldorf

8 #08 Não esconda coisas de mim


Notas iniciais
Segunda parte do capítulo de hoje, ainda dedicado às minhas molieres! (que garota sortuda eu sou)

08

Kurt sentiu seu corpo um pouco dolorido assim que abriu os olhos por causa dos feixes de sol entrando pela janela do quarto e se encontrando com seu rosto logo pela manhã. O clima estava um pouco frio, mas Kurt não poderia sentir porque tinha um corpo em cima do seu o servindo de cobertor.

Blaine dormia como se estivesse em seu quinto sono. Tinha um leve sorriso no rosto e roncava baixinho, o que fez Kurt sorrir espontaneamente.

O castanho tentou sair da cama no maior cuidado sem acordar o detetive, colocando um travesseiro em seu lugar, qual o Anderson abraçou imediatamente e voltou a dormir como uma pedra. Era estranho. Blaine antes era apenas um "colega de trabalho" por qual Kurt sentia atração, e agora Blaine era... Blaine.

Kurt sentiu seu corpo dolorido por causa da noite anterior e andou com passos leves até a cozinha, não antes de vestir sua boxer que estava jogada em alguma parte do quarto.

Já no cômodo, Kurt pegou uma chaleira que descansava por cima do balcão e pôs uma água a ferver com intuito de fazer um café para acordar e tomar com Blaine pela manhã. Uma ótima maneira de dizer "eu adorei a noite anterior e adoraria fazer aquelas coisas com você novamente", não? Bom, na mente do estudante de psicologia fazia todo o sentido.

Enquanto a chaleira esquentava, Kurt passou a observar o lugar que estava. Nas duas outras vezes que estivera ali não tivera tempo porque na primeira vez que visitara o apartamento do detetive estava ali com medo e receio do que Blaine iria fazer, e na segunda estava ocupado demais vasculhando cada pedaço do corpo do menor para prestar atenção na decoração.

A casa era totalmente clara durante a manhã por conta dos raios de sol que entravam pela enorme janela de vidro no meio da sala que separava o cômodo com a varanda. Os móveis Kurt podia jurar que haviam saído de uma casa planejada, de tão bem que se encaixavam em um espaço não muito bom para se mobiliar. Nas paredes não havia fotos, apenas diplomas de cursos e alguma faculdade que Blaine fizera na qual Kurt não estava interessado no momento.

Seus olhos se vidraram em uma porta em específico. A porta do pequeno escritório do Anderson, qual Kurt estivera uma vez. Pensou rapidamente se havia mudado alguma coisa, se Blaine havia adicionado mais provas ao quadro que ele tinha, ou sei lá. Qualquer coisa interessava o castanho.

Com passos lentos, não querendo alarmar ninguém, Kurt caminhou até aquela porta e sem pensar duas vezes passou a mão pela fechadura, encarando o mesmo cômodo escuro de antes. Acendeu apenas a lâmpada que iluminava a mesa de trabalho de Blaine, porém algo havia lhe chamado a atenção. Havia mais fotos no quadro, mais matérias jornalisticas e mais anotações de Blaine.

Mas que merda...? - Sussurrou como se houvesse mais alguém no recinto.

Logo a feição de Kurt mudava totalmente. Ele estava atônito com todas as informações que aquele quadro continha e ele não. Na verdade, ele não sabia nem de metade daquelas coisas. Blaine, aparentemente, havia escondido todas as novas descobertas, incluindo três novas mortes das quais Kurt não havia sido avisado.

Rita Kopp, Frederic Sonata e Val Amelia Pond haviam sido mortos. Kurt estava em choque. O motivo? Ele conhecia os três assassinados, e conhecia muito bem. Os nomes do quadro haviam estudado com Kurt na mesma classe, a aula de Geografia da turma de 2010, cujo professor havia sido a primeira vítima desse assassinato em série.

O barulho da chaleira fervendo apenas deixava o clima mais assustador, porém Kurt ignorou o apito e foi rolando os olhos pelo quadro do Anderson. Haviam anotações, cópias das fotos polaroid tiradas por Dusseldorf, impressões digitais das vítimas, alguns post-its com perguntas... Mas o que mais chamou a atenção de Kurt era uma foto dele mesmo no quadro, com um grande ponto de interrogação ao lado.

A chaleira apitava mais forte.

Por que havia uma foto de Kurt no quadro de vítimas de Blaine?

Kurt deu dois passos para trás.

A chaleira apitava ainda mais alto.

Os pensamentos que rodeavam a cabeça de Kurt não podiam estar certos. Aquele talvez não fosse um lugar seguro de se estar. Deu mais alguns passos pra trás.

O som da chaleira apitando rodeava o lugar, mas o que o assustou foi ao andar de costas se afastando daquele quadro, bater com as costas em algo que Kurt sabia que não estava ali antes. Seu coração veio à mil, não sabia ao certo o que fazer. Virou-se lentamente e deu de cara com Blaine no breu do quarto qual Kurt não havia acendido todas as luzes.

– Kurt, o que está fazendo aqui? — Perguntou tentando acalmar o garoto que tinha os olhos arregalados e poderia jurar que seu coração saltaria fora de seu corpo.

– E-eu... E-eu fiquei curioso e pensei em vir aqui adiantar o nosso trabalho. — Falou tentando parecer calmo, mas estava por dentro morrendo de medo das ações de Blaine naquele momento. — P-por que minha foto está no quadro?

– Kurt, se acalme.

– Droga, Blaine! — Falou desesperado, dando mais alguns passos para trás.

– Kurt! — Blaine caminhou até Kurt, que esbarrava com a mesa atrás de si e não tinha mais pra onde correr.

De todas as ações que se passaram pela cabeça de Kurt de Blaine tomando, aquela foi a que mais o surpreendeu. O detetive tomou suas mãos e as apertou, tentando passar um pouco de confiança. Talvez usaria um "não é o que você está pensando" para começar a frase, mas aquela não era uma boa ideia de iniciar uma conversa tranquilizante.

– Eu não sou o assassino, eu não vou te matar. — Disse Blaine como se aquilo fosse óbvio. — Eu coloquei sua foto ali por precaução.

– Isso não faz nenhum sentido. — Kurt disse mais tranquilo.

– Por mais que hajam assassinatos fora do padrão ainda, tudo indica que as mortes tem ligação ao professor Gavin e à classe de 2010. Você estava naquela classe. Você pode ser a próxima vítima. — Respondeu.

– E só por causa disso você precisa colocar minha foto em um quadro apenas com pessoas mortas? — Kurt perguntou incrédulo com aquilo. Qualquer outra pessoa que entrasse ali poderia pensar que Blaine era o assassino e que Kurt seria sua próxima vítima. Além daquele quarto ser sinistro pra caramba.

– Eu estou focando em proteger você, e não em solucionar quem é o assassino. — Respondeu sem pensar duas vezes em achar melhores palavras. — Eu não consegui evitar nenhuma morte até agora, então tenho que me garantir que você não será a próxima.

– E-eu não sei. — Kurt gaguejou.

– Kurt, olhe pra mim. — Blaine puxou as mãos de Kurt para clamar por um pouco de atenção. Com aqueles olhos azuis sobre si, continuou. — Eu sinto a necessidade de cuidar de você, então eu vou. Vou cuidar de você igual cuidei ontem a noite. Eu não posso me deixar passar o fato pela cabeça que você possa estar em perigo.

– Por quê? — Perguntou Kurt simples.

– Porque eu acho que talvez possa estar me apaixonando por você. — Respondeu Blaine sendo sincero. Kurt arregalou os olhos e piscou os olhos algumas vezes para ter certeza que ouviu certo.

– Você o quê? — Perguntou com a voz um pouco fora do tom.

– Foi muito cedo? — Riu sem graça. — Eu não sei, Hummel. Você apareceu e mexeu com a minha cabeça de um jeito que não sei explicar. Você deveria, estuda essas reações no sistema nervoso de cada um... — Brincou. — Mas eu sou só um detetive.

– Você não é um detetive, Blaine. — Kurt respondeu em empatia.

– Eu quero ser seu protetor, e posso te garantir que nada de mal irá acontecer a você, tudo bem? Esse Dusseldorf não vai te machucar. Você não precisa ficar com medo dele... E nem de mim... — Blaine soou baixo na ultima frase, fazendo Kurt se sentir culpado por ter desconfiado tantas vezes do detetive.

– Tudo bem. — Kurt assentiu com um sorriso forçado no rosto. — E sobre as novas mortes, me ponha à par delas.



[D]

"As vítimas gemiam em uníssono. Era a primeira vez que o assassino fazia três mortes ao mesmo tempo, aquilo era algo a se vangloriar, algo para se colocar no currículo se caso houvesse um.

Dusseldorf tirou da mochila algumas cordas e caminhou lentamente até as pessoas amarradas e amordaçadas jogadas em um canto da sala. Com um gesto simples, fez sinal de "fiquem quietos" com o dedo indicador sob os lábios e colocou com calma a corda no pescoço do rapaz do grupo.

Todos tentavam gritar, impedidos pela mordaça.

Um flash, uma foto. E assim foi repetido mais duas vezes.

O assassino foi um por um. Apertando a corda em sua garganta e ignorando as lágrimas em seus rostos e os berros que suplicavam por misericórdia. Não, ele não cairia naquela chantagem emocional. Ele não tinha sentimentos.

Todos caídos no chão.

Uma morte, duas mortes, três quatro cinco. Seis sete e oito.

Dusseldorf sorria, se sentia finalmente bem."

Notas finais
Ihihihihi. E então, vocês já sabem quem é o possível assassino? Bola fora essa de foto do Kurt no quadro de vítimas, hein Blaine... Acho que talvez isso não tenha sido uma boa ideia... Nos vemos no próx cap! ♥