O Assassino de Düsseldorf

3 #03 Um possível assassino aparece


Notas iniciais
Acho que ficou meio confuso, mas Kurt tem 24 anos e Blaine tem 26. Obrigada por acompanharem a fanfic, agora nas férias ficou mais fácil de eu atualizá-la! :)

03

Kurt fechou a porta de seu apartamento ainda tenso, sem saber realmente o que fazer. Quando havia embarcado nessa história de ajudar Blaine a resolver o caso, estava agindo por impulso porque uma de suas melhores amigas havia acabado de ser assassinada, mas havia acabado de receber uma mensagem de Blaine sobre um outro assassinato e um endereço para encontrá-lo.

O rapaz era um estudante de psicologia, não um herói. O que ele estava pensando? Que pegaria o assassino, o amarraria e levaria voando até a cadeia igual os super heróis dos filmes? Aquilo era ridículo.

Um taxi o deixou um quarteirão antes do acontecimento já que a rua havia sido isolada por viaturas da polícia. Era uma fria madrugada e pequenos flocos de neve caíam conforme Kurt andava, mas assim que atingiam o chão derretiam.

Kurt se aproximou da casa em que os policiais saíam, porém um dos guardas o segurou pelo braço.

– Sinto muito, jovem. Este local agora está reservado aos policiais.

Antes que Kurt abrisse a boca para falar alguma coisa, o policial foi chamado.

– Tudo bem, Andy. Ele está comigo! — Blaine apareceu de dentro da casa com um sorriso simpático no rosto. O policial arqueou uma das sobrancelhas. — Ele é meu ajudante.

– Ele me parece um pouco novo para ser detetive... — Questionou o guarda, mas logo assentiu e deixou Kurt passar pela fita de isolamento que agora ela colocada ao lado de fora do edifício.

– O que aconteceu?

– Veja você mesmo. — Blaine fez sinal para Kurt o seguir e subiram as escadas. Blaine passou por alguns policiais e entrou com Kurt no quarto onde havia um homem de pouca idade deitado sobre a cama, braços cruzados, cabelos penteados e todo aquele padrão qual havia conversado com o detetive no início da semana.

Kurt ficou alguns segundos encarando o morto que parecia estar em um sono calmo. Mais uma vez não havia sinais de luta, e o corpo estava deitado em roupas brancas sem qualquer marca de ferimento (tirando as marcas de asfixia, mas não havia sangue).

– Quem?

– Hm... — Blaine puxou a prancheta de um dos policiais que passava ali na hora. — Tony Banks, 25 anos. Trabalhava como supervisor no posto de gasolina de Lima. Foi achado pela namorada, Tiffany, que chegou em casa depois de voltar de Nova Iorque.

– Oh. — Kurt deixou soltar.

– Você o conhecia?

– Todos o conheciam. Tony Banks, estudou comigo em algumas aulas no ensino médio e era o capitão do time nos meus tempos de colégio. — Kurt rolou os olhos e finalmente tirou o olhar do defunto. Caminhou lentamente até a saída da casa, dessa vez sem falar uma palavra. Blaine o seguiu.

– Detetive Anderson, o senhor encerrou por aqui? — Perguntou o delegado quando viu o amigo saindo, Blaine apenas assentiu e foi com Kurt até o outro lado da rua.

– Está tudo bem, Kurt?

– S-sim. Eu não sei. — Respirou fundo, ajeitando seu cabelo que se desfazia conforme a neve caía sobre ele. — Primeiro Dani, e agora Tony. Eu costumava abastecer meu carro naquele posto de gasolina, Tony sempre estava na porta da conveniência... Digo, é-é estranho. Agora ele está morto.

– Você não precisa continuar me ajudando, Kurt. — Blaine disse convicto. — Eu só achei que talvez você se sentiria melhor estando cada vez mais perto da pessoa que matou sua amiga. F-foi antiprofissional, me desculpe.

– Não é isso, Blaine. — Suspirou. — É que quanto mais mortos aparecem, sinto que mais longe estamos de desvendar esse crime. E olhe pra mim, eu não sei nada sobre isso. Parece uma daquelas brincadeiras bobas de tabuleiro de achar quem matou quem, em que lugar e com que ferramenta. — Kurt passou a mão pelos cabelos. — Sinto que estou te atrasando.

– Kurt, eu sei que você não é nenhum Sherlock Holmes. — Blaine sorriu e se encostou no muro que Kurt estava também. — Mas você está estudando para se transformar em um professor de psicologia, isso é ótimo pra você.

Kurt parou de encarar o chão e observou Blaine.

– Você adora isso, não é? — Blaine abriu a boca para responder, mas Kurt o interrompeu. — Não a morte das pessoas, mas o mistério. Quanto mais complicado, parece que você aprecia mais.

Blaine sorriu sacana.

– O que você vai fazer hoje após as aulas? Eu tenho uma coisa pra te mostrar.

[...]

Blaine esfregou as mãos tentando aquecê-las. Logo viu centenas de universitários cruzarem o portão da universidade com rapidez. Kurt veio logo após, ajeitando sua bolsa no ombro assim que viu Blaine o esperando com o carro estacionado perto à avenida.

– Eu não disse que iria com você.

– E nem disse que não iria. — Blaine abriu a porta para Kurt e o rapaz cedeu. Assim que o Hummel havia entrado, deu meia volta e sentou no banco do motorista. — Está com fome?

– Eu comi no intervalo. — Jogou a bolsa no banco de trás para ficar mais confortável na BMW do detetive. — Então, o que você tem para me mostrar?

Blaine sorriu, colocou o óculos de sol — estranhamente fazia sol em Lima ao mesmo momento em que a neve caía do céu — e ligou o carro. Alguns minutos depois Blaine passava pelos portões de um enorme prédio no centro da cidade.

– Você me trouxe pra sua casa? — Kurt chutou e Blaine assentiu enquanto subia o estacionamento. — Geralmente os caras costumam me pagar um jantar no primeiro encontro, é o padrão. — Brincou.

– Acredite, esse vai ser totalmente fora dos padrões!

Blaine entrando na brincadeira, colocou um sorriso nos lábios e estacionou em sua vaga. Alguns segundos depois se dirigiam até o elevador.

O apartamento de Blaine ficava na cobertura, o que era de se esperar de um cara que vestia apenas ternos da Armani — Kurt podia estar cursando Psicologia, mas nunca havia parado de gostar e entender sobre moda — e dirigia um dos últimos modelos de BMW.

O elevador parou no último andar e Blaine logo abriu a porta para Kurt entrar. O castanho entrou no recinto e observou a cozinha muito bem trabalhada em mármore e carvalho, e a sala com uma enorme, lareira e sofás venezianos de tons escuros. Parecia que Blaine havia tirado o cômodo daquelas revistas de mansões.

– Era isso que você queria me mostrar?

– Não. — Blaine passou por Kurt e parou em frente à uma porta perto da lareira. — Você está pronto?

– Sempre!

O detetive abriu a porta e deixou Kurt entrar e averiguar a pequena sala que deveria servir como dispensa. A luz era um pouco fraca comparada à luz branca de alta voltagem do cômodo principal. O quarto era um pouco pequeno, mas cabia um sofá de dois lugares, duas mesas e uma parede livre onde havia um quadro negro.

Kurt deu alguns passos em direção ao quadro e logo viu do que se tratava. Fotos de Dani, Tony e do contador junto com vários fios que interligavam as vítimas. Alguns rabiscos de giz, e algumas folhas pregadas com fita durex.

– Aqui é o escritório do detetive Anderson? — Perguntou sem tirar os olhos do quadro. Também haviam xerox das fotos encontradas com os mortos. Kurt pegou a de Dani nas mãos onde a amiga aparecia desesperada, com mordaças e cordas a amarrando. Suspirou firme e a colocou novamente no quadro negro. — O resto da casa me pareceu normal comparado à este cômodo.

– Sabe como é. Não gosto que minhas visitas saibam o meu lado psicopata. — Kurt encarou Blaine rapidamente com uma pitada de medo no olhar. — Não no sentido psicopata, mas no sentido que... Hm... Então, no sentido que... — Kurt o interrompeu com um sorriso fraco.

– Eu entendi. — Kurt puxou uma cadeira e se sentou de frente para o detetive. — Por que você queria me trazer aqui, afinal?

– Achei que poderíamos trabalhar melhor assim, com os fatos em nossas mãos. Além do que, das últimas vezes que nos encontramos na cafeteria para falar sobre os crimes, as pessoas nos olhavam estranho toda vez que falávamos a palavra "assassino". — Kurt concordou.

Um silêncio então reinou no quarto por alguns segundos. Até que Kurt achou que fosse melhor quebrar o silêncio com alguma pergunta.

– Então, você já sabe porque o assassino se chama de Dull... Dus...

– Dusseldorf. — Corrigiu Blaine. — É uma cidade da Alemanha. Estamos tentando partir por aí. Tentando encaixar os suspeitos nisso, alguém que já tenha viajado até lá ou goste muito da cultura alemã.

– Espera, suspeitos? — Kurt arqueou as sobrancelhas.

Blaine olhou por alguns instantes nos olhos de Kurt e logo assentiu, indo até a mesa e pegando algumas folhas de cima dela. — Jim, o contador, se lembra? — Kurt assentiu. Havia sido o primeiro alvo do serial killer. — Antes de ser um contador em Fort Shawnee, Jim morou um ano em Lima como professor de geografia.

– E o que isso tem a ver? — Perguntou confuso.

– Dani e Tony tiveram aula com ele na mesma classe. Aqui... — Mostrou um dos papeis para Kurt. — A turma de 2010 foi a última que Jim lecionou, e a matéria final foram países do continente europeu. Eu e o delegado trocamos algumas teorias e achamos que deveríamos começar a investigar daí. É a única ligação entre as vítimas.

– Espera, eu estava nessa turma. — Kurt se assustou. — Isso quer dizer que eu sou um alvo do assassino também?

– Isso quer dizer que estamos a um passo na frente dele. — Blaine se animou. — Se você estava nessa turma, você poderá ajudar com informações que antes não tínhamos. Como por exemplo, nessa turma, alguém se odiava?

– Era o ensino médio, todos se odiavam. — Kurt disse impaciente. — E-eu preciso avisar Rachel.

– Não, Kurt. — Blaine falou com um tom de voz um pouco mais firme.

– Rachel estudava com a gente, e ela mantinha contato com Tony! Eu preciso avisá-la, tem um assassino à solta! — Kurt sacou o celular do bolso, mas Blaine o impediu de discar os números.

– Kurt, não!

– Minha amiga está em perigo, Blaine. — Kurt disse irritado. — Me dê um bom motivo pelo qual eu não devesse ligar para ela nesse exato momento.

– Temos grandes indícios que talvez Rachel seja o assassino de Dusseldorf.

Notas finais
17... Contagem regressiva dos mortos... hehe.