O Assassino De Reis - Parte Três

11 Capítulo 10 : Uma Nova Lenda


“ Uma vida por centenas...” – Roger.

*

Local : Castelo de Anor Londo

Status : Noite

Dia : 5 de maio

Hora : 03 : 20

Personagem : Roger

*

– Aqui ! Coloque-o aqui ! – Disse Roger.

Elsa e Roger ajudavam Kristoff a andar , já que ele estava praticamente desacordado.

Eles entram em um quarto que encontraram enquanto andavam pelo castelo. O quarto não era muito grande , mas possuía uma cama.

Roger e Elsa colocam Kristoff na cama e Roger começa a tentar parar o sangramento do rosto de Kristoff.

– Fecha a porta. – Disse Roger.

Elsa então rapidamente fecha a porta.

– Vamos lá meu amigo , só não grite. – Disse Roger.

Roger pega um pano macio que estava jogado no chão do quarto e começa a pressiona-lo ao corte no rosto de Kristoff que grita de dor.

– Droga. – Disse Roger.

– Calma Kristoff ! Calma ! – Disse Elsa tapando a boca de Kristoff. – Rápido Roger !

– Estou tentando !

Kristoff começa a se debater , assim tornando mais difícil para Roger e Elsa o acalmarem.

– Isso é perda de tempo. – Disse Roger ainda pressionando o ferimento.

– Não vamos desistir agora ! – Disse Elsa. – Kristoff , por favor. Fique calmo , está acabando.

Roger começa a enfaixar o corte no rosto de Kristoff , assim impedindo com que aquela área continuasse a sangrar.

– Cara...Você fez oque ? Brigou com uma matilha de lobos ? – Disse Roger percebendo os outros ferimentos de Kristoff que depois de alguns minutos de dor , aparentava estar mais calmo.

– A perna dele ! Cubra a perna dele ! – Disse Elsa.

– Anna...Anna... – Disse Kristoff.

– Aguenta ai irmão. – Disse Roger enfaixando a perna de Kristoff com um pedaço da cortina do quarto.

Com o movimento de Roger , Kristoff solta um grito bem alto de dor que poderia ser ouvido a uma distância enorme.

Roger rapidamente enfaixa a perna de Kristoff e tapa a boca do mesmo junto com Elsa. E assim eles ficaram por dez minutos , até Kristoff finalmente se acalmar e a respirar normalmente.

– Pronto... – Disse Elsa.

– Pronto nada , alguém pode ter ouvido. – Disse Roger. – Fiquem quietos.

Roger então vai até a porta e se posiciona ao lado dela.

*

Depois de vinte minutos , Roger baixa a guarda.

– É...Acho que todo mundo desse reino é surdo ou algo de maior importância está acontecendo nesse momento para nossa sorte. – Disse Roger.

Kristoff então segura o braço de Elsa que estava sentada na cama ao seu lado.

– Anna...Hans... – Disse Kristoff com dificuldade.

– O que ? Hans está aqui ? – Perguntou Elsa encarando Kristoff. – Onde ela está ?

Kristoff balança a cabeça , afirmando que não sabia onde ela estava.

– Não se preocupe , vamos encontra-la. – Disse Roger.

– Sim...Nós vamos... – Disse Elsa com um tom baixo.

– Ei , não vamos desanimar agora , o dia ainda não acabou.

Elsa volta a encarar Kristoff com um olhar de decepção.

– Você me prometeu , você prometeu para Anna que...Que nunca mais... – Disse Elsa vacilando várias vezes.

– Não...Termine...Por favor... – Disse Kristoff.

– Ai , desculpe interromper , mas precisamos ir buscar o Leonardo e a pequena Sophia que ainda estão aqui nesse castelo.

– É...Você está certo. – Disse Elsa.

– Então vamos , não temos muito tempo.

Kristoff faz um esforço para se levantar.

– Ei , ei , espera ai amigo. Você fica aqui.

– O que ? – Disse Elsa e Kristoff ao mesmo tempo.

– Não vamos arriscar , ele não consegue nem andar. Será um homem morto se nos pegarem.

– E será um homem morto se o encontrarem aqui. – Disse Elsa.

– Podem parar de dizer a palavra “morto” ? – Perguntou Kristoff sarcasticamente.

– Elsa , fique com ele. – Disse Roger.

– Não , minha irmã pode estar aqui , e...Leonardo está aqui. – Disse Elsa.

Kristoff faz um ultimo esforço para se levantar , mas falha.

– Então tá. – Disse Roger. – Kristoff , nós voltamos em breve.

Roger e Elsa então se retiram do quarto , sem escutar o que Kristoff tentara falar.

*
– Fique por perto. – Disse Roger.

– Não se preocupe com isso.

Os dois começam a vagar sorrateiramente pelo castelo e novamente não encontram um guarda sequer.

– Cara...Cadê os guardas desse castelo ? – Disse Roger passando por algumas armaduras de ferro.

– Preferia que eles estivessem aqui ? – Perguntou Elsa.

– Não. É só...Estranho.

– E a propósito , por que está me ajudando ?

– Longa história.

– Temos todo o tempo do mundo.

– Não , não temos.

– É , não temos. Mas estou curiosa para saber o motivo de um mercenário se importar tanto com os outros a ponto de arriscar a própria vida para salva-las.

Roger então bufa e começa a contar.

– Antes eu e meus irmãos éramos alpinistas assim como o Kristoff , ao contrário do que pensam nós não gastávamos o dinheiro conosco , e sim para ajudar um orfanato em Herda.

Elsa fica totalmente impressionada com o gesto nobre de Roger , mas não se convence por completo.

– Por quê ? – Perguntou Elsa.

– Bom...Eu e meus irmãos nós perdemos nossos pais ainda cedo e fomos acolhidos por esse orfanato. Crescemos nele e tudo mais , até que num piscar de olhos , o orfanato estava em decadência e sem ouro para se manter. Foi ai que eu , Arthur e Thomas começamos a trabalhar para tentar salvar esse orfanato de alguma maneira.

– Mas...O que aconteceu...?

– A vida. A esposa de Thomas morreu e tudo foi por água baixo...Quando notei , Thomas e Arthur eram mercenários e começaram a usar o ouro em proveito próprio. Eu tentei até o ultimo segundo juntar o dinheiro para o orfanato , mas não consegui.

Roger começa a deixar pequenas lágrimas escaparem de seus olhos e tomarem conta de seu rosto.

– E depois... – Disse Roger soluçando. – Eu voltei para Herda...E só vi...Ruinas e cadáveres por todo lado...

Elsa então coloca sua mão ao ombro esquerdo de Roger que não conseguira segurar as lágrimas.

– Você foi um herói. – Disse Elsa.

– Não...Eu falhei...Eu falhei com aquelas...Aquelas crianças...Eu falhei...

– Aquilo não foi culpa sua , você fez o que pôde para salva-las.

Nesse momento , eles escutam duas vozes em um quarto próximo de onde eles estavam andando.

Roger rapidamente se recompõem e faz um sinal com sua mão direita para que Elsa se esconda. Ambos fazem silêncio para ouvirem a conversa.

– Como estamos indo ? – Perguntou um homem.

– Logo tudo estará finalizado...Projeto “ Novo Mundo”...Iniciado. – Disse outro homem.

– Não gosto disso Vinci , realmente não gosto.

– Escute Leonardo. , cale-se e volte ao trabalho , não quero que isso demore mais do que o necessário.

– Leo... – Disse Elsa num tom muito baixo.

Roger então segura a maçaneta da porta e com sua mão direita , começa a mostrar cinco dedos e cada um segundo ele abaixava um dedo.

Passaram cinco segundos e Roger rapidamente abriu a porta e entrando na sala que estavam Leonardo e Vinci que trabalhavam na invenção de Leonardo.

Roger avista Vinci que rapidamente pega uma faca na mesa , mas Roger consegue empurra-lo contra a parede antes que ele conseguisse reagir.

– ELSA ! – Disse Roger.

Elsa então entra na sala , pega uma panela na mesa e atinge Vinci na cabeça.

Vinci lentamente cai no chão e desmaia.

– Essa doeu. – Disse Roger.

Leonardo rapidamente vai até Elsa e os dois se abraçam.

– Leo...

– Elsa...

Roger resolve não interferir e fica apenas olhando em silêncio toda a ação.

Leonardo então solta Elsa e começa a escrever alguma coisa em uma folha de papel branca.

– O que está fazendo ? – Perguntou Elsa.

– Aquela criança...Tem os mesmos poderes de cura que a princesa Rapunzel tinha. – Disse Leonardo tremendo. – Eu lembro da música...Era...Isso ! Era assim.

– Opa , opa , opa...Espera... – Disse Roger. – Está me dizendo que aquela criança que eu salvei em Herda tem...Poderes milagrosos ? É isso ?

– Exatamente. – Disse Leonardo.

– Como você pode saber disso ? – Perguntou Elsa.

– Octávio feriu minha perna , mas ele usou aquela criança para me curar. Uma bruxa começou a cantar e logo depois eu estava curado. Aqui está a música.

Elsa então pega o papel de Leonardo e começa a lê-lo atentamente.

– E o que é tudo isso ? O que está fazendo ? – Perguntou Roger.

– Eles estão me forçando a criar uma arma que quando nas mãos de um exército , será capaz de dominar qualquer tipo de reino.

– Isso é loucura. – Disse Roger. – Não pode criar isso , senão é o fim de tudo.

– Ele tem razão Leo , estamos livres agora. Só precisamos encontrar Sophia e minha irmã e depois nós saímos daqui. – Disse Elsa.

– Não... – Disse Leonardo.

– O que ? Como assim “não” ? – Perguntou Elsa.

Leonardo então pega uma arma que acabara de ficar pronta e a observa atentamente.

– Eles não podem ter isso... – Disse Leonardo tremendo. – Eu não posso...Eu sou a chave para um fim para todos os reinos...Não posso permitir isso.

Leonardo começa a apontar a arma para a própria cabeça.

– Ei ! Abaixa isso ! – Disse Roger.

– Leo...Nem pense... – Disse Elsa.

– Não tem outro jeito...Eles vão me encontrar...Eles farão mal a quem estiver próximo a mim para conseguirem o que querem...Nenhum homem pode possuir esse objeto...Eu devo dar um fim nisso...

– Isso é loucura Leonardo... – Disse Roger se aproximando lentamente de Leonardo. – Me dá isso aqui.

– NÃO ...! PARA...TRÁS...! – Gritou Leonardo.

– Ei... — Disse Roger num tom calmo e baixo. — Me dá isso aqui...Você não precisa fazer isso...Eu já passei por esse mesmo desejo , de dar um ponto final nesse sofrimento...Mas você não pode fazer isso...Pense em tudo que você conquistou até agora , um gênio como você não pode morrer agora...Ainda tem muito para inventar e criar.

– PARA!!!! — Gritou Leonardo. — NÃO ! NÃO TEM OUTRO JEITO !

Elsa se desespera.

– LEO ! NÃO FAÇA ISSO ! – Gritou Elsa desesperada.

– É ISSO OU TODOS OS REINOS QUEIMAM !!

– LEONARDO ! TEM SEMPRE OUTRA OPÇÃO , ME DÁ ESSA PORCARIA. – Gritou Roger.

Leonardo não parava de tremer e de chorar , até que em um momento ele encara Elsa que estava totalmente paralisada.

– Elsa... – Disse Leonardo chorando , soluçando e tremendo. – Eu te amo...

Leonardo então bota o dedo no gatilho e fecha os olhos.

– NÃO ! NÃOOO!! – Gritou Elsa

*Som de um disparo de uma arma.