O Assassino De Reis - O Desejo De Anna
38 Capítulo 30 : Coração Nobre
Local : Castelo de Anor Londo — Caverna
Status : ??
Dia : 06 de fevereiro
Hora : ??
Personagem : Anna
*
Despertando de seu sono desconfortável , Anna abriu os olhos lentamente e se viu na mesma caverna de antes. Depois de algumas tentativas sem sucesso , ela conseguiu se levantar e percebeu que ela estava dormindo encima de um casaco que amortecida o chão duro e gelado. Logo depois ela se virou e viu Hans dormindo encostado em uma pedra grande.
Não conseguiu pensar em nada naquele momento , nem se lembrava direito da "viagem" que tivera ao lado de Thane. Ela apenas pegou uma pedra pequena que estava perto de seu pé e andou lentamente na direção Hans para não acorda-lo. Era a chance de ouro.
– Não sinta pena dele... — Sussurrou Anna consigo mesma fechando seus olhos diversas vezes. — Acabe com isso...
Anna não parava de tremer , não tinha ideia do que estava fazendo , mas não parava de andar e não largava a pedra. Ela não estava com medo de Hans , mas sim , de cometer a atrocidade que estava pensando.
– Não tenha pena dele... — Disse ela numa tentativa de se acalmar já que sua mão não parava de tremer , por diversas vezes a pedra quase caiu no chão. — Dez segundos de coragem... — Ela segurou a pedra firmemente com as duas mãos , pois já estava de frente para Hans.
Ela fechou os olhos e ergueu a pedra , mirando no rosto de Hans. Ficou quieta e imóvel , estava pronta e decidida , mas ela simplesmente não conseguia. Era como se algo a segurasse.
– Acabe com isso... — Resmungou Anna tentando se encorajar.
– ME SOLTEM !!! — Gritou alguém do outro lado da porta.
O grito acordou Hans que deu de cara com a Anna ainda imóvel , mas ao ver a pedra , Hans imediatamente rolou para o lado e se levantou já com os punhos preparados.
– O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO ??! — Gritou Hans encarando a mesma.
Com a chance desperdiçada , Anna largou a pedra e encarou Hans com um olhar de tristeza. Assim como ela , Hans também ficou em silêncio ao notar o que a Anna pretendia fazer. Mas não tiveram a chance para discutirem, pois a porta da caverna se abria e dois guardas jogaram Elizabeth para dentro da caverna. Logo em seguida , Salem , que estava inconsciente , também foi empurrado para dentro.
– Canalhas !! — Disse Elizabeth se levantando e avançando na direção dos guardas , mas eles já fechavam a porta. — Voltem aqui !! Me tirem daqui !! — Ela bateu nas inúmeras vezes na porta e só parou quando sua mão já estava sangrando.
– Aquele cara é o lobisomem ? — Perguntou Hans apontando para Salem caído no chão.
E então , Elizabeth desviou o olhar para Hans e Anna.
– Ótimo... — Ela resmungou. — Agora eu estou presa com vocês.
– Algum problema ? — Perguntou Hans.
– Com a princesa Anna ? Não. Mas com você ? Sim. — Ela desviou o olhar para Anna e percebeu que ela não parecia muito bem , estava pálida e calada. — O que aconteceu com você ?
– Eu estou aqui... — Respondeu Anna dando as costas para os dois e indo para o fundo da caverna. — Esse é o problema.
– E estamos presos com um lobisomem !! — Interrompeu Hans.
– Ele parece uma pessoa para mim. — Retrucou Elizabeth com os braços cruzados.
A parte animal de Salem havia desaparecido , era uma pessoa de novo. Mas , como consequência , sangrava por diversas partes do corpo , principalmente as costas.
– Se ele se transformar naquela...coisa...vai ser o nosso fim. — Disse Hans já indo até Salem. — Bom , não queremos que isso aconteça... — Ele desviou o olhar para Anna. — Queremos ?
Anna se recusou a olhar para Hans , mas isso não a impediu de protestar contra a ideia do mesmo.
– Ele pode nos ajudar. — Disse Anna. — Ele pode ser a nossa saída daqui.
– Concordo. — Respondeu Elizabeth. — Ter um lobisomem do nosso lado até que não é uma ideia ruim.
– Vocês ficaram malucas ? — Perguntou Hans. — Ele não pode controlar a fera. Todos nós vimos o caos que ele causou lá fora.
– E vai simplesmente mata-lo ? — Perguntou Elizabeth.
– É ele ou nós , você escolhe. — Respondeu Hans se agachando e segurando a nuca e o queixo de Salem. — Vai ser rápido...
– NÃO !! — Gritou Anna avançando na direção de Hans e o empurrando para longe de Salem.
Com o empurrão , Hans acabou tropeçando em uma das pedras que formavam a caverna e caiu de costas no chão , mas se levantou logo em seguida.
– Por que você... — Ele fez uma pausa assim que notou um desconforto em seu ombro direito , mas continuou logo em seguida. — Por que defender essa...essa...coisa ?!
– Eu confio nele. — Respondeu Anna com um tom sério. — E você não vai machucar ninguém enquanto eu estiver aqui.
– E quem é você ? — Perguntou Hans rindo.
– Ela é uma mulher de caráter nobre. — Respondeu Elizabeth.
– Ninguém falou com você. Agora... — Ele começou a andar na direção das duas. — Saiam do caminho.
E então , Anna sentiu uma mão segurando seu ombro , era Salem abrindo caminho.
– Eu já vi vários covardes nessa vida. — Disse Salem passando por Anna e Elizabeth , ficando frente a frente com Hans que parou de andar assim que percebeu que Salem estava de pé. — Mas você... Queria quebrar o meu pescoço enquanto eu estava desmaiado...?
Hans abriu a boca para responder , mas ele foi surpreendido por um avanço de Salem. Sem tempo para se defender , Hans foi atingido na barriga por um soco de Salem e levou uma cotovelada no queixo logo em seguida. Não satisfeito , Salem continuou a golpear o corpo de Hans com socos e chutes , até que ele segurou o pescoço de Hans e o pressionou contra a parede de pedra que feria mais ainda costas de Hans.
Salem não tinha dificuldades em apertar o pescoço de Hans , pois o mesmo já estava atordoado por causa dos incontáveis golpes na cabeça. Era apenas uma questão de tempo para o ar de Hans acabar. E , desesperado , Hans estendeu a mão para Anna esperando que ela fizesse alguma coisa , mas ela permanecia imóvel e calada.
– Anna... — Disse Salem apertando mais ainda o pescoço de Hans. — Você é quem manda.
Com aquela frase dita , o destino de Hans estava nas mãos de Anna. Um silêncio profundo provava que Anna estava indecisa. Ela gaguejava e andava em círculos. E cada segundo sem a resposta , Hans perdia e gastava suas últimas energias.
– EU SALVEI VOCÊ !! — Gritou Hans desperdiçando o pouco de ar que ele ainda tinha.
O coração de Anna estava dividido , podia viver tranquila sem se preocupar com Hans. E então , depois de tanto silêncio , Anna respondeu :
– Solte-o...
Salem , apesar de ter deixado a Anna decidir , não soltou Hans na hora , esperou mais alguns segundos e depois o soltou. Hans caiu de joelhos e começou a tossir , não tinha forças para se levantar e muito menos para lutar contra Salem.
– Ela salvou a sua vida. — Disse Salem encarando Hans ainda com os punhos fechados. — Mas você estaria morto se dependesse de mim.
E então , Salem deu as costas para Hans que se levantou e esticou o braço para golpear Salem pelas costas , mas foi nocauteado na mesma hora , pois Elizabeth arremessou uma pedra que acertou em cheio na testa de Hans que caiu já inconsciente.
Depois de olhar para trás para entender o que havia acontecido , Salem encarou Elizabeth com um sorriso.
– Valeu. — Disse Salem.
– Disponha. — Respondeu Elizabeth com um sorriso. — Ele vai dormir por um bom tempo depois dessa.
Os dois desviaram o olhar para Anna e de cara notaram que a mesma não parecia bem.
– Você fez a coisa certa... — Disse Elizabeth olhando para Anna que estava de costas para a situação. — Devia estar orgulhosa de si mesma.
– Ele me fez sofrer como nenhum outro. — Respondeu Anna entristecida e abatida emocionalmente. — Ele foi a fonte para todo mal que aconteceu comigo... E mesmo assim...eu ainda não tenho a coragem de...
– Isso é normal em pessoas que possuem um bom coração , princesa Anna. Agora... — Ela desviou o olhar para Salem. — Explique o que foi aquilo.
– Aquilo o que ? — Perguntou Salem.
– Você se transformou naquela fera...
– Ah ! É uma longa história que eu não gostaria de compartilhar. Vamos deixar assim.
– Você é o sétimo filho de um casal ?
– Não. — Ele disse ignorando o que Thane havia dito enquanto lutavam. — E eu gosto dessa maldição e não tenho interesse em perdê-la. — Ele deu as costas para as duas e sentou no canto mais escuro da caverna. — Se vocês pensam que eu vou simplesmente me transformar agora a quebrar essa porta , repensem.
– Por que você não pode ? — Perguntou Anna.
– Está amanhecendo em Anor Londo ou a lua cheia se foi. Digamos que eu só posso "usar" esse meu "dom" em uma noite de lua cheia , caso contrário eu sou apenas um homem. Querendo ou não , vamos ter que esperar.
– Você não consegue arrombar essa porta sem precisar se transformar ?
– Dificilmente. O jeito é esperar pelo seu marido... Ele vem , não é ?
– Com certeza. — Respondeu Elizabeth interrompendo Anna. — Até lá... Nós tentamos não morrer de frio. — Ela desviou o olhar para Anna. — Como você chegou até aqui ? Quero dizer , era para você estar em Arendelle se recuperando da fratura de sua perna.
– Como você sabe disso ?
– Noticias ruins rodam o mundo em questão de minutos. Todos em Veneza sabem o que aconteceu em Ilhas Do Sul. Você virou um símbolo de bondade em toda a Itália. Como eu disse anteriormente , você devia estar orgulhosa.
– Eu só quero sair daqui o mais rápido possível. — Respondeu Anna desviando o olhar para Hans deitado no chão inconsciente.
– Ele não vai causar problemas. — Disse Elizabeth ao notar a preocupação no olhar de Anna. — E tenho certeza que , daqui a pouco , todos nós vamos sair daqui.
Para se distrair um pouco e tentar esquecer a situação anterior , Anna começou a conversar com Elizabeth , estava curiosa sobre a mesma.
– Como você chegou aqui ? — Perguntou Anna.
– Eu estava em um navio de comerciantes que tinha Arendelle como destino. Nós paramos em Anor Londo para comprar mais comida para a tripulação e depois...milhares de pessoas invadiram o navio e começaram a saquear. Só consegui escapar porquê pulei na água e nadei até um lugar seguro. Depois eu acabei esbarrando em Salem e...bom...ele me salvou.
– E como agradecimento você me meteu nessa bagunça. — Respondeu Salem. — Um "obrigado" já era o suficiente.
Elizabeth deu uma risada breve e baixa , mas logo ficou séria novamente.
– Você disse que queria ir para Arendelle... Por quê ? — Perguntou Anna.
– Você conheceu o tal de Marc Jensen ?
– Sim , infelizmente.
– Então você deve saber que o Kristoff se ofereceu para servir como "cobaia" , permitindo que o Marc quebrasse seus ossos e aprendesse como recoloca-los. Ele e o William dizem que isso é para ajudar os marinheiros e exploradores que , por causa das exaustivas viagens , acabam sofrendo fraturas graves. Quando isso acontece , Marc e William lucram e ainda são vistos como heróis , mas a maioria das pessoas esquecem da "cobaia" que sofre bastante para o bem financeiro de William e Marc.
– E por que isso é importante para você ?
– Bom , eu sou uma escritora , mas o meu objetivo é desmascarar os podres que a Era Dourada trouxe para esse mundo. Se tudo corresse de acordo com o plano , eu relataria todo o sofrimento de Kristoff em meu livro e eu o publicaria e todos conheceriam esses podres.
– Basicamente você pretendia se aproveitar do sofrimento de Kristoff para conseguir o que queria. — Respondeu Anna um pouco irritada e desapontada com Elizabeth. — Isso é errado.
– Mas é por um bem maior...
– O William e o Marc falaram a mesma coisa.
" Segura essa , intrometida. " — Pensou Salem se segurando para não rir.
Elizabeth ficou em silêncio por um tempo , tentava retrucar tais palavras , mas não conseguia.
– Você não é uma boa pessoa se você apenas ficar olhando as pessoas sofrerem sem ao menos pensar no bem delas. — Disse Anna.
– O que você queria que eu fizesse ? — Perguntou Elizabeth um pouco revoltada. — Ficasse parada ?
– Se você me pedisse , eu teria ajudado você.
Elizabeth não tinha mais o que falar , apenas se afastou de Anna e evitou olhar para a mesma. E Anna , por sua vez , sentou no chão e fechou os olhos , queria abri-los somente quando o resgate chegasse. Até lá , ela esperava em silêncio.
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