O Assassino De Reis - Finais

5 F1 - Capítulo 4 : Karma


Notas iniciais
Desculpe a enorme demora , caro leitor. O motivo é que eu , no início desse mês , comecei a participar de um novo curso , o CIEE. - Ah Lianou , então isso quer dizer que... - É , funções administrativas. Mas enfim , nem gosto de tocar nesse assunto. Essas primeiras semanas foram muito corridas por causa disso e acabei ficando sem tempo para editar o capítulo , pois ele já estava parcialmente pronto. Tentarei manter o ritmo e enviar os próximos capítulos assim que possível. Já me acostumei com o horário. Enfim , até breve.

Local : Escócia

Status : Nublado com neblina intensa

Dia : 14 de fevereiro

Horas : 08 : 34

Personagem : Merida

*

Seu andar era lento e abatido , não dormira a noite anterior , apenas chorava e se lamentava por não ter estado lá , ao lado de sua mãe para defendê-la.

Os corredores e as inúmeras escadas pareciam intermináveis. O castelo estava em silêncio , todos estavam esperando Merida pelo lado de fora.

Ao chegar na entrada do castelo , Merida abriu os portões e deu de cara com um trovão que a cegou por alguns segundos. Depois do clarão , ela notou que estava cercada por pessoas carregando flores e presentes de menor valor.

– Princesa Merida... — Disse uma senhora se aproximando de Merida. Ela ergueu o guarda-chuva por cima de Merida para protegê-la da chuva. — Meus pêsames... Sua mãe e seu pai estão com você…

Merida parecia não ouvir as palavras de conforto e começou a trilhar o seu caminho até o cemitério. A multidão reunida na porta do castelo a seguiu.

*

Ao chegar no cemitério , Merida foi recebida por quase todo o seu povo. Ninguém tentou falar com ela , pois seu olhar de tristeza espantava até os guerreiros mais fortes.

Ela só parou de andar quando estava bem na frente da lápide de mãe e de seu pai logo ao lado. Não havia palavras , nem mesmo lágrimas , apenas alguns sussurros entre a multidão reunida.

Pouco a pouco , as pessoas mais comovidas se aproximaram e deixaram seus “presentes” que se resumiam em flores e algumas moedas. Era uma forma de homenagear a antiga rainha e o rei. A cada presente deixado na frente da lápide , mais forte a chuva ficava.

Depois de algumas horas de muita chuva e homenagens , todos voltaram para suas casas e se protegeram do frio , menos Merida que escolheu ficar ali , ao lado da lápide da mãe e de seu pai.

– Isso não ficar assim... — Disse Merida deixando escapar algumas lágrimas.

– Pode ter certeza disso. — Disse um homem logo atrás de Merida.

Curiosa , Merida se virou e deu de cara com Flynn...ou o que havia sobrado dele.

– É bom ver você de novo. — Disse ele estendendo a mão para cumprimentá-la.

Merida ficou paralisada analisando a face deformada de Flynn repleta de cicatrizes e queimaduras.

– O que houve com você ? — Ela perguntou recusando o aperto de mãos.

– Isso ? — Ele se referia à sua face deformada. — É pra não deixar a dor ir embora... Todas as vezes em que eu olhar no espelho , todas as vezes que eu não conseguir dormir... Tudo será mantido como uma lembrança do que a Rapunzel sofreu…

– Você ficou maluco.

– Pelo menos eu sou um maluco que vai caçar os culpados. E você ? O que vai fazer ? Ficar aqui chorando com seus irmãos enquanto Kristoff , Elsa e Anna comemoram ? Ora , eles nem vieram para o funeral !!

– Eu não preciso dos pêsames deles. — Ela começou a voltar para casa. — Vá embora , Flynn.

E então , Flynn avançou e segurou o pescoço de Merida com força.

– Eu quero a sua ajuda... — Disse ele tentando conter sua raiva que estava prestes a despertar sua fúria. — Você vai me ajudar... Ou então... — Ele apertou mais ainda o pescoço.

Merida não conseguia falar e muito menos reagir. Mas , de repente , Flynn a soltou e ela caiu no chão tossindo.

– Vamos fazer eles pagarem. — Continuou ele rodeando Merida ainda no chão. — Não é só pela Rapunzel , é por sua mãe e pelo Fergus. Você , como filha e herdeira do trono , tem a obrigação de vingá-los !!

– O que está acontecendo aqui ?! — Perguntou um guarda que passava por ali.

Ao ver Merida no chão , o guarda sacou a espada e correu na direção de Flynn.

– Pare ! — Ordenou Merida tentando se levantar.

O guarda estava prestes a golpear Flynn , mas obedeceu Merida sem questionar.

– Princesa Merida , o que está acontecendo ? — Ele Perguntou confuso.

– Rainha Merida. — Corrigiu Flynn estendendo a mão para a mesma. — Ela não é mais uma criança.

Merida segurou a mão de Flynn e , com a ajuda do mesmo , se levantou e dispensou o guarda.

– Posso contar com você ? — Perguntou Flynn.

– Primeiro me conte o seu plano , se você tiver algum. — Ela Respondeu com um tom rude. — Vai simplesmente aparecer em Arendelle e…

– Sim , mas não sozinho. Tenho certeza que alguns aqui também desejam vingar sua mãe e seu pai. Porém , ainda é muito pouco para cercar Arendelle... — Ele hesitou em continuar. — Podemos convencer algumas pessoas a se juntarem a nossa causa…

– Quem vai ser maluco de querer enfrentar a Elsa ? Tirando eu e você , ninguém tem motivo para odiá-la.

– E os clãs que lutaram pela sua mão ? Podemos usá-los...? É claro que podemos ! Agora , vai ficar aqui chorando ou vai me ajudar ?

*

Local : Arendelle — Castelo

Status : Nublado com chuva forte

Dia : 14 de fevereiro

Horas : 09 : 12

Personagem : Elsa

*

– Acha mesmo que foi uma boa ideia ? — Perguntou Roger pensativo.

– Merida não vai nos ferir. — Garantiu Elsa , apesar de seu tom não conter muita confiança. — Ela não faria isso.

– Acredita nisso ? — Perguntou Kristoff que também estava presente na reunião. — De qualquer jeito , não é com Merida que eu estou preocupado , e sim Flynn.

– Flynn ? — Interrompeu Roger encarando o ferimento em seu braço provocado pelo mesmo. — É , concordo... — Ele desviou o olhar para Elsa que estava de costas com o olhar fixo no nascer do sol. — O que fazemos agora ?

– Esperamos. — Respondeu Elsa. — Ele não passa de um fantasma agora , não adianta procurá-lo. — Ela se virou de frente para os dois. — E receio que ele não queria conversar depois do que aconteceu... Não nos resta outras opções , apenas ficar com os olhos bem abertos.

Roger pensou na proposta de Elsa e , mesmo com um certo receio , disse :

– Não temos outra escolha , então... — Ele bufou. — Sim , vamos reforçar a segurança e esperar.

De repente , a porta da sala de reuniões foi aberta por um guarda que imediatamente abriu passagem para Hans que estava com as mãos atadas.

– Não tente nenhum truque ! — Ordenou o guarda empurrando Hans para dentro da sala e fechando a porta logo em seguida.

Hans caiu no meio de Kristoff , Roger e Elsa , ambos o encarando.

– Obrigado pela hospitalidade , retrata bem o pensamento de vocês sobre todos os outros... — Disse Hans num tom sarcástico.

– Por que ele está aqui ? — Perguntou Kristoff.

– Saíam. — Ordenou Elsa.

– O que ? Por que ? — Perguntou Roger confuso.

– Quero conversar com esse monstro a sós. Então , por favor , saíam.

Mesmo contrariados , Roger e Kristoff se retiraram.

– O que você quer ? — Perguntou Hans. — Me olhar pela última vez antes de me congelar ?

– Escreva. — Respondeu Elsa estendendo uma folha para Hans. — Escreva para sua mãe.

– Como é ? Pra que ?!

*

Local : Arendelle – Quarto de Anna

Status : Nublado com chuva forte

Dia : 14 de fevereiro

Hora : 09 : 26

Personagem : Anna

*

– No que você está pensando ? — Perguntou Olaf ao lado do berço em que Sophia dormia. — Anna ?

Nada além do silêncio. Anna encarava a bela paisagem pela enorme janela em seu quarto , calada e , para Olaf , entristecida.

Não era atoa já que Anna não parava de pensar em Rapunzel e todos os outros que estavam infectados pela praga e que foram exterminados sem misericórdia. Um sentimento de culpa pesava sobre seus ombros , pois foi ela quem teve a melhor chance de recuperar a cura , mas mesmo assim , ela a perdera para as chamas.

– Olaf... — Disse Anna num tom muito baixo sem desviar o olhar de sua janela. — Leve a Sophia para outro lugar... Eu...quero ficar sozinha por um tempo…

– Tudo bem , sem problemas.

Segundos depois , Anna ficou só.

Ela não conseguia parar de se culpar pelo o que aconteceu , não conseguia tirar o rosto de Rapunzel de sua mente. Ela sentiu ódio de si mesma , mas nada que pudesse apagar sua enorme tristeza. Tudo piorava quando ela pensava em Flynn.

– Triste , não é ? — Ela escutou uma voz serena bem ao seu lado.

Intrigada , Anna olhou para o lado e seu coração quase parou. E , por alguma razão que nem ela entendia , ela ficou sem palavras e sua respiração parecia cada vez mais fraca.

– Tudo que nós construímos...tudo que eu e Boo fizemos...e mesmo assim o que resta são lágrimas e medo…

– Thane ? — Perguntou Anna como se ela estivesse sendo sufocada por alguém.

– Eu te avisei , eu te mostrei o terror e você ignorou. Deixou que centenas de vidas se transformassem em cinzas. — Ele aproximou seu rosto do de Anna. — Consegue ouvir ? Os pedidos de ajuda ? Os sussurros de pessoas cercadas pelas chamas ? As últimas palavras de um pai para sua filha ? Consegue ouvi-los ?

– Eu…

– Você deixou isso acontecer.

E de repente , num piscar de olhos , Anna levantou de sua cama , despertando de um terrível pesadelo.

Ainda assustada , ela olhou ao redor procurando por Thane , mas só via Olaf e Sophia no mesmo lugar , era como se ela tivesse voltado no tempo.

– Anna ? — Perguntou Olaf. — Por que essa cara ? Teve um pesadelo ? Quer que eu chame o Kristoff ou a Elsa ?

– Não , não... — Respondeu ela calmamente. — Eu estou bem...eu acho...

Ela se levantou com medo de pegar no sono e ter outro pesadelo.

– Eu já volto Olaf. — Disse ela vestindo seu casaco preto. — Eu preciso...andar um pouco…

Sem demora , Anna abriu a porta e saiu de seu quarto. Por alguma razão que ela não conseguia entender , algo a chamava para o jardim do castelo , era como uma voz em sua cabeça. Intrigada , ela foi até lá.

*

Depois de caminhar por alguns minutos , Anna chegou na entrada do jardim , mas não seguiu adiante. Um homem estava encarando a bela paisagem do reino e do oceano de Arendelle , mesmo embaixo de chuva.

Ao ver o cabelo do homem , Anna imaginava que se tratava de Kristoff. Com isso em mente , ela foi até ele.

– Kristoff ? — Ela perguntou enquanto se aproximava do mesmo. — O que está fazendo nessa chuva ?

Kristoff manteve o silêncio , preocupando Anna. Mas antes que ela pudesse dizer qualquer outra coisa , um número gigantesco de pequenas folhas brancas começaram a voar pelo reino de Arendelle.

– Cada folha branca representa uma pessoa que morreu em Solitude. — Disse Kristoff soltando uma folha que logo se misturou as outras no ar.

Foi nesse instante que Anna notou que todos de Arendelle estavam fazendo a mesma coisa , cada um com uma folha branca em mãos. Logo em seguida , ela ficou de frente para Kristoff , encarando principalmente o curativo que escondia um de seus olhos.

– Nós dois fizemos isso. — Ele disse. — Nós deixamos aquela cura ser destruída em Anor Londo. Tudo isso é nossa culpa. — Quando Anna estava prestes a responder , Kristoff a segurou e a encarou. A chuva começou a ficar mais intensa a partir daquele momento. — Você também está tendo os pesadelos , não está ? Rapunzel não para de aparecer em minha cabeça…

– Kristoff...nós…

– Nós dois sabemos o que aconteceu.

– O que queria que eu fizesse ? Deixasse você para trás ?

– Talvez fosse a melhor decisão !

Essa frase machucou o coração de Anna , tanto que ela recuou. Kristoff ficou em silêncio e abaixou a cabeça.

– Desculpe… — Disse ele levando a mão até sua testa. — É que...essa culpa...essas vozes… Você também está…

– Estou assim tanto quanto você. — Ela respondeu segurando a mão do mesmo. — Vamos tentar esquecer tudo isso...por favor… Nós passaremos por isso juntos...