O Apocalipse do Sangue | Dramione

19 Sᴇɴʜᴏʀᴀ Mᴀʟғᴏʏ


Notas iniciais
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Nas semanas que se seguiram, a rotina deles transformou-se em uma colagem de normalidade e reconstrução pessoal.

Eles mobiliaram a casa com móveis trouxas que compravam nas lojas de antiguidades de Valletta; Draco desenvolveu uma inesperada habilidade para montar estantes de livros manualmente, passando horas com ferramentas, praguejando em linguagem áspera quando um parafuso não encaixava, mas recusando-se a usar a varinha que permanecia guardada na gaveta da escrivaninha.

— Se vamos viver como trouxas, vamos fazer esse caralho direito, querida — ele disse um dia, o rosto sujo, enquanto terminava de erguer a terceira estante na sala que Hermione transformara em seu escritório de pesquisa.

Hermione passava as manhãs escrevendo seus ensaios sobre a fusão da neurologia clínica com a cura de traumas mágicos, um trabalho que ela enviava mensalmente para Harry via correio trouxa até uma caixa postal especial em Londres, de onde Theo o resgatava para o uso do Ministério. Ela não almejava o reconhecimento do mundo bruxo; queria apenas garantir que o conhecimento que adquirira no inferno do surto não fosse perdido.

À tarde, eles caminhavam pelas praias rochosas de Malta. Draco usava calças escuras dobradas até os tornozelos e camisas claras, seus pés descalços tocando a água límpida do Mediterrâneo. A pele dele, antes pálida e translúcida como a de um espectro, começava a ganhar uma coloração saudável e dourada sob o sol.

Eles não falavam sobre a guerra. Não falavam sobre os Comensais da Morte, sobre Lucius ou sobre as perdas. O silêncio deles agora era povoado pelo som das gaivotas, pelo vento do mar e pela certeza de que, naquele canto esquecido do mundo, eles haviam finalmente encontrado o seu próprio santuário.

Foi nesse cotidiano pacífico que Draco se revelou o homem mais absurdamente apaixonado.

Mesmo vivendo de forma simples, Draco ainda era dono de uma fortuna internacional vasta e intocável em cofres suíços. Ele gerenciava seus milhões com correspondências bancárias discretas, usando seu capital sem qualquer moderação para cobrir Hermione de mimos. Ele não se contentava com o comum; para ela, apenas o ápice da qualidade era aceitável. Importava secretamente da Europa os pergaminhos mais raros e as tintas de pigmento artesanal para as pesquisas dela, e não poupava gastos para instalar os eletrodomésticos mais modernos, fascinado em ver como a tecnologia facilitava a rotina deles.

E, em meio a tantos luxos, havia a delicadeza constante, ele sempre a presenteava com flores frescas que encomendava de floriculturas, adornavam cada cômodo da casa, como se ele quisesse garantir que Hermione estivesse sempre cercada pela beleza que, em sua visão, ela própria emanava.

Essa paixão avassaladora se traduzia em uma intimidade ardente.

Eles faziam amor todas as noites, onde mais o desejo os consumia: tapetes diante da lareira, na bancada da cozinha, na banheira. Era uma necessidade voraz de recuperar cada segundo do tempo perdido nos anos de guerra e isolamento. Cada toque de Draco na carne de Hermione era uma reafirmação de que estavam vivos, livres e inteiramente entregues um ao outro.

Em uma dessas noites, após se amarem intensamente na varanda dos fundos, Hermione descansava com a cabeça no peito dele, sentindo as mãos de Draco traçarem círculos lentos em suas costas nuas.

— Sabe, aquele quarto lá em cima. Ele recebe a primeira luz do sol. Seria um bom quarto para as crianças.

Hermione ergueu a cabeça rapidamente, os olhos castanhos brilhando de emoção.

— Filhos? Você quer começar a tentar?

Draco sorriu, mas balançou a cabeça devagar, revelando seu lado profundamente tradicional que nem mesmo o fim do mundo conseguiu apagar.

— Só depois que você usar o meu sobrenome e estivermos devidamente casados perante a lei e a magia, linda. Algumas tradições de honra eu faço questão de manter, principalmente quando se trata de proteger você e o futuro da nossa família. Quero fazer tudo certo.

— O advogado me mandou os papéis da transferência patrimonial hoje, finalmente tudo está organizado — Draco murmurou. — Amor, finalmente meu sobrenome já não é motivo de vergonha. Eu mal posso esperar para assinar os papéis do nosso casamento; já está na hora de chamá-la de senhora Malfoy, mas entendo se você não quiser. Eu posso ser o senhor Granger a partir de agora.

Hermione sentiu o peito apertar, não pela proposta, mas pela vulnerabilidade crua de Draco. Ela se afastou minimamente para olhar nos olhos dele, aquelas íris cinzentas que ela aprendera a ler como ninguém mais no mundo.

— Seu sobrenome não me assusta, Draco — ela disse, a voz firme e carregada de uma doçura que parecia envolver o ambiente. — O que ele significou no passado não tem poder sobre o que estamos construindo aqui.

Ela levou a mão ao rosto dele, contornando a linha de seu maxilar.

— Eu não quero que você seja o senhor Granger. Eu quero que sejamos nós. E, se você ainda deseja que eu carregue o seu sobrenome, saiba que não seria uma concessão, nem um peso. Seria uma honra. Eu ficaria imensamente feliz em ser a senhora Malfoy, porque esse nome, agora, pertence a você e a mim, e a tudo o que sobrevivemos para conquistar.

Draco ficou paralisado por um segundo, processando a magnitude daquelas palavras. Um brilho úmido contornou seus olhos antes que ele a puxasse para um abraço apertado, escondendo o rosto no pescoço dela. O alívio em sua respiração era palpável, uma entrega total de quem finalmente encontrava o seu lugar no mundo.

— Você não tem ideia do que isso significa para mim — ele sussurrou, a voz falhando ligeiramente.

— Eu tenho ideia — ela respondeu, beijando a cicatriz do rosto dele. — Eu sei exatamente o que significa. Significa que, a partir de agora, a história dos Malfoy não será mais escrita com medo, mas com a nossa verdade.

Ele esticou o braço, alcançando a calça jogada no chão, e puxou de um bolso interno uma pequena caixa de veludo negro. Quando a abriu, revelou um anel de prata polida, cujo aro fino e elegante sustentava uma combinação sóbria e profunda: uma esmeralda verde-intensa cravada ao lado de um pequeno rubi vermelho-sangue, ambos presos por um engaste minimalista que valorizava tanto a força das cores quanto o brilho prateado do metal.

— Eu comprei este anel e o guardei comigo muito antes de cruzarmos o oceano. Antes mesmo de decidirmos vir para Malta. Na verdade, eu comprei dois anéis: o que está no seu dedo e este — Draco confessou, a voz trêmula. — Eu sabia que, se saíssemos vivos daquela torre em Hogwarts, eu passaria o resto dos meus dias venerando você. Quero ver você grávida nesta casa, linda. Quero os nossos filhos correndo descalços, livres dos fantasmas do passado. Quero construir uma história com você que seja baseada no amor.

Hermione sentiu as lágrimas quentes de felicidade transbordarem enquanto ele deslizava o anel pelo seu dedo.

— Nós vamos ter tudo isso,meu amor — ela prometeu, com a voz embargada. — Eu aceito ser sua esposa. Aceito ser a senhora Malfoy.

Ele soltou um suspiro de alívio e a puxou para si, selando o noivado com um beijo faminto, iniciando mais uma noite de amor que se estenderia até o amanhecer.

Os meses passaram com a tranquilidade das marés, e o contato com o mundo antigo vinha na forma de envelopes de papel pardo que chegavam a cada dois meses através do sistema de correspondência trouxa internacional. Harry aprendera a usar os selos postais britânicos, preenchendo as linhas com sua caligrafia desalinhada de sempre.

Hermione estava sentada enquanto lia as notícias de Londres para Draco, que permanecia deitado com a cabeça no colo dela.

— "Harry diz que o Ministério terminou a reforma do Beco Diagonal" — Hermione leu. — "A loja de poções do boticário que começou o surto foi transformada em um memorial para as vítimas. Ele e Theo se mudaram para uma casa maior em Godric's Hollow. Theo está trabalhando na criação de novas barreiras rúnicas para os vilarejos, baseadas na contra-maldição que desenvolvemos. Ele também escreveu que o mundo bruxo europeu está finalmente se reerguendo por completo; as redes comerciais com a Europa continental voltaram a funcionar e o Ministério está oferecendo subsídios para jovens casais reconstruírem as vilas devastadas."

Draco soltou um ruído áspero, mantendo os olhos fechados, enquanto Hermione lia a carta e lhe fazia cafuné.

— Nott sempre foi bom com desenhos idiotas. Pelo menos o Potter está mantendo ele ocupado para que ele não decida vir até aqui perturbar o meu silêncio.

Hermione sorriu, continuando a leitura.

— "A cerimônia de casamento nas estufas de Hogwarts foi absolutamente memorável, não foi? Ainda não consigo acreditar que vocês conseguiram convencer a avó do Neville a não ter uma síncope quando viu o vestido verde Sonserina da Pansy."

Hermione leu, sorrindo ao se recordar daquele dia. Enquanto lia, sua mente foi transportada para a imagem de Draco caminhando pelo corredor; ele estava impecável naquele terno escuro, ela lembrava de como o sol, filtrado pelo vidro, iluminava o rosto dele, fazendo-o parecer mais elegante, e irresistível do que nunca.

— Você estava incrivelmente elegante naquele dia, sabia? — ela comentou, baixando a carta e acariciando a bochecha dele com a ponta dos dedos. — Confesso que fiquei até hipnotizada observando a forma como você a conduziu até o altar. Você parecia tão centrado.

Draco soltou uma risada baixa, os olhos faiscando de diversão.

— Eu estava apenas garantindo que a Parkinson não cometesse o erro de tropeçar e arruinar o casamento do Longbottom — ele respondeu com um tom brincalhão, embora seu olhar se suavizasse ao encontrar o dela. — Mas, sendo sincero? Eu gostei de ver que você não conseguia tirar os olhos de mim, gostei mais ainda como nossa noite terminou.

Hermione riu, voltando a atenção para o papel em suas mãos.

— "Mas o motivo real de eu estar escrevendo este pós-escrito é a novidade que soubemos ontem: ela está grávida! Neville está em estado de choque, apavorado, achando que ela vai dar à luz uma criança que vai berrar mais do que uma mandrágora. Enquanto isso, Blaise e Ginny mandam lembranças; eles estão instalados em um chalé no País de Gales, e Blaise assumiu a coordenação dos suprimentos de ditamno do Ministério."

Hermione dobrou a carta devagar, trocando um olhar divertido com Draco, que já parecia absorvido pela ironia da situação.

— O Longbottom vai ter um colapso nervoso antes mesmo da criança nascer — Draco comentou, a voz carregada de uma serenidade que ela guardava como seu maior tesouro. — Mas eles vão ser bons pais. Especialmente se a criança puxar o gênio da Pansy — disse, com deboche.

Draco estendeu os braços e a puxou para seu peito, acomodando-a contra seu corpo. Hermione deixou-se envolver pela segurança daquele abraço, ainda processando a mudança na vida de todos eles.

— Eles estão seguindo em frente — ela murmurou, a voz quase inaudível contra o peito dele. — Mas e nós? Às vezes, tenho medo de que sejamos apenas ecos de tudo o que perdemos, que a nossa paz seja apenas uma pausa antes de algo desmoronar. Nós realmente sobrevivemos a isso, ou só aprendemos a esconder as cicatrizes?

Draco apertou o abraço, sentindo a vibração das palavras dela contra sua pele.

— Nós não estamos apenas sobrevivendo, querida — ele murmurou, os lábios pressionando a têmpora dela. — Nós estamos vivos de verdade. Pela primeira vez em toda a minha porra de vida, eu sei o que é acordar de manhã e não querer que o mundo termine antes do meio-dia.


Notas finais
Qual foi a parte favorita de vocês hoje? Se está com vontade de ler mais, não se esqueça de favoritar, comentar e acompanhar a fanfic! São essas pequenas ações que ajudam a plataforma a recomendar a história para novos leitores. Nos vemos no próximo capítulo! 🐍🦁 ─── ❖ ── ✦ ── ❖ ─── Ainda não quer sair desse universo? Me acompanhe no TikTok para ver a estética dos personagens, spoilers e descobrir quando sai o próximo capítulo! Siga: https://www.tiktok.com/@ismrf_author