O Apocalipse do Sangue | Dramione

11 Pʀɪᴍᴇɪʀᴀ Vɪᴛóʀɪᴀ


Notas iniciais
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Draco imobilizava o bruxo, que já estava nos espasmos iniciais da transformação. Seus dentes estalavam, uma saliva escura escorria de sua boca e seus olhos haviam perdido quase toda a cor, tornando-se uma película esbranquiçada de pura agressividade.

— Segure a cabeça dele, Potter! — Draco comandou a Harry, que havia se aproximado para dar cobertura. Harry ajoelhou-se e segurou firmemente o crânio do rapaz, impedindo-o de mover o pescoço.

Hermione empunhava a longa seringa de prata, um instrumento híbrido que permitia a injeção direta de poções no sistema circulatório do indivíduo; o fluido azul-turquesa brilhava dentro do cilindro de vidro, emitindo uma pulsação de luz fria que parecia desafiar a escuridão do saguão.

Antes de avançar, a mão de Hermione hesitou por um segundo sobre a carótida do infectado. Draco, percebendo o tremor sutil nos dedos dela e sabendo o peso daquela responsabilidade, inclinou-se ligeiramente.

— Ele está imobilizado, Granger. Não vai se mexer. Concentre-se — ele murmurou, a rigidez de sua voz suavizando-se apenas o suficiente para que ela se apoiasse em sua firmeza. Hermione respirou fundo, encontrando estabilidade no olhar dele.

— Isso vai doer mais do que a mordida — ela avisou ao auror, embora não soubesse se ele ainda conseguia entendê-la.

Ela posicionou a agulha diretamente na veia carótida do pescoço, o ponto mais próximo do fluxo neuro-mágico principal e do núcleo mágico, e, com um movimento firme, empurrou o êmbolo.

O fluido azul entrou no sistema do infectado.

Por três segundos que pareceram durar uma eternidade, nada aconteceu.

O silêncio caiu sobre o grupo que observava a cena; até mesmo a tensão ao redor pareceu diminuir de intensidade diante da audácia daquele experimento. Theo mantinha a varinha em punho, com os olhos ágeis alternando entre o ferido e as grades de contenção. Os nós de seus dedos estavam brancos pela pressão, enquanto ele se mostrava pronto para erguer novamente um escudo ao menor sinal de falha.

Ao lado, Harry mantinha o peso do corpo sobre o rapaz, enquanto Draco segurava firmemente os braços do bruxo contra o chão e vigiava Hermione com um olhar protetor, calculando a distância exata para puxá-la caso o pior acontecesse.

De repente, o rapaz ferido arqueou o dorso para cima com uma violência que quase deslocou os braços que Draco segurava. Um grito desumano escapou de sua garganta, um som que não era dele, mas o eco da contra-maldição destruindo a necromancia em suas veias.

As veias negras que subiam por seu pescoço começaram a brilhar com a mesma luz azul-turquesa da poção. A necrose pareceu parar de avançar e, centímetro por centímetro, as linhas escuras começaram a retroceder na direção da ferida original no ombro. O fluido escuro que escorria de sua boca tornou-se novamente saliva clara.

O bruxo relaxou abruptamente, caindo contra o mármore. Sua respiração, antes ruidosa e caótica, estabilizou-se em uma cadência fraca, mas puramente humana. Os olhos dele se abriram lentamente, com as pupilas castanhas voltando ao normal ao focarem no teto.

— Eu... eu estou vivo? — o rapaz sussurrou, com a voz fraca e trêmula.

Hermione aproximou a varinha e conjurou um feitiço de diagnóstico. As linhas de luz mágica flutuaram sobre o corpo dele e, desta vez, não se quebraram; elas formaram um padrão estável, azul e dourado.

— O núcleo mágico dele foi reiniciado — Hermione anunciou, as lágrimas de alívio finalmente rolando por suas bochechas. Ela olhou para Draco, com o rosto iluminado pela primeira vitória real daquela guerra.

— Funcionou, Draco. A sua assinatura mágica limpou a infecção. Nós temos a cura.

Antes que qualquer outra palavra pudesse ser dita, Hermione cedeu ao turbilhão de emoções que a dominava. Ela largou a seringa e se lançou para a frente, envolvendo os ombros de Draco com os braços em um abraço desesperado e apertado. Ela enterrou o rosto na curva do pescoço dele, chorando abertamente, com o corpo inteiro tremendo após o fim daquela tensão lancinante.

Draco congelou por um milésimo de segundo, pego de surpresa pela demonstração pública, mas seus instintos possessivos falaram mais alto. Ele passou os braços firmes pela cintura dela, puxando-a contra o peito e escondendo o rosto em seus cabelos cacheados. No meio daquele salão destruído, ele a manteve colada a si como se ela fosse a única coisa sólida no universo.

— Você conseguiu, querida — ele sussurrou contra o ouvido dela, com a voz desprovida de qualquer sarcasmo, carregada de uma reverência profunda que apenas ela pôde ouvir. — Você o salvou.

Harry soltou um suspiro que pareceu tirar um peso de toneladas de seus ombros. O cansaço em suas feições deu lugar a um alívio genuíno. Ele deu um tapa leve no ombro de Draco, que continuava segurando Hermione por mais um segundo antes de, relutantemente, deixá-la se afastar. Os olhos cinzentos de Draco varreram o corpo de Hermione com minúcia, com as mãos espalmadas nos braços dela, verificando obsessivamente se ela não tinha sido atingida por estilhaços e se o sangue manchando as roupas dela era apenas o que se transferira de sua túnica durante o abraço.

— Você está inteira? — ele perguntou, urgente, com os olhos fixos nos dela. Ela apenas assentiu, limpando o rosto molhado pelas lágrimas e segurando os pulsos dele por um instante para acalmá-lo.

À curta distância, Theo guardou a varinha e soltou o ar que nem sabia que estava prendendo. Ele caminhou até Harry, estendendo a mão para ajudar o marido a se levantar do chão de mármore sujo. Harry aceitou o apoio, com as pernas vacilando levemente pelo esforço físico e mágico.

— Juro que por um segundo achei que teríamos que apagar o Malfoy para deixar a Granger conseguir testar a cura — Theo comentou em voz baixa, embora houvesse uma nítida nota de admiração e alívio em seu tom.

— Ele não a deixaria sofrer nada, Theo. Eu já entendi isso — Harry respondeu, limpando os óculos embaçados na túnica rasgada e olhando para o Sonserino. — Obrigado por trazê-la em segurança. Se você não estivesse cobrindo as costas dela do laboratório até aqui…

— Ela teria subido de qualquer jeito, baby. Sua amiga tem a teimosia de um testrálio — Theo interrompeu com um meio sorriso, colocando a mão no ombro do marido de forma carinhosa. — Você também não está com uma cara ótima. Tente não morrer antes de sairmos deste prédio. Não quero ficar viúvo, por Salazar.

Harry soltou um riso fraco, daqueles que nascem do puro esgotamento, e cobriu a mão de Theo com a sua, apertando-a por um breve segundo. O calor do toque era o seu único ponto de ancoragem no meio de todo aquele sangue e destruição.

— Vou tentar — Harry murmurou. Ele olhou ao redor, observando os poucos aurores que restavam, e depois voltou os olhos verdes para o marido, semicerrando-os ao notar um corte raso na têmpora de Theo. — Você está sangrando.

— É poeira e drama, nada com que se preocupar — Theo minimizou com o cinismo habitual, embora tivesse inclinado o rosto sutilmente contra a mão de Harry quando este ergueu os dedos para limpar o rastro de sangue. O Sonserino suspirou, deixando de lado as piadas por um instante enquanto seus olhos escaneavam o semblante exausto de Potter. — Suas barreiras rúnicas salvaram metade deste lugar. Mas você está operando no limite do seu núcleo mágico. Não abuse da sorte.

— Eu precisava segurar os infectados até vocês chegarem — Harry justificou-se, ajeitando os óculos tortos e respirando fundo. — Se aquela grade tivesse cedido completamente antes de a cura estar pronta...

— Mas não cedeu — Theo o interrompeu, deslizando os dedos pelo maxilar de Harry até forçá-lo a manter o olhar fixo nele. — Você nos deu o tempo necessário.

Harry assentiu, sentindo o peso nos ombros diminuir um pouco diante da solidez do companheiro. Ele sabia que a calmaria era temporária e que o país lá fora estava desmoronando, mas aquele momento de silêncio compartilhado era tudo o que precisavam para recarregar as forças. Lentamente, Theo afastou a mão, voltando sua atenção para o centro do salão.

Theo observou o amigo. O garoto que fora marcado para destruir acabara de se tornar a fonte da salvação do mundo bruxo; o destino era mesmo irônico.

A Marca Negra que manchava o antebraço esquerdo de Draco, fora, por anos, o prelúdio do fim. Um lembrete perpétuo do terror sussurrado nos corredores frios da Mansão Malfoy e do peso sufocante de uma guerra que eles nunca pediram para lutar. Ambos haviam crescido como peões em um tabuleiro de horrores, condicionados pela elite a acreditar que não tinha redenção possível para aqueles moldados nas sombras.

E, no entanto, era a magia inerente àquele mesmo sangue puro, àquela alma que a sociedade julgava irreparavelmente corrompida, que acabara de arrancar um homem das garras da necromancia.

Theo sentiu um aperto na própria garganta, um misto de luto pelo que foram e reverência pelo que se tornaram. Havia uma justiça brutal e poética naquilo tudo. A frieza que Draco fora treinado para usar como carrasco agora era canalizada com uma ferocidade obstinada para proteger a bruxa ao lado dele.

Uma nascida trouxa.

A mesma mulher que o antigo mundo deles fora ensinado a exterminar, mas que agora era, indiscutivelmente, a única coisa capaz de manter o coração do Sonserino batendo. Por muito tempo, Theo temeu em silêncio que Draco simplesmente desistisse de viver. Enquanto todos os seus amigos mais próximos lutavam para seguir em frente e curar as cicatrizes do passado, Draco havia se rendido a uma inércia sombria.

Ele não vivia; apenas existia, arrastando-se pelos dias como um fantasma dentro da própria mente. Por isso, observar a vivacidade feroz que agora voltava a incendiar os olhos cinzentos do amigo, uma luz cortante que só despertava quando direcionada a Hermione Granger, trazia a Theo uma felicidade e um alívio imensos.

Draco se levantou com cuidado junto com Hermione, limpando as mãos na túnica. Seus olhos cinzentos ainda estavam fixos na bruxa e, enquanto as mãos deles se mantinham entrelaçadas, ele olhou ao redor, reassumindo instantaneamente sua postura rígida diante dos outros. Ele ignorava os olhares dos aurores e os murmúrios dos guardas da retaguarda que começavam a perceber o milagre que acabara de acontecer.

Ele a manteve por perto por alguns instantes, como se desconfiasse daquela vitória repentina. Ele costumava vencer.

Parou diante dela e, com a face cansada, conteve a emoção que ameaçava transbordar.

— Você é uma bruxa brilhante de verdade, querida — ele afirmou, com a voz rouca voltando ao tom familiar, os dedos longos tocando de leve o queixo dela para erguer seu rosto. — Mas agora, nós temos um problema maior.

— Qual? — ela perguntou, a intensidade do olhar dele fazendo seu coração acelerar novamente.

— Nós temos a cura para um homem — Draco encarou os infectados presos nas grades e depois as mensagens de pergaminho que chegavam pelas corujas de emergência, trazidas pelos postos avançados.

Ele se voltou momentaneamente para dar ordens aos subordinados com sua rispidez habitual: — Mantenham esse perímetro fechado e reforcem as barreiras rúnicas agora! — ele ordenou a um grupo de aurores, antes de se concentrar novamente em Hermione.

— Essa desgraça de doença está em toda parte. Hogwarts e os vilarejos periféricos estão sendo cercados por milhares de infectados. E eu não tenho sangue suficiente no meu corpo para salvar todo mundo sozinho.

Hermione sorriu, um sorriso desafiador que carregava a força da Grifinória e a precisão da ciência trouxa.

— Não vamos precisar de mais nenhuma gota do seu sangue, Draco. Agora que compreendemos o padrão e sabemos como replicar a assinatura mágica, podemos usar a Rede de Flu para dispersar a cura em forma de névoa por todo o país. Mas, para isso, precisamos chegar à Torre de Astronomia de Hogwarts. É o ponto mágico mais alto da Grã-Bretanha bruxa.

Harry e Theo se aproximaram, estreitando o círculo ao redor dos dois. Harry olhou para as mãos unidas de Hermione e Draco e, depois, para o semblante exausto da amiga. Ele se posicionou instintivamente ao lado esquerdo dela, como sempre fizera em todas as missões suicidas de suas vidas.

— Se Hogwarts é o objetivo, nós vamos juntos — Harry afirmou, com a voz firme de um líder dos aurores assumindo o controle. — Mas o caminho vai estar infestado. Malfoy, precisamos de batedores.

Theo olhou para o marido e depois para Draco, com uma expressão séria.

— Eu vou preparar o estoque restante de acônito e estabilizadores. Não podemos voar com caldeirões, mas posso garantir que o concentrado chegue intacto. Só garanta que a Granger não caia daquela vassoura, Malfoy. Se ela cair, estamos todos fritos.

Draco apertou a mão de Hermione, os cantos da boca se movendo no seu antigo sorriso sarcástico. A armadura Sonserina estava perfeitamente no lugar para os outros, mas os olhos brilhavam com um cuidado feroz reservado apenas para ela.

— Então parece que vamos ter que fazer uma visita à nossa antiga escola, querida. Espero que você se lembre de como voar em uma vassoura, porque as lareiras daqui já eram. Fique perto de mim e não ouse soltar a minha túnica no ar.

Notas finais
O Draco sendo o escudo definitivo da Hermione, chamando ela de "querida" pela segunda vez e apertando ela nos braços depois da cura dar certo?! Me conte nos comentários o que você achou dessas confissões no meio da guerra e como acha que vai ser essa viagem de vassoura até Hogwarts! Se está com vontade de ler mais, não se esqueça de favoritar, comentar e acompanhar a fanfic! São essas pequenas ações que ajudam a plataforma a recomendar a história para novos leitores. Nos vemos no próximo capítulo! 🐍🦁 ─── ❖ ── ✦ ── ❖ ─── Ainda não quer sair desse universo? Me acompanhe no TikTok para ver a estética dos personagens, spoilers e descobrir quando sai o próximo capítulo! Siga: https://www.tiktok.com/@ismrf_author