Notas iniciais
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A viagem para Malta não foi feita por Chaves de Portal ou feitiços de transição espacial bruxa; Hermione insistiu em comprar passagens em um navio que partiu do porto de Southampton em direção a Malta. Ela queria sentir a distância. Queria ver o mar mudar quilômetro por quilômetro, deixando o cinza industrial e o peso dos escombros da Grã-Bretanha pós-guerra para trás, abraçando o azul profundo, infinito e vivo do Atlântico e do Mediterrâneo.

Draco passou os primeiros dias no navio com uma óbvia desconfiança aristocrática em relação à tecnologia trouxa. Ele olhava para as turbinas a vapor e para as estruturas colossais de ferro com a mesma expressão de quem analisa uma criatura altamente perigosa do Departamento de Mistérios.

— Essa abominação trouxa funciona sem um único feitiço de flutuação? — ele perguntara na segunda noite, enquanto caminhavam pelo convés sob um céu coberto de estrelas que eles nunca haviam visto na Europa. — É contra as leis naturais da física mágica. Se esse metal decidir que quer afundar, nós vamos ter que aparatar no meio do oceano e nadar com os tubarões.

Hermione riu, enlaçando seu braço ao dele. Ela usava um vestido longo de algodão azul-escuro, o vento marítimo trazia cachos de seus cabelos contra o rosto de Draco.

— Chama-se engenharia, Draco. Os trouxas não precisam de varinhas porque eles usam a mente para moldar o mundo de forma física. É uma forma diferente de magia. Uma magia que não falha quando o seu núcleo entra em colapso.

Draco olhou para ela.

— A sua mente faz a mesma coisa, querida. Você usou a ciência deles para salvar a nossa magia. Se você não tivesse passado esses seis anos estudando a porra dos cérebros trouxas na Austrália, nós seríamos todos carne podre agora nas ruas de Londres.

Na quarta noite de viagem, quando o navio finalmente deixava as águas abertas do norte para trás e deslizava pelas correntes mais quentes e calmas que banham o sul da Europa, o peso do silêncio mudou. O ar, antes cortante e carregado pela bruma do norte, tornara-se agora brando, trazendo o perfume da maresia que parecia purificar a própria atmosfera.

Hermione estava estática junto ao parapeito, os olhos fixos na vastidão escura da água. As lágrimas começaram a descer, silenciosas e pesadas. Não eram lágrimas de desespero, mas o início doloroso da superação do luto; a sensação de que, a cada milha percorrida para longe da Grã-Bretanha, a necrose da guerra perdia seu poder sobre ela.

Pela primeira vez desde o fim da tempestade de prata, ela estava processando a ausência definitiva de seus pais. A dor, guardada sob tantas camadas de adrenalina e sobrevivência, finalmente encontrava espaço para respirar.

Draco aproximou-se por trás, envolvendo-a com seus braços longos, colando o peito quente contra as costas dela. Ele enterrou o rosto em seus cabelos molhados de maresia.

— Eu sou péssimo com palavras de consolo, querida. — ele sussurrou, os braços apertando-a com uma firmeza protetora. — Eu não sei como consertar essa dor, e não sei o que dizer para fazer o luto ir embora. Mas eu posso fazer você se sentir bem. Posso fazer você se sentir viva. Aqui. Comigo.

Hermione virou-se nos braços dele, escondendo o rosto em seu peito, ela segurou o tecido da camisa dele com os dedos, sentindo o pulsar constante e forte do coração dele. A respiração dela falhou quando sentiu as mãos de Draco deslizarem com uma urgência contida, os dedos quentes traçando a linha de sua espinha enquanto ele inclinava a cabeça, roçando os lábios no pescoço dela em um convite claro, uma promessa de entrega que fazia o sangue dela ferver. Hermione suspirou, o corpo arqueando-se instintivamente contra o dele, perdendo-se na fricção do toque que parecia querer devorá-la.

Draco, no entanto, interrompeu o movimento. Ele se afastou apenas o suficiente para que seus olhares se cruzassem, a respiração de ambos pesada e descompassada. Seus olhos cinzentos estavam escuros, lutando contra o próprio desejo enquanto ele segurava o rosto de Hermione entre as mãos.

Hermione, porém, não estava disposta a deixar o momento se dissipar. Sem dizer uma palavra, ela começou a guiá-lo pelo convés.

Ao chegarem à porta da cabine, ela a abriu com um solavanco, empurrando-o gentilmente para dentro. O ambiente era compacto, iluminado apenas pela luz que entrava pela escotilha, pintando o metal e a madeira com sombras profundas. Hermione fechou a porta atrás deles com as costas, a mão segurou o colarinho da camisa dele, sem permitir que houvesse distância suficiente para que ele pudesse reconsiderar.

— O que você está fazendo? — a voz de Draco saiu baixa, um quase rosnado de aviso que ela ignorou, colando o corpo ao dele com uma coragem que a surpreendeu.

— Eu estou tirando o resto do mundo de cena, Draco — ela respondeu, a voz carregada de uma urgência que ele não pôde negar. — A partir de agora, só existe o que acontece aqui dentro.

— Não — ele disse, a voz vacilante, mas firme. — Não aqui. Não desse jeito, bruxinha. — Ele acariciou a bochecha dela com o polegar, um gesto suave que contrastava com a intensidade do que sentiam. — Eu quero você. Quero você mais do que achei possível querer alguém. Mas quero que a nossa primeira vez seja em um quarto, em uma cama, com todo o conforto e a calma que você merece.

Ele a trouxe para mais perto, beijando-lhe a testa, enquanto a promessa do que viria deixava o ar entre eles carregado de expectativa.

No quinto dia, o navio finalmente atracou, e eles seguiram por terra até o destino final. O impacto de pisar em terra firme após dias no mar foi acompanhado pelo calor seco e vibrante batendo contra seus rostos. Eles alugaram um carro para atravessar a ilha; veículo que Hermione dirigiu enquanto Draco observava, anotando mentalmente que aquela era mais uma habilidade que ele precisava dominar.

Deixaram o porto movimentado para trás, até finalmente chegarem ao seu refúgio.

A casa que Draco comprara ficava encravada nos penhascos de uma vila costeira, com vista para as águas do Mediterrâneo. Era uma estrutura de dois andares, de paredes de pedra típicas da região, lavadas pelo sol e pela brisa salgada, com grandes janelas de vidro que se abriam diretamente para a imensidão do horizonte.

Ao redor da casa, não havia jardins formais como os da Mansão Malfoy, com arbustos podados de forma geométrica; havia apenas a vegetação rasteira e teimosa da encosta maltesa, arbustos de tomilho e alecrim selvagem cujo aroma herbal misturava-se ao salitre do mar, e o som constante das ondas que quebravam contra as falésias lá embaixo.

— Não é uma mansão — Draco disse, enquanto carregava as malas trouxas para dentro da sala de estar vazia, que cheirava a madeira nova. O chão de tábuas corridas ecoava seus passos. — Mas o corretor me garantiu que a estrutura aguenta as ventanias sem precisar de feitiços de ancoragem estrutural.

Hermione caminhou até a grande janela da sala, olhando para a imensidão azul lá fora. O sol da tarde entrava pelo vidro, projetando quadrados de luz dourada no chão de madeira. Ela sentiu uma onda de paz tão profunda que seus ombros, permanentemente tensos desde os dezessete anos, finalmente relaxaram por completo.

— É perfeita, Draco — ela disse, virando-se para ele com os olhos brilhando. — É exatamente o que eu precisava.

Quando as portas da frente se fecharam completamente, deixando o resto do mundo e o passado de fora, o silêncio da casa tornou-se absoluto.

Draco largou a última mala no chão com um baque surdo. Ele virou-se para Hermione, cujos olhos castanhos o observavam com uma expectativa densa, despida de qualquer hesitação. Ele deu um passo à frente, quebrando o espaço entre eles com uma lentidão quase dolorosa. Suas mãos longas subiram para as bochechas dela, os polegares acariciando seus lábios, que se abriram em um suspiro morno.

Draco examinou o rosto dela com uma preocupação contida. Ele a envolveu em um abraço leve, mas firme.

— Você deve estar exausta — ele murmurou contra o topo de sua cabeça, a voz baixa. — A viagem foi longa. Quer descansar? Está com fome? Posso preparar um banho quente.

Hermione ergueu o rosto, seus olhos encontrando os dele. Ela negou com a cabeça.

— Não, Draco. Não quero banho, nem comida. Eu só quero você.

A confissão pairou no ar, densa e carregada.

Eu preciso de você, Hermione — ele confessou, a voz caindo para um registro grave, cru. — Há tanto tempo que eu só penso em você. É uma obsessão que consome cada fibra do meu ser.

Draco começou a envolver seus cabelos com os dedos, puxando sua cabeça delicadamente para trás, expondo a curva sensível do pescoço dela. Ela fechou os olhos, soltando um gemido baixo quando ele começou a traçar o contorno de seu rosto, descendo pelos ombros até a clavícula. A urgência que ela sentia não era apenas física, era uma sede de anos. Quando os dedos de Draco roçaram a nuca dela, o mundo exterior, o som das ondas nas falésias de Malta, o silêncio da casa nova, deixou de existir.

As mãos de Draco, antes contidas, agora exploravam as curvas dela com uma fome, testando o calor que emanava sob o tecido.

Ele começou a abrir os botões do vestido azul dela, deixando o tecido escorregar pelos ombros e cair no chão. Hermione tirou a camisa dele, empurrando-a para longe, revelando o peito largo e a pele clara marcada pelas cicatrizes das batalhas, cicatrizes que ela beijou uma a uma, deixando rastros úmidos que faziam o Malfoy soltar um ruído rouco no fundo da garganta.

Ele a ergueu com facilidade, as pernas dela envolvendo a cintura dele de forma instintiva enquanto ele a carregava em direção ao quarto. O trajeto pelo corredor foi marcado por beijos urgentes e respirações entrecortadas, esbarrando de leve nas paredes até que ele finalmente alcançasse a cama, deitando-a sobre os lençóis. O peso de Draco sobre ela era uma promessa; ele posicionou-se entre as pernas dela, apoiando o peso nos antebraços, olhando-a de cima com os olhos cinzentos escurecidos pelo desejo puro.

Ele hesitou, os músculos de suas costas tensos, as bochechas corando sutilmente, engoliu em seco, desviando o olhar antes de focar novamente nos olhos dela.

Amor — ele começou, a voz áspera, quase tímida. — Faz muito tempo. Anos. Eu, eu nunca estive com ninguém de verdade depois que tudo começou. No meio daquela escuridão, da marca, do isolamento, eu não conseguia tocar em ninguém. É quase como se eu fosse virgem de novo. Só existia você na minha mente. Só você. Tenho medo de te tocar, te machucar…

Hermione sentiu uma onda de afeto e desejo tão violenta que seus olhos arderam. Ela estendeu as mãos, acariciando os cabelos loiros, puxando a cabeça de Draco para baixo até que suas testas se encostassem.

— Você não vai me machucar. — ela sussurrou contra os lábios dele, a voz cheia de uma paixão. — Esquece o resto do mundo. Somos só nós dois agora.

Draco soltou um suspiro trêmulo e entregou-se por completo. Quando ele se uniu a ela, o movimento foi lento, profundo e preenchido por uma intensidade que fez ambos arfarem em uníssono.

As mãos de Draco entrelaçaram-se às dela contra os lençóis, os dedos longos apertando os dela a cada movimento ritmado, firme e quente. O suor brilhava em suas peles e os gemidos de Hermione, baixos e sôfregos perto do ouvido dele, eram o único som que competia com o barulho do oceano lá fora. Draco movia-se com uma devoção religiosa, cada toque seu gravando na carne dela a certeza de que ele pertencia a ela por inteiro. Cada investida era uma declaração silenciosa, uma forma de apagar as cicatrizes do passado com o prazer absoluto do presente.

Eles alcançaram o ápice juntos, em um estalo de respirações cortadas, corpos trêmulos e um abraço tão apertado que parecia querer fundir suas peles, finalmente encontrando, no calor um do outro, a paz que tanto tempo lhes foi negada.

Mais tarde, quando a noite caiu e o céu sobre os penhascos de Malta se cobriu com uma infinidade de estrelas brilhantes, Draco permaneceu deitado de lado, com Hermione aninhada em seu peito, a cabeça dela subindo e descendo com sua respiração calma.

Draco acariciava os cachos dela, olhando para o teto da casa nova, sabendo que, naquela cama, o inverno havia finalmente terminado para os dois.

Notas finais
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