O Apocalipse do Sangue | Dramione

10 O Esᴄᴜᴅᴏ Vɪᴠᴏ


Notas iniciais
Para entrar na vibe: https://tinyurl.com/ismrf-writing

Um estrondo violento ecoou do teto, fazendo a estrutura de pedra do laboratório tremer violentamente. A poeira caiu das vigas sobre as mesas de trabalho enquanto o som de gritos distantes, passos em desespero e o eco de feitiços de impacto começaram a descer em cascata pelos corredores do Departamento de Mistérios.

O pânico no andar de cima quebrou as barreiras. O tempo deles estava acabando.

— Hermione, o caldeirão! — Theo gritou, usando a varinha para levitar o recipiente de bronze onde a poção azul-turquesa brilhava. — Se as estruturas colapsarem, perderemos horas de trabalho!

— Coloque no suporte de metal e sele na maleta de contenção! — Hermione pediu, a adrenalina limpando qualquer resquício de exaustão. — Nós vamos subir.

— Ficou maluca? — Nott rebateu, embora suas mãos movessem a maleta com rapidez.

Enquanto fechava as travas de metal, a mente de Theo trabalhou em alta velocidade, traçando um diagnóstico rápido e perigoso da situação. Ele conhecia Draco Malfoy desde a infância; eles cresceram sob os mesmos tetos frios e as mesmas cobranças implacáveis de pureza de sangue. Sabia perfeitamente que o instinto de preservação de Draco sempre fora sua maior bússola, mas o homem que ele presenciou horas atrás, tenso, possessivo e com os olhos cravados em Hermione Granger como se ela fosse o próprio oxigênio dele, já não respondia mais àquele velho manual de sobrevivência.

O idiota se apaixonou completamente, Theo pensou, sentindo um arrepio na espinha.

E se havia algo pior no mundo do que o Malfoy sendo egoísta, era ele sendo protetor com a pessoa que amava. Se aquela garota sofresse um arranhão sequer lá em cima, Draco não se importaria em queimar o resto do Ministério inteiro, e quem estivesse junto, para exterminar a ameaça.

Levar Hermione para o epicentro da infecção não era apenas arriscado para ela; era assinar uma sentença de morte para o temperamento já instável do Malfoy.

— O Malfoy me mata se cruzarmos aquela porta — Theo verbalizou por fim, os olhos arregalados em uma preocupação genuína que ia muito além da bronca do amigo.

— O Malfoy está tentando conter uma horda sem a cura. Nós temos a cura, Theo. Mova-se!

Eles irromperam pelo corredor escuro, os passos ecoando contra as pedras úmidas do subsolo. À medida que subiam os degraus em direção aos andares superiores, o ar se tornava cada vez mais denso e sufocante, impregnado com o cheiro metálico de sangue e o odor adstringente de magia superaquecida. Impactos violentos chacoalhavam as paredes, derrubando fragmentos ao redor deles.

Hermione apertava a própria varinha com tanta força que os nós de seus dedos doíam, enquanto Theo, logo atrás, mantinha os braços firmemente travados ao redor da maleta, pois estava segurando a última linha de defesa da humanidade.

O átrio do Ministério da Magia, outrora um símbolo de poder, opulência e burocracia, havia se transformado em um cenário devastador de guerra. As luzes mágicas do teto piscavam de forma intermitente, projetando clarões fantasmagóricos sobre a multidão de bruxos que se empurravam, gritavam e se pisoteavam em direção às lareiras da Rede de Flu. Muitas delas já tinham sido desativadas mecanicamente pela administração para evitar que o surto se propagasse para outras cidades inglesas, gerando um gargalo de desespero humano.

No centro do salão, uma linha de aurores sobreviventes tentava, a duras penas, manter um perímetro de segurança ao redor de uma área isolada por pesadas grades de ferro reforçado. Lá dentro, as vítimas de Upper Flagley já não exibiam qualquer traço de humanidade. Seus corpos moviam-se com uma agilidade sobrenatural e assustadora: eles escalavam o ferro, chocando-se contra as barras com uma força brutal que quebrava os próprios ossos, os quais se regeneravam instantaneamente pela magia corrompida. Seus dentes estalavam em um ritmo frenético e os olhos, completamente opacos e sem íris, estavam fixos na massa de pessoas que recuava.

Draco Malfoy estava na linha de frente, uma rocha no meio da tempestade. Sua túnica estava salpicada de sangue escuro; sua varinha movia-se em arcos rápidos e violentos, conjurando feitiços de barreira para reforçar o ferro que rangia e ameaçava ceder sob os impactos.

— Mantenham a porra da linha! — ele urrou para os aurores que recuavam ao seu lado, a linguagem áspera e militar cortando o tumulto dos gritos. — Se essa grade quebrar, essa merda vai virar um matadouro de verdade! Reduzam o espaço! Bombarda no chão para afastá-los!

Ao seu lado, Harry disparava feitiços de paralisia estrita e correntes mágicas contra os infectados que tentavam escalar as paredes de azulejos decorados do lugar. Mas os feitiços pareciam apenas desacelerar os monstros por breves segundos; a magia deles, superaquecida e necrosada, absorvia e dissipava os impactos dos feitiços de contenção comuns.

— Eles estão ficando mais fortes, Malfoy! — Harry gritou por cima do barulho ensurdecedor de gritos de desespero dos bruxos encurralados e dos ganidos agonizantes dos mortos-vivos. — As barreiras rúnicas não vão aguentar mais dez minutos! A assinatura mágica deles está devorando os meus feitiços!

Harry conseguia ver o suor escorrendo pelo pescoço de Draco, misturando-se à poeira negra que flutuava no salão. Havia uma rigidez desesperada em cada movimento do Sonserino, uma fúria cega que ia muito além do dever. Potter sabia o que alimentava aquela resistência implacável: Malfoy não estava apenas lutando para salvar o Ministério, pois sabia que ele pouco se importava com o destino da comunidade bruxa. Draco estava guardando a entrada das escadas que levavam diretamente ao laboratório no subsolo.

Ele era o escudo que impedia o caos de descer até Hermione.

De repente, um grito agudo, dilacerante, ecoou do lado leste. Uma terceira pessoa, um funcionário do alto escalão do Ministério que escondera uma mordida no antebraço para tentar fugir, entrou em colapso no meio da multidão densa de refugiados. Seu corpo começou a se contorcer violentamente no chão, os membros estalando em ângulos impossíveis enquanto veias negras, grossas como galhos, espalhavam-se como uma praga por seu pescoço e rosto.

A multidão entrou em pânico total, uma massa humana que fluía como uma onda descontrolada.

Na retaguarda, Harry percebeu a mutação instantânea antes que o homem pudesse avançar contra o cordão de civis. Em um movimento rápido, Potter girou o corpo e ergueu a varinha. Um raio escarlate e concentrado de um Reducto modificado cruzou o espaço, atingindo o peito do funcionário em cheio. O impacto não explodiu o corpo, mas implodiu o núcleo mágico corrompido em segundos, desfazendo a necrose antes que ele concluísse a transformação. Os restos colapsaram inertes no mármore, contidos antes de espalhar a contaminação.

Contudo, no caos cego que se seguiu à correria da multidão, uma das criaturas presas aproveitou a distração e forçou as barras de ferro já enfraquecidas. O metal cedeu com um estalo horrendo, abrindo uma brecha larga o suficiente.

O monstro saltou.

Ele voou sobre um jovem auror recém-formado, derrubando-o no chão. Antes que qualquer um pudesse intervir, os dentes da criatura cravaram-se profundamente no ombro do recruta, rasgando o tecido e a carne. O jovem soltou um grito de agonia tão puro e aterrorizante que gelou o sangue de todos os presentes.

Avada Kedavra! — Draco rugiu, sem hesitar por um único segundo.

O relâmpago verde e ofuscante cortou o vasto salão, atingindo a criatura em cheio no peito e jogando-a para longe do rapaz ferido. O monstro finalmente parou de se mover, a magia negra de sua estrutura biológica sendo completamente extinta pela força implacável da maldição da morte. Era uma das magias que funcionava de forma definitiva contra a infecção avançada, mas o custo mental e a quebra da alma para os aurores que precisavam usá-la repetidamente eram devastadores.

Malfoy correu até o rapaz ferido, deslizando de joelhos no chão ensanguentado. O jovem já começava a tremer, convulsionando levemente enquanto a necrose se espalhava a partir da mordida no ombro com uma velocidade inesperada. O tom escuro tomava suas veias e, logo, Draco notou que o tempo para a transformação tinha acelerado de horas para minutos.

Os olhos do rapaz fixaram-se em Draco com um terror absoluto, reconhecendo o executor.

— Por favor, senhor, por favor, não me mate — o rapaz implorou, o choro misturando-se ao sangue escuro que começava a borbulhar em seus lábios.

Draco segurou a varinha com firmeza, a mandíbula tão rígida que os músculos de seu rosto saltavam.

Ele odiava aquela parte do trabalho.

Odiava ser a lâmina fria que o Ministério usava para decepar os galhos podres antes que contaminassem a árvore. Ele ergueu a varinha, apontando-a diretamente para o peito do rapaz, preparando-se mentalmente para pronunciar as palavras verdes antes que ele perdesse o núcleo mágico e se transformasse em um daqueles filhos da puta.

— Espere! Draco! Não o execute.

A voz de Hermione ecoou pelo saguão principal, parando as ações de Draco. Ela vinha correndo em velocidade máxima pelo corredor, as vestes desalinhadas, acompanhada por Theo, que trazia a maleta de metal firmemente presa contra o peito.

Draco virou-se abruptamente, os olhos cinzentos arregalando-se em uma mistura violenta de surpresa, choque e pura fúria. No instante em que viu Hermione exposta naquele salão caótico, onde feitiços perdidos ricocheteavam pelas paredes, o coração dele parou.

— O que você está fazendo aqui, Granger?! — ele gritou com raiva, levantando-se de um salto e correndo na direção dela. Ele a interceptou antes que ela chegasse ao ferido, segurando-a pelos ombros com uma força violenta, sacudindo-a levemente.

— Eu dei uma porra de uma ordem para você ficar no laboratório! Essa merda está fora de controle! Você quer morrer?!

— Nós temos a poção, Draco! — ela gritou de volta, sustentando o olhar furioso dele sem recuar um milímetro, desvencilhando-se do aperto das mãos dele com um puxão obstinado e correndo até o auror caído.

— Ele é o paciente perfeito para o teste! Se vamos testar a estabilização do antígeno, tem que ser agora, antes que a necrose atinja o fluxo neuro-mágico principal e colapse o núcleo dele!

Draco olhou para o rapaz agonizante, depois para Hermione, que já estava de joelhos ao lado do ferido, abrindo a maleta de Theo com as mãos trêmulas pela urgência. Outro estrondo ecoou; a segunda criatura na grade conseguiu alargar a abertura, desprendendo-se do ferro e correndo em uma velocidade assustadora exatamente na direção das costas de Hermione.

— Proteja a Hermione! — Harry gritou ao longe, bloqueado pela multidão.

Draco não pensou.

Seus instintos assumiram o controle total de seu corpo. Ele se lançou à frente de Hermione no exato momento em que o monstro saltava com as garras estendidas.

Impedimenta! — Draco urrou, o feitiço forte o bastante para arremessar a criatura contra uma coluna de azulejos, que se esmigalhou com o impacto.

Antes que o monstro pudesse se levantar, Draco girou o corpo, posicionando-se como um escudo vivo. Ele agarrou o rosto dela com uma das mãos, forçando-a a olhar para ele no meio daquele apocalipse de sangue e feitiços. A fachada de gelo dele havia ruído por completo, deixando transparecer o pânico puro de perdê-la.

Querida — ele sibilou, com a voz rouca e trêmula, usando o termo de intimidade pela primeira vez em uma súplica desesperada que ecoou no fundo da alma de Hermione. — Se essa porra falhar, se o sangue dele rejeitar a poção e ele tentar te morder, eu vou foder com o núcleo dele e tiro você daqui, entendeu? Eu não vou assistir você se transformar em um deles.

Hermione congelou por um milésimo de segundo.

O som daquela palavra, querida, na voz dele, no meio da morte e da destruição, teve o impacto de um feitiço de cura em seu peito. Toda a dúvida, todo o medo tinham sumido. Ela olhou nos olhos cinzentos dele com a certeza de quem havia decifrado o enigma que ligava a vida deles.

— Não vai falhar — ela respondeu, tocando o pulso dele que ainda segurava seu rosto. — Confie em mim. Agora me ajude. Segure ele!

Draco engoliu em seco, soltou o rosto dela e ajoelhou-se do outro lado do auror, prendendo os braços do rapaz contra o chão com sua força de aço.

— Theo, me passa um frasco para a extração! — Hermione pediu, puxando a varinha e preparando-se para injetar a cura azul-turquesa diretamente na veia principal do rapaz.

Theo, após entregar o frasco para Hermione, assumiu uma postura defensiva implacável ao lado da dupla, ergueu a varinha e conjurou um jorro de chamas amareladas que ergueu uma barreira intransponível diante da brecha na grade, impedindo que novas criaturas avançassem. Sentindo o perímetro temporariamente estabilizado por Nott, Harry canalizou toda a sua magia restante em um feitiço de contenção; correntes de ferro maciço brotaram do chão, serpenteando e prendendo os monstros restantes contra as estruturas de metal, neutralizando o ataque da horda.

Os aurores da retaguarda aproveitaram a contenção forçada para criar um cordão de isolamento físico, escoltando os civis aterrorizados em direção às saídas de emergência seguras dos andares superiores.

Com o recinto finalmente limpo de civis expostos e os mortos-vivos temporariamente subjugados, o silêncio tenso e pesado do salão foi preenchido apenas pela respiração descompassada dos quatro bruxos, enquanto Hermione firmava os dedos trêmulos e se preparava para injetar o antígeno na veia da pele necrosada do rapaz.

Notas finais
Gente, como que respira depois desse capítulo?! Me conte nos comentários o seu nível de surto com essa cena de proteção absurda. Se está com vontade de ler mais, não se esqueça de favoritar, comentar e acompanhar a fanfic! São essas pequenas ações que ajudam a plataforma a recomendar a história para novos leitores. Nos vemos no próximo capítulo! 🐍🦁 ─── ❖ ── ✦ ── ❖ ─── Ainda não quer sair desse universo? Me acompanhe no TikTok para ver a estética dos personagens, spoilers e descobrir quando sai o próximo capítulo! Siga: https://www.tiktok.com/@ismrf_author