O Apocalipse do Sangue | Dramione
21 Dᴇsᴛɪɴᴏ Rᴇᴇsᴄʀɪᴛᴏ
Notas iniciais

O sol da manhã nasceu sobre o mar Mediterrâneo como uma explosão de ouro e rosa, dissipando os últimos vestígios do frio da noite. Hermione estava de pé na varanda, segurando uma caneca de café quente, olhando para a linha perfeita onde o mar encontrava o céu no horizonte infinito.
Atrás dela, a porta de vidro abriu-se suavemente. Draco saiu para a varanda, vestindo apenas uma calça de moletom escuras, seus cabelos loiros desalinhados pelo sono. Ele aproximou-se por trás dela, envolvendo-a em seus braços, puxando as costas dela contra seu peito nu e quente. Ele apoiou o queixo no ombro dela, respirando o cheiro de seu cabelo misturado à brisa da manhã.
— O mar está calmo hoje — ele comentou, a voz grave e rouca pelo despertar recente.
— Está — ela respondeu, cobrindo os braços dele com as suas mãos livres. — Parece que a tempestade foi embora de verdade.
Eles permaneceram em silêncio por longos minutos, observando a luz do sol banhar as rochas e a vegetação do penhasco. Não havia mais urgência, relatórios de Aurores, corpos para analisar ou o peso da culpa que os perseguiu por tanto tempo.
A história deles, marcada pelo sangue da guerra e purificada pela chuva de prata de Hogwarts, finalmente alcançou a estabilidade. Cruzaram o continente em busca de silêncio e, nele, encontraram um ao outro da forma mais pura que a vida permitia.
Meses depois, o silêncio deu lugar aos risos, à música e à celebração do dia mais esperado. O casamento deles não seria escondido do mundo; seria a afirmação pública de que o amor havia vencido.
A cerimônia aconteceu nas propriedades costeiras de Zabini, na Itália, um refúgio de falésias e mar. Pansy, exibindo orgulhosamente a gravidez ao lado de Neville, uniu-se a Ginny, agora noiva de Blaise, para orquestrar cada detalhe. Elas transformaram o altar ao ar livre com rosas brancas e lírios que pareciam flutuar contra o azul do mar, equilibrando a elegância Sonserina com o calor Grifinório.
Estavam todos ali. Para alívio e alegria de Hermione, os Weasley compareceram: Molly chorava copiosamente, enquanto Arthur sorria com os olhos marejados. Até Rony e Lilá enviaram felicitações da Europa, embora não pudessem comparecer devido à gravidez avançada de gêmeos de Lilá, selando a paz definitiva entre eles.
Ao som de uma melodia suave, Draco aguardava no altar, impecável em seu terno sob medida. Ao seu lado, Blaise, oferecia ao amigo o suporte necessário para conter o tremor discreto em suas mãos.
Então, as portas se abriram.
Hermione surgiu, deslumbrante, em um vestido de seda branca, segurando um buquê de flores silvestres. Como o pai de Hermione não estava mais entre eles, Harry a conduziu até o altar. Caminhar ao lado do irmão que a vida lhe dera trouxe a ela a certeza de que seus pais, onde quer que estivessem, abençoavam aquele momento. Harry entregou a mão dela a Draco com um sorriso cúmplice; Draco assentiu em um gesto quase imperceptível, e Harry, com um sorriso sincero, deu um passo atrás para que ela seguisse seu destino.
Quem estava no centro para celebrar a união era Theo, em vestes formais, mas com seu brilho caótico e divertido nos olhos, ele piscou para o casal.
— Prometo ser breve antes que o Malfoy tente me azarar — Theo começou, arrancando risadas de todos. — Estamos aqui para unir duas mentes teimosas que precisaram salvar o mundo para perceberem que foram feitas uma para a outra.
Chegada a hora dos votos, Draco limpou a garganta. Seus olhos cinzentos fixaram-se nos de Hermione com uma intensidade avassaladora, despidos de qualquer arrogância. Ela, com as lágrimas de felicidade escorrendo livremente e as mãos apertadas nas dele, respirou fundo e começou, com um sorriso radiante:
— Draco, enfrentamos uma guerra separados e o fim do mundo juntos, até encontrarmos a paz que achávamos impossível. Nada disso seria possível sem você. Eu amo a sua força e a sua lealdade. Agora, selando nosso compromisso diante de todos, meu coração transborda ao pensar no nosso futuro. Nossos filhos vão correr na areia do lar que construímos; não poderia haver pai melhor para a vida que já cresce aqui dentro, conectando-nos por toda a eternidade.
Um sorriso iluminou o rosto de Draco, carregado de uma cumplicidade que apenas os dois compreendiam.
Com uma suavidade que contrastava com sua força, ele levou a mão ao ventre dela, selando o gesto diante dos convidados com um olhar de pura adoração. Ele a puxou para perto, selando seus votos com um beijo que não era apenas o início de um casamento, mas uma promessa sagrada de proteção à nova vida que carregavam.
— Eu te amo, querida, para caralho. Sou grato por cada escolha que nos trouxe até aqui, você é o meu lar, a minha paz e o meu maior milagre — ele sussurrou contra os lábios dela, os olhos brilhando com uma intensidade profunda. — Eu prometo honrar você e este novo começo todos os dias da minha vida.
— Eu também te amo, Draco — ela respondeu, a voz doce, uma verdade simples. — E eu sei que eles estão olhando por nós, lá de cima. Eles estão tão orgulhosos.
Eles voltaram a se beijar sob os aplausos calorosos e barulhentos de seus amigos.
Eles estavam deixando o mundo bruxo definitivamente para trás, enquanto davam os primeiros passos em direção ao resto de suas vidas.
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Anos mais tarde, na biblioteca, uma pequena caixa de madeira repousava sobre a escrivaninha de Hermione. Não guardava varinhas ou poções, apenas fotografias trouxas e cartas antigas, com os lacres do Ministério desgastados pelo tempo e pelo sal do mar.
Uma das fotos mostrava Harry e Theo rindo na varanda em Godric's Hollow. Outra exibia Neville e Pansy em uma estufa ensolarada, de mãos dadas, enquanto um garotinho de sorriso arteiro brincava com um regador a seus pés. Havia também o registro do casamento de Blaise e Ginny: os dois sorriam em um abraço sob o sol italiano, em uma imagem que congelava a felicidade daquele dia.
Malfoy entrou na sala com duas taças de vinho. O tempo fora gentil, fios prateados surgiam em seus cabelos e a rigidez de outrora dera lugar a uma serenidade, embora a cicatriz em seu rosto permanecesse como um lembrete silencioso do passado. Ele caminhou até a mesa e, com um olhar suave, observou as fotos.
— Às vezes, quando olho para esses rostos, parece que foi outra vida — ele murmurou, a voz transbordando uma adoração que os anos só haviam intensificado. Ele pousou as taças e, por um instante, seus dedos hesitaram, como se ele ainda estivesse tentando compreender como alguém como ele pôde ser abençoado com tudo aquilo. — Eu olho para o que éramos, e lembro de tudo o que fiz, de quem eu era. É difícil acreditar que, mesmo depois de tudo, você não só me perdoou, como construiu este lar para um homem que não merecia nem a sua amizade, quanto mais o seu amor.
Ele a abraçou por trás, colando seu peito quente contra as costas dela.Hermione recostou-se contra ele, sorrindo com uma suavidade.
— A memória é o que nos define. Foi estudando a memória dos meus pais que encontrei a lógica para salvar a nossa magia. Nós não podemos apagar o que fomos; apenas podemos escolher o que fazemos com os fragmentos que sobraram. E eu não poderia ter escolhido fragmentos melhores para construir o meu amanhã do que os seus.
Draco soltou um riso baixo, beijando o topo da cabeça dela.
— Você pegou os cacos de uma alma destruída e os encaixou perfeitamente — ele sussurrou. — Você me deu um lugar para existir, meu amor, quando eu deveria estar perdido, sozinho. Isso, o que construímos, é a única porra de magia que importa de verdade para mim.
Naquele refúgio, eles encontraram a liberdade de não precisar de mais nada.
A vida construída longe dos holofotes e dos traumas da Grã-Bretanha era a prioridade absoluta de ambos. Draco recusou o retorno à carreira de Auror, aceitando apenas um cargo de consultor estratégico remoto, enviando relatórios via correio internacional, uma rotina que Hermione também adotou em suas pesquisas científicas e mágicas.
Criar os filhos era seu objetivo sagrado.
Embora recorressem à magia para pequenas conveniências domésticas, faziam-no raramente. Draco adaptou-se tão bem à vida trouxa que tirou habilitação e apreciava dirigir carros modernos pelas estradas da ilha, embora sua fortuna ainda permitisse a opção de um motorista particular.
Periodicamente, a paz da casa era interrompida por visitas calorosas. Harry e Theo, acompanhados por Ginny, Blaise, Pansy e Neville, transformavam o local em uma grande reunião familiar. A sala de estar tornava-se um mosaico de crianças correndo, enquanto os adultos celebravam, entre taças de vinho, a simples dádiva de estarem vivos.
Do andar de baixo, o som de risadas infantis rompeu o silêncio da biblioteca.
— O jantar está pronto e os nossos pequenos estão cobrando a sua presença, senhora Malfoy — Draco sorriu, oferecendo o braço a ela.
Eles desceram de braços dados para a sala de jantar, sentados à mesa estavam as duas maiores joias da vida deles.
Aurora, a primogênita e símbolo do recomeço do casal, tinha os cachos castanhos indomáveis de Hermione e os olhos cinzentos do pai. Ao lado dela, o caçula, Scorpius, carregava o tradicional nome dos Malfoy e estava concentrado em organizar seus soldadinhos e blocos com uma precisão tática que orgulharia qualquer ancestral. Contudo, em um gesto dramático de impaciência, ele lançou a estratégia pelos ares e desatou a rir com o caos que ele mesmo criou.
— Scorpius, comporte-se — Hermione pediu, embora seu tom fosse de puro carinho enquanto servia o prato do menino.
— Deixe o garoto, querida — Draco interveio com um sorriso bobo e totalmente derretido, sentando-se e puxando a cadeira para a esposa. Ele esticou a mão e bagunçou os cabelos loiros do filho, que eram idênticos aos seus. — Ele só está testando as leis da gravidade física que você tanto ama.
— Papai, a tia Pansy disse que na Inglaterra as colheres voam sozinhas — Aurora comentou, apoiando o queixo nas mãozinhas, olhando curiosa para os pais. — É verdade?
Draco trocou um olhar cúmplice com Hermione. Os filhos ainda eram pequenos demais para compreender a magia, o peso das varinhas ou as cicatrizes da guerra. O casal decidiu que lhes contaria a verdade apenas quando tivessem maturidade suficiente. Quando esse dia chegasse, a escolha seria deles: cruzar o mar para estudar em Hogwarts ou seguir a educação no mundo comum.
Eles seriam, acima de tudo, livres.
— A tia Pansy tem muita imaginação, querida — Draco respondeu, a voz extremamente doce, inclinando-se para beijar a bochecha da filha, fazendo-a rir. — Mas aqui em casa, nós fazemos as coisas com as nossas próprias mãos. É muito mais divertido, não é?
— Sim! — Scorpius exclamou, radiante enquanto observava o campo de batalha de brinquedos agora espalhado pelo chão, arrancando uma gargalhada de todos na mesa.
Hermione observou a mesa, o marido e os filhos felizes. A escuridão do passado não passava de uma sombra distante, sepultada pelas águas azuis do Mediterrâneo.
Mais tarde, após colocarem as crianças na cama, Draco e Hermione foram para a varanda. Sob a brisa suave que trazia o perfume do mar e da vegetação, ele a envolveu em um abraço, observando a imensidão do horizonte.
Tinham deixado para trás o antigo mundo bruxo e o peso dos sobrenomes. Naquele refúgio, provaram que o destino não está escrito no sangue, mas nas mãos que se entrelaçam quando o mundo desaba. À frente, não havia mais ameaças, apenas um futuro que eles mesmos desenharam, a prova final de que, além de vencerem a guerra, tinham finalmente aprendido a viver.
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