O Apocalipse do Sangue | Dramione

20 Aʟéᴍ ᴅᴀs Cɪᴄᴀᴛʀɪᴢᴇs


Notas iniciais
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Aos poucos, a presença deles começou a se entrelaçar com a comunidade local. Na pequena vila costeira de Malta, eles eram conhecidos como um casal de estrangeiros jovens que exalava uma paixão intensa, magnética e quase escandalosa.

Hermione, com sua empatia natural e mente ávida, rapidamente se tornou amiga dos donos dos comércios locais; ela passava minutos preciosos conversando sobre ervas na feira ou discutindo edições clássicas com a dona da livraria da esquina.

Draco, por outro lado, mantinha uma postura reservada, mas sua devoção por Hermione era o assunto favorito dos moradores. Eles o viam completamente rendido e superprotetor: ele fazia todas as vontades dela. Quando iam juntos ao mercado, ele nunca permitia que ela carregasse uma única sacola, assumindo todo o peso com uma naturalidade aristocrática. Se um vento mais forte soprava do Mediterrâneo, ele imediatamente tirava o próprio casaco para cobrir os ombros dela, envolvendo-a em seu abraço.

Após fazerem amor intensamente no quarto do andar superior, o silêncio que restou era leve e preenchido apenas pela respiração compassada de ambos. Hermione descansava com a cabeça no peito dele, ainda sentindo o calor do corpo de Draco sob o seu. No entanto, Draco, que mantinha os dedos entrelaçados nos cabelos dela, sentiu quando o corpo de Hermione se tornou um pouco mais rígido, quase como se ela tivesse se perdido em algum pensamento distante. A paz que envolvia o ambiente pareceu oscilar, e ele sentiu, pela forma como o coração dela pareceu hesitar, que a sombra do passado havia acabado de atravessar o quarto.

Hermione ergueu levemente o rosto, os olhos, perderam o brilho ao olharem para a moldura prateada na mesa de cabeceira. O luto a tocou de leve, uma saudade dolorosa e inevitável.

— Eu estive pensando, nós precisamos começar a pensar em uma data para o casamento, amor — ela disse baixinho, os dedos traçando linhas no abdômen definido dele. Ela engoliu em seco, a voz embargada. — Mas dói saber que meus pais não vão estar lá. Queria tanto que eles estivessem lá, me vendo usar o vestido branco. Queria que meu pai pudesse me entregar a você.

Draco mudou de posição, abraçando-a com mais força e puxando-a para cima de seu corpo. Seus olhos estavam cheios de uma ternura profunda enquanto ele segurava o rosto dela, colando suas testas.

— Eu sei, bruxinha. Eu sei o quanto você queria isso — ele sussurrou, o polegar limpando uma lágrima solitária que escapou do olho dela. — Eles não vão estar fisicamente, Hermione, mas tudo o que você é, veio deles. Eles estão em você. E quando definirmos essa data, seja na primavera ou no verão, eu vou estar de pé naquele altar, pronto para te receber e passar o resto dos meus dias te lembrando do quanto você é amada. Você vai ser a minha esposa, e nós vamos honrar a memória deles.

Hermione sorriu através das lágrimas, sentindo a solidez daquela promessa. Ela inclinou a cabeça e o beijou lento e carregado de uma certeza inabalável.

Eles tinham o tempo, tinham o amor e, finalmente, tinham o amanhã.

As noites tornavam-se amenas em Malta, o vento soprando com a suavidade típica da região. Draco acendeu a grande lareira de pedra da sala de estar com lenha de eucalipto seco, enchendo a casa com um aroma adocicado e estalos reconfortantes de fogo vivo.

A mesa da cozinha ainda guardava os vestígios de uma refeição alegre. Naquela noite, a casa não pertencia apenas aos dois: Harry e Theo haviam aparatado de surpresa no início da tarde, trazendo consigo o caos nostálgico e caloroso de Londres.

Uma velha vitrola trouxa que Hermione encontrara em um mercado de pulgas estava posicionada no canto da sala, tocando um disco de vinil antigo de jazz que ela herdara da coleção de seu pai. A música suave e rítmica flutuava pelo ambiente, misturando-se ao som do mar lá fora.

— Eu ainda não consigo acreditar que você usa as próprias mãos para montar estantes, Malfoy — Theo zombou, encostado no batente da porta, observando Draco com um sorriso provocador enquanto tomava um gole de vinho. — Se a sociedade bruxa visse que o herdeiro mais impecável do mundo mágico trocou as vestes aristocráticas por aventais de cozinha e ferramentas de marcenaria, o escândalo seria maior do que qualquer coisa que já vimos no Beco Diagonal.

Draco, que estava de pé diante do fogo, ergueu os olhos cinzentos com seu habitual desdém, embora houvesse uma leveza óbvia em sua postura.

— Nott, se você veio da Inglaterra apenas para criticar as minhas habilidades manuais, sugiro que pegue o Potter e volte para o seu cubículo — Draco rebateu, a voz arrastada, mas sem qualquer amargura. — Aqui eu sou o dono da casa, e nesta casa nós respeitamos a engenharia trouxa. Principalmente porque a minha noiva gosta.

— Ah, claro. O grande e temido Draco Malfoy virou um gatinho domesticado — Theo riu, desviando de uma almofada que Draco conjurou e atirou em sua direção com um aceno rápido de varinha, quebrando momentaneamente o pacto de não usar magia.

Na varanda externa, protegidos do vento por um feitiço de aquecimento sutil, Harry e Hermione observavam a imensidão escura do mar que cercava a ilha. Harry segurava uma xícara de chá, o olhar fixo no horizonte.

— Como eles estão, Harry? — Hermione perguntou baixinho, apertando o xale ao redor dos ombros. — O Rony, a senhora Weasley...

Harry suspirou, um sorriso brando surgindo em seus lábios.

— Eles estão bem, Hermione. Com a queda definitiva dos últimos redutos dos Comensais da Morte após a morte de Voldemort, o Ministério precisava de bruxos com a coragem deles para reestruturar as redes de segurança internacionais na Europa Central. Como o surto de zumbis ficou restrito ao território britânico, eles estavam a salvo desse horror enquanto atuavam no continente, o que permitiu que se focassem inteiramente na missão de reconstrução. Eles salvaram milhares de pessoas lá.

Hermione assentiu, sentindo um nó de alívio se desfazer no peito.

— E o Rony?

— Ele está feliz — Harry revelou, olhando para ela com carinho. — Ele e a Lilá Brown se casaram oficialmente em uma cerimônia bonita na Romênia, onde o Gui está ajudando. Eles resolveram se estabelecer por lá por um tempo. O Rony me pediu para te entregar isto — Harry enfiou a mão no bolso e entregou a ela um pequeno bilhete com a caligrafia gorda de Rony, que dizia apenas: “Com amor, do seu eterno amigo. Seja feliz com ele, Mione.”

Lágrimas quentes e doces brilharam nos olhos dela. Ela guardou o bilhete perto do coração, sentindo que os últimos laços do passado estavam finalmente em perfeita paz.

Quando voltaram para a sala, Theo e Harry começaram a se despedir, alegando que precisavam descansar da longa viagem de aparatamento intercontinental. Após os abraços e as últimas piadas de Theo sobre o "Malfoy trouxa", os dois desapareceram com um estalo suave.

O silêncio acolhedor retornou à casa em Malta.

Hermione aproximou-se de Draco lentamente, ela estendeu a mão para ele, os olhos castanhos transbordando um amor absoluto.

— Dance comigo — ela pediu, a voz suave como a melodia de jazz que ainda girava na vitrola.

Draco olhou para a mão dela e depois para o seu rosto. Não havia espaço para implicâncias ou defesas quando se tratava dela. Ele deu um passo à frente, segurando a mão de Hermione e puxando-a pela cintura com uma facilidade firme e possessiva que fez a respiração dela falhar.

Eles começaram a mover-se lentamente pelo chão de madeira da sala de estar, os pés descalços deslizando pelas tábuas polidas. Draco mantinha-a o mais perto possível, colando seus corpos. Ele enterrou o rosto nos cabelos cacheados dela, respirando o perfume que ela exalava, completamente rendido àquela mulher.

— Eu amo você, senhora Malfoy — ele sussurrou contra o ouvido dela, a voz carregada de uma adoração profunda. O uso do sobrenome que logo seria dela fez o coração de Hermione disparar.

— Eu também amo você, Draco — ela respondeu, erguendo o rosto para encará-lo.

Draco a observou enquanto dançavam, com sua mão firme na cintura dela em uma pegada possessiva. Hermione levou a mão dele para o próprio ventre e repousou a sua própria mão sobre a dele, fechando o gesto com uma doçura protetora e natural.

Um entendimento silencioso e avassalador cruzou os olhos dele. Suas pupilas se dilataram, e uma onda de pura emoção, um misto de choque, êxtase e um orgulho feroz, tomou conta de suas feições.

Ele parou de se mover, o peso da revelação pairando entre os dois enquanto ele a sustentava, ainda com a mão espalmada sobre o ventre dela. Um arrepio percorreu a espinha de Draco, e ele precisou inspirar profundamente para conter o tremor em suas mãos. Draco a olhou com uma vulnerabilidade palpável, um brilho de incerteza atravessando o cinza de seus olhos.

— É, é real? — ele sussurrou, a voz falhando, o medo de quebrar algo tão precioso evidente em seu toque cauteloso. — querida, eu não sei se sou capaz. O mundo não foi gentil comigo, e tenho medo de que a minha própria essência não saiba oferecer a pureza que esse bebê precisa.. Como posso ser o pai que essa criança merece?

Hermione sorriu, as lágrimas brilhando, e levou as mãos ao rosto dele, forçando-o a manter o foco em seus olhos.

— Você não precisa ser o homem que eles esperavam que você fosse, meu amor— ela disse com firmeza. — Você é o homem que escolheu ser. Eu vi você mudar, vi você cuidar de mim, construir nosso lar com as próprias mãos. Você já é tudo o que essa criança vai precisar. Nós vamos aprender juntos, eu confio em você mais do que em qualquer outra pessoa neste mundo.

Ele a puxou para um beijo intenso, profundo, selando não apenas o amor deles, mas o início de uma nova vida.

Notas finais
Tudo o que restava de dor do passado foi curado nesse capítulo, e agora uma nova vida está a caminho! 🥺❤️ Deixem suas teorias aqui nos comentários! Se gostou desse capítulo, não saia sem favoritar a fanfic! Assim você ajuda a plataforma a indicar a fic para outras pessoas! ❤️ Agora falta pouco, o casamento e o Epílogo. ─── ❖ ── ✦ ── ❖ ─── Ainda não quer sair desse universo? Me acompanhe no TikTok para ver a estética dos personagens, spoilers e descobrir quando sai o próximo capítulo! Siga: https://www.tiktok.com/@ismrf_author