O Apocalipse
3 Capítulo 3
Até onde o vírus tinha se espalhado? Não me lembro de muita coisa do dia em que tudo começou. Estava tudo indo bem. Tomamos café da manhã. Mamãe me deu um beijo na testa e papai me deu aquele abraço apertado de sempre. Aí peguei o ônibus, porque meu carro quebrou. Depois as aulas correram bem. Até ouvirmos gritos, e as pessoas começarem a morrer. A professora de espanhol, nos trancou dentro da sala pra não ter perigo, assim como alguns professores também fizeram. Coisas estranhas começaram a acontecer. As pessoas comiam umas as outras, e depois de mortas, elas levantavam e começavam a comer os outros. Tudo ficou um caos.
Quantos dos meus amigos ainda estavam vivos e seguros? E como ia ser agora? Meus pais mortos, o resto da minha família provavelmente morta também, se a infecção havia se espalhado por todos os Estados Unidos. Meus parentes estariam mortos, alguns deles pelo menos. E se chegasse ao México, mais pessoas da minha família morreriam. Isolada, sem contato com o mundo. Apenas eu, Logan e Molly.Finalmente encontrei o garoto dos meus sonhos, e a Molly, me fazia lembrar meu irmão. O que amenizava a dor. Mas sentia falta de tudo. Era estranho e surreal pensar que estava em um apocalipse zumbi. Pensar em todos os filmes, seriados e livros de zumbi que tomavam a maior parte dos meus dias. Era estranho pensar que seria assim, tão de repente, tão assustador, tão real. Meu estômago dói e o arrependimento bate forte, lembro das vezes que desejei estar em um apocalipse zumbi, nas vezes que pensei que seria legal e divertido. Nossa viajem estava chegando ao fim, dois dias de viajem. Eu e Logan revezando a direção. Um dormia, o outro dirigia. E depois trocávamos. Água, comida e gasolina, estava difícil achar. Mas parávamos pelo caminho. Logan matou alguns zumbis. Ele era tão corajoso e protetor. Ele é um cara legal. Ele nos protegia, e nos amava. Molly as vezes chorava ao dormir. Tinha pesadelos. Mais algumas horas e chegamos. Só mais algumas horas pra encontrar meus amigos. Ou talvez, não os encontrar, e ter que me preparar pra mais uma dor.
– Vee,vem descansar, eu dirijo. – Logan disse do banco de trás.
– Eu to bem! – respondi.
– Você esta dirigindo a mais de 5 horas. Deve estar cansada. Vamos, não seja má com você mesma. – ele disse gentilmente.
– Ta bem. – respondi. Parei no meio da estrada. A parte boa de um fim do mundo apocalíptico, é que, se pode fazer o que quiser, como parar no meio da estrada sem se preocupar com o trânsito.Ele saiu do carro, e eu também. Ele deu a volta no carro e chegou bem perto. Olhei pra ele. Sorri. Seus olhos estavam mudando de cor. Era tão fofo. Ele me beijou.
– Já vamos chegar. – ele disse gentilmente acariciando meu rosto. Sorri outra vez, ele abriu a porta de trás pra mim. Entrei no carro. Era bem espaçoso lá atrás. Molly estava dormindo. Quando entrei ela acordou.
– Ei, volte a dormir. – disse a ela.
Ela pulou em meu colo, e deitou junto comigo. Eu a abracei e ela logo pegou no sono. Era bom poder ser o porto seguro de alguém. Aquilo me fez pensar em um futuro que eu teria se não fosse a realidade de agora. Meu marido dirigindo o carro, e eu fazendo nossa filha dormir. Cuidando daquela pequena parte de mim. Nada faria mal a ela. Mas não podia mais ser assim. Nunca me casaria em uma cerimônia, com meu pai entrando na igreja ao meu lado. Nunca teria uma lua-de-mel. Nunca teria um emprego. Não seria capaz de por no mundo, uma criança, um bebê inocente, pra sofrer. Não seria capaz de fazer isso. Nunca tiraria férias em família, e nem ficaria velhinha rodeada de meus netos em uma casa amarela no lago. E também não iria a um cruzeiro com meu marido, quando estivéssemos aposentados. Isso não iria acontecer. Nunca.
Porém, eu já amava tanto aquela menininha. Tão pequena, e tão dependente de mim e de Logan. Parecia tão frágil deitada no meu colo. Eu sentia vontade de proteger ela. Ninguém faria mal a aquela linda garotinha. Ninguém. Não enquanto meu coração batesse. Não enquanto eu tivesse forçar pra respirar.
Quatro dias atrás, Logan e eu, não passávamos de meros colegas de sala. Quatro dias atrás eu nunca pensaria em nada mais importante do que estudar para as provas finais,e tentar alcançar as notas mais altas para a faculdade, também não pensaria em ser mãe, nem de cuidar de uma criança. Nem pensaria que eu e Logan iríamos engatar um relacionamento. Mas agora, ele era muito importante pra mim, e eu o amava. Um sentimento muito forte, que vinha sendo mantido nas profundezas da minha alma a muitos anos. Mas, apenas agora, foi realmente descoberto. Ele me faz acreditar que tudo vai ficar bem. Ele é tudo agora, ele e Molly.
– Está com fome? – ele perguntou.
– Não...estou bem. Obrigada. – respondi.
– Eles estão chegando lá também. – disse ele.
– Conseguiu contato?
– Sim.
– Meus amigos estão com eles? – perguntei.
– Não sei exatamente. Eles perderam muitos dos nossos na fuga. Mas pessoas das outras turmas estão com eles. Estão em um total de 35 pessoas.
– Tem lugar para todos na casa? – perguntei.
– Eu estava querendo manter segredo, mas lá é um hotel. Mas está vazio. É dos meus tios, mas como é muito, muito afastado da cidade, poucas pessoas se hospedavam. Eles estava falindo, estavam refazendo, tentando chamar a atenção, iria inaugurar no Domingo.
– Nossa! E que dia é hoje? – perguntei.
– Sexta. Dia 25 de Novembro de 2012. Exatamente as 19:45h da noite.
– Meu Deus! Excesso de informação. Vai me dar dor de cabeça. – eu disse, e nós dois rimos.
– E a Molly? – perguntou.
A examinei. Ela parecia estar com frio. E um pouco pálida.
– Ela parece bem, mas, está meio pálida, e com frio. O meu cobertor ta aí na frente. Joga aqui pra trás? – pedi. Ele me passou o cobertor e eu cobri nós duas com ele. Molly iria se esquentar rapidinho, quase a escondi embaixo dos meus braços. Talvez assim ela esquentasse mais rápido.
– Isso não é bom! – ele disse.
– Isso o que? – perguntei.
–Molly tem asma. Mas não estou com a bombinha dela. – ele disse.
– Merda! – praguejei. – Não tem alguma farmácia por perto?
– Não. Estamos entrando na zona do hotel, fica bem longe da cidade. Lá eles tem bombinhas, não falta muito pra chegar. Lá tem suprimentos o suficiente pra um ano inteiro. E tem luz, meu tio era arquiteto. Aproveitam a luz solar. Enquanto existir o dia, teremos eletricidade.E tem poços espalhados pela propriedade. Meu tio pensou em tudo. É um hotel pra passar as férias de verão. – ele disse.
– Ótimo escolha Logan. Vamos ficar bem.Por um tempo. Molly está ficando com as bochechas coradinhas, acho que está esquentando.
– Ótimo! – ele disse.
Vai ficar tudo bem, pensei. Meus olhos não agüentaram muito tempo abertos. Logo peguei no sono. Queria que eu acordasse depois e visse que tudo aquilo era um sonho, que nada disso tinha acontecido. Que minha mãe estaria fazendo as panquecas pela manhã, que papai estaria dando seu nó desajeitado na gravata, e que Denny estaria no banheiro escondido com o creme de barbear do papai, tentando se barbear. Que a minha vida voltaria ao normal. Que tudo o que aconteceu não passasse de um grande e desesperador pesadelo. Porém aqui é a vida real, coisas assim não podem acontecer.
Quando peguei no sono, e entrei num mundo bonito e acolhedor, em meu último segundo consciente, desejei mentalmente que Logan não me acordasse.
Olhei em volta, a grama verde e macia estava por toda a parte, o céu estava azul, sem nenhuma nuvem.Estava deitada embaixo de uma macieira gigante. Conseguia ver as maçãs vermelhas, grandes e suculentas. Levantei e estiquei o braço. Peguei uma. Ela parecia tão deliciosa. Eu dei uma mordida. Estava perfeita. Sabia onde eu estava. Na fazenda da vovó Dimma. Eu sabia que era um sonho. Mas era tão real que procurei não pensar naquilo. Olhei pra mim. Estava usando biquíni. Olhei pra frente e vi o grande lago cristalino. Ouvi a voz do Danny. Seguido de palmas e risadas do papai,mamãe e vovô. ‘’Olha mamãe, olha! ‘’ Danny pulou no lago, ficou alguns segundo em baixo da água, e depois voltou a superfície. Ele parecia tão cheio de vida e saudável. Ele sorriu e deu gargalhadas, olhou pra mim jogou um beijo.
‘’ Salto nota 10 querido’’, disse mamãe.
‘’ Vai ser um campeão de natação daqui a alguns anos, espere só até chegar a faculdade’’ disse papai.
Tentei manter longe o pensamento de que ele nunca faria faculdade.
Olhei pra trás. Mamãe estava sentada ao lado do papai. Em uma cadeira de praia. Usava um maiô rosa Pink. Papai usava apenas um calção xadrez. Vovô estava sentado ao chão em uma toalha de piquenique. Apesar de ter 72 anos não aparentava mais que 65, e tinha uma vitalidade. Vovó veio da casa trazendo biscoitos em uma grande bandeja. Sorri. Seus cabelos grisalhos e o sorriso doce e acolhedor fizeram meus olhos se encherem de lágrimas. Ela e vovô tinham morrido um ano antes do caos. Tudo ali me fazia bem, meus coração doía, mas estava alegre também. Meus olhos ardiam, e lágrimas chatas rolavam. Corri até a minha mãe e dei o abraço mais forte que consegui. Beijei seu rosto. ‘’Como senti sua falta’’. Olhei pro meu pai e lhe abracei. Ele me acolheu em seus braços e beijou minha testa. Corri e beijei meus avós e os abracei. E por último, pulei no lago, e nadei com Denny. Beijei seu rosto diversas vezes. Depois voltamos para a macieira e comemos maçãs. Denny trouxe meu violão, e tocamos nossas canções junto com meus pais e meus avós. Percebi que a noite ia caindo na velha fazenda. As coisas começavam a ficar turvas. ‘’Não quero ir. Não me deixem, por favor.’’ Gritei desesperada. ‘’ Nós vamos estar do seu lado, até o fim. Mas precisa acordar amor. Precisa lutar, ser forte. Nós amamos você’’ disse mamãe. Comecei a chorar e soluçar. Todos sorriram docemente, e antes que eu pudesse me despedir, fui arrancada do meu sonho.Tudo ficou escuro.
Abri meus olhos, estava no carro, Molly gritava, Logan pedia para ela se acalmar. Me sentei no banco e então segurei Molly em meu colo. Percebi o motivo dos gritos. O carro estava cercado por zumbis. Logan tentava andar, mas o carro não ligava. Coloquei Molly no meio do banco e a fiz olhar pra mim.
– Vai ficar tudo bem, eu e Logan estamos aqui e vamos te proteger. Mas você precisa ficar calma, quanto mais barulho, mais deles. Entendeu? – ela assentiu, e parou e chorar. – Fique aqui, parada e feche os olhos. — coloquei os fones de ouvido nela, e deixei tocar as músicas. Pulei pro banco da frente. Logan estava apavorado, mas mantinha a calma.
– Porque você não me acordou?
– Achei que dava conta. – disse ele.
Logan virava a chave na ignição mas nada adiantava, então desligou o carro, e fez ligação direta com fios. O carro ligou e então ele pisou fundo. Arrancamos com força e logo estávamos longe dos zumbis
– Essa foi por pouco. – disse ele.
– É. – concordei.
– Já estamos chegando, é logo ali. – ele apontou e segui seu dedo indicador. Uma alta montanha, nós demos a volta nela, e não era mais asfalto e sim uma estradinha de chão barrenta e irregular. Ainda era noite o que significava que devia ser de madrugada. Molly olhava assustada para nós dois, mas se concentrava em escutar a música.
Após alguns minutos, chegamos em frente a uma fazenda. Logan saiu do carro e abriu o portão, depois o trancou com as correntes. A mansão que era o hotel estava iluminada, e tinham três vans estacionadas perto da grama verde e brilhante. Quando Logan estacionou o carro ao lado de uma dessas vans, seu rosto não estava mais tão preocupado, tinha até uma expressão de alívio.
– Eles chegaram em segurança. – disse ele, olhando para mim e sorrindo.
– Acho que é hora de entrar e ver se meus amigos estão com eles. – disse eu suspirando, o medo tomando conta de mim, e uma dor familiar na boca do estômago.
– Vai dar tudo certo. – disse ele, apertando minha mão, e abrindo a porta para sair e pegar Molly no colo. Logo ele a passou para mim, para poder pegar as malas. Molly se agarrou a mim como um bicho preguiça. E eu a abracei. Logo algumas pessoas saíram do hotel e vieram nos ajudar. A professora de espanhol correu para nos ajudar, juntamente com a professora de inglês. Que logo veio me ajudar. Ela olhou para Logan.
– Roubou meu carro não é? – ela disse rindo.
– É, me desculpe. – disse ele.
– Oh, não sabia que você tinha filha senhorita Scott. – disse ela.
– Ah, não, esta aqui não é minha filha, é a irmãzinha do Logan. Molly. – eu disse. – Molly, esta é Jenna, nossa professora de inglês. Diga oi a ela. – seu corpinho miúdo se moveu e Molly olhou para a senhorita Fitzgerald, sorriu e logo desatou a chorar.
– Foram dias difíceis. – disse Logan.
– Imagino. – disse a professora. – Venha senhorita Scott, imagino que esteja cansada.
Eu a sigo em direção ao grande hotel. Logo entramos no saguão. Uma gigante sala com piso de mármore, uma gloriosa escada no centro, com muitos degraus, e depois, ela se dividia em duas, uma escada que dava para dois corredores imensos.
– Lá em cima ficam os quartos. Aqui é o salão, logo ali é a cozinha, e depois a sala de jantar, e lá atrás ficam as salas de lazer e jogos, biblioteca e brinquedoteca para as crianças.
– Para as crianças? Tem outras crianças aqui? – perguntei.
– Sim. Algumas professoras conseguiram vir junto, e conseguiram resgatar seus filhos.
– E meus amigos? – perguntei.
– Todos estão lá em cima se instalando, amanhã farei uma lista de chamada, para saber quem perdemos e ter um controle de pessoas, se alguém se perder, saberemos quem. Não sei se seus amigos mais próximos estão aqui, mas devia ir lá conferir.
– Vou acomodar a Molly primeiro. Obrigada senhorita Fitzgerald. – agradeci.
– Aqui estão suas chaves. Um quarto para cada uma. Conseguimos chaves de cem quartos. É o suficiente até agora. – disse ela aliviada.
– Sorte nossa! – respondi sorrindo. – Eu acho que seria melhor pra Molly, ficar no quarto do Logan.
– Ah... Sim, claro. – disse ela, dando um tapa na própria testa. Molly abre um sorriso de covinhas e depois me abraça. Subi as escadas do salão com ela. Quando cheguei no corredor, procurei por nossos quartos. Abri a porta, e o que vi foi um quarto altamente confortável e aconchegante. Nele haviam duas camas de solteiro, um closet e um banheiro. As grandes janelas estavam cobertas com pesadas cortinhas de ceda bege claro, e marrom escuro. O quarto era espaçoso. Abri a porta do closet, e guardei as malas da Molly. Depois ela escolheu uma cama para si. Seu rostinho estava tranqüilo.
– Bem, vou ir até meu quarto. Quer ir comigo? – perguntei. Ela pulou da cama e segurou a minha mão. Segui pelo corredor e entrei no quarto ao lado do de Logan e Molly.
Era grande também, mas possuía uma cama de casal, um banheiro e closet. Era exatamente igual ao outro.
Espiei pelas cortinas, e vi o lago, azul e lindo, as águas se agitando tranquilamente. O céu estava lindo. O sol iluminava o grande jardim.
– Olhe Molly! Quando o frio passar, podemos ir para o lago. Não vai ser ótimo? – disse eu.
– Vai ser muito legal. – disse ela com sua voz de criança. O que me fez sorrir.
– Bem, vou te levar até as outras crianças. Lá tem brinquedos. Você quer? – perguntei
– Brinquedos? – seu rostinho se iluminou.
– Sim, muitos e muitos brinquedos. – respondi.
– Quero ir. – disse ela.
Então peguei sua mão, e a levei até a sala onde estavam as crianças. Haviam muitas, no mínimo onze. Vários brinquedos espalhados pela sala, Molly logo fez amigas, e começaram a brincar com as bonecas. Ela sorriu e acenou para mim, e então eu fui até a professora.
– Onde estão todos? – perguntei.
– Na sala de jogos. – respondeu. – Estão todos lá. Inclusive o pessoal que chegou do colégio. Pode ser que encontre algum amigo seu.
– Ta, obrigada. — respondi
Caminhei lentamente, tentando alertar a mim mesma que meus amigos podiam não estar lá.
Quando entrei na sala de jogos, o barulho das pessoas falando me atingiu. Fechei os olhos para apreciar. Nunca pensei que o barulho de pessoas conversando pudesse me fazer sentir tão feliz. Pois aquilo me lembrava das tardes que passava no shopping com minhas amigas. Ou da escola, ou de qualquer sinal de que não estou no meio do apocalipse.
A sala de jogos era linda. Com mesas de sinuca, pista de boliche, máquinas caça-níqueis, jogos de videogame, e vários outros tipos. Parecia um fliperama – igual ao fliperama na rua John Smith, o qual eu freqüentava na maioria dos sábados a noite. Alguns caras jogavam sinuca, e algumas garotas estavam conversando num canto. Então encontrei Logan, jogando sinuca com alguns professores e alguns caras que andavam com ele.
– Oi – disse eu.
– Oi – disse ele me abraçando. – Tem alguém aqui que quero que veja. – disse ele me levando até o grupo no boliche. Logo quando eles se viram, para me encarar, meu estômago afunda de alívio. Quase todos os meus amigos estão ali. Jason, Anna, Liam, Júlia, Michelle, Joanna, Yuri, Samuel, Samantha e Julie.
Pulei no meio deles, dando-lhes abraços. Eles choraram junto comigo, e me abraçaram forte. Senti falta de uma pessoa, ali. Milla. E lembrei o jeito que ela morreu. Meu coração doeu.
– Nós achamos que nunca mais íamos te ver. – disse Anna.
– É, ficamos preocupados. – disse Yuri
– Você é maluca, aceitou ir servir de isca? – perguntou Samantha.
– É, mas vocês se salvaram, é o que importa. Além do mais, Logan cuidou muito bem de mim. – disse eu.
Todos olharam maliciosamente para mim. Sorri corando.
– Vocês sabem que nada vai ser como antes outra vez não é? – eu disse. Todos olharam para mim, olhos cansados e tristes. Olhos apagados e sem esperança. Olhos como os meus.
– Consegui falar com meus pais antes de chegar aqui. Estão bem. Mas estão em perigo, ainda estão na cidade. Ainda estão em casa. – disse Anna.
– Meus pais estão mortos – disse eu.
– Sinto muito. – ela me abraça.
– Tudo bem – disse eu. Dei meia volta e fui até Logan.
Cheguei no meio de uma conversa.
– ...Precisamos de um pessoal, não vamos dar conta sozinhos. – disse um dos homens.
– Dar conta do que? – perguntei
– Precisamos ir até a cidade, buscar armas, munições e combustível para os nossos carros. – disse o senhor Figgins.
– To dentro. – disse eu.
– Não. É muito perigoso. – disse Logan.
– Até parece. Sabe que não vou ficar aqui, esperando vocês voltarem. Vou junto. Com ou sem a aprovação de vocês. – disse eu.
– Durona. – disse um dos homens, um grandão tatuado, com uma jaqueta de couro e coturnos enormes.
– Certo, senhorita. Saímos amanhã cedo. – disse o senhor Figgins.
Todos assentem. Logan me guiou até as escadas que davam para os quartos.
– Melhor dormirmos. Amanhã vai ser um dia difícil. – disse ele, enquanto subia as escadas, eu o segui. Ele me deixou na frente do meu quarto. Se inclinou e me beijou. Depois virou-se e foi até o quarto ao lado.
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