O Apocalipse

21 Capítulo 21 - Sombras da dor - Sara


Notas iniciais
Esse cap é diferente do outro, nesse a Sara conta porque esta com raiva do Gil, e diferente do anterior, já começa na pespectiva do que aconteceu, sem uma cena que puxasse o momento, como aconteceu com o Warrick, mostra o que aconteceu no exato momento em que Warrick perdia o seu filho... ESpero que gostem, eu já estava escrevendo o próximo, mas decidi fazer esse como um extra, aproveitem... Beijos! :D

Pov. Sara...

Ele havia insistido em vir comigo, mesmo eu sendo categórica em negar, ele estava dirigindo estávamos quase na minha casa, minha mãe havia vindo me visitar e obviamente ela era minha principal preocupação...

– Estamos quase chegando... – eu disse atestando o obvio enquanto passava as mãos pelas minhas pernas, em sinal de nervosismo.

– Estamos, fique calma! – disse Gil com uma voz doce.

– Não posso, fui eu quem insistiu pra que ela viesse para a cidade... Se ela tiver se machucado. – eu já podia sentir as lágrimas encherem os meus olhos.

– Não fique assim, com ela aqui ao menos podemos ir ao encontro dela e protege-la, não acha? – ele disse tentando se concentrar na estrada e encontrar meus olhos.

– É pode ser... – eu disse já com a voz um tanto falha, sentia meu coração dando uma pontada.

– Chegamos! – ele disse estacionando o carro, ao qual eu saltei prontamente.

Estava tão distraída com a minha dor, que havia esquecido que estávamos perto.

– Espera! – ouvi sua voz atrás de mim, mas nem mesmo me virei, saquei minha arma, e entrei no prédio, subi as escadas em desespero, e antes que eu imaginava já estava em meu apartamento, nem mesmo procurei as chaves em meu bolso, ou chequei se estava aberto, cheguei arrombando.

– MÃE, MÃE! — me dispus a gritar pelo lugar.

– Sara, pode haver algum deles aqui... Não grite! – disse Gil se aproximando de mim, também com sua arma em mãos.

– Temos que achá-la! – eu disse meio chorosa.

– E vamos, o apartamento é pequeno eu olho no quarto e você na cozinha. – ele nem precisou repetir, eu já estava indo em direção da cozinha, mas antes mesmo de percorrer meus olhos por todos os cantos do pequeno cômodo, ouvi um grito.

– SARA VEM AQUI! — era voz do Gil, senti meu coração gelar prontamente.

– Estou indo... – eu disse já me aproximando do quarto, e assim que entrei, vi minha mãe deitada na cama, e ela sussurrava algo no ouvido do Gil.

– Senhora eu não... – ele dizia como se lamentasse algo, como se fosse negar algum pedido, mas parou de falar quando me viu na porta.

– E-Esta tudo bem? – eu pude perceber e eles também o nervosismo em minha voz.

– Querida... – dizia minha mãe em um sussurro cansado e baixo, e eu me aproximei rapidamente.

– Mãe... – foi tudo que eu consegui expelir pelos meus lábios nervosos.

– Querida, eu fui atacada na rua... – ela tinha lágrimas nos olhos, e prontamente os meus também.

– Vai ficar tudo bem! – eu disse já mais chorosa.

– Não meu bem, não vai! – ela disse e uma lágrima escorreu pelos seus olhos. – Eu sei o que vai acontecer, e eu não posso deixar... Eu já te fiz mal demais, não posso fazer mais esse...

– O que esta dizendo? – eu realmente não sabia onde ela queria chegar com aquilo.

– Precisa me matar! – ela disse e foi como se uma faca atravessasse meu peito, passando pela pele e músculos, e indo direto no meu coração.

– O Quê? Não... Eu... – eu não sabia o que dizer, mas tinha certeza que nunca a mataria.

– Querida você precisa, se não puder, deixe seu amigo fazer... – ela disse olhando para Gil que estava em pé atrás de mim.

– NÃO, nem eu, nem ele e nem ninguém! Você vai ficar bem, eu vou fazer um curativo, e te levar para o hospital você vai ficar bem, vai ver... – eu cuspia as palavras em meio ao meu desespero, eu sabia que os hospitais haviam sido tomados, e ir até eles era uma sentença de morte, já que era lá que os “doentes” eram levados, e como não era de fato uma doença, deviam estar todos infestados dessa praga.

– Não existem mais hospitais, querida você sabe... – ela disse passando a mão pelo meu rosto, que já se encontrava molhado de lágrimas.

– Não posso te machucar... – eu disse entre lágrimas, apesar de tudo que eu havia passado por causa dela, eu ainda a amava, a amava o suficiente pra ser incapaz de mata-la.

– Eu posso sentir... – ela disse agarrando a minha mão e a segurando com força, pude sentir Gil dar um passo a frente, e colocar sua mão repousada em meu ombro, como se estivesse se preparando para me puxar.

– Esta tudo bem... – eu disse a apertando de volta, eu sabia a verdade, mas não podia aceita-la.

– Meu amor, eu não quero te machucar... – ela disse virando a cabeça pra cima, o que me assustou um pouco.

– Você vai ficar bem... – eu disse já chorando, e então Gil se aproximou e colocou a sua arma sobre a cama.

– Meu amor, vá embora agora, eles estão chegando... – ela disse arregalando os olhos, e apertando as minhas mãos ainda mais. — Eu preciso que me mate, estou me transformando... – ela disse em um sufoco com sua própria respiração.

– Não seja boba, vamos te levar conosco, Gil pegue o carro e me ajude a leva-la... – eu disse me erguendo e ele também.

– Eu ajudo você mãe... – eu disse e ela se postou de pé com minha ajuda.

– Eu a levo! – disse Gil e eu saí do quarto, a poucos passos da porta.

– Vamos... – ele disse, e aí que tudo aconteceu.

– Me desculpe... – disse minha mãe, antes de dar um empurrão em Gil, com uma força que eu desconhecia, que caiu para fora do quarto, ela bateu a porta prontamente e logo eu pude ouvi um disparo.

– O que é isso... Mãe... Mãe... – eu disse tentando arrombar a porta, e logo que consegui me arrependi, assim que entrei no quarto, vi minha mãe deitada no chão, sangue por toda a parte e minha mãe morta com uma bala na cabeça... Eu comecei a chorar, e saí pela porta me atirando no chão do lado de fora... – Onde ela conseguiu uma arma? – era uma das poucas coisas que eu consegui raciocinar.

– Era a minha, eu-eu... – ele estava tão atordoado quanto eu...

– Sua? Como pôde fazer isso... – eu estava indignada.

– Me desculpe, não foi minha culpa, eu a coloquei na cama, e ela pegou.

– Você disse que a ajudaria a sair, se eu estivesse lá dentro ao invés de ter saído por sua causa, ela estaria viva, e também foi você que deixou a arma para ela se matar... – eu disse chorando, e Gil me encarava com uma expressão de horror.

– Sara eu... Me perdoa, eu... – Mas já não importava mais, pra mim não importava quantas vezes ele pedisse desculpas, a culpa era dele, era a vida da minha mãe, e nada me faria mudar de ideia...

Notas finais
Sei que pode não ter ficado muito bom, mas espero que me digam as suas considerações sobre o assunto, acham que ela exagerou, acham que o Gil teve culpa?
Enfim, beijos...
PS: Pra quem não sabe ou não se lembra, a mãe da Sara matou o pai dela e a morena teve que crescer em lares adotivos, eu me lembro de um episodio não sei a temporada exata, em que a sara perdoa a mãe dela, a mãe dela esta no hospital e tudo mais, isso acontece na série mesmo... Bjs! :D