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“Você significa tanto para mim queàs vezes não sei como lidar comisso. Quero te cuidar e te prenderem meus braços como se o mundoainda não estivesse preparado paramerecer alguém como você.”- Luara Quaresma

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— Mas que merda! – exclamou Sam, se aproximando do corpo caído de Zemo.

A situação tinha saído do controle. Sam estava indo bem com Karli até John Walker aparecer e estragar tudo. Durante a confusão, eles começaram a se perder no prédio em que estavam enquanto tentavam ir atrás de Karli. Zemo teve a sorte de encontrá-la e destruir todos os soros do Super Soldado. Bem, quase todos.

John apareceu e jogou o escudo em direção a cabeça de Zemo, que desmaiou devido ao impacto. E quando ninguém estava vendo, Karli fugiu. Sam e Bucky chegaram logo depois.

— Ele está bem? – perguntou Bucky ao seu lado.

— Tá, tá. Só tá inconsciente. – respondeu, ficando um pouco mais tranquilo.

— Ele merecia levar um soco, mas não a esse ponto. – disse Bucky, reparando que a lateral da cabeça de Zemo estava começando a inchar.

— O Walker está começando a ir um pouco longe. – disse Sam, olhando John que estava longe dos dois conversando com Lemar Hoskins, o Estrela Negra. Bucky acompanhou o olhar dele. — Desse jeito vai acabar matando alguém e manchando o legado do Steve.

— Coisa que poderia ter sido evitada.

— Não começa. – repreendeu Sam, evitando olhar para o amigo.

— Hum... Vamos levar ele embora antes que o John volte. Temos que aproveitar a ajuda de Zemo antes que as Dora Milaje o levem.

Sam concordou e os dois carregaram Zemo para bem longe dali, cada um com o braço dele por cima dos ombros.

No caminho até o apartamento, Zemo estava entre estar acordado e desmaiado. Começava a dizer palavras em sokoviano, sem sentido, como se estivesse em um sonho bizarro, e de repente parava. Alguns segundos depois o processo se repetia.

Sam não entendia nada, então ficou o caminho todo com uma expressão confusa em seu rosto, mas Bucky entendia perfeitamente devido ao seu passado como Soldado Invernal. Ele prestava bastante atenção. Mesmo que nada fizesse sentido, alguma coisa poderia revelar algo sobre o barão.

Logo, Zemo começou a murmurar repetidamente vários “não” em sokoviano. Bucky então começou a ficar preocupado quando no meio daqueles murmúrios Zemo disse o nome de Saulė.

— Ele disse “Saulė”? – perguntou Sam.

— Sim. – Bucky respondeu.

— E o que ele tava dizendo antes?

— Nada com sentindo. Ele deve estar sonhando.

E estava. Agora não mais. Naquele momento estava tendo um pesadelo. Um verdadeiro pesadelo.

Nele, Saulė estava ferida, caída no chão frio, e ele ao longe, só a observando agonizar de dor enquanto o chamava. Ele queria ir até ela e ajudá-la, mas não conseguia sair do lugar. Não conseguia mover um músculo se quer. Nem ao menos falar ou gritar.

E então ele finalmente começou a se mover, mas estava lento demais. Dar um passo era uma eternidade, mas estava se aproximando dela.

Quando finalmente chegou perto dela, alguém a agarrou pelo braço e bateu em seu rosto.

Achou mesmo que poderia ser feliz? Por um breve momento? Que patético”

Aquela voz irritante ecoava em sua mente. Seu sangue fervia ao escutá-lo. Seus olhos foram para o homem que acabara de bater em Saulė.

Era John Walker.

Que engraçado!”, ele riu “Não conseguiu proteger sua esposa e filho, acha que pode proteger ela?” ele apontou para Saulė, dizendo “ela” com tamanho desprezo.

Além da revolta que sentia ao ver John a machucar, o desespero começou a tomar conta dentro de si de pouco em pouco. Não queria perder mais ninguém. Ele tentou correr até eles, mas quanto mais corria, mas longe ficava.

Você machucou pessoas demais. Então merece passar por isso”

John ergueu seu escudo e deu um sorriso macabro, enquanto Saulė implorava para não ser machucada. Zemo tentou correr ainda mais rápido, mas aquilo não surgiu efeito algum. John acertou com tudo o escudo na cabeça de Saulė e ela parou de gritar.

O silêncio se estalou por um breve estante, enquanto Zemo via sangue por todos os lados. Aquilo era terrível. Não conseguiu fazer nada. Não conseguiu salvá-la. Ela não tinha culpa de nada, não merecia aquilo.

Ela mereceu isso por ter se aproximado de você. Você fez isso com ela, Zemo. Por sua culpa ela se foi.

Não, não, não, não, não...”, ele se sentia sufocado pela dor... e pela culpa. Seu peito doía demais.

O chão desapareceu de seus pés e ele começou a cair infinitamente. Agora eram outras vozes que diziam palavras de ódio contra ele. Estava tudo escuro, mas conseguia sentir as pessoas apontarem o dedo em sua direção enquanto caia.

Você é um monstro!

Quantas pessoas vai machucar?!

Devia morrer!

Você não é diferente daqueles que mataram a sua família.

Então ele reconheceu a voz de dois homens, eram a de James e Sam.

“Seu lugar é em uma prisão, apodrecer nela enquanto o resto do mundo esquece de você”, essa era a voz de Sam. Era calma, mas continha ódio.

É o que merece por usar a dor dos outros para conseguir o que quer”, e essa era a de James, mas, um pouco diferente da de Sam, nela continha um pouco de mágoa.

Ele sentia as lágrimas escorrerem em seu rosto e a falta de ar. Seu peito doía mais que podia suportar e o peso em sua consciência era demais. Não queria causar dor alguma em Saulė e aquilo aconteceu por culpa dele. Inteiramente dele.

Zemo abriu os olhos em um sobressalto. Estava ofegante, puxando o máximo de ar possível em seus pulmões. Sua testa continha algumas gotas de suor e sua cabeça latejava de forma infernal. Demorou um pouco para perceber que estava no meio da rua, bem em frente ao condomínio. E demorou para perceber também que estava sendo carregado por Sam e James.

— Ei, você tá legal? – perguntou Sam.

Sam e Bucky poderiam não gostar de Zemo, nem um pouco, mas o comportamento dele até ele acordar estava preocupando demais eles.

Vários murmúrios, algumas tremedeiras e o curioso fato que tinha chorando em um dado momento. Sam não sabia o que estava passando na cabeça de Zemo, mas tinha certeza que não era bom. Já Bucky tentava descobrir o que estava passando com as palavras que conseguiu: Saulė, culpa e monstro.

— Hum... Sim. – ele finalmente respondeu, tentando não olhar para eles.

Logo, eles começaram a subir os degraus. Sam e Bucky ainda seguravam Zemo, pois ele ainda estava um pouco debilitado e tropeçava algumas vezes. Depois de longos minutos subindo, eles finalmente pararam em frente ao apartamento e abriram a porta.

Zemo deitou-se no sofá e Sam foi até a geladeira para pegar gelo.

— Acho que vou chamar a Saulė para ajudar ele, precisamos pegar a Karli. – disse Bucky, prestes a sair.

— Não. – Zemo protestou com a voz fraca, mas alta o suficiente para Bucky ouvir.

— Por quê? – ele perguntou, desconfiado.

— Não é bom envolver uma cidadã de bem nessa situação. Estamos enfrentando uma ameaça, os Apátridas poderiam aparecer agora e... machucar ela. – ele disse, sentindo um peso no peito ao dizer a possibilidade de Saulė se machucar.

— É, mas uma hora atrás você tava no apartamento dela. – argumentou Bucky.

— Eu sei... Foi um erro. – sua voz ficou um pouco mais baixa e seus olhos entregando um pouco da melancolia que sentia.

Sam colocou gelo em um saco e se aproximou de Zemo. Ele ainda achava toda aquela situação estranha, muito estranha, mas uma voz em sua cabeça dizia que Zemo precisava de ajuda. Mesmo que não gostasse dele, seu senso de ajudar as pessoas era maior.

— O que tá rolando entre você e ela? – perguntou, entregando o saco de gelo para Zemo.

— Nada.

Ele pegou o saco e colocou em sua cabeça, fechando os olhos quando sentiu o gelo em seu machucado.

Sam franziu os olhos, desconfiado.

— Mentiroso. – resmungou James.

— Vai ter que responder se você não quer que a gente chame ela. – Sam o ameaçou.

Zemo ficou em silêncio por um tempo, pensando se deveria dizer algo. Nem ele sabia ao certo o que estava acontecendo entre ele e Saulė. Seus olhos iam de Sam para Bucky, enquanto tentava pensar nas palavras.

— Eu só não quero que ela se machuque por minha causa. Já machuquei pessoas demais. – ele respondeu. Sam sentiu verdade em suas palavras.

Saulė... Culpa... Monstro”, lembrou Bucky. Então juntou as informações com o que estava vendo naquele momento e decidiu fazer uma pergunta.

— Você não quer que ela se machuque por sua causa ou por não conseguir protegê-la?

Zemo não respondeu. Bingo.

Ele olhou para Sam e ele o olhou de volta. Era como se dissessem: “Isso é mais complicado”. Nunca que iriam imaginar que Zemo se envolveria emocionalmente com alguém, pelo menos não de novo.

— Olha...existem coisas na vida que simplesmente acontecem e não podem ser evitadas. – disse Sam.

— Não fale o que você não entende. – contestou Zemo, com a voz vacilante

— Ah, eu entendo sim. – Sam parou e respirou fundo. — Perdi um amigo em combate e durante muito tempo eu pensava que era minha culpa, que se eu tivesse me esforçado mais ele estaria vivo. Mas então eu percebi que, mesmo que eu me esforçasse, a situação não teria mudado.

Sam não havia superado a morte do amigo, Zemo tinha percebido isso.

— Sinto muito pela perda.

— Eu sei. – ele deu um meio sorriso. — A culpa te aprisiona, te impede de viver. Você tem pouco tempo até as Dora Milaje aparecerem. Se eu fosse você, aproveitava esse tempo com Saulė. Aparentemente ela é a única que gosta de você e não vai poder vê-la tão cedo quando for preso novamente. Talvez nunca mais.

Nunca mais ver aqueles olhos cintilantes era terrível. Zemo refletiu as palavras de Sam. Elas faziam sentido, de fato, mas o medo ainda era maior.

— Por que vocês estão querendo me ajudar?

— Por que a gente te entende nesse quesito. – Bucky respondeu.

— É estranho ouvir isso de vocês. – confessou.

— A gente sabe.

Houve um silêncio. Era estranho para todos eles aquela situação, aquele momento. Sam e Bucky ajudando Zemo, quem diria? Se alguns anos atrás dissessem para eles que isso iria acontecer eles iriam rir, mas lá estavam eles. Zemo não diria e muito menos confessaria, mas ele os agradecia.

— Vou chamar ela. – disse Bucky, saindo do apartamento.

Alguns minutos se passaram e Bucky retornou com Saulė ao seu lado, que carregava um pote consigo. Seus olhos encontraram os de Zemo. O rosto dele estava um pouco inchado, o que fez ela ficar preocupada. O pressentimento ruim que sentira antes era um aviso do que iria acontecer com ele.

Bucky não havia dito o que tinha acontecido com Zemo, só que ele precisava da ajuda dela. Saulė se aproximou de Zemo em passos rápidos.

— Mans Dievs...O que aconteceu? – ela perguntou, se agachando para ficar ao lado dele.

— Levei uma pancada na cabeça, mas já está melhorando.

— É, mas ainda tá inchado. – ela fez menção em por uma de suas mãos na cabeça dele, mas recuou na hora. Zemo detestou aquilo. Ele queria que ela o tocasse. — Trouxe alguns biscoitos amanteigados para fazer um agrado, já que gostou tanto deles.

A expressão de Zemo, que estava séria até aquele momento, se suavizou instantaneamente e ele deu um sorriso.

— Obrigado, draga (querida).

Saulė corou e desviou o olhar.

Sam e Bucku se afastaram para dar um pouco mais de privacidade para os dois, mas não saíram da sala. Zemo se sentou e pegou um biscoito. Ele se sentia melhor com a presença de Saulė, a dor até parecia diminuir. Ele fez um gesto com a cabeça para ela se sentar ao seu lado.

— Fico feliz em ver você. – ele disse.

— Você diz como se fizesse anos que a gente não se vê.

Para mim parece” ele pensou.

— Apesar de eu estar feliz, preciso que você fique longe de mim e eu de você. – ele sussurrou.

— Eu fiz algo que te irritou?

A maneira como ela o olhou cortou o coração dele

— Não, jamais faria isso. O problema é que estamos enfrentando um perigo. Fugi da prisão e os wakanianos estão nos caçando. Fora os Apátridas. – ele fez uma pausa. — Com essa situação você pode se machucar e eu não quero isso.

— E se você se machucar?

— Não se preocupe comigo, draga. Afinal, fui o único que derrotei os Vingadores. De forma definitiva. – ele deu um meio sorriso.

— É, você tem um ponto.

— Quando a situação melhorar, eu entrarei em contato com você.

— É bom mesmo, alguém me prometeu Delícias Turcas.

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Saulė retornou ao seu apartamento novamente. Estava aliviada em ver Zemo bem, um pouco triste por não poder vê-lo e feliz por que ele fez a promessa que iria vê-la quando tudo melhorasse.

Ela já tinha desistido de lutar contra os seus sentimentos, esse era um tipo de luta que não se vence, mesmo resistindo. Ver Zemo machucado fez ela perceber que realmente estava o amando. E aquela pequena conversa que tivera com ele há pouco tempo fazia ela se perguntar se ele sentia alguma coisa por ela.

Ou talvez fosse só um fruto de sua imaginação.

Tentando não pensar demais, ela resolveu arrumar suas coisas para o trabalho no dia seguinte. Quando terminou, resolveu fazer um simples bolo de chocolate. Depois decidiu fazer uma calda de chocolate, bolo de chocolate não pode ser simples. Quando o bolo ficou pronto, pegou um grande pedaço e foi para a sala assistir um filme.

— Romance nem pensar. – ela disse sozinha. – Preciso de um filme de ação, ou de guerra... Não. É melhor um de comédia.

Decidiu assistir Cada Um Tem a Gêmea Que Merece e tentou não pensar em mais nada a não ser o que estivesse passando na TV.

Passou-se um tempo e começou a ouvir barulhos estranhos. Achava que poderia ser as crianças do prédio brincando ou algo de sua cabeça, o que não era bom. Depois de alguns minutos então que ela percebeu.

Não era as crianças do prédio e muito menos uma alucinação de sua cabeça.

Era algo acontecendo no apartamento de Zemo.

Ela correu em direção à porta, mas antes que colocasse as mãos na maçaneta lembrou-se das palavras de Zemo. Será que seriam os wakanianos? Ou os Apátridas? E se acontecesse algo com ele?

A promessa... A promessa... Droga!

Zemo talvez ficasse bem irritado com a intromissão dela, mas ela não poderia ficar parada sem fazer nada. Ela foi para o quarto e pegou seu taco de beisebol do tempo do colegial e saiu do apartamento.

Ela segurava o taco com força enquanto andava lentamente. Nunca entrou em uma briga na vida e pensar que poderia arranjar briga com wakanianos ou com os Apátridas estava deixando-a nervosa e repensando sua escolha.

A porta estava aberta e então uma sombra apareceu. Ela não pensou duas vezes e acertou o intruso com tudo.

— AI! Droga!

Talvez fosse melhor pensar duas vezes.

A pessoa que ela atacou, infelizmente, era o novo Capitão América.

— Mans Dievs! Sinto muito!

— Por que me atacou com um taco de beisebol?! – John exclamou, sua voz mostrando a sua irritação.

— Eu... Pensei que fosse um... ladrão ou algo do tipo... – ela mentiu.

— E por que achou isso?!

— Porque... Porque não vive ninguém nesse apartamento.

Não era uma mentira, mas não era mais uma verdade com Zemo, Sam e James enfiados naquele apartamento.

Saulė tremia da cabeça aos pés, com medo do que poderia acontecer com ela por agredir alguém como ele. Seu medo era ainda maior porque ele parecia nem um pouco amigável. Nem nas entrevistas que ela viu dele ele parecia, mesmo com ele mostrando um sorriso.

John Walker respirou fundo e se acalmou, vendo que a mulher era uma mera cidadã comum.

— Tudo bem... Tudo bem, admiro sua coragem. Mas não faça mais isso, poderia ser um criminoso armado.

Antes que Saulė respondesse algo, John Walker foi embora acompanhado por Lemar Hoskins. Ela deu um longo suspiro e depois que se recuperou do susto, entrou no apartamento.

Algumas coisas estavam quebradas, como objetos, e uma pilastra estava com um rachadura. Sam e James pareciam bem preocupados e não havia sinal nenhum de Zemo.

— O que houve aqui? – ela perguntou.

— As Dora Milaje e o novo “Capitão América” vieram levar Zemo. – James respondeu.

Saulė não gostou daquela noticia. Olhou para os lados novamente e não encontrou Zemo. Sentiu um aperto no coração.

— E conseguiram... Não foi? – sua voz soou baixa.

— Não.

— Então onde ele está?

— Ele fugiu. – Sam respondeu.