O Apartamento ao Lado - Barão Zemo
5 Amor no Apartamento ao Lado
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“eu quero
amar
você com tudo
incluso
até com sentimentos que há tempos
não uso.”
- Gabe Lima
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Oito meses haviam se passado desde a última vez que Saulė tinha visto Zemo.
Ele tinha desaparecido por completo, sem deixar rastros. Ninguém sabia onde ele estava ou onde ele poderia estar. Ele era um mistério por si só. A última vez que tinha sido visto foi por uma câmera de um estabelecimento próximo ao que restara de Sokovia, uma semana depois que conseguiu escapar de Sam e James. Provavelmente, ele foi para o memorial, mas ninguém poderia dar a certeza.
Quando recebeu a noticia que ele fugiu, sentiu alivio. Ele não havia se machucado com toda aquela confusão. Então os dias começaram a passar. Sentia-se um pouco nervosa, mas lembrava que ele prometera a ela que voltaria. E os dias se transformaram em meses, exatos oito meses.
Nos primeiros cinco meses, Saulė sentiu que estava sendo vigiada. Não sabia se era pelas Dora Milaje, por James e/ou Sam, que agora era o novo Capitão América. De qualquer forma, julgaram que Zemo iria atrás dela. Mas, como não houve um sinal se quer, a sensação de ser vigiada desapareceu por completo, como Zemo.
A poeira havia abaixado havia um bom tempo. Com os Apátridas derrotados, o governo estava ocupado para que não surgisse outro grupo terrorista, encontrando meios para ajudar pessoas que perderam suas casas e sonhos depois da derrota de Thanos. Entretanto, os wakanianos não esqueceram do homem que matou seu rei.
O rosto de Zemo ficou nos jornais por um tempo, tentando alertar o máximo as pessoas e para não esquecerem que ele estava à solta, em algum lugar. Algumas vezes, circulava na internet vídeos das Dora Milaje andando de um lado para o outro. Elas não descansariam até encontrar Zemo.
Saulė sentia um pouquinho de felicidade ao pensar que ele estava bem, bem longe de uma prisão. Mas ficava um pouco apavorada ao pensar que ele pudesse ter sido pego por alguém que o odiasse e ninguém descobriu ainda.
Durante todo esse tempo, ela sentiu muita falta do barão. Mas, cada dia que passava a saudade aumentava tanto que às vezes só o ato de respirar parecia difícil.
Ela não conseguia entender isso. Como poderia criar uma relação tão profunda com ele em apenas um dia?
Bem, se aquilo fosse recíproco.
Saulė já começava a pensar que Zemo não voltaria mais. Que talvez achasse ela chata demais e aquela promessa só foi uma desculpa. Ela se sentia ridícula por sentir algo tão forte por ele em um único dia.
“Mans Dievs, como eu sou patética! Devo estar desesperada por um amor para ter me apaixonado tão rápido por ele... Justo por ele!”
A situação dela parecia piorar. Sua feição nunca foi tão triste como era naquele momento e não passou despercebido pela sua avó. A Sra. Bērziņš odiava ver a neta assim e, em uma tentativa para animá-la, preparou um banquete com tudo o que ela gostava no apartamento da neta e comprou um DVD para sua coleção.
Quando Saulė chegou em casa depois de um dia cansativo no trabalho e se deparou com a mesa cheia de comida e com sua avó a esperando com um sorriso, ela chorou.
A avó se aproximou dela e a abraçou bem forte e as lágrimas da neta se intensificaram ainda mais. Ela não conseguia ver a neta de 30 anos e sim a netinha que tinha cinco anos. Deu um suspiro pesado, lembrando-se daquela época difícil e fez um carinho na cabeça da neta.
— Está tudo bem, minha bonequinha... Vovó está aqui. – ela disse, com a voz calma.
Após alguns minutos abraçadas, Saulė parou de chorar. A Sra. Bērziņš limpou o rosto da neta e a levou até mesa para que ela se sentasse e comesse.
De inicio, não disseram nada. Saulė comia silenciosamente e devagar, tentando controlar as suas emoções. Ela achava um gesto muito lindo e sentia-se tocada pela preocupação de sua avó. Misturando tudo o que ela estava sentindo, aquilo havia disparado um gatilho para ter a feito chorar. Sentia-se constrangida por ter chorado tanto em frente a sua avó e por estar dando trabalho. Se sua avó soubesse o motivo de estar assim, o que ela diria?
Enquanto Saulė estava mergulhada em seus pensamentos, sua avó a observava com atenção. Queria pegar a dor da neta para si, para que ela não sofresse. Como ela odiava ver a neta tão triste, partia-lhe o coração.
Ela esperou pacientemente até que a neta terminasse de comer para iniciar uma conversa. A comida poderia não tirar a dor, mas parecia fazê-la se sentir um pouco melhor.
— Muito bem, agora me diga, querida, o que houve para ficar tão triste? – ela perguntou, segurando a mão da neta e fazendo um carinho com o polegar.
— Ah... Se eu disser vai me achar uma completa idiota.
— Não fale assim, nunca acharia isso de você. Você não é uma idiota.
— Nesse caso, você está errada. Eu sou.
A avó arqueou uma de suas sobrancelhas em resposta. Saulė soltou um longo suspiro de derrota.
— Eu... Eu me apaixonei. – disse com a voz baixa.
— Ora! E por que isso te faria uma idiota?
— Me apaixonei em menos de um dia...
— Mas isso é completamente normal. – a avó sorriu. — Bem, pelo menos em nossa família.
— Como assim? – Saulė franziu a testa.
— Vejamos... Eu e seu avô nos apaixonamos quando nos esbarramos e nos vimos pela primeira vez. Foi em uma tarde de verão, a calçada não estava movimentada, mas estávamos bem distraídos. Eu não tinha certeza se eu tinha me apaixonado mesmo, mas quando ele começou a falar, me pedindo desculpas, eu tive certeza.
— Nossa... Foi bem rápido. – disse surpresa com a história da avó.
— Muito. – ela fez uma pausa. — Seus pais se conheceram na empresa em que trabalhavam. Seu pai era gerente e estava encarregado de apresentar a empresa para a nova funcionária, que era a sua mãe. Ele disse que quando a viu se esqueceu por completo onde ele estava. E sua mãe era meio desajeitada, mas muito meiga, e disse que tinha ficado tão fascinada pelo seu pai que ficava tropeçando nos próprios pés. – ela riu com a lembrança.
As histórias que a avó contou fizeram Saulė se sentir um pouco mais calma. Não totalmente, pois ainda tinha outras preocupações envolvendo o barão. Mas pelo menos se sentia menos estúpida por se apaixonar tão depressa. E a avó, ao perceber isso, ficou mais aliviada.
— Parece que é de família...
— É... Também acho. E então... Quem é o homem de sorte? – ela perguntou, ansiosa para saber.
— Esse é outro problema, vó... Ele... Bem... Hum... Ele é... – Saulė gaguejou. Ela respirou fundo e conseguiu coragem para dizer de uma vez. — Ele é Helmut Zemo.
— Espera... Helmut Zemo? O Barão Helmut Zemo?
Saulė balançou a cabeça para cima e para baixo, então seu olhar foi para o prato a sua frente que continha algumas migalhas de uma torta. A Sra. Bērziņš juntou as mãos, próximo ao rosto, processando a informação.
— Mans Dievs... Agora eu estou entendendo a situação. – ela disse por fim.
Saulė não disse mais nada, incapaz de olhar para avó e ver qual era expressão estampada em seu rosto. Raiva? Tristeza? Decepção? Ela não gostaria de saber. Dentre tantas pessoas, a única pessoa que não queria decepcionar de forma alguma era a sua querida avó. Estava se perguntando o que passava em sua cabeça.
— Sabe, eu o vi pouquíssimas vezes durante todos esses anos. – ela disse de repente, quebrando o silêncio. — E em todas essas vezes ele sempre era muito educado, com um sorriso no rosto, ajudando os outros... Os jornais vivem falando que ele é perigoso e que pode machucar alguém. Não consigo acreditar nisso, mesmo depois do que fez. Por isso não o denunciei.
Saulė a olhou com os olhos arregalados, em choque com a notícia que acabara de ouvir.
— Você sabia que ele estava aqui?! – ela exclamou.
— Claro que eu sabia! Que tipo de dona eu seria se não soubesse o que acontece em meu condomínio? – ela deu um sorriso. – Veja bem, querida, não há nada de errado em amar ele. Zemo não é um homem ruim de verdade.
— Ele prometeu que iria me ver novamente... E já se passaram oito meses.
— E pelo que conheço, ele é um homem de palavra. Ele está esperando a poeira abaixar.
— Mas agora está mais tranquilo.
— Sim, mas se ele não apareceu é porque ainda não é seguro.
A avó segurou as duas mãos da neta e depositou um beijo nelas.
— Acalme o seu coração, vai ficar tudo bem.
Depois de uma longa conversa com sua querida avó, Saulė sentia-se mais leve. A saudade ainda morava em seu peito, mas a sensação sufocante e os diversos pensamentos negativos já não eram mais um terrível problema. Saulė tinha que aprender a lidar com aquela saudade, não havia outro jeito.
Então mais duas semanas se passaram.
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Saulė já estava um pouco melhor. Às vezes parecia que o dia que passou com Zemo foi um sonho, daqueles que era tão real que você duvidava da realidade e da sua mente.
Era um dia ensolarado, em um final de semana. Saulė estava deitada em seu sofá, ouvindo “The Man With the Child in His Eyes”, de Kate Bush, em seu toca discos. Estava tão imersa na música que demorou em perceber um barulho vindo do banheiro.
Ela se levantou em um sobressalto, tentando imaginar qual era o motivo de tal barulho. Parecia que estava batendo em algo de metal. Quando chegou no banheiro, não notou nada de diferente, então seus olhos foram em direção ao bueiro. Alguém estava batendo na tampa.
Saulė se agachou e levantou a tampa com bastante esforço e a colocou de lado. Logo, alguém começou a subir. A primeira coisa que notou foram as mãos e por um milésimo de segundo ficou com medo de quem seria, até ver o rosto. Saulė ficou tão surpresa que esqueceu até se respirar.
— Olá, draga. – disse o barão, dando aquele sorriso característico dele.
Ele se sentou no chão e passou a mão nos cabelos para ajeitá-los. Parecia que tinha corrido contra o tempo, pois estava com a respiração ofegante.
— Me desculpe por fazê-la esperar tanto, eu...
Não pode terminar de falar, Saulė o puxou em um abraço bem apertado e enterrou seu rosto em seu pescoço. Zemo ficou sem reação, demorando um pouco para processar, mas logo a abraçou de volta, passando seu braço em sua cintura e com a outra mão pousando na cabeça dela.
— Fiquei preocupada. – ela declarou com a voz baixa. Ela lutava para que as lágrimas que estavam acumulando-se em seu rosto não caíssem.
— Percebi isso. – disse em tom de brincadeira. – Agora estou aqui, como eu prometi a você.
Ele se afastou e olhou para o rosto de Saulė. Ele pensava o quanto ela estava bonita, mas bonita desde a última vez que a viu. Um desejo de tocar em seu rosto veio à tona e levou uma de suas mãos em sua direção, mas o medo também veio e sua mão ficou parada no ar.
Mas aqueles olhos... Aqueles belos olhos o encaravam com tanta ternura que era impossível dar lugar para o medo. Ele precisava tocá-la, sentir sua pele nos dedos dele, saber como era... Aqueles olhos pareciam um convite. E então ele começou a tocar no rosto dela com a ponto dos dedos, como se na menor pressão ela fosse se desfazer.
Saulė fechou os olhos no mesmo instante e inclinou um pouco a cabeça em direção a mão dele, desejando um pouco mais de seu toque. Zemo entendeu isso e fez um carinho em sua bochecha. As mãos dele eram quentes, o que fazia com que o coração de Saulė se aquecesse. Com a outra mão começou a tocar nos cabelos dela, levando eles atrás de sua orelha.
Saulė ainda não acreditava que ele estava ali, mas estava. E o melhor, não era um sonho. Ele realmente tinha vindo. Também não acreditava que cometeu a loucura de abraçá-lo, sem saber se ele iria se irritar. Por sorte, ele não se irritou nem um pouco e por causa disso cresceu em seu peito a necessidade urgente de tocar nele.
O banheiro estava tão silencioso que era quase possível ouvir os corações de ambos, que estavam batendo fortemente em seus peitos. A respiração começou a ficar desregulada e Saulė começara a sentir leves tremores pelo corpo.
Ela abriu os olhos e encarou os olhos dele, que a olhavam de volta com tanto amor que Saulė poderia derreter em seus braços e ela nem percebia que tinha o mesmo olhar dirigido a ele. Aquela situação era sufocante demais para não fazer nada, então Zemo a puxou para perto em um ato desesperado.
Seus lábios colidiram e foi como um choque. Era um beijo urgente, o qual sabia que era esperado por ambas as partes. Aquele tipo de beijo que não era só um simples beijo, mas um encontro de almas, de corações. Como se seus corações fossem se fundir. Algo que, para um deles, era impossível de acontecer novamente.
Zemo. Ele sentia amor novamente.
Sentia preencher em cada canto do seu ser, até em seus ossos. Sentia calor, carinho e paixão. Sentia-se vivo de novo. Vivo. Uma palavra que ele já tinha riscado em sua vida. Há anos que ele sentia-se como um morto que respirava, mas, naquele momento com Saulė, ele não se sentia mais assim. Era como se sua vida tivesse voltado para o curso e ganhado as cores que haviam sido perdidas.
Finalmente o impossível acontecera, a felicidade havia voltado para ele.
Saulė nunca tinha se sentido assim com alguém antes, era algo completamente novo para ela. Surreal, poderia ser a palavra mais próxima. Mas no fim das contas, ela sabia que era amor. Um amor que ela nunca imaginaria que fosse tão envolvente, intenso e doce.
Com a falta de ar, eles tiveram que se afastar. Saulė abriu os olhos lentamente, um pouco tonta com todos os sentimentos fortes que sentia em seu peito, e deparou-se com uma lágrima escorrendo dos olhos de Zemo.
— Zemo, está tudo bem? – ela perguntou insegura, pensando se tinha feito algo de errado.
— Sim... – ele respondeu. – Melhor do que eu nunca estive durante esses anos.
Ele mostrou um belo sorriso, passando a mãos pelos cabelos de Saulė e depositando um beijo em sua testa.
Saulė nunca tinha visto Zemo sorrir daquela maneira e seus olhos brilhavam muito mais que as estrelas no céu. Ela nunca tinha visto ele tão feliz e aquilo parecia uma cena tão difícil de acontecer, devido a todos os acontecimentos na vida do barão, mas lá estava ele sorrindo feito uma criança.
De repente, seu semblante ficou um pouco mais sério.
— Não vou poder ficar por muito tempo. Eu devo ter no máximo uma hora.
— A situação está muito ruim ainda?
— Não tanto que nem antes, mas não posso ser visto por aqui. Não posso por você em risco.
— Não acho que as Dora Milaje façam algo comigo.
— Talvez... Mas meus inimigos sim.
Saulė franziu a testa, um pouco confusa e preocupada.
— Existem mais além delas e dos Vingadores?
— Infelizmente, sim. Muitos.
Saulė imaginava quantos inimigos ele arranjara e por quais motivos. Seriam todos na época em que ele queria se vingar dos Vingadores ou antes disso? Algum outro dia ela iria perguntar para ele, no momento ela só se importava em ficar com ele.
Ela abaixou sua cabeça, um pouco depreciada e se aproximou de Zemo para um abraço. Ele a acolheu e a envolveu em seus braços, entendendo o que ela sentia.
— Eu não quero ficar sem ver você por tanto tempo, Zemo. – ela desabafou tristemente.
Pessoas comuns chamavam o barão de Zemo, mas pessoas especiais, como Saulė, o chamavam pelo primeiro nome. Zemo não queria mais que ela o chamasse pelo sobrenome, como se ele fosse um estranho. Então ele precisava a corrigir.
— Helmut. – ele disse. — Me chame de Helmut, draga.
Saulė deu um pequeno sorriso. Estava feliz que ele permitiu que ela pudesse o chamar pelo primeiro nome.
— Não quero ficar longe de você, Helmut. – ela disse, pronunciando o nome com carinho. – Por favor... Me leve com você.
Helmut mordeu os lábios e apertou um pouco mais o abraço. Era tentador, muito tentador, mas ela tinha uma vida em Riga e ele uma vida condenada a fugir.
— Você até poderia vir comigo, mas teria que ficar mudando de lugar várias vezes. Não poderia ver sua família e amigos com a mesma frequência. Não teria um lugar fixo. Teria que fugir. Não quero isso para você.
Enquanto ele explicava, ela imaginava como seria. Não seria nem um pouco fácil ficar longe de sua avó, mas não conseguia pensar em ficar longe de Helmut novamente. A idéia a fazia se sentir mal.
— Não me importo.
— Mas deveria. – ele se afastou e a olhou nos olhos. – Você tem sua avó, Saulė. Tenho certeza que ela não permitiria que a neta ficasse de um lado para o outro com um criminoso.
— Não mesmo. – disse outra voz.
O casal se assustou e olhou para a porta do banheiro de onde tinha vindo a voz. Para a surpresa de ambos, era a própria avó de Saulė. Ela estava encostada na batente da porta com o olhar sereno.
— Eu nunca deixaria que minha neta, a minha querida e única neta, fugisse com um criminoso. Mas você não é um criminoso qualquer, Zemo. Eu sei que nunca a machucaria. E se ela for com você vai fazer ela feliz... Então eu aprovo.
As palavras da Sra. Bērziņš chocaram o barão, fazendo ele piscar várias vezes.
— Sério? – disse Saulė.
— Sério. – a avó deu um pequeno sorriso.
Saulė olhou Helmut, esperando uma resposta dele. Seus olhos brilhavam esperançosos na expectativa em que ele a levasse junto. Helmut deu um pequeno suspiro, abalado com aquele olhar.
— Isso não apaga o fato de que meu inimigo possam me encontrar e fazer algo contra você. – ele argumentou, passando uma de suas mãos no rosto dela.
— Helmut, você só é encontrado ou pego quando quer que isso aconteça. – ela rebateu. – Tenho a “pequena” impressão que eu estaria mais segura com você.
— “Pequena”? – ele repetiu, franzindo os olhos.
Saulė mostrou um sorriso brincalhão que contagiou ele.
— Tem certeza disso, Saulė? Sua vida nunca mais será a mesma. – ele perguntou com seriedade na voz.
— Tenho. Eu só quero ficar com você. – ela respondeu no mesmo tom.
— Então está decidido.
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Saulė fez suas malas com a ajuda de Helmut e da Sra. Bērziņš. Ela teria que levar pouca coisa para não dificultar a viagem, então só pegou o que era necessário e importante.
Ela olhou em volta do seu apartamento, já com saudades, e se despediu dele mentalmente. Ela sabia que voltaria para aquele apartamento algum dia, mas sabia também que aquilo demoraria muito.
Saulė virou-se para a sua avó e a abraçou fortemente. Ambas choravam com a despedida, eram tudo uma para a outra e não seria fácil ficarem afastadas. Helmut olhava para elas, tentando segurar uma lágrima. Ele não gostava de ser o motivo da separação das duas, mas ele faria qualquer coisa para fazer Saulė feliz. E se levar ela com ele a faria feliz... Então ele faria.
A Sra. Bērziņš se afastou do abraçou e pegou algo no bolso de sua calça. Saulė reparou que era um colar da família, um belíssimo colar com uma pequena pedra kunzita que era passado de geração em geração.
— A última pessoa que usou esse colar foi a sua mãe. – a avó começou a falar, com a voz embargada, enquanto colocava o colar em Saulė. – Eu a entreguei quando ela ficou noiva do seu pai. E agora estou entregando para você, para sempre se lembrar de sua família. Para sempre se lembrar nos momentos difíceis que você tem pessoas que a ama. E para marcar um novo começo em sua vida.
Saulė continuava chorando, passando os dedos no colar, admirando cada detalhe nele. Sua avó depositou um beijo em sua testa.
— Agora vá, querida.
— Vou sentir muita saudade, vó.
Ela se abraçaram novamente e se afastaram.
— Precisamos ir, temos poucos minutos agora. – Helmut disse, olhando para o relógio em seu pulso.
— Certo.
As duas malas de Saulė estavam na porta do banheiro. Helmut e Saulė pegaram uma mala cada um e se aproximaram do bueiro.
— Adeus, Sra. Bērziņš. Foi um prazer conhecê-la.
— Igualmente... Ah, e por favor, cuide bem da minha neta, Zemo.
— Protegerei ela de todo mal desse mundo, Sra. Bērziņš.
E logo, o casal entrou no bueiro.
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Passaram-se meses e o sumiço de Saulė foi percebido pelas Dora Milaje. A Sra. Bērziņš foi interrogada por elas, mas ela mentia dizendo que ela sumiu de um dia para o outro. Apesar de não acreditarem ao todo, as Dora Milaje não poderiam fazer nada.
As buscas pelo barão Helmut Zemo continuavam a todo vapor. Por causa disso, ele e Saulė tinham que mudar de esconderijo a esconderijo a cada duas semanas. Helmut plantava várias pistas falsas do seu paradeiro em Madripoor para despistar o governo e as Dora Milaje. Era o melhor lugar para um foragido se esconder e ele usava isso a seu favor.
Apesar desses detalhes que atrapalhavam um pouco, Helmut e Saulė viviam muito felizes juntos. Casaram-se às escondidas em um campo no interior de Londres, onde a Sra. Bērziņš também estava presente.
Mesmo a vida de ambos ser muito corrida em alguns aspectos, e até ter um toque de perigo, nunca estiveram tão felizes e toda a vida.
♚ THE END ♚
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