O Apanhador de Almas
10 Fada tem cauda
Notas iniciais
Natsu
Alcançamos a entrada da floresta, quando tentei passar fui travado em meu lugar. Algo estava me impedindo de seguir em frente.
— Natsu, você não pode sair correndo assim. – Happy falou repousando no chão e me olhando confuso.
Erza se aproximou de mim equipando uma espada, foi em direção a entrada e golpeou o invisível.
A mesma energia que sentimos passar por nós quando estávamos longe se dissipou novamente, dessa vez, abrindo uma brecha e mostrando a presença de uma barreira mágica atrapalhando nossa passagem.
— Oe esquentadinho. Não corra assim como se estivesse sozinho. – Gray falou olhando para a barreira que, aos poucos, desaparecia.
Não tinha a menor vontade de responder aos insultos do Gray. Deixei ele falando sozinho enquanto pensava como poderia atravessar esta barreira mágica.
Levy saberia perfeitamente o que fazer nesta situação, mas a mesma não está aqui. Freed que consegue criar barreiras como essa também não está aqui. Como poderíamos seguir em frente se encontramos um atalho logo no começo da jornada?
— Sem Lucy vocês não vão passar por esta barreira. – Loke apareceu ao meu lado e foi em direção a barreira.
Passou tranquilamente pela barreira sem que qualquer vibração ou energia o repelisse para longe. Parece que esta barreira é vulnerável a espíritos celestiais. Por isso pediram ajuda a Lucy?
Passei pela entrada da floresta e fui na direção do Loke. Não sentia o cheiro da Lucy próximo de onde estamos, então Loke forçou a abertura de seu portão sem o consentimento da sua amiga e maga celestial.
— Lucy pediu que eu não falasse nada para vocês. – Ele me encarava sério demais. – Estou decepcionado Natsu. – Apontou a nossa frente, sinalizando em direção a uma rota coberta por árvores. – Lucy está naquela direção e creio que em breve terá problemas. – Ele desapareceu.
Me senti mal. Até Loke estava decepcionado comigo por eu ter me distanciado da minha parceira. Não foi minha intenção, eu só não sabia como reagir perto dela. Dessa forma, aproveitei que Lisanna havia retornado para saber o que deveria fazer, além de matar saudades dela.
— Natsu, sabemos como você está se sentindo. Cometemos o mesmo erro. – Erza estar errada é um evento raro.
Gray deu um leve soco em meu braço fazendo com que eu entendesse que tudo vai ficar bem. Eu espero que tudo fique bem sim, mas é difícil ficar calmo se não estou por perto para ter certeza de que tudo vai ficar bem.
Erza ativou a função localização novamente e Lucy não parecia estar muito longe de nós. Seguindo pela rota a frente, surgiram três passagens por debaixo de muitas árvores fazendo com o que o caminho fique escuro e perigoso.
— Vamos seguir a direita. – Falei já caminhando em direção a entrada escolhida com Happy.
— Vamos seguir a esquerda. – Ouvi Gray me contrariando como sempre faz.
Erza continuou olhando para o lacrima enquanto eu e Gray discutíamos pelo caminho certo. Muitas das discussões ocorriam pelo motivo mais bobo possível, porém nenhum dá o braço a torcer. Ela deu um soco na cabeça de cada um de nós, acabando com a nossa briga.
— Vamos seguir o caminho do meio. É o caminho que vamos chegar mais rápido até onde Lucy está com essas outras quatro pessoas. – Ela franziu o cenho olhando diretamente para mim. – Natsu, antes a Lucy estava acompanhada apenas por dois pontos. – Erza olhou puxou sua espada a tempo de ser atacada por um ramo de uma das árvores.
A nossa volta não havia sinal de presença além de nós quatro. Os ramos das árvores se acalmaram conforme fizemos menção de nos afastar da trilha escolhida pela Erza.
Happy ficou confuso e voltou a se aproximar do caminho. Novamente os ramos se agitaram e tentaram atacar ao Happy.
Erza cortou um ramo ao meio abrindo caminho para que assim conseguíssemos passar. Entramos na rota precisando atacar cada ramo que aparecia a nossa frente.
O caminho que entramos parecia com um pequeno bosque, árvores e ramos das raízes se estendiam, cobrindo a totalidade do caminho. Conseguimos alcançar o final daquele “corredor” de árvores chegando a um pátio mais aberto.
As árvores não cobriam mais os caminhos, no entanto, casas podiam ser vistas. Não somente casas, mas seus moradores também.
— Natsu, Natsu, veja. É uma fada. – Happy apontou para um pequeno ser mágico que voava perto de onde nós estávamos, chamando atenção. Preciso dizer que a reação não foi boa?
Quando o pequeno ser, parecido com uma boneca com cauda notou a nossa presença, se sentiu ameaçada e gritou tão alto que eu não consegui ficar de pé. A audição de Dragon Slayer muitas vezes me atrapalha.
Apareceram diversos gigantes com corpo recoberto por lascas de madeira como se sua origem fosse a própria raiz da floresta. Erza parecia tão surpresa quanto eu e Gray. Não reconhecemos esta criatura, talvez por nunca termos explorado este terreno.
Erza gritou alto demais antes de correr em direção aos gigantes e começar a atacá-los. Eu e Gray nos juntamos a luta sendo interrompidos logo em seguida por uma mulher que gritou uma língua estranha.
— Já chega, deixem eles em paz. – Uma senhora de cabelos grisalhos veio em nossa direção.
Sua postura curvada e a bengala presa em suas mãos mostrava que é uma senhora de idade, por volta de uns sessenta anos. Ela se aproximou de nós lentamente enquanto os gigantes se afastavam de nós, indo cada um para um canto.
— Vocês estão atrás da menina Heartfilia ou do dragão? – Ela perguntou olhando para cada um de nós.
Esta senhora olhava para gente de forma que parecia estar nos analisando. Espera um pouco ai, ela acabou de confirmar que a Luce passou por aqui? E dragão?
— Velhinha, esse dragão passou pela cidade faz muito tempo? – Happy perguntou querendo tirar a mesma dúvida que eu.
A possibilidade de ser algum dragão conhecida talvez seja mínima, mas não custa nada perguntar. Sei bem que Gajeel e Wendy adorariam saber se seus pais dragões estão por perto, ou mesmo vivos.
— Happy, deixe de ser tonto. Nossa amiga pode estar em perigo. – Erza perguntou querendo sempre priorizar a vida de um nakama.
— Este dragão atacou a floresta faz um tempo, não sei se foi numa tentativa de se defender. – Ela riu nervosamente olhando a sua volta.
Apesar de ter falado sobre um ataque, as casas a volta não apresentavam sinal nenhum de que foram derrubadas ou destruídas. Será que este dragão não teve a intenção de atacar, mas sim de se defender? Se fosse para se defender, quem estaria atacando?
— Tem pessoas cruéis demais seguindo este dragão. Eu confesso que esperava o contrário. – Ela ficou séria. – E agora sua amiga Heartfilia está entre os dois. – Ela abaixou seu olhar.
— Quem são estas pessoas? Por que estão atrás do dragão? É pelo item velhota? – Erza me deu um soco na barriga ao terminar de falar.
Eu precisava de mais informações. Quanto mais envolvidos estávamos, mais problemas aparecem. Por que a Lucy foi se envolver nisso?
— Só tenho uma única informação. Eles estão atrás do item mágico que está sob domínio deste dragão. Falando nele, não consegui nem reparar em seus detalhes. Ele fugiu tão rápido através de um portal. Quase não acredito que realmente um dragão passou por aqui. – Ela olhou tudo a sua volta novamente.
— A senhora poderia nos informar quando foi a última vez que viu a Lucy? Sabe para onde ela foi? – Gray tento obter mais informações.
Procurei qualquer saída diferente, qualquer vestígio que a Lucy possa ter deixado para trás. Tentei até farejar seu cheiro. Nada, nenhum sinal.
Uma fada com cabelos rosados, parecendo uma bonequinha, voava rápido até onde estávamos parados.
— Ester-sama, Lotusblume acabou de receber a visita de uma... – Parou de falar quando notou nossa presença. – Tentou se esconder, porém Erza foi mais rápida a puxou por sua cauda.
Fada tem cauda?
— Olá fadinha. Pode continuar o que estava dizendo? – Erza consegue ser assustadora até quando não quer.
— Aye, aye. – A fadinha tremeu. – Uma maga loira acabou de falar com a Lotusblume. Só consegui escutar o final da conversa e a guardiã dizia que ela vai conseguir passar pelo portal, o mesmo portal que o dragão passou. – Tremi ouvindo as palavras da fada.
Lucy seria idiota ao ponto de ir até o dragão? Ela não pode fazer isso sozinha, não pode enfrentar esta criatura sozinha.
Senti meu corpo esquentando e chamas rodeavam meu corpo. Lucy não poderia fazer isso. É quase um sacrifício. Soquei o chão na tentativa de extravasar meu estresse.
— Vamos atrás da Lucy. Não vou deixar que ela seja tão idiota assim. – Minhas mãos estavam fechadas.
Eu não poderia me irritar agora. Lucy estava agindo como uma maluca pensando que pode fazer isso comigo. Ela não vai se colocar em perigo sem que eu lá para salvá-la.
— Escute Dragon Slayer, você precisa ser forte. – A velhinha Ester segurou minhas mãos. – Sua garota vai precisar de ajuda. Ela precisa encontrar o Apanhador de Almas o mais rápido possível. – Soltou uma das minhas mãos e apontou na direção de uma trilha toda repleta de flores. – Siga nesta direção e alcançará a menina Heartfilia. – Ela soltou minha mão.
Não esperamos um minuto sequer e seguimos na direção indicada. Lucy não podia esperar. Um minuto a mais de distância é um minuto a menos de segurança para ela.
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