O Apanhador de Almas
3 Bem-vindos a Crocus
Notas iniciais
Lucy
Cheguei em Crocus ao final da tarde. Sae continuava animada por estar indo de encontro com a princesa. Ainda gostaria de saber a relação entre a princesa e a pequena Sae.
Caminhei em direção ao Palácio Mercurius do Reino de Crocus, a capital de Fiore. Diversos guardas estavam espalhados por todo o território da capital. Apesar de estar anoitecendo, a cidade estava animada. Não havia sinal de evento esportivo ou qualquer celebridade conhecida caminhando pela rua, era simplesmente a cidade. Os moradores felizes, sorrindo uns para os outros enquanto trabalhavam. Os guardas cumprimentavam as pessoas ao passar por lojas. Crianças corriam pelas ruas.
Olhei para Sae e vi seus olhinhos brilharem. Uma garotinha tão fofa, jeitinho angelical. Como ela poderia ter ido sozinha até Magnólia acompanhada apenas por um exceed? Diversas perguntas eram formuladas em minha mente até que fui barrada por um homem fardado. O mesmo era moreno, com cabelos castanhos e uma barba volumosa, mas perfeitamente aparada. Sua armadura brilhava com o reflexo das lanternas dispostas pelas entradas das lojas.
— Senhorita Lucy Heartfilia? – Ele me cumprimentou e logo foi atacado por uma criança ansiosa e um exceed impaciente.
— Senhor Arcadios, eu falei que conseguiria trazer a Onee-chan até a princesa. – Sae pulava alegremente como se tivesse vencido uma brincadeira.
Sae realmente foi até Magnólia somente para me buscar? Não conseguia entender como uma criança conseguiria se deslocar de uma cidade a outra e ainda assim, ir com um objetivo.
Arcadios a pegou no colo e ergueu a sua frente. Deu uma leve sacudida esboçando uma expressão séria e preocupada.
— Senhorita Sae não devida ter feito isso. Poderia ter se machucado. – Arcadios parecia preocupado e aparentava conhecer perfeitamente a pequena.
Sorri para eles. Talvez eu pudesse conversar com Arcadios e obter as informações que tirariam minhas dúvidas.
Arcadios olhou para mim e sorriu.
— Senhorita Heartfilia, sinto pelo incômodo. Havia conversado com a Sae que os soldados iriam até Magnólia para buscar você, mas parece que a teimosia falou mais alto, não é Roku? – Ele dirigiu um olhar ameaçador na direção no gato que, agora, se escondia por trás da minha cabeça.
— De forma alguma me incomodou. Apenas gostaria que respondesse algumas perguntas. – Ele assentiu afirmativamente.
— Primeiro, preciso leva-la até o Palácio. Creio que já recebeu a carta da Princesa Hisui, certo? – Ele me direcionou até um carro mágico, logo dando partida.
— Recebi sim. Por isso aqui estou. – Olhei para fora da janela tentando analisar toda a cidade.
Nada parecia estar errado ou com problema. Também não notei sinais de invasão vinda de um dragão ou mesmo a presença de um. Tudo ficava mais confuso.
O carro entrou num grande pátio do Reino de Fiore, dando acesso a entrada do Palácio. Vários guardas se alarmaram com a entrada do veículo, contudo, logo se acalmaram a ver que eu estava sob os cuidados do homem fardado. Talvez sua patente estivesse impondo esse respeito.
Saímos do carro e entramos no Palácio. O mesmo era todo iluminado, pintado com cores alegres e enfeitado por diversos quadros e esculturas. Em um dos quadros estavam pintados a princesa Hisui e o seu pai. Conseguia reconhece-los pelas matérias divulgadas nas famosas revistas. Créditos ao Jason, o melhor repórter e editor que conheço.
Sae correu até onde a princesa estava. Roku permaneceu ao meu lado, um pouco desconfortável.
— Senhorita Lucy, muito obrigada por atender meu chamado. – Ela sorriu e me deu um breve abraço. – Acredito que deve estar com muitas dúvidas. Permita-se esclarecer todas após tomarmos uma xícara de chá.
Ela me conduziu a uma mesa disposta pelo jardim. Logo uma senhora nos serviu chá e trouxe também um prato com alguns biscoitos. Sae e Roku se prontificaram a tomar conta dos biscoitos.
Princesa Hisui tomou um gole do chá e em seguida apoiou seus braços na mesa.
— Em primeiro lugar, devo agradecer por tomar conta da Sae e do Roku. Sei bem como eles podem ser crianças levadas quando querem e nunca os vi obedecendo tanto uma pessoa que não conhecem bem. – Ela sorriu vendo a dupla correndo pelo jardim a nossa volta. – Esclarecendo suas dúvidas quanto a carta. – Ela respirou fundo. – Tomei conhecimento de um item mágico muito poderoso. Ele está protegido por um dragão chamado Acnologia. – Tremi ao ouvir tais palavras.
Um dragão vivo? Eles não estavam desaparecidos? Continuei quieta permitindo que a princesa falasse tudo que achasse necessário.
— Este item possui o poder de destruir toda uma categoria de magos e ironicamente. Tenho informações de que uma guilda muito perigosa está atrás deste item, mesmo que não saibamos se tem uma categoria específica. – Ela segurou minhas mãos me encarando profundamente. – Preciso de sua ajuda Lucy, para obter este item. Sei que somente uma maga celestial pode se aproximar de Acnologia e como tive o conhecimento de seu poder, sei que é a pessoa perfeita para tal missão. – Ela implorou parecendo extremamente preocupada.
Um dragão estava vivo e tinha posse de um item poderoso. Uma guilda está atrás deste mesmo item, porém somente uma maga celestial pode se aproximar de Acnologia.
Senti meu corpo enrijecer diante do pensamento que seria minha primeira missão desacompanhada, sem o time mais forte ou mesmo Natsu. Nunca me senti tão solitária, quase abandonada. Exatamente agora que preciso de sua ajuda, Lisanna retorna.
— Pensarei a respeito Princesa, mas gostaria de ter tudo bem esclarecido. – Precisava saber o máximo de informação possível antes de tomar qualquer decisão precipitada.
No fundo eu já havia decidido, só estava com medo de trilhar por esse caminho sozinha e sem dar notícias para a minha guilda.
— Te apresentarei a um amigo especialista em dragões, ele sabe muita informação sobre locais visitados pelo Acnologia, o desaparecimento dos outros dragões e mesmo sobre uma possível localização do item. – Ela soltou minhas mãos. – Quanto a missão, sinto em informar que você deverá ir sozinha. Acnologia se mostrou ser um dragão muito perigoso. Mesmo sua guilda não pode saber desta missão ou nosso plano de obter este item pode ser arruinado. – Ela tomou mais um gole de seu chá.
— Não estou muito feliz quanto a esta omissão de informação, mas se for preciso. – Não gosto nem um pouco de ter que manter segredo de meus amigos. – Quanto a Sae e Roku, como eles conseguiram ir até mim? – Perguntei ansiosa.
— Sae e Roku? Esta dupla é muito teimosa quando cismam com alguma coisa. Foi através de Sae que tomei conhecimento deste item quando a encontrei sozinha e abandonada pela cidade. Roku sempre esteve ao seu lado. – Ela olhou na direção dos dois brincando. – Não tenho nenhuma informação sobre os pais da Sae ou mesmo sobre sua magia. Quando ela chegou ao Palácio sempre se manteve quieta e não conversava tanto. No decorrer dos meses, ela foi se soltando e se tornou próxima de todos aqui no Palácio, já Roku ainda se sente desconfortável, como se não pudesse confiar em ninguém. – Fomos surpreendidas e interrompidas.
Sae veio na minha direção e se jogou em meu colo, em seguida, Roku se aconchegou no espaço vazio, ambos sorrindo alegremente.
Não entendia como uma garotinha tão linda quanto a Sae pôde ser abandonada sozinha, talvez isso explique a desconfiança do Roku. Pelo comportamento e idade de ambos, sinto que seria muito difícil saber por eles. Entretanto, não custa tentar.
— Pela manhã trarei mais informações para você. Agora vocês precisam descansar. – Princesa Hisui falou me guiando para dentro do Palácio e em direção ao segundo andar, onde estavam situados os quartos.
Abriu uma porta dupla branca e me desejou boa noite. Olhei a minha volta e fiquei impressionada pelo quarto. Apesar de ter morado numa mansão e ter boas condições de vida, nada se compara a uma vida na realeza. Uma cama de casal estava no centro do quarto, em sua volta se encontrava uma cômoda marfim, uma janela onde poderia ter uma visão privilegiada de todo o reino. No canto direito do quarto havia uma grande estante com diversos livros e uma mesa com apenas uma cadeira. Fiquei tentada a ler algum livro, porém, me proibi lembrando do motivo que me trouxe até aqui.
Fiquei muito agradecida por terem me hospedado. Eles não são obrigados, desde que esta relação se deu somente por um contrato e pedido de ajuda.
Sae e Roku se negaram a sair do meu lado e após muita reclamação, permiti que dormissem no mesmo quarto que eu. Sentia como se eu devesse cuidar deles, como uma relação maternal. Não entendia o porquê, porém não conseguia negar este desejo e sentimento de proteção.
Aproveitei para invocar Virgo quando Sae e Roku saíram para comer mais alguma coisa com a uma empregada gentil da princesa.
— Portão da Donzela, abra-te Virgo. – Meu querido espírito celestial.
— Me chamou Hime? – Virgo me cumprimentou.
— Virgo, já disse que não precisa me tratar como princesa, sou uma amiga. – Sempre assim, nada muda. Deixei três conjuntos de roupa do Mundo dos Espíritos Celestiais para que eu, Sae e Roku pudéssemos nos trocar.
Conversamos por uns minutos rápidos. Virgo me informou que Loke foi até a guilda, mas não falou nada com ela sobre como a guilda está reagindo depois do meu recente sumiço.
Preferi não perguntar nada também, pois, só dificultaria a aceitação, quase certa, da missão. Como eu poderia me concentrar sabendo que talvez meus queridos amigos não notaram minha ausência? Como eu poderia me doar e cumprir a missão perfeitamente, já que estarei sozinha, sabendo que Natsu pode não estar ligando pelo meu sumiço?
Sae e Roku retornaram logo após Virgo retornar ao Mundo dos Espíritos Celestiais.
Estimulei a criança e o exceed a tomarem seus banhos, nós preparamos para dormir. Sae e Roku logo dormiram.
Caí no sono pensando num garoto de cabelos rosados e personalidade incrível.
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