O Anjo e o Fantasma
13 O Pedido
Eu e Louise ficamos mais um tempo deitados na grama macia perto do riacho. Isso trazia uma sensação tão boa, ficar ali, com o canto dos pássaros, o barulho aconchegante da água movendo-se pelo riacho, e principalmente, aquela pequena garota deitada ao meu lado.
– Erik — chamou ela.– o que foi? — falei me apoiando em um braço para poder vê-la melhor.– obrigada. Por tudo. Se não fosse você, essa hora eu estaria sabe-se lá aonde. Com a ópera em chamas, eu não teria pra onde ir — falou ela. Eram palavras sinceras.– eu é que te agradeço Louise. Você me tirou da solidão – falei – e eu não vejo mais por que esconder meu rosto de você. Eu sabia que ela não se assustaria comigo, e eu confiava plenamente em Louise. Levei uma mão ao meu rosto. Eu ainda estava com a máscara preta da apresentação. Com um único movimento, a tirei do meu rosto. Como eu havia suposto, Louise não se assustou. Pelo contrario, ela acariciou as marcas que tanto me fizeram sofrer.– não acredito que existem pessoas capazes de condenar alguém só por causa de algumas marcas. Você é lindo Erik! Eu não me contive, e chorei. Tudo no que eu sempre quis, acabara de acontecer. Passei toda a minha vida ansiando por aquelas palavras, mas nunca alguém tinha me falado isso. Louise me ama pelo que sou, e agora eu tinha certeza disto. E naquele momento, ela me abraçou, e ficou acariciando meus cabelos. – Erik... Não chores! – oh Louise... Todos que me viram assim fugiam com horror...– Erik, você sabe que as pessoas são tolas! Eu não vejo problema algum em você ser assim. Eu te amo pelo que você é! – eu te amo mais do que tudo Louise — falei, beijando-a até nos faltar ar. Ficamos ali até escurecer. Quando as estrelas começaram a aparecer, voltamos para dentro da casa. Marie, a criada, havia preparado o jantar para nos. Quando estávamos todos satisfeitos, Louise insistiu em ajudar Marie com as loucas, apesar de a criada insistir que não era preciso. Essa simplicidade de Louise me encantava. Giovane, que era casado com Marie, veio ter comigo.– tem sorte, patrão. E uma moca muito bem educada, e bonita também — falou ele.– com certeza — falei, admirando minha pequena Louise, que agora estava conversando com Marie.– vou indo, ainda tenho que arrumar a porteira de um dos estábulos — falou ele, saindo em direção aos cavalos. Louise terminou com as louças, e veio em direção a mim. Eu estava sentado em um dos sofás, e ela sentou-se, e se aconchegou em mim. Eu fiquei acariciando nos cabelos loiros dela, e quando percebi, ela havia dormido. Eu a pequei nos braços, e a levei para o quarto dela, e a deitei na cama. Ela parecia um anjo dormindo.– boa noite, minha Louise — sussurrei, antes de deixar o quarto. Eu dormiria no quarto de hóspedes, que sempre estava vazio. Afinal, quem iria me visitar? Eu já tinha deixado minhas coisas ali. Fui ate onde estavam minhas roupas, e peguei a caixinha de veludo que ali estava. Fiquei a admirar o anel por alguns instantes. Eu pediria a mão dela no dia seguinte. Como ela não tinha mais os pais nem a tia, a responsável por ela era Sra. Giry, que já havia concordado com tudo. Eu me deitei, e não conseguia dormir de jeito nenhum. Eu queria estar com Louise. Eu a desejava, mas ainda não éramos casados, e eu a respeitaria, e não a desonraria assim. Lutei para afastar os pensamentos libidinosos de minha cabeça, mas eles insistiam em voltar. Fiquei quase a noite inteira sem conseguir dormir. Lá pelas tantas da madrugada, peguei no sono. Quando acordei, o sol já estava alto, ao passar pelo quarto de Louise, vi que ela já havia levantado. Andei em direção a cozinha, e lá estava minha amada, a conversar com Marie. Pelo visto elas tinham virado amigas.– ate que enfim acordou, Erik — falou ela, vindo até mim, e me beijando — venha o café ainda está quente Eu me sentei a mesa, e Louise sentou-se do meu lado. Ela começou a acariciar meus cabelos, que só agora notei que estavam desarrumados. Eu terminei meu desjejum, e Louise aproveitou para comer mais um pouco. Assim que terminamos, Louise pôs-se a tirar as loucas sujas e a lavá-las. – venha, vamos dar uma volta — falei quando ela terminou de guardar as louças. Enquanto eu a conduzia, toquei na caixinha que estava em meu bolso. Aquela era a hora certa. Eu a levei para uma parte do terreno, onde havia um pequeno caminho, com árvores alinhadas. – Louise tenho algo para lhe falar — eu dificilmente ficava nervoso, mas naquela hora eu me sentia nervoso.– o que? — perguntou ela, com olhos curiosos.– bem, desde o dia que te conheci, percebi que você e especial. Quando eu me dei conta, já estava amando você. Quando a vi tocar, eu soube que você era o meu Anjo da Música. O seu jeito simples me conquistou, e você conseguiu me fazer feliz, como ninguém havia feito antes. Eu te amo tanto! Louise quer casar comigo? — falei, me ajoelhando com o anel na mão.– claro que sim! — falou Louise, limpando as lágrimas de emoção que escorriam por sua face. Eu peguei a delicada mão dela, e coloquei o anel em seu dedo. Eu me levantei, e a beijei com paixão. Agora, estávamos noivos. A partir de agora, não tem mais volta.
Notas finais
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