O Anjo e o Fantasma
5 Aviso sobre o Fantasma
Logo depois de Erik sair, Louise ouviu batidas na porta. Ela abriu, e a Sra. Giry entrou fazendo lhe mil perguntas sobre onde ela tinha estado. Louise achou melhor não mentir para ela, e lhe contou que estivera com Erik, e que havia caído, mas nada grave. Madame Giry que ate então estava preocupada, ficou aliviada em saber que ela estava bem.
– agora que voltou, tenho que lhe mostrar isso — falou madame Giry estendendo um jornal a Louise.
A garota o pegou. Era uma pequena notícia, que falava do acidente que havia acontecido na ópera Populaire. E falava sobre ela. Louise ficou espantada ao ver que seu nome estava no jornal, e que a elogiavam. Seu pai estaria orgulhoso.
– você tocou realmente bem naquela noite — falou madame Giry — a propósito, você foi convidada a tocar em nossa orquestra. Aceita?
– claro! — respondeu ela, lembrando do que Erik tinha falado.
– os seus ensaios começaram hoje à tarde. Use o seu violino, as partituras o maestro dará a você. Ate mais.
Depois que a Sra. Giry saiu, Louise resolveu dormir um pouco, ela estava realmente cansada. Ela acordou um pouco atrasada para o ensaio, pegou o violino e tratou de andar rápido para não se atrasar ainda mais. Por sorte ensaio estava quase começando quando ela chegou. Ela reuniu-se aos outros músicos. O maestro distribuiu as partituras, e puseram-se a ensaiar, juntamente com os atores, a peca que seria apresentada.
Pov. Louise
O ensaio estava indo muito bem. Eu acompanhei os outros músicos sem errar, o que os deixou um pouco surpresos. Talvez esperassem que eu errasse o tempo, ou que não conseguisse ler as partituras. As bailarinas também estavam ótimas. Reconheci uma delas, era Meg, a filha da Sra. Giry. Ela parecia ser uma boa menina, e dançava extremamente bem. Christine estava fazendo o papel principal, ela cantava bem, mas eu nunca admitiria isso em voz alta. Eu percebi que ela apesar de parecer meiga, podia ser arrogante e insensível quando quisesse. E certamente ela tinha agido assim com Erik.
Estávamos no segundo ato, quando ao olhar ao meu redor, eu vi uma forma escura nas sombras ao lado do palco. A figura se mexeu, e eu vi uma mascara branca. Erik! E ele estava olhando diretamente para mim. Dei a ele um pequeno sorriso. Percebi que Christine também o viu, e olhou para mim com uma expressão curiosa. Como ela podia ser tão insensível? Resolvi me concentrar no ensaio, ou acabaria errando.
Depois que o ensaio acabou eu estava voltando para o meu quarto, para descansar antes da apresentação. Eu tinha acabado de passar pelos bastidores quando ouvi alguém me chamar.
– seu nome é Louise não? – era Christine que falava. O que aquela garota queria?
– sim – respondi.
– eu vi você sorrindo para o Fantasma. Conhece-o?
– conheço – falei. Porque Christine estava perguntando isso?
– eu vim lhe dizer para que tome cuidado com ele. Ele e um assassino. E um monstro.
– o Erik e sempre gentil comigo, e eu não vejo problema algum em ele usar uma máscara. Quanto a ele ser um assassino, também não me importa. Agora se me dá licença, preciso descansar – disse. Sai andando, deixando Christine sozinha. Garota arrogante. Minha vontade era de estapeá-la. Como ela podia falar assim de Erik? Eu sempre andava com uma adaga por motivos de segurança, e tive que me conter para não pega-lá e machucar Christine. O que estaria acontecendo? Eu mal o conhecia e já estava me sentindo assim. Talvez isso fosse o que as pessoas chamam de “amor à primeira vista”.
Cheguei ao meu quarto, e deitei em minha cama. Minha intenção era descansar, mas aqueles olhos verdes não saiam de minha cabeça. Vendo que não conseguiria dormir, aproveitei o tempo para tentar esconder os machucados em meu rosto com maquiagem. Eram alguns arranhões no lado direito, e eu havia notado o olhar de algumas pessoas sobre eles. Sendo assim, melhor esconde-los, ou teria que dar explicações a alguém. Olhar para aquele espelho me fez lembrar Erik. Não conseguia tirar ele da cabeça. Eu me lembrava perfeitamente do caminho do meu quarto ate a Casa do Lago. Se ao menos eu conseguisse abrir a passagem, poderia visitar ele depois da apresentação.
Finalmente terminei a minha maquiagem. Aqueles arranhões já não eram visíveis em meu rosto. Ainda bem, porque eu não queria ninguém me perguntando o que tinha acontecido. Percebi que estava na hora da apresentação, então peguei meu violino, e sai. Talvez Erik viesse para ver a apresentação. Se sim ele provavelmente estaria no camarote cinco, que agora ninguém se atreveria a ocupar. As pessoas são tão tolas! Julgam sem ao menos conhecer!
Pov. Narrador
Louise se juntou aos outros músicos. Como de costume, ninguém viera falar com ela. Logo foram chegando as pessoas que iriam assistir a peca. Louise volta e meia olhava para o camarote cinco, e não viu Erik. Mas ele não iria ficar em um lugar onde todos o veriam, ponderou Louise. Se conformando com esse pensamento, ela se pôs a tocar quando a peça começou. Desta vez não teve interrupções nem mortes. Ao final, todos foram aplaudidos.
Louise voltou ao seu quarto, evitando passar pelo camarim de Christine, onde certamente havia muita gente tentando parabenizá-la. E estava certa, mesmo não passando perto do camarim, Louise pode ouvir o tumulto que devia ter se formado lá. A menina foi direto para o quarto, guardou o violino, e foi tentar abrir a passagem do espelho. Ele não se movia de maneira alguma. Deve haver um botão ou algo assim, pensou Louise. Ela se pôs a procurar, e encontrou. Era pequeno ponto no espelho, que parecia uma pequena mancha de sujeira. Ela apertou, e um barulho de algo destravando pode ser ouvido. Ela empurrou o espelho para o lado, e este revelou a passagem. Louise não pensou duas vezes em entrar. Era um caminho escuro, mas ela se lembrou do percurso e conseguiu chegar à casa do lago em pouco tempo. Mas o que ela viu não a agradou.
Fale com o autor