O Anjo e o Fantasma
2 A Aparição do Anjo
Louise acordou tarde no dia seguinte. Ela estava muito cansada da viagem, e ficara compondo sua musica ate tarde da noite no dia anterior. O que ela estava compondo não era uma musica qualquer. Era a maneira dela de dar vazão a todos os sentimentos e emoções dela. Ela virou na cama, para alcançar suas partituras que deixara junto com o violino, na mesinha ao lado da cama.
Mas o que ela viu ali foi uma rosa, que não estava ali antes. Ela pegou a rosa, que era vermelha, e tinha uma fita negra amarrada a ela. E junto à rosa havia um papel. Dizia: “Sou o Anjo da Musica. Apenas os mais dedicados recebem minha visita. E estes se tornam melhores do que muitos que já tocam ou cantam a tempo. Sinta-se honrada.”
Isso deve ser brincadeira de alguém, pensou Louise. Mas como a rosa veio parar ali? Uma batida na porta interrompeu os pensamentos de Louise. Era madame Giry.
– bom dia Louise – cumprimentou a Sra. Giry, e seu olhar fora para na rosa que a menina segurava – onde achou essa rosa?
– estava junto do meu violino, e havia um bilhete assinado pelo Anjo da Musica. Não e nada.
– você terá um tempo livre, pois ainda não consegui nenhum papel para você nas apresentações. Aproveite o tempo para andar por ai – falou madame Giry saindo.
A Sra. Giry sabia quem havia enviado a flor para Louise, ela desconfiava que ele faria isso, devido ao talento da menina, mas não esperava que fosse tão cedo. A menina chegara ali no dia anterior! Madame Giry fez uma nota mental de perguntar a ele sobre isso quando o visse.
Louise decidiu ficar em seu quarto arrumando-o. Isso levou uma manha inteira, mas o quarto ficou limpo e bonito. Ela deitou-se na cama para descansar. Teria uma estréia naquele dia, com La Carlotta no papel principal. Uma prima donna devia cantar mais ao invés de gritar e se empavonar pelo palco, pensou a garota. Ela não tinha gostado nem um pouco de Carlotta, com aquele jeito de superior. Louise ainda não participaria das pecas, o que dava a ela uma semana livre de ensaios e apresentações. A apresentação seria a noite, e ainda estava de tarde. Não tinha mais o que fazer então Louise decidiu dormir. Levou tempos para conseguir dormir, e quando o fez, uma voz chamando-a a acordou. Ela levantou-se, e foi ate a porta. Não havia ninguém lá, então voltou para dentro. Foi só um sonho, pensou ela.
– Louise — chamou a voz de novo. Era uma voz de homem, e parecia vir de dentro do quarto. Louise ficou muito assustada. Procurou de onde vinha a voz, mas ela parecia vir de todos os lugares, e de lugar nenhum.
– q-quem é? — gaguejou Louise.
– sou o Anjo da Musica — respondeu a voz. Era uma voz grave, rica e muito bela.
– você não é nenhum anjo, eu sei disso — falou ela, irritando-se (algo que acontecia com freqüência)
– duvida de mim, menina insolente? — perguntou a voz.
Louise não respondeu, apenas deitou-se novamente em sua cama. Se ignorasse, quem sabe a voz fosse embora.
– acha que me ignorar vai funcionar?
– o que queres afinal? Levar-me para tocar harpa no paraíso? — Louise estava ficando cansada daquela brincadeira. Ela mal chegara ali, e já tinha alguém disposto a aborrecê-la
– vim lhe avisar de que hoje acontecera uma tragédia nesta ópera. Nossos diretores precisaram de alguém para entreter o publico enquanto eles tentaram desfazer o caos. Este alguém será você.
– como você pode ter tanta certeza disso? — perguntou a menina. Agora ela estava ficando assustada em vez de furiosa.
– os diretores foram avisados, embora não obedeceram as ordens que lhe foram dadas. Toque a musica que compôs.
– mas ela não esta terminada! — como a voz sabia que ela estava compondo? Alguma coisa estava errada.
– não precisara dela inteira. O que você fez já servira para entretê-los pelo tempo necessário.
Louise queria fugir, sair daquele lugar estranho. Mas e se fosse esse o propósito disso? Assustá-la para ver ela sair correndo com medo? Não eu vou ficar aqui. Não vai acontecer nada, pensou ela.
A apresentação chegou mais rápido do que ela esperava. Estava saindo quando encontrou madame Giry.
– estava indo chamar-lhe. Aconteceu alguma coisa querida? Você esta pálida — falou a Sra. Giry preocupada, notando a palidez da menina, que sempre estava com as bochechas rosadas.
Louise contou o que aconteceu para Sra. Giry. Afinal ela era a única pessoa que Louise tinha e que podia confiar.
– não se preocupe menina. Mas se o Anjo quer que você toque hoje, eu sugiro que pegue seu violino e se prepare.
– você o conhece? Sabe que tipo de tragédia ira acontecer?
– sim eu o conheço. E sei tanto quanto você sobre hoje a noite. Vamos, pegue seu violino, e eu lhe acompanharei.
A menina voltou, e madame Giry ficou ali a esperando. Ela já sabia que Carlotta iria fazer o papel que ele tinha ordenado que fosse de Christine. E os dois diretores ocupariam o camarote cinco, embora ela tivesse os aconselhado a não o fazer. No fundo a senhora Giry não gostava de Carlotta, mas não o demonstrava afinal a maioria ali também não gostava dela.
– vamos Sra. Giry — falou a menina, notando que a mais velha estava perdida em pensamentos.
Elas chegaram um pouco antes do espetáculo começar. Sra. Giry mandou a garota ficar atrás do palco, onde os atores estavam se preparando. A Sra. Giry fora avisar os diretores de que Louise iria entreter o publico caso algo acontecesse. Eles também tinham recebido mais uma carta, e estavam receosos quanto ao que poderia ocorrer. Ninguém seria louco de planejar tantas coisas para apenas uma brincadeira.
Enfim o espetáculo começou. Por enquanto tudo ocorria bem, Christine estava fazendo o papel do pajem, um papel sem falas. Enquanto Carlotta fazia o papel da condessa, o que irritou Louise. Mas uma voz interrompeu o espetáculo, questionando os diretores por terem usado o camarote cinco. Louise reconheceu a voz. Era a mesma que havia falado com ela, a voz que dizia ser o Anjo da Musica. Ela olhou para cima, e viu uma forma escura, e o relance de uma máscara branca. Então esse era o seu Anjo! Não passa de um homem que se esconde atrás de uma mascara, pensou ela. Mas no fundo estava sentindo uma admiração por ele. Queria conhecer mais daquele Anjo misterioso.
O espetáculo fora retomado. Nesse momento, Carlotta se pôs a cantar. Mas um estranho barulho se fez ouvir, quase como um coaxo de sapo. Ela recomeçou a canção, e logo veio outro coaxo. Nessa altura todos riam da situação, principalmente Louise. Não que ela gostasse de rir da desgraça dos outros, mas Carlotta merecia. As cortinas foram cerradas, e os diretores anunciaram que Christine iria substituir Carlotta. E eles chamaram Louise, que subiu ao palco já com o violino em mãos. Todos os que assistiam olharam para ela como se perguntassem se ela sabia mesmo tocar o violino. Ela começou. A música tinha um ritmo mais acelerado, um Vivacissimo, que é um andamento rápido e vivo. Agora todos olhavam para ela com espanto e admiração. Quem diria! Aquela pequena menina tocava melhor que muitos adultos que estudavam música há tempos. Como o Anjo dissera, ela estava ao fim do que ela havia composto, e estava preparando-se para um solo de improviso, quando gritos interromperam a apresentação dela. O corpo de um dos maquinistas estava pendurado pelo pescoço em uma corda, ele debateu-se ate dar o ultimo suspiro, e cair inerte e amolecido ao chão. Os atores gritaram e correram, as pessoas que estavam presentes saíram as pressas do local. Louise fez o mesmo. Ela não sabia para onde ir, e tão resolveu subir para o local mais alto possível.
Com a respiração descompassada, ela chegou ao teto. Havia nevado, e ela estava muito frio, e tudo estava coberto de neve. Havia algumas estatuas ali, e Louise ficou atrás de uma delas, que a permitia não ser vista por quem chegasse ali.
Ela estava realmente confusa, sabia quem havia causado aquilo tudo. Agora tenho certeza de que ele não e um Anjo, pensou a garota. Ela não sabia se continuava confiando nele, ou saia correndo para bem longe. Mas todos nos temos trevas e luz dentro de nos. Ele deve ter algum motivo para ter feito isso, pensou a garota. Mas desde quando eu me importo em defender alguém? Questionou-se ela. Louise estava tão perdida em devaneio, que não percebeu a figura de um homem que aparecera ali.
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