Notas iniciais
Esse é o primeiro capítulo de "O Anjo da Liberdade". Ele é pequeno, pois é apenas para dar um gostinho. Os próximos serão maiores, prometo. Espero que gostem!

Eu não queria ter nascido aqui. Não cercada pelas muralhas, não nessa época, não nessa situação... Porém, minha avó costumava sempre dizer que a vida é cheia de altos e baixos antes de ser devorada por um titã que a capturou enquanto tentava fugir comigo e minha mãe, depois que a Muralha Maria foi quebrada.

Vivíamos uma vida feliz em Shiganshina antes da tragédia, que deixou para trás muitos mortos, incluindo meu pai e minha avó materna. Minha mãe cometeu suicídio assim que chegamos ao barco que nos levaria para dentro da Muralha Sina. Mas ela pelo menos falou antes de morrer:

— Seja livre, Julie.

Que irônico, não? Julgando que ela tirou de si a própria liberdade...

Acabei sendo levada para Trost no meio daquela multidão que se apertava para fugir dos titãs que invadiam Shiganshina consecutivamente. Fiquei calada, absorvendo o choque de tudo o que acontecera, durante toda a viagem. Lembrava-me do meu pai e minha avó sendo triturados pelos dentes dos titãs e das lágrimas intensas nos olhos de minha mãe antes de se jogar no rio com uma corda amarrada no pescoço e na sustentação do teto do navio; depois de confirmarem que ela estava morta, desamarraram a corda do navio e a jogaram junto com o corpo de mamãe, que boiava sem vida pela água.

Então vi aquelas casas e lojas totalmente diferentes do lugar onde eu morava, aquela atmosfera completamente diferente e as pessoas que passeavam tranquilas pelas ruas. Eu havia finalmente chegado a Trost.

Então soube o que eu tinha que fazer logo que vi um homem uniformizado com um emblema nas costas, passando com passos decididos pela rua ao lado do rio.

Notas finais
Definitivamente vocês saberão mais sobre o passado de Julie Strëwartch nos próximos capítulos. Até a próxima!