Notas iniciais
O capítulo é pequeno, espero que gostem. Boa leitura.
Capítulo 3 - Viagem

Larissa's POV.

– O que você falou?
– Que você é infantil.
– Cala a boca seu merda!
– Vem calar!
– Quer saber? Não vou gastar minha saliva com merda.

Não importa o que eu falava, o garoto sempre debatia e fazia-me ficar mais raivosa. Nossa discussão era interminável, por sorte não estávamos falando alto a ponto de chamar atenção e estávamos em um corredor pouco movimentado.

– Não precisa cuspir, eu sei que você baba por mim mas não precisa ficar demonstrando. — O rapaz falou.
– Seu nojento, nunca que eu babaria por você.
– É? Tem certeza?
– Tenho.

O rapaz aproximou-se de mim de modo que nossos corpos ficaram calados, a proximidade dele tirou todas as palavras da minha boca. Não sei se fico com raiva de Jason por ele ser tão idiota e causar reações anormais em mim ou com meu corpo que simplesmente reagia pateticamente. O calor da pele de Jason absorveu toda minha energia, fiquei olhando-o com cara de cachorro sem dono, sem rumo, perdido. O rapaz encarou-me por alguns segundos e foi o suficiente para eu baixar a cabeça sem reação.

– Quieta e domada, é assim que eu gosto. Agora tenho certeza de que baba em mim.

O QUE? QUEM ELE ACHA QUE É? Eu estava pronta para explodir em meio a faculdade, minhas unhas estavam cravadas contra a palma de minha mão mas era tarde de mais, o rapaz já havia dado meia volta e estava vagando pelos corredores com um sorriso vanglorioso. Mesmo depois de tudo, Jason tem a cara de pau de ainda me encarar durante a aula. Na hora da saída, o garoto procurou por Ju.

– Ei Ju, será que eu poderia ir embora contigo? Minha casa é pro mesmo lado. — O rapaz olhava para Ju com cara de cão sem dono.

Revirei os olhos com aquela atitude infantil do homem. Ele estaria fazendo isso para me provocar ou realmente estava se tornando amigo de Juliana?

– Não. — Respondi por ela.
– Sim. — Juliana virou-se para mim e me olhou com uma das sobrancelhas arqueadas para que eu me comportasse.

Revirei os olhos mais uma vez, além de ter que aturar Jason por mais alguns minutos, teria que aguentar Juliana defendendo ele. Jason andava ao lado de Juliana com um sorriso vanglorioso por ter conseguido me provocar. Já estávamos caminhando para casa.

– Então Ju, está namorando? — O rapaz perguntou.
– Não e ela também não quer homens como você. — Respondi.
– O que quer dizer com homens como eu? — Franziu o cenho.
– Homens ridículos, cornos, falsos, duas caras, viados, putos...

Juliana olhou-me boquiaberta e fechou a cara tanto para mim quanto para Jason, agora era por conta nossa.

– Antes tudo isso do que criança, infantil, irritadinha, mau humorada... — O rapaz debateu.
– Cala a boca. — Falei.
– Vem calar.
– Me obriga.
– Quer mesmo que eu te obrigue?
– Quero! — Parei no meio da rua, cruzei meus braços e encarei Jason.

Jason parou seu passo junto comigo e veio em minha direção. Meu coração acelerou. Antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, dei alguns socos em seu peitoral, mandando-o se afastar. Ele riu. Estupidamente infantil. Jason era o pior dos piores! Não me lembro do último pecado que cometi para ter que aguentar esse diabo.

O rapaz decidiu ficar quieto o resto da caminhada, enfim sossego. Ao chegarmos a frente do prédio onde moro, Jason despediu-se de Juliana com um beijo em sua bochecha e encarou-me com um sorriso lindo em seu rosto. O sorriso dele era muito encantador, minha vontade era de celar nossos lábios e beijá-lo loucamente até o dia acabar. Mas não, Deus não me deixará cair em tentação. Ainda sorrindo, o rapaz abriu seus braços para eu abraçá-lo. Encarei-o séria, não acreditando que ele podia chegar ao cúmulo de tudo. O rapaz percebendo que sua tentativa de abraço não teria sucesso, decidiu abraçar-me contra minha vontade. Caminhou até eu e mesmo tentando ser impedido de me abraçar por meus braços, o rapaz era mais forte e ágil e me deu um abraço de urso.

– LARGA! SAI! PARA JASON! — Eu berrava com cara de nojo.
– Cala a boca e me abraça direito! — Ele ria.
– NÃO! SAI! ME LARGA!

Jason decidiu soltar-me, lançou uma piscadela e foi embora para a sua casa. INACREDITÁVEL! Ele só pode ter problemas mentais! Maldição, além de bonito com um sorriso super encantador, seu cheiro era muito bom e parecia não ser perfume, parecia ser seu próprio cheiro.

– Nem acredito que finalmente vou poder ficar dois dias inteiros sem ter que aturar Jason! — Falei assim que eu e Juliana entramos em nosso apartamento.
– Poxa, dá uma chance pra ele! Ele parece ser tão legal e vocês combinam tanto!
– Não repita essas palavras nunca mais em sua vida! — Falei para a loura.

Meu fim de semana não foi tão bom quanto eu esperava, eu esperava paz e sossego longe daquele monstro de sete cabeças mas invés disso eu pensei nele diversas vezes durante esses dois dias. Eu lembrava de seu sorriso encantador, de seu abraço super confortável, de seu cheiro maravilhoso e principalmente de quando nossos lábios se tocaram após nos divertirmos no parque de diversões. Para piorar tudo, Lucas saiu no final de semana para ir a um sítio com seus familiares. Fui ao parque fumar na noite de sexta e sábado mas meus pensamentos eram preocupantes: eu estava pensando mais em Jason do que em Lucas. Porque tanto eu pensava em Jason? Confesso que ele é encantador e tem um jeito sup... ESPERA AÍ, O QUE EU ESTOU FAZENDO? COMO OUSO PENSAR UMA COISA DESSAS?

– O que foi isto? — Juliana ria por eu ter dado um tapa em minha própria cara.
– Tinha um inseto na minha cara. — Tentei mentir.
– Que mentira, se fosse um inseto você teria feito o maior escândalo de todos! — Ela gargalhava.
– Ha-ha! — Eu ri ironicamente. — Idiota. — Não pude deixar de rir com ela já que ela estava falando a verdade, eu tenho mesmo um pavor enorme por insetos.

Domingo já estava acabando, peguei meu carro e fui dar a minha típica fumada no parque. Eu estava com medo, medo por estar confusa, confusa por estar pensando em Jason... Porque eu estava pensando nele? Ele nunca fez nada pra merecer estar em meus pensamentos! Enquanto eu estou confusa pensando naquele trouxa, ele deve estar enchendo a cara com outras garotas!

Não fiquei por muito tempo naquele parque, fiquei cansada psicologicamente e então voltei para casa para dormir, assim podia me livrar de meus pensamentos.

Um mês depois.

Jason continuava a me provocar e estávamos sempre discutindo mas ele nunca levava a sério, estava sempre rindo e mostrando a língua durante nossas discussões. As vezes ele roubava alguns abraços e me chamava para sair mas eu sempre recusava. Tentava me beijar mas nunca deixei. Se aproximava de mim e meu corpo ainda reagia estranhamente mas não tanto quanto antes, agora eu sabia controlar já que meu corpo se acostumara com a aproximação de Jason.

Juliana ainda insistia para que eu ficasse com Jason e continuamos a brigar por causa de meu trauma. Ju saiu muitas vezes durante um mês com caras diferentes, eu já me acostumara com ela me deixando de lado.

Eu e Lucas saímos algumas vezes durante o mês e estávamos sempre ligando um para o outro para saber do outro. Confesso que fiquei um pouco enciumada ao saber que ele estava saindo com outra garota mas fiquei feliz por ele. Ele me falava super bem dela, estava sempre me falando o quanto ela é linda e diferente.

– Lali, vamos sair hoje? — Lucas falava do outro lado da linha.
– Não posso, tenho um trabalho para entregar amanhã.
– Ah tudo bem... E como estão as coisas?
– Está tudo normal e por aí?
– Está tudo bem, eu e Dani saímos para tomar milk sh...

Eu não acredito que ele está falando novamente da namorada dele, se ele soubesse o quanto fico raivosa sempre que ouço o nome dela, ele não falaria nunca mais. Revirei meus olhos, Lucas estava mesmo apaixonado por ela, eles estavam em uma relação bem tranquila e amorosa, o que me fazia perder a cabeça. Como eu deixei meu melhor amigo se apaixonar? Depois quando ela der o pé nele sou eu quem vou sofrer vendo-o triste.

– ...ela é muito fofa! não acha? — Ele terminava de contar a história o qual eu já havia perdido a atenção.
– Claro. — Revirei os olhos.

Após encerrar a ligação com Lucas terminei de fazer meu trabalho. Depois de estar completamente pronta para dormir, fui fumar no parque como faço todo o dia, e pensar.

Na aula do dia seguinte o professor falou de um passeio o qual ganharíamos para viajar para outro estado de ônibus. O trabalho é em dupla, a dupla deve levar uma filmadora para filmar os artigos que estudaremos e apresentar para fechar as notas do primeiro trimestre. A viajem seria em algumas semanas, partiríamos pela manhã e chegaríamos de noite, dormiríamos em um hotel e no outro dia passearíamos o dia inteiro em museus e palestras sobre o assunto que estamos estudando. Por fim dormiríamos no hotel novamente e voltaríamos no outro dia de manhã.

Jason's POV.

– Escolham suas duplas. — O professor falou.

A primeira pessoa em quem pensei para fazer esse trabalho foi Lali. Olhei para ela e parece que também fui a primeira pessoa em quem ela pensou. Ela desviou seu olhar e ficou olhando a turma inteira escolher suas duplas enquanto ela esperava uma alma bondosa a convidar para ser a dupla dela mas não teve sucesso.

– Todos formaram suas duplas? — O professor perguntou.
– Eu não! — Lali levantou sua mão.
– Alguém mais não tem dupla?
– Eu! — Levantei minha mão e encarei Lali com um sorriso vanglorioso.
– Larissa, faça com Jason. Pode ser? — O professor perguntou.
– NÃO! — Ela arregalou seus olhos. — Não tem ninguém mais?
– Não Larissa, você vai ter que fazer com Jason.
– Eu faço sozinha!
– Larissa, eu dei o trabalho em dupla então vai ser em dupla sem exceções.
– Mas...
– Não discuta! — O professor a interrompeu.

Ela olhou para mim e sorri vitorioso. As semanas se passaram rápidas, tentei me aproximar de Larissa, conversei um pouco com Juliana, trovei outras garotas, sai com meus amigos, enchi a cara com meus amigos, fui para bares, boates, transei com conhecidas e desconhecidas... Coisas que já costumava fazer.

O dia do passeio da faculdade chegara, já estavam todos prontos com suas malas dentro da sala de aula esperando serem autorizados a entrar no ônibus.

– Trouxe a câmera? — Lali perguntou-me.

Pela primeira vez foi Lali que chegou em mim para conversar.

– Sim. — Sorri.

Ficamos um ao lado do outro e teríamos que ficar a viagem inteira assim já que éramos uma dupla no trabalho. Enfim entramos dentro do ônibus, ela sentou-se do lado da janela e esperou o professor fazer a chamada para que pudesse colocar seus fones. Percebendo que Larissa não pararia de ouvir música para conversar comigo, acabei cochilando. Assim que acordei, olhei para o lado e Larissa havia dormido escutando música, coloquei seus fones e reconheci a música, era TNT do AC/DC.

– Ei. — Recebi um leve cutucão no meu ombro.
– Oi? — Olhei para uma menina que estava do outro lado me cutucando.
– Qual seu nome?
– Jason e o seu?
– Carla.

Sorri e recebi um sorriso de volta.

– Você e essa menina que está do seu lado estão juntos?
– Não! — Neguei com a cabeça.
– Ata, é porque eu estranhei. Ela ficou durante um bom tempo te olhando dormir. — A garota riu.
– Ata. — Franzi o cenho e ri junto com ela.

Olhei para Larissa e ela ainda estava dormindo. Não pude deixar de perceber que ela parece um anjo enquanto dorme. Será mesmo que ela ficou me olhando? E porque? Bom, óbvio porque sou irresistível. Logo mais ela ficará comigo, tenho certeza que mudou de escolha enquanto me olhava dormir.
Estavam todos levantando-se de seus bancos, o ônibus estacionou para que pudéssemos sair dele e entrar no restaurante em que iríamos almoçar.

– Larissa. Acorda. Psiu. Acorda. — Toquei em seus ombros.

Aos pouquinhos Larissa abria seu olho e fazia um gemido como se estivesse resmungando por ter acordado, o que achei muito fofo e encantador.

– Sai daqui diabo, o que você quer? — Ela fez cara de emburrada.
– Alguém acordou de mau humor hein! — Espantei-me. — A gente tem que ir almoçar.
– Está bom, já estou indo.

Larissa tirava sua bolsa e sua mala de cima de seu colo e de seus pés. Ajudei-a e coloquei em um cacifo em cima do banco. Esperei-a se ajeitar e então a acompanhei até o restaurante.

– Mas que droga!

Larissa resmungou assim que viu as mesas com meninas completamente cheias. É, ela não queria almoçar comigo mas foi obrigada já que nos restava dois lugares em uma mesa com alguns rapazes e algumas meninas.

Larissa ficou quieta o almoço inteiro, apenas riu algumas vezes por causa das palhaçadas que os meninos estavam fazendo.

– Você é bem quietinha! — Um dos meninos falou para Larissa.
– Sempre me dizem isso.
– Qual é seu nome?
– Larissa.
– Sou Caio. — O menino dos olhos verdes sorriu. — Você está sentada com quem no ônibus?
– Comigo. — Me intrometi na conversa e falei com voz grossa.
– Só porque sou obrigada. — Larissa complementou olhando-me com o rosto sério.
– Você não quer sentar comigo? Estou no fundão com meus amigos. — Ele apontou para três homens. — E tem um banco sem ninguém.
– Não, ela não quer, temos que resolver algumas coisas do nosso trabalho. — Falei.
– Quero sim. — Larissa olhou-me séria novamente, dessa vez com a sobrancelha arqueada.
– Legal então. — O rapaz sorriu.

Cacete, era tudo o que me faltava, fiquei desde o primeiro dia de aula trovando Larissa, eu era o único colega com quem ela conversava — quer dizer, ela não conversava mas eu tentava — e de repente esse babaca estraga tudo a convidando para sentar-se com ela. Vou ficar muito puto se eles ficarem.

Voltamos para o ônibus e tive que ficar sentado sozinho e emburrado no meu lugar, eu olhava para o fundo e Larissa parecia contente, mesmo estando séria parecia estar mais contente e solta do que se estivesse comigo. Em um momento Carla sentou-se ao meu lado e acabamos ficando mas esse foi o único rendimento que tive durante a viagem. A cada duas horas uma mulher passava pelos corredores dos dois andares do ônibus oferecendo sanduíches e sucos.

Chegamos cerca das onze horas da noite ao hotel onde ficaríamos e aí começou uma confusão, os alunos queriam escolher suas duplas mas os professores queriam eles mesmos separá-las.

– Somos maduros o suficiente para saber o que pode ou não fazer no quarto! — Uma menina protestava já que queria ficar na mesma suíte que seu namorado.
– Nós somos as autoridades aqui e nós separaremos como nós quisermos. — Um dos professores falaram.

Depois de alguns minutos dentro do ônibus discutindo, o professor deu um basta e ficou menina com menina e menino com menino e assim cada um poderia escolher seu companheiro de quarto. Fiquei em um quarto para três, fiquei com meus melhores amigos. Assim que deixamos as malas em nossos quartos, fomos para um restaurante bem próximo, jantamos e voltamos para o hotel.

– Ei cara, lembra no começo das aulas quando conversamos sobre quem eram nossas vítimas? — Matheus falou.
– Lembro sim cara. — John falou.
– Vocês lembram quem eram nossas vítimas? Já fiquei com tantas da faculdade que nem lembro a minha. — Matheus riu. — Mas lembro que fiquei.
– Eu também fiquei com um monte mas lembro com quem eu fiquei. — John riu. — era com Carla e fiquei facilmente.
– Carla? Eu fiquei com ela hoje no ônibus. Ela é muito fácil! — Falei.
– Eu também já fiquei com ela. — Matheus riu. — Nossa, que porra!
– Tu se lembra quem era sua vítima cara? — John me perguntou.
– Sim, a Larissa.
– Larissa? Ela é bonita mas tem cara de braba, aquela ali tem jeito de se fazer! — Matheus falou.
– Você ainda tem dúvidas? Eu ainda não consegui pegar ela! — Falei.

Naquele momento em que falei "eu ainda não consegui pegar ela" eu senti a gravidade do que estava acontecendo. Larissa foi minha primeira vítima e mesmo assim eu ainda não fiquei com ela depois de inúmeras tentativas? Como eu sou idiota!

– Sério cara? — John olhou-me boquiaberto. — Você não conseguiu pegá-la? Cara, nem lembro da última menina que te recusou!
– É verdade velho, cara, só agora me liguei na situação! Vocês sabem que eu não preciso fazer esforço pra pegar as meninas e por causa disso eu não tentei colocar pressão nela e até agora ela resistiu. Eu tenho que me ligar!
– Pois é cara, cadê o Jason pegador e galinha que eu conheço? — Matheus falou.

Aquela noite foi boa, há muito tempo eu não passava uma noite com Matheus e John sãs, sem bebidas, sem garotas e nem se quer um filme pornô. Ficamos conversando sobre diversos assuntos até que pela madrugada resolvemos dormir.

Acordei no outro dia disposto, eu passaria o dia inteiro com Larissa, ou seja, eu faria pressão para ela ficar comigo e encerraria essa história de uma vez por todas.

Notas finais
Não deixem de opinar sobre a história e deixar críticas para que eu melhore. Muito obrigada. E agradeço cada leitor de coração, vocês não sabem o quanto vocês são importantes para os autores!