O Amor É Cego - Brittana
19 Família
Notas iniciais
– Ei, Britt. – Carol jogou uma almofada na irmã, que resmungou uma série de palavrões apesar do olhar da mãe. – Cadê a sua namorada?
– Viajando, eu já disse. – Brittany resmungou em resposta. – Era uma viagem de irmãs, ou seja, eu não estava incluída.
– É muito ruim ser rejeitada? – A menina perguntou, sorrindo debochadamente.
– Não sei. É muito ruim ser encalhada? – Brittany retrucou rispidamente, fazendo a irmã encolher os ombros.
– Meninas, chega! – A senhora Pierce repreendeu. – Brittany, se você veio para cá pra ficar brigando com a sua irmã, não deveria ter vindo. Carol, pare de provocar. – As irmãs reviraram os olhos, e Brittany enterrou o rosto no sofá. – Filha, se está com saudades da sua namorada, ligue para ela. Mas pare de resmungar um pouco.
– É, pode ser. – Brittany disse, um pouco mais animada.
– E mais tarde, vá ver a sua tia. – A loira mais nova assentiu, correndo para a cozinha e discando o número de Santana. Com apenas dois toques, a morena atendeu.
– Oi, amor. – Brittany cumprimentou, com um sorriso débil nos lábios.
– Oi Britt-Britt. – Santana respondeu. – Eu ia te ligar agora mesmo.
– Por quê? Aconteceu alguma coisa? – Brittany franziu a testa. – San, tá tudo…
– Não, Britt. – Santana riu. – Eu só fiquei com saudades. Eu queria ouvir a sua voz. – Brittany sentiu as bochechas queimando, mas abriu um sorriso tímido. – Tudo bem por ai?
– Tudo, tudo. – Brittany puxou uma cadeira, sentando ao lado do telefone. – Só estou com saudades. Quanto tempo vocês vão demorar?
– Não muito, Britt-Britt. Uns dias, e depois a gente pode se ver. – Santana respondeu. – Eu preciso desligar agora, B. Eu amo você.
– Tudo bem, San. Também amo você.
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Santana entregou o telefone para a amiga, relaxando o corpo contra a cama. Quinn guardou o celular e voltou a sentar ao lado da amiga.
– Tem certeza de que foi uma boa fazer isso sem contar pra ela? – A loura perguntou.
– A Q tem razão, San. – Maria concordou. – Ela não vai ficar um pouco chateada por você não ter contado pra ela?
– Não sei, mas agora já está feito. – Santana disse. – E se não der certo, ela não vai saber de qualquer jeito.
– Mi hija, talvez você devesse ter dito…
– Mas eu não disse. – Santana cortou a mãe. – E agora não importa mais.
– Tudo bem, Lopez. – Quinn suspirou. – Eu preciso buscar a Beth na escolinha. O que é que eu digo para a sua namorada na hipótese remota de ela querer saber notícias suas? Ou pior, resolver me visitar na escola? Ou até em casa! Estou te dizendo, Santana. Essa foi uma das piores ideias que você já teve. E olha que foram muitas.
– Nesse caso, — Santana começou, ignorando a amiga. -, você diz pra ela que eu e a Maria estamos em uma área que o sinal do telefone é péssimo. Sei lá, Fabray. Inventa alguma coisa. E se ela for te visitar, simplesmente não a deixe entrar no apartamento. Pronto. Simples assim.
– Simples pra você, né. – Quinn resmungou. – Tudo bem, eu me viro. Só pare de inventar coisa, Santana. Credo, não podia simplesmente ter contado a verdade pra ela? Ia nos poupar tempo e esforço.
– Podia, mas não contei. – Santana respondeu rispidamente. – Eu já entendi que vocês não gostaram da minha ideia, mas eu sei como lidar com a minha namorada.
– Que seja. Eu preciso ir. – Quinn deu um rápido abraço na Sra. Lopez e foi em direção à porta. – Mas de coração, San. Eu espero que dê tudo certo.
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A campainha soava insistentemente na casa dos Pierce. Brittany amaldiçoou internamente a irmã, mas levantou do sofá e foi em direção à porta. No mínimo esqueceu a chave, pensou, destrancando a porta. Mas não encontrou os olhos azuis da irmã. Ao invés, encontrou um par de olhos verdes a encarando timidamente na porta.
– Oi Britt. – Jenna cumprimentou.
– Mamãe e papai não estão. – A loira respondeu secamente.
– É, eu sei. O carro não tá na garagem. – A morena respondeu, apontando para a vaga vazia em frente a casa. – Eu vim falar com você. Posso entrar?
Brittany revirou os olhos, mas deu espaço para a irmã entrar na casa. A mulher mais velha caminhou com passos lentos até a sala de estar, sentando-se no sofá. Brittany optou pela cadeira em frente à irmã.
– O que você quer? – Perguntou.
– Desculpe. – Jenna murmurou. – Eu errei com você. Errei feio, mas… Britt, você é minha irmã.
– E eu deveria te desculpar por todos os anos que você me tratou que nem lixo? Não, acho que não. – A loira levantou, mas Jenna a seguiu e agarrou seu pulso.
– B, senta. – Ela pediu, puxando a irmã para o sofá. Brittany cedeu, sentando na ponta mais distante da irmã. – Eu odiei sua namorada no instante em que eu a vi, sabia?
– Se você for insultar a Santana…
– Me deixa terminar, poxa. – A morena suspirou. – Eu a odiei, não por ela ser cega, não por ela ser melhor. Mas porque ela parecia te conhecer muito melhor do que eu, porque ela conseguia se aproximar de você.
– Você me afastou de…
– E eu odiei ainda mais quando ela disse aquelas coisas sobre mim. – Jenna cortou. – Sabe por quê? Porque era tudo verdade. Ela não me conhecia, e mesmo assim ela parecia saber tudo sobre mim. E quando eu cheguei em casa no outro dia, eu fiquei com ainda mais ódio, porque ela também estava certa sobre o meu marido. Não era como se eu não soubesse que ela tinha outra; ele não tinha sido exatamente discreto nesses últimos tempos. Mas o fato de parecer tão óbvio me desarmou. Ela foi cruel, fria, e o pior, verdadeira. Ela me deixou sem reação, e eu a odiei por isso. E quando eu me separei…
– Você se separou? – Brittany arqueou as sobrancelhas.
– Eu não sou tão estúpida, Britt. É claro que eu me separei. – Jenna revirou os olhos. – Mas não é por isso que eu estou aqui. Britt, eu quero… eu quero começar de novo.
– E o que eu tenho a ver com isso?
– Eu quero ser o oposto do que a Santana pensa que eu sou. Eu quero ser a sua irmã, sua amiga. – a morena se ajoelhou na frente de Brittany, pousando as mãos no colo da loura. – Britt, eu quero ser uma pessoa melhor. E eu quero começar com você. – Brittany desviou o olhar, mas a irmã apertou as mãos sobre as da loira. – Britt, eu não estou dizendo pra você me perdoar por tudo o que eu te fiz, nem pelo jeito que eu te tratei agora. Mas dá pra a gente tentar?
Brittany levantou, puxando a irmã consigo. Lentamente, voltou a encarar os olhos esverdeados.
– Eu posso tentar. – Respondeu após alguns segundos. – Mas você vai ter que pedir desculpas pra umas pessoas antes.
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Brittany tocou a campainha da casa, esperando pacientemente ao lado da irmã. Jenna lançou-a um olhar um pouco assustado, mas manteve-se junto de Brittany. Pouco tempo depois, uma mulher loura e um pouco mais baixa que Brittany atendeu à porta, lançando-as um olhar confuso.
– Oi tia Holly. – Brittany cumprimentou com um sorriso largo. – A gente pode entrar?
– Você pode. – A loura respondeu secamente. – Já ela…
Jenna olhou para a irmã como se buscasse ajuda. Brittany deu de ombros.
– Eu não disse que ia ser fácil.
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