O Amor É Cego - Brittana
14 Ano Novo e Família
Notas iniciais
Noite de ano novo. Santana realmente detestava essas noites. Fogos demais, barulho alto demais. Normalmente, não era tão alto para a maioria das pessoas, mas já que a sua audição era mais desenvolvida para compensar a falta da visão, ela quase surtava com esses barulhos. E além dela, Scooby também detestava o ano novo. Ele ficava completamente encolhido embaixo das almofadas, tentando ignorar o barulho apavorante e proteger a sua dona. Mas esta noite seria diferente.
Desde que começara a ficar com Santana, Brittany tomava todo o cuidado do mundo para fazer tudo que pudesse agradar a namorada. E já que o barulho a incomodava tanto, elas passariam a virada do ano dentro da chácara, onde o barulho não era tão alto. Brittany também não era grande fã dos fogos. Uma vez, um de seus vizinhos colocou fogo na casa por causa de um desses fogos. Como era mesmo o nome dele? Ah, sim. Noah Puckerman.
Eram onze horas e elas já haviam jantado. Brittany descansava a cabeça no peito de Santana, enquanto ela tentava ficar um pouco menos desconfortável com a ideia de que em menos de uma hora ela sentiria como se bombas estivessem em sua cabeça.
– Baby, eu prometo que não vai ser tão alto. – Brittany disse, percebendo o desconforto da latina. – Pelo que me lembro, nem dá pra ouvir daqui. É bem longe da cidade.
– Tomara que seja verdade. – Santana murmurou, brincando com os cabelos da loira. – Eu simplesmente odeio…
– San! – Brittany repreendeu.
– Ah, desculpe Britt-Britt. – A morena murmurou. – Ok, eu detesto fogos de artifício.
– Eu sei meu anjo. – Brittany respondeu, voltando a recostar a cabeça em Santana. – Ei San, você já deu seu primeiro beijo?
– Hm, eu tenho certeza que já dei bem mais do que o primeiro, B. – ela disse com um sorriso torto nos lábios.
– Não esse primeiro beijo, Santana. – Brittany riu, virando-se para ver as covinhas nas bochechas de Santana. – O primeiro beijo de ano novo. Você sabe, aquele que as pessoas dão na virada do ano, exatamente a meia-noite.
– Nunca. – Ela respondeu enquanto ajeitava os óculos no rosto. – E você?
– Hm, nunca. – ela sorriu. – Bom, teremos a nossa primeira vez então.
Santana mordeu os lábios antes que dissesse alguma bobagem. Brittany voltou a deitar a cabeça no colo da namorada, enquanto Scooby pulava no sofá, deitando em cima das pernas de Brittany.
– Britt? – Santana chamou. – Com quem foi o seu primeiro beijo?
– Meu primeiro beijo? – A loira ergueu os olhos. – Foi com Jake… Jake alguma coisa. E o seu, baby?
– Você. – Santana murmurou, sentindo um calor tomar conta do seu rosto.
– Eu? – Brittany virou-se surpresa. – Ninguém nunca havia beijado você antes? – Santana negou com a cabeça. – Não parecia. Bem, perda deles, ganho meu.
Santana sorriu enquanto os lábios de Brittany suavemente tocavam os seus. Os narizes roçaram um no outro, fazendo cócegas na morena enquanto ela abraçava Brittany pelo pescoço.
Brittany sorriu para Santana, olhando em seus olhos. Eles miravam para o canto esquerdo, e por um segundo, Brittany desejou que ela pudesse vê-la. Beijou a testa da namorada demoradamente e cogitou dizer as três palavrinhas que há algum tempo vinha guardando para si, mas achou melhor esperar. Ainda não era o momento certo.
– É quase meia-noite. – Brittany observou, levantando do colo de Santana. – Vem, baby.
Brittany segurou as mãos da latina e a puxou até o meio da sala. Quando faltava cerca de dois segundos para a meia-noite, conectou seus lábios nos de Santana, iniciando um beijo carinhoso e demorado. A latina enroscou os braços no pescoço de Brittany, puxando-a para mais perto.
Santana finalizou o beijo, distribuindo vários selinhos nos lábios risonhos de Brittany. A loira abraçou a cintura de Santana, encostando o queixo no topo de sua cabeça.
– Melhor primeiro beijo de todos.
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Alguns dias haviam passado após o ano novo, e agora elas arrumavam as malas para viajar até Lima. Haviam voltado para Nova Iorque há poucos dias atrás, e Santana já sentia falta de acordar abraçada em Brittany.
– Pronta? – Brittany perguntou, em pé ao lado da porta.
– Mhm. – Santana assentiu, levantando da cama, seguida por Scooby. – Podemos ir.
Quinn levou as duas ao aeroporto, resmungando alguma coisa sobre passar fome enquanto Santana estivesse fora. Ajudou-as a despachar as malas e levou-as até a fila da sala de embarque.
– Cuida bem dela, Brittany. – Quinn sussurrou no ouvido da loira quando Santana se distraiu. – Eu juro, se ela voltar com um arranhão…
– Eu vou cuidar dela, Quinn. – Brittany respondeu no mesmo tom. – E ela vai voltar inteirinha. Juro.
Quinn sorriu para Brittany e, após um rápido abraço em Santana, deixou-as sozinhas no aeroporto.
Não demoraram muito para entrar no avião. Santana estava um pouco nervosa, não apenas em ter que conhecer os pais de Brittany; ela detestava andar de avião. Não suportava a sensação de seu corpo subindo, sem saber para onde estava indo. Então, no instante em que o avião começou a se mexer, agarrou a mão de Brittany.
– Nervosa? – a loira sussurrou, recebendo um aceno positivo de Santana. – Tudo bem, baby. Vem cá.
Brittany a envolveu em um abraço protetor, apertando Santana contra seu peito. Ela murmurava palavras de conforto contra os cabelos da morena, enquanto acariciava seu rosto.
No instante em que o avião começou a decolar, Santana enterrou o rosto no pescoço da namorada, apertando os olhos com força. Brittany passou a afagar os cabelos da latina, sentindo aos poucos o corpo magro relaxar contra o seu.
O voo não demorou muito, e em pouco tempo, Brittany estava sendo esmagada pela mãe.
– Meu bebezinho! – A Sra. Pierce guinchou, apertando Brittany com os braços gordos.
– Mãe, eu não sou mais um bebê! – Brittany reclamou, enquanto a mulher a soltava.
Susan Pierce era uma mulher rechonchuda, com cabelos louros e olhos azuis idênticos aos de Brittany. Ela carregava um sorriso caloroso no rosto, o que deixava qualquer um mais alegre.
– Mãe, essa é a minha namorada, Santana. San, essa é Susan, minha mãe. – Brittany apresentou, passando um dos braços pela cintura de Santana.
– Muito prazer, Sra…
– Nada disso! – A mulher interrompeu, puxando Santana para um abraço. – É Susan. Senhora me deixa com cara de velha.
Santana sorriu e aceitou o abraço. Brittany esperou a mãe larga-la e voltou a abraçar a namorada pela cintura, guiando-a até o carro enquanto a mãe não parava de falar.
– Onde está o papai? – Brittany perguntou, já dentro do carro.
Susan calou-se de repente. Seu rosto ficou sério, intrigando Brittany.
– Em casa. – ela disse, antes de voltar a tagarelar.
Santana pode sentir uma mudança na atmosfera do carro, mesmo sem poder ver nada. Ela apertou a mão da namorada um pouquinho mais forte do que o normal, pois estava um pouco nervosa com o que podia ter acontecido.
– Chegamos. – Brittany anunciou, após uma curta viagem.
A casa era simples, mas tinha um aspecto confortável. O jardim era bem cuidado e a pintura bem feita. Era térrea e possuía janelas grandes, aumentando a iluminação interna.
– Pai! – Brittany gritou, assim que entrou na casa. – Carol! Chegamos!
Carolyn foi a primeira a aparecer. Era uma versão mais nova de Brittany, mas os cabelos eram um pouco mais escuros do que os da loira. Ela carregava uma expressão séria, o que estava começando a assustar Brittany.
– Oi B. – A menina cumprimentou, abraçando a irmã pelo pescoço. – Oi… Santana? Eu sou Carol.
A morena retribuiu o abraço da menina, sentindo-se um pouco mais confortável. Brittany mantinha um dos braços ao redor da cintura de Santana, apertando-a firmemente enquanto caminhavam até a cozinha.
De início, Brittany ficou feliz ao ver o pai. O homem com cabelos ralos escuros e olhos verdes estava um pouco mais rechonchudo do que a última vez que Brittany havia o visto, e agora apresentava alguns fios brancos. Mas Brittany travou no lugar no instante em que enxergou uma mulher com cabelos castanhos claros como os de Carol, e olhos verdes como os de seu pai.
– Jenna.
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