O Amor É Cego - Brittana
16 Almoço
Notas iniciais
Santana acordou cedo no dia seguinte. Um sorriso largo e relaxado estava estampado em seu rosto, e aumentava na medida em que ela se recordava dos eventos da noite anterior. Podia sentir Brittany dormindo pesadamente ao seu lado, com uma das mãos abraçando sua cintura. Lentamente, afastou o braço da namorada. Ela merecia mais algumas horas de descanso.
Mal se vestiu e foi recebida por um latido alegre. A latina procurou a cabeça de Scooby e fez um rápido carinho, segurando em sua coleira e deixando que ele a guiasse para baixo.
– Bom dia, querida! – Susan Pierce cumprimentou com um sorriso enorme. – Estou preparando o café, importa-se de esperar mais um pouquinho?
– Claro que não. – Santana respondeu. – Posso ajudar?
– Hm, claro. Imagino que saiba preparar omeletes, certo?
– Mhm. – Santana levantou-se e foi até a direção da voz da mulher. – Só me mostre onde está a frigideira.
Em pouco tempo, Santana e Susan haviam preparado o café da manhã da família inteira. Susan sentou com a morena à mesa da cozinha, servindo-as.
– Sabe Santana, você deve ser muito especial para a minha Brittany. – Susan comentou. – Você foi a única namorada que ela já trouxe aqui em casa.
Antes que Santana tivesse a chance de responder, o cômodo foi ocupado pelas vozes das irmãs Pierce.
– Nojenta! – Carol resmungou.
– Só diz isso porque tá encalhada há anos. – Brittany devolveu.
– Você passou um ano da sua vida babando pela mesma pessoa, sendo que vocês sequer sabiam o nome uma da outra. – Carol respondeu. – E quem disse que eu estou encalhada?
– Hã, a sua cara cada vez que eu te chamo de menina-baleia encalhada?
– Meninas, modos! – A Sra. Pierce interrompeu. – Sentem e comam como pessoas civilizadas, que foi da maneira que eu as criei!
– Bom dia, baby. – Brittany cumprimentou alegremente, roubando um beijo da namorada. – Vocês fizeram café?
– Sim, minha ratinha! – Susan confirmou. – Sua omelete está separada, sem salsa.
– Mãe, ratinha não! – Brittany repreendeu.
– Hm, tudo bem. Minha bebezona!
– Mãe! – Brittany corou, ouvindo a risada da irmã e de Santana. – Tudo bem. Onde está o papai?
– Aeroporto. – As irmãs trocaram olhares confusos. – Sua irmã resolveu viajar um pouco antes da hora. Vocês sabem alguma coisa sobre isso?
– Não. – As três responderam em uníssono.
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– Aonde a gente vai? – Santana perguntou, agarrada na mão de Brittany.
– Na casa de uma pessoa que eu quero muito que você conheça. – Brittany respondeu, ajudando a namorada a sair do carro. – Eu tenho certeza que você vai gostar dela, baby. Não precisa se preocupar.
– Não estou preocupada, Britt. – Santana riu. – Só curiosa. Quem é essa pessoa?
– Já vai ver. Ou ouvir. Ah, você me entendeu. – Santana riu e beijou a bochecha da loira. – San, diz de novo?
– O que, Britt?
– Você sabe. – A loira sorriu, parando na calçada e envolvendo a namorada pela cintura.
– Eu amo você, Brittany Susan Pierce. – Santana declarou, sentindo os lábios de Brittany abafarem suas últimas palavras.
– Eu te amo mais. – Ela sussurrou no ouvido da namorada. – Vem, baby.
Brittany tocou a campainha de uma casa amarela, que se destacava das outras casas da rua pelas suas cores berrantes e o gramado enfeitado. Para a maioria das pessoas era só uma casa de um dono de extremo mau gosto e sem-noção, mas para Brittany, era parte de sua infância. O balanço gasto pelo tempo pendurado no braço de uma das árvores, as janelas que pulara tantas vezes, o jardim em que ensaiara os seus primeiros passos de balé, mas, principalmente, a mulher loura que havia aberto a porta e abraçava Brittany com força pelo pescoço.
– Brittany! – A mulher grasnou. – Sua praga! Tem alguma noção de quanto tempo você não liga? Não tem telefone no seu apartamento em Nova Iorque? – ela agora batia no braço da loira. – Nem pensou em me mandar um e-mail? Uma mensagem, um sinal de fumaça? Pode começar a se explicar agora!
– Desculpe, tia. Eu fiquei um pouco ocupada nesses últimos… ai! Isso dói! – A loira reclamou, esfregando o braço. – Não deu tempo.
– E eu assumo que parte da sua ocupação seja esta? – Ela perguntou com um sorriso, indicando Santana com o queixo.
– Exatamente. – Brittany confirmou. – San, baby, esta é Holly, a minha tia. Tia, essa é a Santana, minha namorada.
– E mais essa! Não liga nem pra contar que está namorando. – A loura mais velha voltou a bater no braço de Brittany, fazendo Santana rir. – E não pense que vai amenizar a minha raiva só porque trouxe a sua namorada para me conhecer. Eu cuido de você depois, Brittany Susan Pierce. – Holly brincou. – Muito prazer, Santana. Podem entrar, eu estou terminando de fazer o almoço.
– E o que a gente vai comer? – Brittany perguntou alegremente.
– Depois de quase um ano sem notícias, eu deveria te deixar comer só os nabos! – A mulher ralhou. – Mas eu estou fazendo lasanha, sintam-se à vontade para se juntar a mim.
– Muito gentil da sua parte. – Brittany brincou.
– Se faça útil e pegue o queijo na geladeira, Susan. – Holly devolveu, fazendo Brittany revirar os olhos. – Então, Santana, o que você faz?
– Dou aulas de música. – A latina respondeu.
– É, ela toca tri bem tia. – Brittany emendou, entregando o queijo para a mulher. – E ela também cozinha.
– Por isso você ainda não morreu de fome? – A mulher perguntou, fazendo Santana rir. – Brittany, não fique com essa cara. É verdade e você sabe.
– Tudo bem, talvez eu não saiba cozinhar. – A loira disse relutante.
– Talvez? Há! Santana, uma vez ela quase colocou fogo na casa tentando fazer miojo.
– Como? Britt, a Beth sabe fazer miojo! – Santana exclamou.
– Eu tinha seis anos! Eu não sabia que não se põe panelas no micro-ondas.
– Você tinha onze. – Holly corrigiu. – Ela quase incendiou a minha casa. A sorte é que Jenna viu antes que o micro-ondas explodisse.
Santana e Brittany ficaram com os corpos rígidos ao ouvir o nome da mulher. Holly notou o desconforto no rosto das duas, mas não ficou surpresa. Sabia das brigas de Jenna e Brittany, e imaginou que algo pudesse ter acontecido.
– Jenna veio para cá? – Perguntou, ignorando a expressão de Brittany.
– Sim, mas já voltou. – A loura respondeu friamente.
– Tudo bem então. – Holly disse, limpando as mãos na toalha. – Brittany, arrume a mesa. O almoço já está quase pronto.
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