O Amor É Cego - Brittana
7 A família Lopez
Notas iniciais
A neve caía pesadamente, se espalhando pelas ruas de Nova Iorque. Santana odiava o inverno. Não odiava o frio, na verdade até gostava dele. Mas odiava a neve com todas as suas forças possíveis. Odiava porque não a enxergava, e se estatelava com uma irritante frequência.
Porém, além disso tudo, haviam três coisas que ela passara a amar no inverno. As nevascas, que impediram Brittany de sair do seu apartamento, o frio, que as faziam ficar abraçadas em um pesado cobertor, e o Natal. Era o seu feriado favorito. Não havia aulas, e ela gostava particularmente da torta de queijo que sua mãe fazia especialmente para o Natal. E agora faltava cerca de uma semana para o Natal, segundo seus cálculos.
– Baby? – Brittany chamou, ajeitando-se nos cobertores.
– Hm? – a voz de Santana irrompeu, sonolenta.
– Você tem planos para o Natal? – perguntou, mordendo os lábios.
– Mhm. – Santana confirmou. – Minha irmã e minha mãe virão passar o Natal comigo. E provavelmente Quinn e Sam virão também, já que Quinn não fala com os pais há… bom, desde que Beth nasceu, pra dizer a verdade.
– Ah.
A voz de Brittany soou desapontada. Santana remexeu-se nos cobertores, um pouco incomodada. Queria ver o rosto da namorada naquele momento, queria poder ler seu rosto. Mas, já que não podia, o melhor era ir pela dedução.
– Britt, baby. – Santana chamou, tocando a bochecha da loira. – Não quero pressionar você nem nada, mas, — sentiu o rosto começar a queimar. Era a primeira vez que faria isso. – hm, você gostaria de passar o Natal comigo? E-e conhecer a minha família? S-se você não tiver nada planejado, é claro.
– Eu adoraria, San. – Um sorriso radiante surgiu nos lábios finos de Brittany. – Sua mãe e sua irmã?
– É. – Santana confirmou com um aceno de cabeça. – Elas chegam em dois dias, na verdade.
Voltaram ao silêncio. Santana sentiu os lábios da namorada pressionarem seu rosto, fazendo surgir um sorriso envergonhado em seu rosto. Ela virou-se e capturou os lábios de Brittany, tomando o máximo de cuidado para não intensificar o beijo de mais. A última vez que fizera isso, fora um tanto quanto constrangedor. Quando as mãos de Brittany já estavam na barra de sua blusa, afastou-as com um sorriso amarelo e um pedido de desculpas. Brittany assegurou-a que estava tudo bem, mas Santana sabia que era no mínimo frustrante cada vez que ela a impedia de continuar. Mas não podia fazer nada a respeito disto. Simplesmente não estava pronta.
– Ei San. – Brittany tornou a chamar a namorada, tirando-a de seus devaneios. – O que eu poderia comprar para Beth de presente?
– Ah, díos mio B. – Santana deu um tapa na testa. – Eu esqueci completamente de comprar os presentes.
– Eu te levo amanhã. – Brittany ofereceu.
– O quê? – ela exclamou. – De jeito nenhum! Minha irmã vai se encarregar disso. Eu tenho que comprar o seu presente também, Britt-Britt.
– Sabe que não precisa comprar nada. – Brittany tornou a beijar o rosto de Santana.
– Sei. Mas vou comprar de qualquer jeito. – ela sorriu.
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– Santanita! – Uma mulher não muito mais velha que Santana, por volta de seus trinta anos, praticamente pulou em cima da morena. – Díos mio, San! Você está linda!
– Oi, Maria. – a morena cumprimentou, abraçando a outra mulher.
Uma mulher mais velha entrou na sala. Era extremamente parecida com Santana e com Maria, mas era uns bons centímetros mais baixa e os cabelos eram ondulados, diferente dos longos cabelos lisos que as duas apresentavam. Ela correu para abraçar Santana, depositando beijos intermináveis na bochecha da menina.
– Mi hija! – a mulher grasnou, apertando Santana com tanta força que ela quase ficou roxa (o que fez Quinn abafar uma alta gargalhada). – Você não tem ligado, Santana!
– Desculpe mami. – ela pediu, tentando se desvencilhar dos abraços apertados da mulher. – Estava com muito pouco tempo ultimamente.
Brittany continuava ao lado de Sam no sofá. Beth e Quinn estavam cumprimentando as outras duas mulheres, e ela e Santana pareciam ter esquecido que Sam e Brittany continuavam ali. A loura brincava desconfortavelmente com as mãos, e Sam mordia o lábio, nervoso. Para ele, seria a primeira vez que encontrava a família adotiva de Quinn.
– E quem são esses? – Maria fez sinal com a cabeça para o sofá. – Sam, de você eu já ouvi falar. – olhou de relance para Beth que deu uma risada. – Mas e você.
– Britt, — Santana fez sinal para a loira, que levantou-se, seguida por Sam, e foi até a morena. – Maria, mami, esta é Brittany, minha namorada. – enfatizou o título da loura, fazendo um sorriso bobo nascer nos lábios de Brittany. – Britt, esta é minha irmã e minha mãe.
– Namorada? – Maria arqueou uma sobrancelha, do mesmo jeito que Santana fazia. – desde quando?
– Um tempinho. – Santana respondeu, antes de que a família voltasse ao silêncio.
Santana passou os braços protetoramente ao redor da cintura de Brittany. A loira retribuiu o abraço, envolvendo Santana em uma bolha protetora. A morena não conseguia entender por que ninguém estava dizendo nada. Não era possível que não tivessem gostado de Brittany. Ela era adorável.
Mas Brittany entendia. A Sra. Lopez a escaneava da cabeça aos pés, com um olhar carinhoso. Ela sentia-se confortável com a maneira que ela a olhava, com um sorriso suave no rosto. Ela apertou Santana com mais força entre seus braços, beijando sua nuca.
– Neste caso, — a Sra. Lopez voltou a falar. – Seja bem-vinda à família, Brittany.
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Santana descansava a cabeça no colo de Brittany enquanto Quinn brincava com Beth na sala. Maria e Maribel, a mãe de Santana, se ocupavam em terminar de preparar o jantar. No instante em que Santana pisara na cozinha, sua mãe praticamente a expulsara, dizendo que ela devia se ocupar com Brittany ao invés da janta. Ela já havia gostado de Brittany de cara. Nunca havia visto a filha tão feliz. Nem mesmo quando conseguira a vaga para trabalhar como professora de música, ou quando ganhara Scooby. O dia em que ela havia a visto mais próximo de tamanha felicidade, foi quando Beth aprendera a chama-la de “tia San”.
Brittany havia retirado os óculos de Santana e agora se inclinara para beija-la. Sabia que os óculos às vezes incomodavam a namorada, geralmente porque machucavam suas orelhas. Santana odiava quando tinha que tirá-los. Os olhos escuros rumavam indefinidamente, e ela odiava não saber para onde eles miravam.
– Britt! – reclamou, no instante em que ela removeu os óculos.
– Estavam machucando você, baby. – Brittany respondeu, dando de ombros.
– Meninas! E Sam! O jantar está pronto. – Maribel Lopez gritou da cozinha.
Quinn foi a primeira a levantar, seguida por Beth. Brittany riu das duas e puxou Santana pelas mãos, guiando-a até a mesa. Ela puxou a cadeira para a namorada e ajudou-a a sentar.
– Então, Brittany, — Maria começou. – o que você faz?
– Eu sou professora de dança. – a loura respondeu prontamente.
– Nós nos conhecemos no estúdio. – Santana completou.
– Isso tá muito bom, mama! – Quinn exclamou de repente, fazendo Maribel rir da loura. – E eu achando que Santana cozinhava bem.
– Não apareça mais para almoçar aqui então, Fabray. – Santana brincou,
– Certo. – Quinn concordou. – Sam, Beth, vamos passar a almoçar em casa.
– Não! – os dois gritaram juntos.
Santana sorriu. Brittany virou o rosto para ela e beijou sua covinha, fazendo o sorriso da namorada aumentar. Maria sorriu satisfeita. Definitivamente gostava de Brittany.
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