Notas iniciais
Boa leitura!

Heitor segura a mão de Sophia, que cora violentamente e o encara com os olhos arregalados.

— Você quer namorar? Se você disser que quer namorar, eu aceito namorar você. – Diz o garoto, encarando Sophia fixamente e com as bochechas vermelhas.

— Eu... Eu quero sim.

Sophia percebe que Heitor está se aproximando lentamente de seu rosto com os olhos fechados. Ela rapidamente fecha os olhos e faz um bico, esperando que ele a beije. A garota sente a respiração de Heitor cada vez mais perto de sua pele, se aproximando cada vez mais...

TRIIM TRIIM!

O despertador toca às cinco em ponto da manhã. Sophia se revira na cama e bate com a mão no objeto que faz um barulho incômodo sem parar, atrapalhando seu doce sonho. Ela passa a mão no rosto e se espreguiça zangada e frustrada.

A porta se abre e seu pai adentra no local segurando um aspirador de pó, substituindo a barulheira do despertador.

— Vamos, Sophia! Acorda vai, ou você vai perder o ônibus. – Diz seu pai, desligando o aspirador e apertando a bochecha da filha. Ele ri do rosto babado e sonolento dela.

— Só mais meia horinha... – Murmura a garota, puxando o lençol para cobrir o rosto.

— Meia horinha?! Você esqueceu que tem prova hoje? Vou estar te esperando na mesa para tomar café. – Seu pai, que se chama Luke, se afasta até a porta e sai do quarto. Sophia ouve seus passos ecoando pelas escadas até o andar de baixo.

Demora mais vinte minutos para que ela se levante e mais meia hora para que se arrume. A menina desce até a cozinha faltando poucos minutos para a hora de ir para o ponto de ônibus, ela vê seu pai sentado na mesa do café bebericando numa xícara lascada e mexendo no celular.

— Bom dia e tchau! – Diz Sophia, pegando uma torrada com manteiga e colocando na boca.

— Como assim bom dia e tchau? Não vai tomar café? – Pergunta seu pai, a olhando com um olhar de reprovação.

— Não tenho tempo, e hoje não posso me atrasar porque é dia de prova. Tchau, paizinho. – Responde a menina, tirando a torrada da boca para dar um beijo na bochecha de seu pai. Ele sente sua pele gordurosa de manteiga no local.

Sophia pega sua mochila e sai correndo pela porta da frente. Ela corre rapidamente até o ponto de ônibus, com medo de se atrasar. Ao chegar lá, ela está suando muito e a brisa da manhã faz sua pele formigar.

— Corri sem motivo... O ônibus ainda nem chegou. – Reclama ela, passando a mão na testa para limpar o suor que escorria.

— Falando sozinha agora, Sophia?

Sophia se vira e vê Diana, sua melhor amiga. Enquanto o cabelo de Sophia é comprido e negro, o de Diana é cacheado e curto, tingido de vermelho.

— Bom dia para você também, amiga! – Sophia sorri com sarcasmo e se levanta para abraçar a amiga. As duas riem e se afastam, sentando juntas no banco.

— Você está toda suada, não me diga que correu com medo de perder o ônibus de novo? – Diana sorri e encara a amiga.

— Eu acabei dormindo demais... – Sophia é interrompida pelo barulho do motor do ônibus escolar, que se aproxima. As duas se levantam e entram no veículo quando este para em frente o ponto.

Ao passar pela catraca, a primeira pessoa que Sophia vê é Heitor sentado em um banco perto da janela, com um livro nas mãos. Ela o encara com as bochechas levemente vermelhas, lembrando do sonho que teve noite passada.

— Vamos Sophia, ande ou todos vão perceber que você está caidinha por ele. – Sussurra Diana perto do ouvido da menina, fazendo a mesma dar um salto para trás.

— Sim... Sim, é claro. – As duas andam e antes que Sophia possa procurar dois bancos vazios para elas, Diana senta ao lado da primeira pessoa que vê, fazendo uma careta quando percebe que sentou ao lado de um garoto que estava dormindo e babando.

Sophia faz uma careta e mexe a boca perguntando “O que você está fazendo?”, mas Diana apenas aponta discretamente para onde Heitor está sentado e murmura “vá”, fazendo a amiga arregalar os olhos.

Então ela se afasta de Diana e senta ao lado de Heitor, que está tão concentrado em seu livro que não percebe a presença de Sophia. A menina o observa com um olhar apaixonado, gravando todos os detalhes do seu rosto naquela manhã: o cabelo castanho-dourado caindo levemente sobre os olhos (“ele está precisando cortar o cabelo”, pensa ela), os olhos azuis concentrados e a boca levemente curvada pra cima, deixando escapar uma covinha no canto. Sophia franze a testa, percebendo que ele começou a sorrir do nada.

— O que...

— Bom dia, Sophia. – Heitor fecha o livro e a encara, com um sorriso alegre se formando em seu rosto. Ela olha para seu sorriso e lembra do sonho que teve noite passada, quando os lábios dele quase encostaram nos seus.

— B-Bom dia... – Ela cora levemente, e logo sorri. – Estava estudando para a prova de matemática?

— Não, este livro aqui eu achei na casa da minha avó. Se chama “A Maldição do Tigre” ... Você o conhece? – pergunta ele, erguendo um pouco o livro para que Sophia visse a capa.

— Não, não o conheço, mas eu gostaria de lê-lo algum dia. – Sophia dá de ombros, levemente envergonhada, já que a mesma não tem muito o hábito de leitura.

— Se você quiser, eu posso te emprestar assim que terminar. – Diz Heitor, apoiando o livro sobre a perna e deixando suas mãos livres.

— O que? Ah não, não precisa... – Sophia ri nervosamente, levantando as mãos. Quando ela as abaixa, uma de suas mão encosta na mão de Heitor. A garota levanta a mão rapidamente, fingindo arrumar a trança. Quando ela se vira para Heitor, percebe que o mesmo está com a cabeça levemente abaixada e o rosto corado.

— Desculpe-me, eu... – Começa Sophia.

— Tudo bem. – O garoto a olha e sorri, passando a mão no canto da boca dela. Sophia fica paralisada.

— Heitor...

— Hã? Ah, sua boca estava suja no canto. – Ele ri alegremente.

“Eu não acredito que estava esse tempo todo com a boca suja de torrada!”, Sophia pensa frustrada.

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Na sala de aula, Sophia e Diana estão sentadas com suas carteiras lado a lado, Diana está explicando e resumindo o assunto para Sophia, que apoia a cabeça numa mão e suspira.

— Sophia? Você está prestando atenção no que estou dizendo?

— Hum? Ah sim, estou sim...

— Então responda a minha pergunta.

— O que? Ah... Qual era a pergunta?

Diana ri como se dizendo “essa menina não tem jeito mesmo”.

— Esqueça a pergunta. Me diga como foi sua conversa com o Heitor. – Diana se inclina na direção da amiga e a encara com os olhos arregalados de forma exagerada.

— Não me olhe assim, Diana. É assustador. – Sophia ri, cobrindo os olhos da amiga com a mão. – Bem... Ele foi gentil e educado como sempre, até ofereceu o livro que estava lendo emprestado... mas eu estraguei tudo. Minha boca estava suja de torrada e ele provavelmente me viu o encarando como uma idiota!

Sophia faz cara feia e esconde o rosto enquanto sua melhor amiga faz carinho no seu cabelo.

— Não fique com essa cara, ele provavelmente achou fofo... – Diana tenta falar algo reconfortante, mas só consegue deixar Sophia mais decepcionada.

— Fofo? Você está brincando...

Diana nota alguém se aproximar de suas carteiras. Ela levanta a cabeça e sorri sem mostrar os dentes para a pessoa ali em pé.

— E aí, Heitor. Tudo bem?

— Sim, estou bem. – Heitor sorri nervosamente.

Sophia levanta a cabeça como um jato, encarando-o.

— Heitor?

— Oi, Sophia. Bem... Eu gostaria de saber se você quer estudar comigo antes da prova. – Heitor a encara, mas desvia o olhar em seguida

— Seria legal, eu preciso mesmo revisar. – Sophia sorri com as bochechas levemente coradas.

“Eu não estava revisando com você agora mesmo, criatura?!”, pensa Diana, encarando Sophia com um biquinho.

— Bom, pode sentar aqui Heitor, eu vou comprar um refrigerante. – Diana se levanta, empurrando o garoto para a carteira vazia ao lado de Sophia. – E se a Sophia não estiver prestando atenção, basta bater com o livro na testa dela.

Heitor ri enquanto Sophia balança a cabeça negativamente. Diana sai da sala e os dois se encontram lado a lado. A sala estava cheia com os outros alunos, e Sophia percebe que alguns os olhavam com malícia, fazendo com que a menina fique ainda mais nervosa.

— Você quer começar por onde? – Pergunta o garoto, quebrando o silêncio constrangedor entre eles.

— Podemos começar pelo início? – Indaga Sophia, rindo. – Desculpe, é que não estudei direito.

— Não tem problema, Sophia.

Heitor abre o livro e inclina levemente sua cabeça para perto dela. Eles começam a revisar e Sophia sente seu coração palpitando, tornando difícil se concentrar no que ele diz, mas ao mesmo tempo, a garota está feliz por estar ali ao lado de Heitor, sem saber que futuramente sua vida iria mudar de uma forma terrivelmente repentina.

Continua....

Notas finais
Até a próxima. ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.