Notas iniciais
desculpa por ser pequeno, mas é pra fechar esse arco da história! XP
- Eu fui criada desde pequena num orfanato. Não posso dizer que fui totalmente feliz, pois, quando não se tem ou o pai ou a mãe, ou nenhum dos dois, sempre te falta algo. Ao lado desse orfanato, tinha uma casa em que morava Daniel. Ele foi meu amigo de infância desde quando eu me conhecia por gente. Quando nós crescemos, ele se declarou para mim, e aos 12 anos nós começamos a namorar. Acontece que a mãe dele sempre foi cheia de princípios rígidos, e, de acordo com ela e o pai dele, namorar uma menina órfã era só para diversão. Quando nós tínhamos 17, ele me pediu em casamento, e eu achei que nunca mais me sentiria só, sem família, desamparada como eu sempre me senti desde que me conheço por gente. Engano meu... Os pais dele proibiram sem hesitar. Depois de um tempo, nós fugimos para a casa da avó dele, que vivia com uma amiga idosa também. Nesse tempo, nós tínhamos planos de trabalhar muito e comprar uma casa, formar uma família. Apesar da avó dele nos dar toda assistência no dia-a-dia, nós ainda éramos jovens, estudantes ainda. Três meses depois aconteceu o que eu não previa: fiquei grávida do Daniel. A partir daí foi muito difícil eu continuar meus estudos, mas com a ajuda da dona Clara eu consegui terminar pelo menos a ensino médio. Contava com o tempo ao meu favor, pois Daniel já havia arranjado um bom emprego na farmácia... Era só questão de tempo, eu pensava quando estava grávida, depois que Daniel se estabilizar em um emprego eu poderia voltar a estudar...

Ela parou e suspirou de leve. E continuou:

— Certa noite eu voltava com Daniel da farmácia. Era uma noite fresca, pois havia acabado de chover. Como a farmácia ficava perto de onde a dona Clara morava, nós voltávamos a pé mesmo. Eu estava com aquele barrigão de oito meses. Eu lembro que ele odiava que eu saísse de casa só para buscar ele, mas Daniel sempre acabava cedendo. Nós fomos atravessar a rua quando eu parei no meio da rua, sentindo uma dor aguda nas costas. Como ele estava com muitas sacolas na mão, foi indo na frente e não percebeu o carro que se desviava de mim, derrapando no asfalto molhado...

As lágrimas desciam silenciosamente do rosto dela. Parou por instantes, tentando retomar a narrativa. Levou as mãos ao rosto, não conseguindo conter o choro... Porque ele tinha que deixa-la, porque tinha que partir tão cedo? Mariana ainda podia ouvir o gemido de Daniel, deitado naquela poça de sangue, tentando dizer algo a ela. Podia sentir sua Bolsa que estourava de desespero pela certeza de que ele estava indo...

Momiji deitou se no colo de Mariana, segurou sua mão firmemente e sussurrou:

— Você não está sozinha... Eu estou aqui!

E ela chorava mais ainda, pensando no quão egoísta ela havia sido... Quando começou a namorar Leandro, foi porque achou que ele daria um bom pai para seu filho. Nunca havia pensado no que ela realmente sentia por ele. Agora via que ele só a fazia sofrer com as suas infidelidades. Talvez ela só precisasse do dinheiro dele... Sentiu ódio de si mesma por ser tão mesquinha.

— Momiji... –ela sussurrou: — não diga isso... Uma vez que eu tenha você para mim, não vai ser fácil te largar...

Ele virou o rosto, levantando-se para alcançar os lábios dela. Quando chegou bem perto murmurou:

— Graças a deus...

E a beijou, um beijo que começou de leve, mas foi mostrando tudo que estava contido no coração dos dois. Ficou algum tempo assim, até Momiji descer os lábios ao pescoço dela. Ela segurou-lhe o rosto, pensando em fazê-lo parar, mas não conseguiu. Só parou mesmo quando a porta se abriu abruptamente, no momento que a kagura acabava de chegar. Mariana empurrou Momiji longe, que ainda estava sem ação. As duas ficaram vermelhas, até que kagura disse um baixo “desculpa” e saiu da cozinha. Mariana virou-se, vermelha, para Momiji, dizendo:

-Tenho que voltar para casa!

Notas finais
reviews continuam bem vindos!