O Amor de Minha Existência- Capítulo único
1 Capítulo 1
Eu não sou violento, apenas faço meu trabalho. Mas posso errar como vocês, humanos ingratos.
Se me lembro, era a mais bela manhã que algum dia já presenciei. O sol subiu no céu claro, iluminando o esverdeado gramado. Foi quando vi o ser mais surpreendente que tive o prazer de admirar. A extrema bondade. Lágrimas puras caiam das janelas de sua alma e escorriam pelos seus traços delicados. O que era isso? Sentir. Dor, amor, felicidade. O choro não era peculiar em meu cotidiano, mas aquela repressão de seus sentimentos num ato silencioso, a tranquilidade e serenidades daquele indivíduo. Ainda me perguntou o que é estar apaixonado, porém ela é o mais próximo que cheguei em minhas respostas.
Era a alma de sua irmã que carregava nos braços. Tão leve como uma pluma, uma doce menina que posso alegar que era sua hora de partir. Pra mim, era apenas uma tarefa. Eu não escolhi ou pedi para ser isso. Entretanto, humanos como vocês sempre terão a decisão em suas mãos. Não sou eu quem julgarei quais são escolhas erras ou certas, pois nenhum ser é inteiramente bom ou mau, como eu não sou nenhum dos dois. Contudo, ela era.
Ela era tudo que se pode imaginar na definição de bondade. Carinhosa, atenciosa e solidárias. Nunca machucou ninguém fisicamente ou psicologicamente, nem a mais pequenas e indefesas das coisas. Como vocês, tenho a incerteza da existência de Algo maior. Apenas sei o que sei. Acredito em mim e mais ninguém. Mas posso afirmar que ela era um milagre divino da natureza da terra. Perfeita. Seus atos, sua beleza, as flores em seu cabelos, as lágrimas mais honestas que já existiram. A perfeição na imperfeição do ser humano.
Como queria ter tido mais tempo para fita-la, mas estava chegando à um término. Fim. Era irônico apenas de pensar isso, sendo que nunca haveria um para mim. Seria assim, para o resto de minha existência. Vida. Mais uma sátira. A vida, minha companheira. A única força, além de mim, que é a certeza absoluta. Então parti, a deixei sozinha naquele cemitério. Solidão. Era algo que compreendia.
Essa foi uma das vezes que a via. Na outra, era o fim de seu marido. Um homem honesto que foi bom para ela. Eu o invejava.
Mesmo com os traços do rosto mais gastos, ela ainda possuía uma beleza extravagante. Queria poder toca-la e sentir seu aroma. Por que o universo és tão cruel comigo? Enquanto eu me lamento, ela derrama as lágrimas que desejava que fossem à mim.
Era a última vez que a veria. Eu sabia disso. Foi então, a primeira vez que sentir algo dentro de mim. Um súbita dor, uma sensação de perda, uma tristeza profunda e desesperadora. Ela não podia ir, não conseguiria fazer essa tarefa. Foi quando errei. Não a levei da cama que estava adoentada. Me mantive ao seu lado o máximo que pude. Mas perdi a noção do tempo, se era possível. Então, um milagre aconteceu. Ela falou comigo. As mais doce voz.
"Me leve por favor, vivi o bastante, não me deixe viver em minha própria morte".
Algo muito maior surgiu em meu interior. Um sentimento de culpa e arrependimento. Contudo, ainda não conseguia realizar tal proeza. Entretanto, algo mais surpreendente aconteceu. Sua alma deslizou para minhas mãos sem minha permissão.
"Até você é capaz de amar, meu caro, não duvide de si mesmo"
Era ela. Jovem e radiante. Sem cabelos brancos ou pele pálida. Era ela, minha ela. Com suas asas ela voou para algo desconhecido, um oceano inexplorado,, um céu infidável. Aquilo foi meu adeus para o amor de minha existência. Mas ela ainda me persegue e sempre irá. Pois se tiver um coração, é por ela que baterá.
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