O Amor, Você e Eu.

39 Eu não te amo como antes.


Takayuki estava impaciente, queria de todas as formas saber sobre Emi. Até que sentiu o cheiro de seu pai se aproximando e sentiu também o cheiro dela. Ele foi para o lado de fora e Rin estava juntamente com seu filho quando viu a cena: Takashi que antes era um vulto parou com a linda youkai ruiva nos braços, ensanguentada e com seus cabelos sendo balançados pelo vento. A jovem tapou os olhos de seu filho, mas Takashi a repreendeu.

– Deixe-o Rin. Ele é um youkai deve se acostumar com isso. — Ela destapou os olhos do menino.

– Chichiue o que aconteceu com a Emi? Ela dormiu?

– Hai, dormiu para sempre. — Rin respondeu, tentando não assustar o filho.

– Nunca mais ela vai acordar?

– Iie. — Sua mãe respondeu.

– Quem fez isso com ela?

– Algo que não existe mais neste mundo. — Takashi respondeu, olhava apenas para o rosto da esposa, sendo iluminado pelos ultimos raios de sol daquele dia.

– Chichiue, a Emi morreu?

– Hai. — Takayuki tinha lágrimas nos olhos quando seu pai fez a afirmação, mas não chorou. Nunca choraria em sua presença. Era orgulhoso como seus pais.

– Mas, eu queria que ela vivesse... — O hanyo não conseguiu completar a frase, uma lágrima teimosa ousou cair. No mesmo instante Rin começou a chorar também, a dor de seu filho era a sua.

– Ela mandou dizer que o ama. — Aí sim o pequeno hanyo não se conteve e agarrou a mãe em um abraço muito forte.

Queria esconder as lágrimas, mas era impossível. Takayuki amava Emi e perdê-la era uma dor terrível. Mas o sofrimento não era visível somente no pequeno. Takashi sequer tirou os olhos da ruiva, não conseguia. Em seus braços estava morta a youkai que mais o amou no mundo, que fez de tudo por sua felicidade e não se importou com seus sentimentos. Ele apenas se virou e caminhou com a fêmea nos braços. Não tirava os olhos dela.

– Takashi, onde você vai?! — Disse Rin.

– Providenciar o funeral e aproveitar o pouco tempo que me resta com sua existência, até que a terra a separe de mim. — E Rin o viu sair caminhando lentamente, como se no mundo só existissem os dois.

Passado algum tempo após o funeral de Emi, Rin foi à mansão de Takashi procurá-lo. Não sexualmente, mas para oferecer-lhe apoio. Quando chegou foi informada de que o senhor daquela casa estaria no jardim. Hiroko iria avisa-lo mas ela pediu que não. Quis ir até lá silenciosamente. Andou por alguns instantes e lá estava ele, sentado sob a luz do luar, em um banco onde alguns anos antes houve uma terrível briga então Tsuki e ela. Não continuou andando, apenas quis observar entre as árvores a beleza daquele youkai relaxado em um banco sem o peso de uma armadura ou mesmo de responsabilidades. Aquele era apenas Takashi.

– É inútil. Senti seu cheiro muito antes de você chegar aqui.

– Perdoe minha inocência. — Ela apareceu em sua frente e ele continuava admirando o céu.

– O que deseja?

– Vim saber como está, há muito não tenho notícias suas e...

– Takayuki saberia lhe responder. — Ele enfim olhou para ela com aqueles lindos olhos cinzas com as bordas azuis. Ela sentia saudade daquele olhar.

– Mas eu também queria lhe ver. — Ele nada respondeu apenas desviou o olhar. — Posso me sentar ao seu lado?

– Hai. — Ela se sentou e olhava para o céu junto com ele. Só a idéia de ter Takashi por perto já a fazia muito feliz. — O que te deixa tão alegre?

– Eu odeio que me conheças tanto. — Ele não repetiria. — Só o fato de estar próxima a você, sem brigas, me deixa muito feliz.

Takashi olhou para ela. Estava linda como sempre e ainda tinha o rosto iluminado pela felicidade. Lembrou-se das ultimas palavras de Emi. Emi... Seu coração logo o trairia mais uma vez, deixando-se levar por um sorriso de uma mulher que tanto lhe magoou e impedindo o sentimento por aquela que tanto lhe amou. Logo ele desviou seus olhos. Não queria ceder mais uma vez, não iria.

– Takashi, tem algo que queria compartilhar comigo?

– Iie. — Ela o olhou.

– Sente falta dela? — Ele hesitou, ela esperou.

– Hai.

– Você a amava? — Os olhos de Rin eram como o de uma criança que teme ouvir o que está em sua mente.

– Hai. — Ela baixou o olhar, ficou em silêncio por um bom tempo. Depois resolveu falar. – As vezes eu me pergunto se você ainda pensa em mim.

– É impossível não pensar em você. — Ela o olhou, dessa vez esperançosa de que ouviria aquilo que seu coração desejava. — Takayuki tem muito de sua personalidade.

Então era só por isso? Só porque seu filho tinha uma personalidade parecida com a de sua mãe ele pensava nela? Não, isso não era uma resposta suficiente para Rin.

– Não foi isso que eu quis dizer... Takashi, seu amor por Emi era algo tão intenso que fez com que você me esquecesse? — Ele hesitou, mas respondeu.

– Iie. — Ela sorriu. — Mas não se iluda Rin, eu não te amo como eu te amei antes.

"Uma mão entrou em meu peito e arrancou o meu coração, sorrindo da enorme dor que me gerou." Assim Rin descreveria como sentiu-se naquele momento. Nada é pior do que ouvir de alguém que se ama, que seu amor está acabando. Ela baixou a cabeça mais uma vez e seus longos fios negros cobriram seu rosto. Não choraria ali.

– Então em seu coração não há mais espaço para mim?

– Eu superei esse amor Rin, você deveria superá-lo também. — Outra facada, mas uma seria impossível aguentar.

– Mas e se...

– Não existe mas e nem se. Nossas vidas giram em torno da realidade. Possibilidades não podem ser comparadas a fatos.

– Eu queria que só por um momento que você esquecesse o que eu fiz. — Neste momento Takashi tirou sua atenção do céu e olhou para os olhos negros de Rin.

– Você se lembra de quantas vezes caiu ou se machucou?

– Não. — Ela respondeu sem entender.

– Mas se lembra quando olha suas cicatrizes?

– Sim.

– Então como eu posso esquecer se as cicatrizes estão em mim?

– Takashi, me deixa consertar as coisas. Eu juro que eu posso...

– Não jure Rin, você pode não conseguir cumprir.

– Me perdoa.

– Eu não posso te perdoar, porque isso não será o suficiente para que tudo fique bem. — Ela se levantou, não suportaria ficar ali mais nenhum segundo.

– Eu espero que um dia isso possa acontecer...

– Viva a sua breve vida.

– Sim e eu espero que possa vivê-la ao seu lado. Ouça bem as minhas palavras. Eu vou tentar, com todas as minhas forças eu vou tentar reconquistar o seu amor e se por algum segundo eu sentir que não valeu a pena, eu te deixo em paz e vivo a minha vida, sem a sombra da sua.

Ela começou a caminhar em direção a mansão e iria embora, enquanto Rin se movia as palavras que ela acabara de pronunciar ecoavam na mente de Takashi. Por algum motivo, aquela era a Rin que a muito tempo ele não via.

Notas finais
É, ela está muito decidida e muito mudada também. O que será que aconteceu?