O Amor, Você e Eu.

37 A montanha vai a Maomé.


Notas iniciais
O que estiver em itálico são as lembranças de Rin. Boa leitura.

O dia começaria cedo para Takayuki, por isso, começaria cedo para Rin também. Antes de sair ela foi falar com Sesshoumaru.

– Sesshoumaru-sama. — Bateu na porta do quarto.

– Entre. — Ela entrou.

– Eu estou indo para a casa de Takashi, quero ver o treinamento do meu filho e passar o dia com ele.

– Hai.

– Itekimasu.

– Rin. — Ela voltou o olhar para ele. — Não se precipte em suas ações. Você estará na casa de Takashi e Emi.

– Hai. — Ela saiu de seu quarto e foi para a casa de Takashi. Aquele seria um longo dia.

As palavras de Sesshoumaru não deixaram sua cabeça, durante toda a viagem Rin pensava nelas. Enquanto o empregado dirigia a carruagem que a levava, ela olhava para o dia que ainda amanhecia e lembrava-se do passado que tanto a atormentava.

O dia seguinte era o dia em que Rin iria conversar com Takashi e iria dizer a ele o porque de não ter ido para sua casa. Ela esperou pacientemente que o longo horário de afazeres do youkai-lobo se acabasse e foi falar com ele. Ela o esperou em um dos caminhos que ele passava para ir embora. Estava sentada e de cabeça baixa até que ouviu passos e levantou o olhar, era Takashi. Ela se levantou e parou a sua frente. Encaravam-se sem hesitar, um buscava a verdade nos olhos do outro. O que Rin viu foi muita dor e o que Takashi viu foi muito arrependimento.

– Takashi, onegai, me escute.

– Fale.

– Sesshoumaru-sama disse que me amava e que deveria ser ele a quem eu desse o meu amor. Eu me senti muito mal por isso e percebi que não seria honesto, estar com você pensando em como poderia ter sido se eu estivesse com ele. Vocês me contaram toda a história e eu sei de tudo o que aconteceu, mas ele mudou de alguma forma, mudou para que eu fosse feliz. Não é a primeira vez que ele faz isso. Você deve saber que ele odiava humanos e olha tudo o que ele fez por mim. Eu passei toda a noite colocando tudo isso em uma balança e eu percebi que ainda é muito cedo para trocar essa vida por uma que eu desconheço. Peço que me perdoe Takashi se eu errei com você, mas existe um sentimento que me liga a Sesshoumaru e eu não posso negá-lo. Gomene, mas eu preciso saber até onde tudo isso vai me levar, eu estou completamente perdida no tempo, na vida. Eu estou muito confusa, eu não sei mais o que fazer. — Ela começou a chorar e instintivamente Takashi a abraçou.

– Entendo, mas eu não retiro nenhuma das palavras que lhe disse ontem Rin. Já se foi tempo demais depois do ocorrido com você e com certeza já poderia ter escolhido.Toda esta história de estar perdida é apenas uma desculpa para você continuar ao lado de Sesshoumaru. — Essa era a verdade. A verdade que Rin se negava a acreditar e a verdade que Takashi, desde de que se aproximou dela, conseguiu enxergar.

– Mesmo sabendo de tudo isso, o que pretende fazer Takashi? — A voz de Sesshoumaru ecoou, ele estava parada a poucos metros de Rin.

– Nada posso fazer, isto mais uma vez dependerá de Rin. — Ela ficou sem reação.

– A sua marca ainda está nela.

– Hai, mas como sabe é um questão de tempo a minha presença desaparecer. — Depois de recuperada Rin soltou-se do abraço de Takashi e ele a olhou. Quando Sesshoumaru se aproximava ela não queria demonstrar sentimentos por ele.

– Tome-a por sua mulher ou eu a tomarei.

– Sinto muito Sesshoumaru-sama, mas isto não cabe a mim, não é a mim que ela ama agora. Sua mente retornou a época em que ela ainda lhe amava.

Rin estava no meio daquele turbilhão de sentimentos, foi ali que ela se deu conta de que nunca foi livre para amar somente Takashi ou somente Sesshoumaru. Era como se fosse um cabo de guerra onde ela ficava no meio, mas é claro que Sesshoumaru ganharia porque ele era seu protetor.

– Takashi é isso. Eu não vou com você eu preciso ficar e saber se é realmente o que se deve fazer.

– A escolha é toda sua Rin. — Ele se retirou da presença dos dois e ela se virou para encarar Sesshoumaru.

– Parece que agora poderemos viver o que há para viver. — Disse Rin e Sesshoumaru a beijou sem nada dizer.

Depois de algum tempo todos no shiro sabiam do relacionamento entre Sesshoumaru e Rin porque eles não fizeram a mínima questão de esconder, mas o que ninguém sabia é que nada daquilo era tão bom quando aparentava, tanto para ela quanto para ele. No momento em que Takashi soube daquilo ele jurou para si mesmo que todo o amor que sentia por Rin morreria e até onde ele pôde fazer isto ele fez.

Apenas dois meses. Rin trocou toda uma vida por Takashi por apenas dois meses de paixão com Sesshoumaru. Eles conversaram e chegaram a conclusão de que seu relacionamento não era de marido e mulher e sim companheiros. Como um pai e uma filha.

Rin foi atrás de Takashi e ele apenas aceitava-a. Ela se entregava e ele apenas fazia sexo. Ela sentiu na pele o que é estar com alguém que não corresponde ao seu sentimento, ela sabia que em algum lugar estava o youkai que a amava, mas sabia também que jamais poderia encontrá-lo novamente.

Algum tempo depois ela viu Takashi e Emi na mata e logo todos nas Terras do Oeste sabiam que o general mais cobiçado estava amando novamente, reconstruindo sua vida. Pouco depois ele se casou para a tristeza de Rin. Mas o que ela poderia fazer?! Foi ele quem a deixou? Foi ele quem trocou o certo pelo duvidoso? Foi ele quem trocou uma vida de amor correspondido por um unico dia de eu te amo? Não, foi ela.

Agora passaria o resto de sua vida assim, sem Takashi. Sesshoumaru foi um grande amigo para Rin e nada além disso. Agora sua relação era bem melhor. Sem enganações e sem falsos sentimentos. Tudo estava claro. Agora era muito tarde para se arrepender e se desculpar, nada mais poderia mudar. Ela nunca se esqueceu das palavras de Takashi quando ele soube do seu romance.

– É isso o que se ganha quando se ama alguém de coração. O único acerto que nós tivemos foi Takayuki. Eu vejo que todos os planos e promessas que fiz a você foram jogados no chão e pisoteados. Meu pai sempre me dizia que certas coisas simplesmente não devem acontecer, hoje eu sei que isso se aplica a você.

Uma lágrima caiu do rosto de Rin com essa lembrança e a dor em seu coração era imensa. Ela a secou e respirou fundo por várias vezes. A casa de Takashi estava próxima e queria ter a melhor aparência possível.

Avistou na entrada Takayuki e Emi esperando-a, seu filho estava muito ansioso com aquilo, não lembrava de sua mãe ter ido a sua casa.

– Ohayo haha. — O menino a abraçou.

– Ohayo meu amor. — Ela respondeu.

– Está triste haha?

– Não, só estou com sono. Ohayuo Gozaimasu Emi.

– Ohayo Rin-sama.

– Vamos Haha, meu sensei já chegou. — Ela se dirigiu a casa de Takashi e quando pisou lá sentiu inveja de Emi. Como gostaria de ser a senhora daquela mansão.

Eles foram diretamente para o pátio onde Takayuki treinava. Submetido às ordens de seu sensei ele era muito compenetrado e em nada lembrava o doce menino que a abraçara a pouco. Estava completamente sério e treinava com total força e determinação, cada vez mais parecia-se com seu pai. Isso era algo que Rin jamais poderia escapar. Ver Takayuki era como ver Takashi pequeno. Era inegável a relação sanguínea entre os dois, mesmo uma pessoa que nunca os viu definiria isso facilmente.

Ela estava totalmente concentrada em seu filho quando uma figura imponente apareceu em seu campo de visão. Percebeu o grande erro que havia cometido ao dizer que iria até ali, porém ela não tinha escolha, era a unica forma de ver seu filho aquele dia. Teria de enfrentá-lo com toda a sua força.

Notas finais
Minna, agora me digam: O Takashi tem ou não razão de agir dessa maneira com a Rin?!