Notas iniciais
Olha quem voltou!! Nem demorei tanto né, meninas? (tomei vergonha na cara finalmente o/) Eu espero que vocês gostem do capítulo de hoje. Fiquei muito feliz com o alcance da fic no sábado da postagem, obrigada por visualizarem a história e por continuarem acompanhando mesmo depois de tanto tempo ♥ ♥ Eu sei que o título do cap de hoje tá extremamente misterioso - sqn haha. Mas é só um pouquinho, tá galera? Não vou sair jogando um monte de informações assim, vai ser sempre aos pouquinhos ♥ Obrigada de coração à MiSwan, à Elen calen e à Sara Ionara (que se ocupou em comentar em todos os capítulos, muito obrigada sua linda ♥) por terem comentado no cap anterior. Vou respondê-las ainda essa semana, prometo. E sem mais demoras, o capítulo!!! Boa leitura ♥

Bella's POV

Comecei a arrumar a mesa quando o telefone tocou. Não hesitei em atendê-lo, mesmo o número sendo desconhecido.

—Alô. Quem é? — perguntei.

—Sou eu — paralisei ao reconhecer a voz daquele que assombrava meus pesadelos. O que mais ele queria tirar de mim?

—O que você quer? – perguntei rispidamente em tom baixo.

—É assim que trata o grande amor da sua vida? – devolveu, irônico.

—Apenas diga o que quer – continuei, tentando me manter calma, forçando as memórias a se manterem presas no fundo de minha mente.

—Só queria saber como meu caixa eletrônico está – eu podia sentir o desprezo em sua voz.

—Está fechado! – sibilei.

—Bella quem é? – Nik perguntou, entrando na sala.

Fiz sinal de silêncio, esperando que ela não tivesse sido ouvida. Nik me olhou preocupada, lendo, em meus olhos, medo. Edward também me encarou, curioso.

—Não está sozinha, Isabella? — riu, pronunciando meu nome de jeito tão assustador que enviou arrepios por minha coluna, meu coração disparando, em aviso: ele era perigoso. Por que ele ainda me afetava tanto? – Quem está aí com você? Seus pais idiotas? Ou aquela sua amiga desprezível?

—Não fale assim deles! – aumentei o tom – Se não quer dizer o motivo da sua magnífica ligação, eu já vou desligar!

—Bella! – Nik ralhou, seus olhos assustados – Me diga quem é! – era visível que ela desconfiava, mas não tinha certeza de com quem eu falava.

—É ela, não é? – James murmurou – Mande um "olá". Diga que eu sinto saudades – riu cínico.

—Amor... – Edward começou, mas ergui a mão, novamente pedindo silêncio.

—Adeus James – desliguei o telefone sem esperar por uma resposta, ou mais enrolações.

—Bella! – Edward e Nikole exclamaram ao mesmo tempo, claramente assustados, e tão surpresos quanto eu.

—O que ele queria? – Edward perguntou.

—Por que não mandou ele se foder? – Nik esbravejou – Como ele tem coragem de te ligar?

Suspirei, sentando-me no sofá.

—Eu não sei – tentei conter as lágrimas – Acho que ele queria dinheiro.

—O que ele pensa que você é? Um banco? Uma fonte de dinheiro?

—Eu não sei – repeti, a voz embargada.

—Bella, você tem dado dinheiro a ele? – Nik sentou-se ao meu lado, olhando em meus olhos.

—Não – respondi, desviando o olhar.

—Isabella. Não minta para mim – ela ralhou de novo.

—Depois que nos separamos eu cheguei, sim, a dar dinheiro para ele – voltei a olhar para ela – Mas só porque ele me ameaçou, ameaçou minha família. Você sabe que ele tem amigos espalhados pelas redondezas. Eu não poderia simplesmente arriscar a vida das pessoas que amo. Era um jeito de mantê-lo longe de mim.

—Bella, você tem ao seu lado a polícia de Forks inteira, e se bobear, das cidades próximas também. Se ele te ameaçou você deveria ter contado ao seu pai.

—Eu preferi não arriscar – expliquei – Na época em que ele me pediu eu estava tão fora de mim que acabei nem pensando direito, apenas dei-lhe o dinheiro.

—Bella – Edward se pronunciou, fazendo-me encará-lo – Não deixe que ele faça isso novamente. Se ele ameaçá-la de novo, avise seu pai, as autoridades...

—Tem que nos prometer – Nik interrompeu-o.

Fitei-os por alguns instantes, e dei-me por vencida, eles tinham razão, afinal.

—Está bem. Eu prometo.

O telefone tocou; o número, desconhecido novamente.

—Se for ele – Nik começou – Primeiramente mande-o se foder. Depois desligue.

Olhei-a perplexa. Pelo menos ela sabia que eu não faria isso realmente. Atendi ao telefonema.

—Pelo jeito os seus pais não lhe deram a devida educação – a mesma voz de instantes passados falou.

—Vá direto ao ponto. O que quer? – perguntei.

—Você costumava ser mais inteligente – murmurou – Será que esse tempo todo sozinha...

—Não quero saber – não sei como consegui cortá-lo tão facilmente – Apenas diga o que quer e me deixe em paz.

—Preciso de dinheiro – respondeu indiferente – Três mil e quinhentos dólares.

—O problema é seu...

—E seu também. Não se esqueça meu bem. Acidentes acontecem. Filhas irresponsáveis que deixam os pais a mercê de meus colegas, amigas desnaturadas que põem em risco a vida de suas melhores amigas. Oh, e ouvi dizer que está saindo com um cadeirante? Fazendo caridade ou não conseguiu nada melhor? – ele riu – Posso continuar falando até amanhã.

—Não pode não! Você não terá o dinheiro, nem nada mais meu.

—Pense bem, querida. Você tem até quarta-feira. Ligo na terça para te mandar o número de uma conta – podia senti-lo sorrindo, dando-se por vencido. E desligou.

Encarei o telefone em minhas mãos. Eu tinha mais pessoas ao meu redor do que antes: Nik e Damon tinham voltado e Edward entrara na minha vida; de algum modo James ficara sabendo sobre ele, provavelmente por um de seus "amigos". Como faria para protegê-los com tantas ameaças? Olhei para os dois.

—Ele quer mais de três mil dólares – comuniquei. Algo em meu semblante revelou-lhes que eu estava disposta a pagá-lo, mesmo não tendo todo o dinheiro em mãos.

—Ótimo. Vamos avisar Charlie – Nik pegou o telefone de mim.

—Não quero envolvê-lo nisso – roubei-lhe o aparelho de volta.

—Bella, isso é um absurdo. Não pode fazer o que ele quer – Edward se posicionou.

—Não posso simplesmente...

—Você não pode deixá-lo dominar a sua vida! – minha amiga esbravejou – Não de novo! Depois de tudo, Isabella, você não deve mais nada àquele ser desprezível! Nunca deve, aliás.

—Ele sabe que você está aqui. Ameaçou você também! E a Edward! Como acha que eu me sinto? Como acha que me sentirei se algo acontecer com você? Ou com meus pais, com o Edward ou qualquer outra pessoa que tenha uma ligação comigo? – desabafei, as lágrimas contidas já escorrendo por meu rosto – Mal aguento a culpa que carrego. Não posso perder mais ninguém! – sentia-me desesperada, por que eles não conseguiam entender? Mesmo que Edward não soubesse da história inteira, ele já havia percebido como James poderia ser perigoso, era irracional lutar contra ele.

—Você não pode carregar o fardo por algo que ele fez! – ela continuou – Muito menos bancar as atrocidades dele! Se você não quiser fazer por si mesma, pode deixar que ligarei para o tio Charlie – tirou o celular do bolso e se dirigiu para o seu quarto. Levantei-me, mas antes que pudesse alcançá-la, Edward me parou, sua mão tocando meu braço suavemente.

—Você sabe que ela está certa, Bella. O seu pai pode te ajudar, você só precisa aceitar.

—Ele é perigoso – minha voz saiu num sussurro, e me senti ainda mais culpada quando vi preocupação nos olhos de Edward. Sentei-me novamente no sofá – Me perdoe por isso. Não queria colocar sua vida em risco – toquei seu rosto.

—A culpa não é sua! – falou lentamente, como se para ter certeza de que eu tinha entendido — Não podemos ser responsabilizados pelas ações das outras pessoas, meu amor – mordi o lábio, evitando que um soluço escapasse. Como ele conseguia ser tão carinhoso, ainda que nesses momentos difíceis e perigosos?

—Eu não posso deixá-lo machucar mais ninguém!

—Mas também não pode deixá-lo controlar a sua vida! Não pode viver com medo! Se o seu pai puder ajudá-la, apenas aceite, será melhor. Quanto mais dinheiro você der, mais ele pedirá! – acariciou meu rosto.

—É um risco muito grande – contrapus – Ele não está sozinho.

—Fale com seu pai primeiro. Use o pagamento como último recurso.

—Está bem – concordei, torcendo para que tudo desse certo.

—Já liguei – Nik comunicou, voltando para a sala – Seu pai tem uma equipe à disposição. E ficou bravo quando soube que você já havia dado dinheiro para aquele traste.

—Você não deveria ter contado! – briguei.

—Ele merece saber – ela devolveu no mesmo tom – A equipe tentará rastrear a ligação, mesmo sendo improvável ele continuar com o mesmo número. Se ele ligar de novo, avise seu pai imediatamente. Essas foram as recomendações – continuou.

Nik pegou o telefone e procurou a chamada, em seguida mandou uma mensagem, provavelmente para meu pai, para informar o número.

—James disse que ligará terça-feira para confirmar.

—Perfeito. Na terça-feira faremos plantão para tentar localizá-lo! – ela sorriu, determinada – Vai dar certo, Bella – tentou me convencer.

—Espero que sim – murmurei, ainda desacreditada.

...

—Está tudo bem – Edward me assegurou pela milésima vez.

Já estávamos deitados, um de frente para o outro depois da tarde estressante. Eu ainda me culpava por ter aceitado a ideia deles de envolver a polícia no caso. Seria muito mais fácil apenas pagar James e deixá-lo sumir de minha vida, mesmo que o risco de ele voltar a me perturbar depois não diminuísse com o dinheiro.

—Vocês têm razão em uma coisa: se eu der o dinheiro, ele deverá querer mais depois de um tempo, isso não teria fim – afirmei, olhando-o.

—Ainda bem que concordou – ele sorriu.

—Obrigada – murmurei, abraçando-o pelo pescoço, sentindo seu cheiro, me acalmando pelo contato.

—Pelo quê?

—Por não ter ido embora depois de hoje. Você ainda tem uma casa, poderia ter decidido ficar quando passamos por lá. E, sinceramente? Achei que preferiria voltar depois das ameaças – respondi, afastando-me para olhá-lo novamente.

—Não desistirei de nós – olhou em meus olhos intensamente – Pode tirar essa ideia da sua cabeça! – acarinhou meu rosto – A não ser que você queira que eu vá embora, ficarei aqui.

—Não quero que vá embora – neguei rapidamente – Preciso de você!

Admitir isso, por mais assustador que fosse, pareceu tirar um peso de meus ombros. Não queria criar uma dependência emocional por alguém, não de novo, e precisaria trabalhar para que esse fato não tomasse proporções incontroláveis a ponto de eu cair novamente e não conseguir mais me levantar, dessa vez, para sempre; eu tinha certeza de que não aguentaria outra queda, o abismo era apavorante e dele só queria distância.

—Também preciso de você. E tenha certeza de que não só financeira ou fisicamente. Quero você por inteiro, e se não estiver pronta, eu posso te esperar – sorriu lindamente e sorri de volta.

—Estou me reconstruindo aos poucos – revelei, sincera — Há coisas que não admito nem para mim mesma, que permiti ficarem escondidas dentro de mim por tanto tempo, que deixá-las saírem agora se parece como uma permissão para elas me atacarem novamente. Eu não me perdoei e não posso pedir para ninguém entender isso, muito menos todos os acontecimentos anteriores e posteriores a... – suspirei, incapaz de completar a frase, e desviei o olhar do dele.

Edward's POV

—Tudo soa desconexo, confuso, não consigo te entender plenamente, é como se falasse através de enigmas, como um quebra-cabeças, quando fala do seu passado – falei-lhe – Eu vejo que lhe dói muito, o que quer que seja. Saiba que eu sinto muito. Você é uma pessoa boa, e, sem dúvidas, não merecia nem merece continuar sofrendo pelo seu passado. Quando quiser me contar, não vou te julgar, pode ter certeza – beijei o topo de sua cabeça carinhosamente.

Bella estava nervosa desde a ligação e tudo o que eu queira era deixar claro que continuaria a permanecer ao seu lado, e por maior o mistério que me aguardava a respeito de seu passado, eu queria a sua confiança.

Ela ficou alguns instantes calada, e achei que a conversa havia morrido, mas ela me surpreendeu quando voltou a olhar para mim, abrindo e fechando a boca algumas vezes, como se ainda em dúvida sobre o que iria dizer.

—Eu já tive uma filha, Edward – e em seus olhos eu pude ver todo amor e também toda dor que ela carregava. Ela teve uma filha, o que significa que ela não a tem mais, e era extremamente compreensível que Bella não quisesse falar sobre o assunto. Inconscientemente ou não, ela levou a mão direita ao pulso esquerdo, o pulso da tatuagem e então algumas peças do quebra-cabeças: a tal paciente que morrera em cirurgia era, na verdade, filha dela! – Me culpo por ela não estar mais aqui e fiz coisas que hoje me arrependo, mas na época pareciam ser a única saída – algumas lágrimas escorreram por sua face. Em seguida ela ficou em silêncio, olhando em minha direção, mas não realmente me vendo.

Deitei-a contra meu peito, sentindo suas lágrimas molharem minha camiseta e segurei seu corpo próximo ao meu, enquanto ele se sacudia levemente com seus soluços.

—Sinto muito – sussurrei contra seus cabelos, sentindo-a aos poucos relaxar e logo adormeceu em meus braços.

Notas finais
Espero muitooo que tenham gostado ♥ Sobre o próximo capítulo, não posso prometer nada para essa semana (até domingo 30/4) porque no sábado será aniversário da minha irmã e eu estou encarregada da cozinha e na quarta-feira vou sair com ela para comprar as decorações e tudo mais. E amanhã tenho médico (enfim, essa semana está cheia:( Porém, se domingo eu não estiver morta, prometo que tentarei escrever, nem que o cap fique mais curtinho, como o anterior. Por outro lado, eu já tenho ideias para o próximo cap (provavelmente será menor que esse mesmo), haverá senão um, dois flashbacks. Spoiler: será desse momento em que a Bella ficou olhando pro Edward "com olhar distante", alguém consegue adivinhar no que ela estava pensando? Alguém também consegue adivinhar o que aconteceu com a filha da Bella? (A MiSwan já acertou muita coisa, lembro dos comentários dela chutando sobre o James, e posso dizer, Mi, você tá fazendo cada golaço que parece que entrou na minha mente, rsrs) Palpites? E o que será que ela fez, pra dizer que "se arrepende de algumas coisas"? Digam o que acharam do capítulo. Amo vocês, obrigada pelo apoio ♥ Mari.