O Amor Vence Tudo
2 "Fazer O Que Eu Faço de Melhor"
Notas iniciais
Bella POV
Mais um dia tedioso de trabalho. Trabalhava num hospital, mas era como um consultório, ou seja, as pessoas precisavam marcar as consultas. Eu havia me formado em pediatria e cirurgiã, mas nesses últimos anos, meu coração pediu que eu trabalhasse como pediatra. Decidi sair de minha sala e perguntar à Jane (minha secretária) quantas crianças ainda teria que atender hoje:
–Dra. Swan, a próxima consulta será apenas às 19h30min – respondeu Jane – E depois às 21h00minh, e se encerra o expediente.
Ótimo! Ainda eram 15h20minh, pensei olhando o relógio.
–Obrigada. E amanhã? – perguntei.
–Amanhã você não terá nenhuma consulta de manhã, até agora, uma às 14h00minh, 17h00minh, 19h20min, 20h00min, e a última às 21h30min.
–Ok! Se ninguém ligar até as 17h00minh, você pode ir embora – falei.
–Obrigada – agradeceu.
–De nada. Eu já volto.
Ela apenas assentiu. Saí do prédio, e segui para o prédio principal. Fiquei andando por lá, até que cerca de 15min depois, uma ambulância chegou com três médicos que entraram correndo com um rapaz numa maca. Uma das médicas era Rosalie – que trabalhava comigo – parou arfando.
–O que aconteceu? – perguntei.
–Um rapaz sofreu um acidente grave e provavelmente precisará de cirurgia. Eu não posso infelizmente fazer nada, não sou cirurgiã. Detesto dizer isso, mas só tem você hoje.
–Como assim só eu?
–Alguns cirurgiões tiraram folga, outros já estão de cirurgias marcadas – ela me olhou, eu provavelmente estava com uma feição assustada, e para me animar ela disse – Vamos lá Bella! Você precisa fazer o que faz de melhor: salvar vidas!
Rose sabia por que eu havia desistido de trabalhar como cirurgiã: a minha primeira e única cirurgia no ser que eu mais amava havia resultado tragicamente em morte. Mas agora uma vida dependia de mim, ou melhor, da minha escolha. E por puro medo, eu deixaria de pelo menos tentar salvar esse rapaz? Não! Eu não poderia fazer isso.
Sai correndo de onde estava direto ao elevador, que demora muito para chegar nos andares.
–Aonde vai Bella? – Rose perguntou gritando
–Fazer o que eu faço de melhor! – devolvi o grito sorrindo, recebendo, assim, seu sorriso de volta – Qual é o andar? – perguntei.
–4º andar, quarto 36.
O elevador estava demorando muito, decidi, então, subir de escada. Subi rapidamente e parei em frente à porta de nº 36:
–Oi Bella – disse o Dr. Newton – o paciente Edward Cullen aparentemente perdeu a sensibilidade nas pernas, nós, ainda não fizemos os exames, preferimos que você os fizesse.
–Tudo bem.
–Ele está acordado? – perguntei.
–Sim, – respondeu Dra. Angela Weber saindo do quarto – ele acordou tem uns 5 minutos.
Entrei no quarto e, não havia mais ninguém com ele, que estava acordado, fitando o teto.
–Olá – disse, e ele apenas apertou o botão de sentar na da cama, e a cabeceira começou a inclinar. Sua expressão era triste. Havia alguns cortes por seu rosto, e um corte profundo em seu braço direito, mas já haviam cicatrizado e passado alguma pomada – sou a Dra. Swan. Prazer em conhecê-lo.
–Oi – disse com a voz fraca – sou Edward. O prazer é todo meu.
–Vou fazer um exame em você – disse –Podemos começar?
Ele apenas assentiu. Toquei com força sua perna esquerda:
–Sentiu alguma coisa? – perguntei.
–Não – respondeu ainda mais triste.
Toquei a outra perna.
–Também não – disse Edward.
Toquei seus braços.
–Aqui sim – disse ele.
–Tente mexer uma das pernas – pedi.
Vi ele fazendo um grande esforço, mas não estava conseguindo.
–Não consigo – disse ele desapontado.
–Tudo bem – tentei reconfortá-lo – Você deve estar cansado, tentaremos mais tarde. Mas, agora eu preciso que responda algumas perguntas.
–Ok – concordou ele.
–Nome completo – disse pegando uma ficha e caneta.
–Edward Anthony Masen Cullen
–Data de nascimento.
–Vinte de junho de mil novecentos e oitenta e oito.
–Pais.
–Esme Masen e pai que prefiro não lembrar.
–Pode informar o nº de celular da sua mãe, para podermos comunicá-la?
–Não, ela não poderia atender – respondeu ele.
–Tem alguém de sua família...
–Não – cortou-me – sou sozinho, não tenho ninguém.
Quando ia fazer a próxima pergunta, meu celular vibra no bolso.
–Só um minuto – pedi.
–Claro – disse ele.
Era Jane:
–Alô, Dra. Swan? – perguntou Jane.
–Sim – respondi.
–Sua próxima consulta será daqui a dez minutos.
–Ok. Eu já estou indo.
Desliguei o celular.
–Dra. Swan – chamou Edward.
–Sim?
–Eu...não tenho como pagar o hospital, então peça que me mandem para um hospital público, por favor – admitiu envergonhado.
–Vou dar um jeito nisso – prometi – Mas agora eu tenho que atender um paciente.
–Tudo bem – disse ele se esforçando para sorrir.
–Vou pedir para o Dr. Newton terminar a sua ficha. E a noite eu volto.
–Obrigado.
Assenti e segui para meu consultório não sem antes falar para Mike terminar a ficha de Edward. Atendi a paciente e decidi falar com meu chefe.
–O Dr. Cullen está? – perguntei à Victória, sua secretária.
–Está sim Bella, vou anunciar sua chegada – disse ela sorrindo.
Devolvi o sorriso.
–Dr. Cullen, a Dra. Swan está aqui – disse ela. Em seguida, colocou o telefone no gancho – Pode entrar.
Agradeci e bati na porta de meu chefe.
–Entra! – gritou Dr. Cullen.
Entrei e fechei a porta, logo em seguida sentando-me na cadeira de pacientes.
–Sobre o que quer falar, Bella? – perguntou curioso.
–Eu queria saber se o paciente que chegou hoje, chamado Edward Cullen tem algum grau de parentesco com o senhor, e se sim, você terá de pagar os dias que ele ficar aqui, e também uma fisioterapeuta, afinal, ele está paraplégico – disse a ele.
–Edward Cullen. Não, não mesmo – respondeu, mas percebi que não havia total sinceridade no que falava.
–Será que nós podemos oferecer os cuidados de graça para ele? – perguntei receosa.
–NÃO! – quase gritou ele – Não vou permitir isso, e você sabe que essa é a primeira regra deste hospital: Não paga, não fica! Espero que tenha entendido.
–Sim, claro
Saí da sala e fui à entrada do hospital:
–Olá, gostaria de informar que eu irei pagar os dias que o paciente Edward Cullen precisar ficar no hospital.
–Oi, Bella! – disse Allison, uma das recepcionistas. Passei os dados de Edward, e prometi que visitaria a ela e seus filhos, coisa que já deveria ter feito.
Pronto! Estava resolvido! Eu iria pagar os dias pela estada de Edward no hospital, até o dia em que saísse. Mas também sabia que havia algo estranho sobre a familiaridade dele e de Carlisle. O estranho é que realmente ninguém apareceu para ver Edward, o que comprova o que ele disse: é sozinho e não tem ninguém. Bateu uma dor no coração, fiquei com pena dele. Voltei a meu consultório e dispensei Jane. Atendi os últimos pacientes e decidi levar o jantar de Edward. Peguei-o na cozinha do hospital e segui para seu quarto. Cheguei, e bati na porta:
–Entra – disse ele.
Sua voz estava diferente, bem mais forte, o que me fez sorrir. Abri a porta...
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