O Amor Vence Tudo
19 A Casa Masen + Ligação Misteriosa
Notas iniciais
Edward's POV
Nós descemos e seguimos para o portão de madeira. Peguei a chave reserva que se encontrava na caixa de correio e o abri. Seguimos mais adiante, e reparei em como a grama estava alta, prova de que não era cortada há dias; ao nos aproximarmos da porta, senti um aperto no peito no momento em que as lembranças chegavam à minha mente, sendo todas elas com a minha mãe.
Respirei fundo e abri a porta. O cheiro de casa me invadiu, o cheiro que eu associava a minha mãe. Tudo estava exatamente como havia deixado, o tempo parecia ter congelado.
—É a sua casa – Bella simplesmente afirmou.
Assenti, olhando-a. Ela me observava com um misto de medo e, talvez, desespero em seus olhos que me assustou.
—Você precisa de um tempo sozinho? – perguntou delicadamente.
—Não! Vocês podem se acomodar no sofá, só preciso ir ao quarto – respondi-lhe já me locomovendo para o cômodo.
Era um cômodo pequeno, como os outros, mas era o mais especial, afinal, foi onde passei a maior parte da minha vida, ao lado de minha mãe. Por não termos muito dinheiro, eu e ela dividíamos o quarto, por isso, havia duas camas de solteiro, assim como dois modestos guarda-roupas.
Dirigi-me até minha mesa de cabeceira e abri a primeira gaveta. Tinha cerca de 500 dólares em dinheiro e o cartão de crédito de minha mãe. Não era muito, mas poderia ajudar a Bella, pelo menos a pagar algumas despesas.
Achei uma mochila antiga e guardei nela alguns pertences como roupas, objetos, algumas fotos e o dinheiro, depois voltei para a sala.
Bella's POV
E se ele resolvesse ficar? Se se decidisse que estava melhor sozinho, aqui, onde crescera? Milhares de perguntas rodeavam minha mente, e, para elas, nenhuma resposta era exatamente satisfatória.
—Bella? – Nik chamou minha atenção, passando os dedos na frente de meu rosto – Fique calma, vamos nos sentar um pouco! – puxou-me pelos braços até o pequeno sofá de dois lugares – Aqui é bem aconchegante – murmurou, observando ao redor.
—Sim – concordei, fazendo o mesmo.
Era uma casa pequena, mas o ar que trazia era exatamente o que propunha: um lar repleto de amor e união.
De onde estávamos sentadas, podíamos ver a cozinha, inteirada com a sala de jantar e estar, assim como uma porta entreaberta, por onde Edward havia entrado.
A decoração da casa era simples, mas de muito bom gosto; dava para perceber que tudo fora conquistado com muita luta, esforço, e claro, muito amor.
Na mesinha de centro da sala, um livro grosso com a capa preta. Peguei-o curiosa. Ri, ao abri-lo e ver do que se tratava.
—O que foi? – Nik perguntou, tentando espiar.
—Mais um álbum para hoje – mostrei-lhe.
As primeiras fotos eram de Edward, provavelmente recém-nascido, no berço e no colo de sua mãe. Por sinal, ela era linda. Tinha os cabelos exatamente no tom dos de Edward: castanho acobreado e olhos também verdes.
Nas fotos seguintes, sua infância, e em seus olhos de criança pude ver o quanto amava estar com sua mãe e como eles eram felizes apesar de todas as dificuldades.
Nas últimas páginas havia duas fotos grandes preenchendo cada uma. Do lado esquerdo, uma foto de corpo inteiro de Edward e sua mãe na formatura do Ensino Médio dele. Ele vestia uma beca azul, o capelo, e segurava o diploma; com ele, sua mãe, linda, com um vestido preto básico e maquiagem suave. O sorriso deles era idêntico, e pela pouca diferença de idade, poderiam ser confundidos como irmãos.
A última foto mostrava Edward fardado, com o uniforme do exército, aparentava estar feliz, mas, por algum motivo, o sorriso não chegava a seus olhos.
—Meninas? – a voz dele soou, um pouco distante. Ergui os olhos do álbum, encontrando os dele, que nos fitava.
—Ela era linda! – sorri – Agora sei a quem puxou – brinquei.
Ele abriu um sorriso verdadeiro, o primeiro desde que chegáramos e se aproximou de nós.
—Ela era mesmo – concordou, olhando para o álbum em minhas mãos – Peguei algumas coisas que gostaria de levar para o seu apartamento, se não se importar.
—Claro que não! Mas leve o álbum também – entreguei-o e Edward colocou-o numa mochila.
—Vamos embora?
—Precisa de mais alguma coisa? Podemos ficar mais se você quiser – eu sabia, não importava quanto tempo se passasse desde a morte de sua mãe, ele sempre sentiria a falta dela, e aquela casa era o elo mais profundo entre eles; sempre que ele voltasse, também todos os sentimentos e recordações retornariam, e eu queria que ele tivesse a chance de vivenciá-los depois dessas semanas longe de casa.
—Não. Peguei tudo o que queria – respondeu-me.
—Então vamos – concordei, me levantando. Nik fez o mesmo e voltamos para o carro.
...
Passamos numa padaria, compramos algumas coisas para o café da tarde e fomos para meu apartamento.
—Vou preparar o café – Nik se pronunciou, já indo para a cozinha.
Comecei a arrumar a mesa quando o telefone tocou. Não hesitei em atendê-lo, mesmo o número sendo desconhecido.
—Alô. Quem é? – perguntei.
—Sou eu – paralisei ao reconhecer a voz daquele que assombrava meus pesadelos. O que mais ele queria tirar de mim?
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