O Amor Supera Tudo
23 Primeira Consulta
Notas iniciais
P.O.V Da Sam
Hoje estou completando 3 meses de gestação, e daqui à pouco estarei indo fazer minha primeira consulta. Consulta da qual eu estava adiando há semanas, pois eu não queria passar por exames gestacionais. Sei que o Pré-natal e acompanhamentos médicos são de extrema importância durante a gravidez, mas eu realmente não estava preparada para passar por essas consultas.
E por insistência da tia Kath eu aceitei, e agora vou me arrumar para irmos para uma clínica fazer minha primeira consulta.
Ainda de lingerie, eu me olho no grande espelho que há no meu quarto, minha pele está muito pálida, meus seios cresceram e estão ficando apertados no meu sutiã de tamanho 34. Já não estou mais conseguindo esconder minha barriga, ela está vísivel demais e tia Kath disse que o tamanho não é normal pra quem acabara de completar 3 meses de gestação.
Bufo, enquanto me viro mudando de ângulos e observo cada ângulo refletido no espelho. Me sinto gorda, e não estou gostando disso. Enfim, visto um vestido branco soltinho, uma jaqueta preta e meus Sneakers da mesma cor da jaqueta. Faço uma simples trança lateral, termino de me arrumar depois de fazer uma simples e neutra maquiagem.
[...]
— Pensei que já tinha desistido de ir para sua consulta. — Comenta tia Katherine assim que cheguei na sala, ela estava me esperando no sofá.
— Estou pronta. Vamos? — Pergunto ajeitando minha bolsa no meu ombro direito, ela assente se levantando do sofá e saimos de casa, indo direto para seu carro estacionado ao lado da calçada.
40 minutos depois...
Acabamos de entrar na Clínica, e estou me sentindo desconfortável, as cores brancas das paredes, a claridade e o cheiro do local estão me deixando nauseada. Nunca gostei de hospitais, e não vejo a hora de ir embora desse lugar.
Minha tia já havia marcado minha consulta, e não demorou para meu nome ser chamado. Me encaminho para o consultório de uma tal de doutora Parker, com passos lentos e com tia Kath ao meu lado.
Assim que adentramos o consultório, aonde seriam feitos alguns exames, eu me senti nervosa e insegura. E antes dos exames começarem, a doutora Parker iniciou uma conversa, na verdade, foi uma sessão de questionamentos dos quais não me senti nem um pouco confortável em respondê-los.
[...]
Alguns exames básicos como a retirada de sangue já foram feitos, minha pressão foi medida, e agora irei fazer minha Ultrassom. Deitei na maca e fiquei esperando a doutora iniciar os procedimentos, o monitor para mostrar a imagem do bebê foi ligado e tia Kath parece está mais ansiosa que eu.
— Está preparada para ver a primeira imagem do seu bebê? — Perguntou a doutora com um doce sorriso.
Assinto, forçando um sorriso, estou tão nervosa que se eu não tivesse deitada na maca já teria caído. Ela passou um tipo de gel esverdeado e gelado na minha barriga, e com um aparelho próprio para esse tipo de exame, ela passou na região onde estava o gel.
Depois de alguns segundos, sinto algo apitar e está vindo do monitor para onde a doutora está olhando atentamente e eu não sinto coragem de olhar.
— São os batimentos vitais do bebê? — Pergunta tia Kath sorrindo.
A doutora Parker não responde, e sua expressão de serena mudou para séria, prevejo que há algo de errado.
— Parabéns mamãe, são trigêmeos! — Diz ela dando um leve sorriso, mas seu olhar não nega, ela está preocupada.
Fico chocada, meu corpo paralisou, e só os barulhinhos vitais vindo do monitor que quebram o silêncio.
— Trigêmeos? — Perguntou minha tia, num fio de voz.
— Sim, são trigêmeos e sinto muito em lhes informar que é uma gravidez de risco! — Informa ela alternando olhares entre mim e minha tia.
Continuo calada, chocada e atordoada demais para digerir todas essas informações. Trigêmeos? Gravidez de risco? Não, isto não pode ser verdade.
— Tem certeza, Doutora? — Pergunto baixinho, sentindo um bolo se formar em minha garganta.
— Sim, querida. Dê uma olhada no monitor, veja as imagens de seus bebês. São bivitelinos! — Diz ela. Por fim, tomo coragem e olho para o monitor ao meu lado direito.
A imagem não está tão nítida, mas eu consegui ver 3 pequenos fetos, são tão pequenininhos e são meus pois estão dentro de mim, eles fazem parte de mim e também tem o sangue dele.
Suspiro, a imagem de Freddie aparece na minha mente por míseros segundos. Lágrimas grossas e quentes descem por meu rosto, não me preocupo em limpá-las.
Estou com medo, estou desesperada. Como conseguirei cuidar de três filhos sendo uma mãe solteira?
[...]
Os exames terminaram, então a Doutora Parker conversa comigo e decreta uma série de cuidados rígidos que devo tomar a partir de agora. Ela me passou uma receita de vitaminas e uma lista de coisas que não devo mais fazer, pois colocaria minha saúde e as dos bebês em riscos.
Me sinto andando em uma corda bamba, e a insegurança e o medo só aumentam.
[...]
Agora estamos voltando para casa, tia Kath está quieta e preocupada. Bem, que ela disse que minha barriga estava grande demais para uma gestação de apenas 3 meses. Me sinto perdida, não sei o que vou fazer...
— Trigêmeos! — Fala ela sorrindo e balançando a cabeça, observo sua expressão e parece que ela está curtindo uma piada íntima.
— A senhora está rindo para descontrair? — Pergunto séria.
— Na verdade, não... Desculpe! Mas... O Benson não é fraco, entende o que quero dizer? — Pergunta corada.
Suspiro, e o pior é que ela está certa. Era a minha segunda vez e logo engravido de trigêmeos?
— Fica tranquila, vai dar tudo certo, meu bem! — Falou ela sorrindo.
Não, não vai. Reprimo a vontade de gritar, não posso me alterar. Enfim, chegamos, saio do carro e tento manter a calma.
Assim que adentramos, eu subi para o meu quarto e me tranquei no mesmo,e me permiti chorar.nChorei e chorei até que as lágrimas parassem de banhar meu rosto.
O que vai ser de mim agora com três filhos para criar?
Se eu morrer durante o parto?
E se um deles não puder sobreviver?
Será que vou conseguir ser uma boa mãe?
Oh! Meu Deus! Estou com medo, com muito medo. Não sei o será da minha vida daqui pra frente.
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