O Amor Supera Tudo
32 Perdão
Notas iniciais
P.O.V Do Freddie
Quando a Sam me viu, ficou paralisada e muito pálida, e notei que ela estava prestes à desmaiar.
— Sam! — Falei, desesperado, vendo-a cambalear apresentando um estado de tontura, me levantei rapidamente e corri conseguindo segurá-la. Ela havia desmaiado em meus braços.
Em poucos segundos, uma roda de gente se formou ao nosso redor, as pessoas pareciam assustadas e preocupadas, olhando para a Sam desacordada em meus braços.
— Saiam da frente! — Ordenou uma voz masculina, quase gritando e logo surgiu um rapaz que abriu caminho entre as pessoas que me cercavam. — Sam! — Ele exclamou preocupado, se aproximando de mim. — O que aconteceu com a minha namorada? — O rapaz alto de pele clara, cabelos castanhos e olhos esverdeados perguntou me olhando.
Senti um aperto no peito, a Sam já têm namorado? Eu não posso acreditar nisso. Não, ela é minha e não pode ficar com mais ninguém.
— Ela passou mal e desmaiou! — Falei e ele rapidamente a tomou dos meus braços. Fiquei parado olhando ele sumir de vista, levando-a para longe de mim.
[...]
— Desculpe, eu nem te agradeci por ter socorrido a minha namorada. Obrigado, se não fosse você, ela teria caído e se machucado! — Disse o rapaz.
— Não precisa agradecer! — Falei sem tirar os olhos da minha Sam.
Estamos na cozinha, e a Sam está sentada enquanto termina de esvaziar um copo d'água com açúcar. Ela nem consegue falar, está nervosa e assustada, está segurando o copo com as mãos trêmulas e nem sequer me olhou depois de ter retomado a consciência.
— Está tudo bem, amor? O que aconteceu? Por quê está tão abalada? — Ele perguntou acariciando o cabelo dela.
Ela não respondeu, apenas me olhou com os olhos marejados.
— Qual é o seu nome? — Ele perguntou para mim.
— Freddie Benson! — Respondi me levantando e ele me olhou chocado.
— Você é o maldito que desgraçou a vida da Sam? — Perguntou furioso, se aproximando. — Vai embora antes que eu quebre a sua cara! — Ele parou na minha frente, e eu não me intimidei por ele ser maior que eu.
— Não irei a lugar algum, eu vim vê-la. Preciso falar com ela! — Avisei com firmeza e ele forçou uma risada.
— Olha, cara é melhor você ir embora. Você não é bem-vindo aqui, é melhor cair fora antes que eu mesmo te tire daqui! — Ameaçou, me olhando com raiva.
— Já falei que eu não irei. Meu assunto é com a Sam, apenas com ela. — Afirmei.
— Ah, eu te avisei, mas foi você que...
— Não, Gibby. Pare com isso! — Sam se levantou da cadeira rapidamente. Olhei para ela que estava quase chorando.
— Eu não quero esse desgraçado perto de você... AGORA VAI DEFENDÊ-LO DEPOIS DE TUDO QUE ELE TE FEZ? — O tal de Gibby esbravejou.
Todos que estavam em serviço trabalhando na cozinha pararam para nos olhar.
— Por favor, pare com isso, Gibby! — Sam pediu quase suplicante. — Não grite, não fale assim. Você não entende...
— EU ENTENDO SIM. DROGA! NÃO VÊ QUE ELE SÓ VEIO PARA TE INFERNIZAR? VOCÊ DEVIA FICAR LONGE DESSE MALDITO. EU SOU O SEU NAMORADO E EU SÓ QUERO O SEU BEM! — Ele explodiu de tanta raiva, berrando com ela que se encolheu assustada.
Resolvi não me intrometer, afinal, eles são um casal e em discussões de casais não é conveniente ninguém se intrometer.
Ela o olhou magoada e apenas saiu da cozinha correndo, chorando.
— Isso é tudo culpa sua! — Ele acusou, apontando para mim e em seguida foi atrás dela.
[...]
P.O.V Da Sam
Minha cabeça estava quase explodindo. Eu só queria pegar meus filhos e sumir, ir para bem longe de tudo e todos. Como ele me achou? Por quê veio atrás de mim? Diversas perguntas se passavam pela minha cabeça e eu não encontrava nenhuma resposta.
— SAM! — Ouvi o Gibby gritando o meu nome desesperadamente. Ignorei e entrei no meu carro, e logo dei partida sem me importar de colocar o cinto.
As lágrimas embaçavam minha vista, vê-lo novamente me trouxe tantas lembranças. Lembranças boas e ruins, meu coração ficou apertado e meus sentimentos ficaram confusos.
Quando me dei conta, eu já havia dado a volta e estava retornando ao restaurante. Ele queria falar comigo e eu não poderia fugir, seria covardia. Dedici enfrentá-lo de cabeça erguida e ouvir tudo que ele tinha para falar.
Assim que sai do carro, encontrei Freddie deixando o restaurante. Apressei os passos, me encaminhando até ele.
— O que você quer? Por quê veio atrás de mim? — Questionei irritada quando parei na frente dele.
— Será que poderíamos conversar em outro lugar? — Perguntou me encarando. Meu coração estava disparado e eu ainda estava tremendo. Assenti sem ter outra escolha e caminhamos em silêncio até o meu carro.
10 minutos depois...
Estacionei meu carro perto de uma lanchonete.
— Pode falar. — Pedi sem olhá-lo.
— Nós vamos mesmo ficar aqui? — Perguntou.
— Sim. Prefiro conversar aqui mesmo no meu carro, ninguém pode nos ouvir e nem nos interromper. — Falei.
— Podemos ir para a sua casa!
— Não, definitivamente não! — Quase gritei. Ele não pode ver meus filhos, jamais. Eu não quero que ele saiba que é pai.
— Não precisa ficar nervosa... Eu só quero conversar com você!
Olhei para ele e fiquei calada, esperando ele falar o que tinha para me dizer. Deve ser importante ,se não fosse ele não estaria aqui, certo?
— Sam, eu vim aqui para te pedir perdão! — Ele falou me encarando.
Será que entendi direito? Ele está mesmo me pedindo perdão?
— Você se arrependeu... — Senti meu olhos marejarem. — Eu poderia muito bem dizer que nunca irei te perdoar, mas eu não posso te negar meu perdão! — Nesse momento, eu já estava chorando.
— Então, você me perdoa? — Sussurrou e eu assenti, desviando o olhar.
— Nós dois erramos... E o meu pior erro foi ter me apaixonado por você. Eu te seduzi, você até tentou relutar, mas eu insisti. Aquela noite na sala de jogos eu estava disposta a me entregar para você, e eu nem tinha noção do quanto aquilo era errado. Mas eu queria você, eu estava louca pra ser beijada por você e se o tio Robert não tivesse chegado, nós teríamos transado em cima daquela mesa de sinuca. — Afirmei relembrando da noite em que nos beijamos pela primeira vez.
— Também errei em ter caído em tentação. Você tinha apenas 16 anos e sempre foi minha filha adotiva, e de repente estávamos nos agarrando na sala de jogos. E naquela noite que te forcei a transar comigo, eu havia perdido a cabeça. Eu estava louco de tesão, não me controlei, você já estava semi-nua na minha cama... — Ele disse com pesar.
Estremeci lembrando daquele dia horrível.
— Mas eu realmente queria transar com você, mas fiquei com medo... Medo de sentir dor! — Confessei, constrangida.
— Eu sinto muito por tudo, era a sua primeira vez e eu te violentei porque fui um canalha que não teve paciência!
— Nós transamos também no banheiro, eu senti prazer, mas você estragou tudo quando me tratou mal depois. Me chamando de vadia... E eu te dei aquele tapa e você me deu uma surra! — Falei com raiva lembrando que se não fosse meus tios terem escutado meus gritos, ele teria me espancado até a morte.
Eu havia engravidado quando transamos no banheiro, pois quando ele me violentou quatro dias depois a minha menstruação desceu. E meus filhos não foram frutos de um estupro... E agradeço a Deus por isso!
— Eu sinto muito! — Ele disse arrasado.
Olhei para ele e vi as lágrimas banhando seu rosto.
— Mas você pagou por tudo que fez e eu segui em frente, agora estamos bem. Eu não sinto rancor, pode ir embora tranquilo, eu já te perdoei! — Dei um pequeno sorriso, sendo sincera.
— Têm certeza? Você não me odeia? — Perguntou, me encarando.
— Eu tentei te odiar, juro que tentei, mas nunca consegui! Eu realmente segui em frente sem mágoas, terminei meus estudos e agora tenho meu próprio restaurante. Eu cresci, amadureci, não sua mais aquela Sam mímada e rebelde de 16 anos. — Revelei.
Não era totalmente verdade, eu havia trancado minha faculdade para me dedicar aos meus filhos. Mas eu havia terminado o colegial, decidi cursar Gastronomia e por isso me encantei pela Culinária.
— Estou orgulhoso. Você realmente se transformou numa mulher incrível, tão decidida, dedicada e forte! — Falou sorrindo.
— E você continua o mesmo. Fiquei sabendo que não mora mais na mansão e que perdeu sua empresa. Onde você mora e o que está fazendo para se sustentar? — Perguntei.
— Comprei um apartamento e continuo sendo um milionário. Tenho uma conta bancária recheada, Sam. Que tal entrarmos nessa lanchonete? Eu não jantei e estou com fome! — Ele avisou e eu concordei.
— Lasanha, Vinho branco e de sobremesa, a sua chef? — Perguntei lembrando do que estava escrito no bloquinho que David havia me entregado. — Quanta ousadia, hein? Eu devia ter jogado aquela lasanha quente na sua cara. Eu sou comprometida e meu namorado é muito ciumento! — Avisei séria.
— Percebi! — Disse quando saímos do carro.
[...]
— Há quanto tempo está com ele? — Perguntou quando estávamos esperando nossos pedidos chegarem.
— Quatros meses. Conheci o Gibby no avião quando estava vindo para NY, nos tornamos amigos e no meu aniversário desse ano, ele me pediu em namoro! — Contei.
— Você o ama? — Pergutou com os olhos fixos aos meus.
Fiquei calada sem saber o que responder, o silêncio se prolongou e eu não conseguia negar e nem afirmar. Era difícil, muito complicado mesmo, eu sempre amei o Gibby como meu melhor amigo, ele sempre esteve ao meu lado. Sempre me deus forças, sempre me ajudou e ama meus filhos como se fossem dele.
Meu celular tocou, pedi licença e rapidamente me retirei dali, indo para fora do estabelecimento.
— Onde você está, amor? — Era o Gibby e estava muito preocupado.
— Estou em casa! — Menti.
— Estou tão preocupado com você, eu já vou fechar o restaurante e vou para o seu apartamento, ok?
— Não. Não precisa, eu ficarei bem, só preciso descansar. Estou com tanta dor de cabeça! — Menti novamente. — Amanhã conversamos, ok? — Ouvi ele suspirar.
— Okay! — Concordou. — Tudo bem... Tchau! — Se despediu, ele estava chateado. E me senti mal por está o enganando.
— Tchau! — Falei e desliguei. Guardei meu celular na bolsa e logo voltei para dentro da lanchonete.
Nossos pedidos haviam chegado, ocupei meu lugar novamente. Eu estava sem apetite, peguei uma batata frita e comi lentamente, fiquei olhando para o meu lanche evitando olhar para Freddie, que estava sentado à minha frente.
— Sei que está incomodada com a minha presença, não precisa ficar, se quiser ir embora...
Ele foi interrompido pelo meu celular que tocou de novo, o tirei da bolsa. Era a babá do meus filhos.
— Aconteceu alguma coisa? — Perguntei preocupada, eu podia ouvir o choro da minha filha. E a babá nunca havia me ligado antes.
— É a Jasmin, ela está ardendo em febre! — Avisou me deixando ainda mais preocupada.
— Em menos de 10 minutos eu chego aí... — Avisei desligando e me levantei apressada.
— Algum problema? — Freddie perguntou se levantando também.
"Sim, a sua filha está ardendo em febre!" Respondi mentalmente.
— Desculpe, mas eu preciso ir. — Avisei e sai dali sem me despedir, fui embora ouvindo ele gritar o meu nome, ignorei e corri para o meu carro.
[...]
P.O.V Do Freddie
Deixei o dinheiro em cima da mesa para pagar a conta e saí correndo atrás da Sam. Quando cheguei lá fora, vi ela dando partida, saiu em alta velocidade.
— Droga! — Resmunguei observando seu carro sumir de vista.
Ela foi embora desesperada, nem sequer se despediu. Aquela ligação a deixou muito preocupada, eu vi isso através de sua expressão. Antes ela estava tensa e de repente ficou preocupada. O que poderia ter acontecido?
Mas eu só tenho certeza de uma coisa, eu nunca desistirei dela. Irei reconquistá-la, pois a amo demais para desistir de ter seu amor de volta. Agora posso dormir tranquilo, sabendo que fui perdoado.
"Nós dois sofremos, eu sei... Um peso foi tirado das minhas costas, mas ainda assim, eu não irei sossegar até tê-la em meus braços novamente."
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