O Amor Supera Tudo
25 Final da primeira temporada: Nascimento
Notas iniciais
Em Seattle...
P.O.V Do Freddie
Com o passar dos meses meu sofrimento só aumentara. Privado da minha liberdade, eu sigo vivendo e daqui há 1 ano o único amigo que tenho aqui nesse lugar vai ser libertado, e eu ficarei sozinho em meio à lamentações. E eu só quero sair daqui, não suporto mais, eu necessito da minha vida de volta.
Meses. Eles passam arrastados. A saudade da minha família está quase me matando. Abandonado, é assim que me sinto. Faz tempo que Brad não vem me visitar, minha irmã e Robert raramente vem me fazer uma rápida visita e meus próprios pais estão me renegando.
Acima de tudo, eu sou um ser humano e tenho sentimentos, e isso machuca. Foi um erro, estou ciente disto, não me controlei, agi por instintos. Instintos impulsivos que me fizeram perder a cabeça e por causa desses erros estou aqui, pagando por todos eles.
Todo mundo erra, eu não sou perfeito. E eu não fui o único a cometer erros, ela também teve culpa, e no final das contas terminou como uma pobre vítima. Minha vítima, violentada e machucada por mim.
Eu não sou louco, não sou um monstro, nunca fui mau. Não estou me inocentando, apenas estou me justificando. Sim, há uma boa justificativa. Motivos pelos quais me fizeram perder a cabeça.
Ela, somente ela. A garota que eu considerei como uma filha, que amei, cuidei, criei e protegi durante anos. E eu daria minha vida por ela sem hesitar, sem contestar. Isso tudo porque eu a amava como se fosse mesmo a minha filha. Pai é quem cria e não quem faz, certo?
Mesmo não sendo um pai muito presente, pois o trabalho me consumia e eu sempre chegava tarde, e muito cansado em casa, mesmo assim eu sempre arranjei um tempinho para ela.
Mas quando ela atingiu a adolescência, ficamos mais distantes, e ela entrou na fase de rebeldia. Já me deu muita dor de cabeça, pois a diretora do colégio me ligava fazendo queixas da Sam, aquilo se tornou esgotante.
Lembro-me da primeira vez que eu a repreendi usando violência, ela me enfrentou, me faltou com respeito e o resultado disto foi um tapa que desferi em seu rosto. Lembro que passei a noite em claro, me arrependendo por tê-la punido daquela maneira.
A pequena quase recém-nascida que aceitei de bom grado, pois foi um "presente" que meus queridos melhores amigos deixaram para eu cuidar e amar como se fosse minha própria filha, além de alegria me trouxe problemas.
Quêm diria que um dia ela fosse me seduzir? Uma garota de apenas 16 anos fosse me levar a perdição? Ah! Agora entendo porque ela fazia questão de espantar todas as minhas pretendentes que seriam minhas futuras namoradas. Era ciúmes, sempre fora ciúmes. Não um inocente ciúme fraternal.
Eram ciúmes nada fraternais, ela sentia ciúmes que nunca deveria sentir. Por quê eu nunca percebi isto antes? Cego, eu estava cego. Só devia estar cego mesmo para nunca ter percebido que minha filha adotiva estava apaixonada por mim.
Oh! Sam, por quê tinha que ser assim? Eu não entendo. Por quê foi se apaixonar por mim? Se eu soubesse que iria acabar desse jeito, eu nunca deveria ter permitido aquele beijo na sala de jogos...
[...]
Em New York...
P.O.V Da Carly
Já são 22h:11min da noite e estamos aqui desde às 08h:26min da manhã. Aflita e preocupada é assim que estou, não há mais unhas para roer. Quando a Sam foi encaminhada para a sala de parto, eu chorei quando ela nos disse:
"- Eu amo vocês... Se eu não resistir, promentam que irão cuidar deles?"
Estou sozinha no corredor de espera, o Brad foi como acompanhante. Ele é mais forte que eu, pois eu não iria suportar, já estou quase tendo um treco aqui.
A Katherine, tia da Sam veio com um amigo da loira chamado Gibby, mas eles já foram embora, não há nada para eles fazerem aqui. Eu me recusei a ir com eles, irei ficar aqui aguardando meus sobrinhos nascerem.
Meu celular descarregou, só o que me resta é ficar andando de um lado para o outro. Não consegui comer, não estou com vontade, meu estômago embrulhou pelo nervosismo.
Parei de andar pelo corredor quando minhas pernas enfraqueceram e senti uma pequena tontura. Resolvi sentar para descansar um pouquinho, me ajeitei na cadeira com estofado macio e apoiei minha cabeça na parede, minha vista estava ficando turva e aos poucos senti minhas pálpebras pesarem.
[...]
23h:35min da noite...
P.O.V Do Brad
Já faz mais de 15 horas que estamos aqui, estou cansado, com fome, sede e sono. A Carly me implorou para filmar o parto, mas a Sam me proibiu de fazer tal coisa.
— Eu não aguento mais! — Falou chorando, ela estava suando, me deu pena, ela já estava ficando exausta e sofreu um pequeno sangramento que piorou a situação.
A médica descartou a possibilidade do parto ser cesariano, se ela apagasse com a anestesia. Talvez nunca mais acordaria. Que Deus a livre de qualquer mal que possa vir acontecer.
— Calma, querida. Sua dilatação ainda não está concluída! — Avisou uma das enfermeiras, examinando-a.
— Quantos centímetros faltam? — Perguntei pela quinta vez.
— Apenas 6 centímetros! — Respondeu a mulher.
Outra contração atingiu a Sam, fazendo-a gritar e se contorcer na maca. Se eu estivesse no lugar dela já teria desmaiado.
5 minutos depois...
— Só faltam poucos centímetros! — Informou a mesma enfermeira que estava medindo a dilatação da Sam.
[...]
P.O.V Da Sam
Já fazia horas que eu estava sofrendo de dores horríveis, as contrações estavam aumentando, e eu tinha que aguentar firme, precisava ser forte por meus filhos.
— Já está na hora. Preciso que faça força! — Avisou a doutora que faria meu parto.
O Brad segurou minha mão, me dando forças. Respirei fundo algumas vezes antes de fazer um grande esforço.
— Isso, muito bem querida, continue fazendo isso! — Falou a doutora rapidamente.
Me esforcei mais um pouco sentindo uma tremenda dor me atravessar, fazendo-me gritar.
— Faça isso de novo, senhorita, Puckett. Você está quase conseguindo! — Avisou ela.
Gritei novamente, colocando mais força. A dor me atingiu... E o barulhinho de choro preencheu a sala de parto. Nasceu! Meu primeiro bebê acabara de nascer.
— É um menino! — Ouvi uma voz feminina quase gritar.
Chorei emocionada, relaxando meu corpo. Suspirei aliviada. Graças à Deus, o primeiro já nasceu.
50 segundos depois...
Outro barulhinho de choro que me fez derramar mais lágrimas de emoção. O segundo bebê havia nascido.
— É um menino, outro menininho perfeito! — Ouvi a mesma voz informar.
30 segundos depois:
Dessa vez um chorinho mais agudo me fez transbordar em lágrimas. Graças à Deus, meu último bebê nasceu.
— Olha só, é uma linda menininha. Parabéns pelos trigêmeos, mamãe! — Ouvi a mesma voz doce me fazendo sorri em meio à lágrimas.
Soltei a mão de Brad que também estava chorando. E essa foi a última coisa que lembro antes de fechar os olhos.
[...]
P.O.V Da Carly
Sobressaltei da cadeira quando vi Brad chegando, ele sorria emocionado e praticamente corri até ele.
— O seu sonho estava certo, Carly. São dois meninos e uma menina! — Falou me fazendo sorrir.
— Como eles estão? E a Sam? — Perguntei ansiosa.
— Estão todos bem, mas a Sam acabou desmaiando depois que a nossa sobrinha nasceu! — Respondeu.
— Oh! Meu Deus! — Exclamei.
— Não se preocupe, ela vai ficar bem! — Garantiu ele me abraçando.
[...]
P.O.V Da Sam
Acordei e demorei um pouco para me acostumar com a claridade que me rodeava. Abri e fechei os olhos várias vezes, senti algo preso no braço direito e olhei, constatando que era a agulha do soro.
— Sammy! — Ouvi a voz da Carly e logo a morena se projetou na minha frente com um enorme sorriso, parando ao lado da cama hospitalar que eu estava repousando.
— Carls! Os meus bebês... Onde estão? — Perguntei tentando me levantar.
— Se acalme, você não pode fazer nenhum esforço. Vou avisar que você acordou! — Disse e em seguida saiu do quarto hospitalar, me deixando sozinha.
[...]
Depois de uma rápida examinada, uma enfermeira trouxe uma tigela de sopa, suco e torradas, e prometeu que traria meus bebês para eu poder vê-los.
— E o Brad, onde ele está? — Perguntei ainda com a voz fraca.
— Dormindo... Você perdeu muito sangue e ele doou. É muita coincidência vocês terem o mesmo tipo de sangue! — Contou Carly.
Assenti sorrindo de leve e ela segurou minha mão, acariciando-a.
A porta foi aberta e três enfermeiras entraram no quarto, cada uma trazendo um bebê enrolando em mantos de cores azul, branco e lilás.
Sorri, eram meus filhos, meus preciosos anjinhos.
— Esse garotão aqui nasceu primeiro! — Avisou uma das moças colocando o bebê da manta azul clara em meus braços.
O segurei, aconchegando-o em meu colo com o maior cuidado do mundo.
Olhei para ele. E céus! Um verdadeiro príncipe. Lindo! Bem branquinho, com os cabelos castanhos claros e olhos azuis mais claros que os meus.
— Meu, amor! — Sussurrei, sorrindo encantada. Acariciei suas bochechinhas rosadas, sentindo a emoção me invadir.
— Eles são lindos, Sam! — Elogiou minha amiga começando a chorar.
— Já escolhi o nome... Você se chamará Christian! — Falei beijando sua cabecinha.
A enfermeira pegou o Christian e a outra me entregou o bebê da manta branca.
E por Deus, ele era a cópia do Freddie. Cabelo e os olhos escuros. Céus! A pele branquinha e esses olhos cor de chocolate? Ele era tão lindo...
— Meu, anjinho! — Sussurrei toda derretida. — Você se chamará Nathan! — Disse depositando um beijo em sua cabecinha.
— Sammy, eu posso mordê-los? — Perguntou Carly que já havia carregado o Christian e agora acabara de pegar o Nathan.
— E essa é a sua caçulinha! — Sorriu a última enfermeira, me entregando a minha bebê.
E me derreto toda mais uma vez. Oh! Ela é tão linda. Cabelinhos loiros e olhos azuis iguais aos meus. Minha princezinha!
Ela fechou os olhinhos e começou a choramingar.
— Não chora minha princesa, mamãe está aqui! — Falo baixinho. — Minha princesa, o seu nome será Jasmin! — Digo sorrindo.
— Christian, Nathan e Jasmin? Lindos nomes, amei amiga! — Falou pegando a Jasmin dos meus braços.
— Sim! Acho que combinam com eles! — Sorri e ela assentiu.
[...]
1 mês depois...
Nunca pensei que ser mãe seria tão maravilhoso e difícil também. As noites mal dormidas estão quase me matando, me deixam exausta mas vale a pena cada esforço e sacrifício. Não me importo em trocar dezenas de fraldas por dia, acordar de madrugada para ficar amamentando e passar noites em claro para amenizar as dores de cólica.
Fora isso, é algo tão maravilhoso, único e especial. Eu não os trocaria por nada nesse mundo, meus filhos são tudo para mim e eu sou capaz de dar minha vida por eles. Não existe amor maior que esse, acredite.
São minha alegria de viver, minha paz, são meu tudo. A cada dia, vejo que cada esforço está valendo a pena. Aprendi a ser mais responsável, cuidadosa e madura e acima de tudo, feliz. E pensar que meses atrás eu me sentia tão amendrontada e insegura. Hoje em dia todos esses sentimentos sumiram. Ao lado dos meus filhos me sinto mais fortalecida e amada ,eu posso ver o amor que eles sentem por mim expressado naqueles três pares de lindos olhinhos encantadores que me encaram todos os dias.
— Eu amo, vocês! — Falo sorrindo emocionada. Beijo cada cabecinha com todo amor e carinho.
Eles estão dormindo na minha cama, tão serenos. Verdadeiros anjinhos. São minha vida.
— Não importa o que aconteça... Estaremos sempre juntos. Serei sempre a mãe e pai de vocês... Porque se depender de mim, o pai de vocês nunca saberá de suas existências! — Sussurrei convicta.
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