O Amor Retorna
90 Capítulo 90 - Paixão Sem Limites
Notas iniciais
POV GERMAN
Angie havia desmaiado em meus braços. Estava pálida e imóvel, frágil. Eu estava desesperado, sem saber o que fazer.
A peguei no colo com cuidado e me sentei em uma cadeira, a segurando firmemente em meus braços.
GERMAN: Angie. — Chamei enquanto sacudia seu braço levemente, na tentativa de faze-la despertar. Mas não adiantou, por mais que eu tentasse Angie não acordava, o que já estava me escravizando.
Sem que eu percebesse, pois estava ocupado tentando acordar Angie, várias pessoas estavam ao nosso redor. Todas com um semblante confuso e preocupado no rosto, ou os dois.
Vi Vilu e Ludmila se aproximarem, seguidas de Pablo e Brenda. Abriram caminho rapidamente e em segundos já estavam na minha frente.
BRENDA: O que aconteceu? Por que a Angie está desmaiada? — Perguntou tocando a testa de Angie, como se estivesse medindo sua temperatura.
GERMAN: Eu não sei. Ela estava bem e de repente desmaiou do nada. — Tentei explicar, me sentindo cada vez pior ao olha-la tão frágil em meus braços.
PABLO: É melhor levarmos ela para o hospital. — Falou preocupado com a amiga.
VILU: Eu quero ir com vocês.
LUDMILA: Eu também.
PABLO: Tudo bem, eu levo as meninas no meu carro, e a Brenda acompanha o German, para ajudar com a Angie.
VILU: Então, é melhor a gente ir logo. — Falou aflita.
Eu entendia toda aquela aflição que as meninas estavam sentindo, eu também me sentia assim. Ver alguém que você ama da maneira que Angie estava, era desesperador. Não era só com Angie que eu me preocupava, era com nossa filha também.
Me levantei cuidadosamente com Angie bem acomodada em meus braços.
Sai do Studio a passos largos, de maneira que em pouco tempo Angie já estava na parte de trás do carro com Brenda.
Brenda estava sentada segurando o braço esquerdo de Angie e Angie estava deitada, com a cabeça no colo de Brenda.
Dirigi o mais rápido que podia diante das circunstâncias. Sempre que podia dava uma espiada em Angie, desejando que ela acordasse.
O caminho até o hospital foi bem rápido, devido ao fato de que o Studio não era muito longe do mesmo.
Quando chegamos ao hospital estacionei rapidamente. Abri a porta de trás do carro e peguei Angie em meus braços, a acomodando da melhor maneira possível.
Entrei no hospital com Brenda ao meu lado. Logo que adentramos Brenda foi diretamente a recepção.
Poucos segundos depois trouxeram uma maca, onde colocaram Angie e a levaram para fora da sala de espera. Eu queria ir junto, mas fui impedido por alguns enfermeiros, que afirmaram que ela ficaria bem. Mas eu só sossegaria quando eu mesmo me certificasse disso.
Brenda tentou me acalmar enquanto preenchia a ficha de Angie na recepção, o que também não adiantou muito.
Pouco tempo depois Pablo adentrou o hospital acompanhado de Vilu e Ludmila. Eles vieram direto ao meu encontro e ao de Brenda, nos perguntando sobre Angie, mas não tínhamos resposta para isso. Fazia pouco tempo que ela havia sido levada dos meus braços e meu corpo já sentia sua ausência, a falta de calor de seu corpo próximo do meu.
Enquanto esperávamos por notícias, uma névoa de silêncio preenchia a atmosfera da sala de espera. Eu odiava salas de espera. Sempre odiei. Quando recebi a notícia de que Maria havia me deixado eu estava em uma. Quando Angie sofreu o acidente eu fiquei plantado por dias nessa mesma sala de espera.
Vários e vários minutos se passaram que mais pareceram uma eternidade para mim. Nenhuma informação sobre uma das pessoas que eu mais amava no mundo. Eu estava prestes ultrapassar os limites da sala de espera e sair gritando o nome de Angie até achar onde ela estava. Mas antes que eu pudesse concretizar minha idéia de invasão, alguém me chamou.
DR.LUCIA: Senhor Castilho.
Elevei meu olhar até encontrar a doutora Lúcia, médica de Angie, olhando para mim com um sorriso reconfortante.
GERMAN: Olá. A senhora sabe como Angie está? — Perguntei de uma vez por todas.
DR.LUCIA: Bem que Angie me falou que essa seria a sua primeira pergunta quando eu viesse aqui falar com você. — A médica disse alargando o sorriso em seu rosto.
GERMAN: A Angie já acordou, então? — Perguntei ao analisar melhor suas palavras.
DR.LUCIA: Sim, ela está acordada. E quer te ver.
GERMAN: Eu também quero ve-la. — Constatei instantaneamente.
DR.LUCIA: Me acompanhe, então.
Caminhamos lado a lado até chegarmos na frente do quarto em que segundo a médica, Angie estava.
GERMAN: Ela está bem, não está? — Indaguei preocupado.
DR.LUCIA: Angie está ótima. — Afirmou sorrindo novamente.
GERMAN: Fico aliviado em saber.
Nesse momento me passou pela cabeça a saúde de nossa filha, o que provavelmente me fez franzir o cenho.
DR.LUCIA: A filha de vocês também está bem. É o que tudo indica. — Ela falou antes que eu pudesse perguntar.
Uma sensação de alívio se espalhou pelo meu corpo ao ouvir aquelas palavras.
GERMAN: Angie demorou para acordar? — Perguntei, já que no meio tempo que fiquei esperando ninguém veio me informar sobre minha esposa.
DR.LUCIA: Não, pelo contrário. Logo que a levamos ao quarto ela recobrou a consciência. — Explicou.
GERMAN: Então por que não recebi essa informação antes? — Questionei.
DR.LUCIA: Porque antes, era melhor examina-la e saber por ela o que aconteceu, para que assim pudéssemos ter um resultado sobre seu estado e da bebê.
GERMAN: Entendi... E por que ela desmaiou do nada? — Eu quis saber.
DR.LUCIA: Primeiro porque desmaio é um sintoma de gravidez, e segundo porque a noite de hoje está bem quente e Angie disse que sentiu tonturas, o que comprova Angie estar um pouco desidratada.
GERMAN: Posso entrar?
DR.LUCIA: Claro, vou deixar vocês conversarem por alguns minutos. Mas daqui a pouco eu volto para fazer um ultrassom em Angie.
GERMAN: Tudo bem. — Concordei com a cabeça e entrei na sala.
Quando meu olhar se encontrou com o de Angie, soltei um suspiro de alívio ao ver que ela estava bem e que já tinha recobrado a cor rosada do rosto. Angie sorriu docemente para mim o que fez com que toda aquela preocupação que estava me escravizando cessasse. Ela estava com as mãos repousadas na barriga. Sorri também e caminhei até ela.
POV ANGIE
Onde eu estava? Em um quarto? Mas onde?
Ajustei meus olhos a claridade e reconheci que eu estava num quarto de hospital. O que eu estava fazendo aqui? Odeio hospitais. O que não era nenhuma novidade há muito tempo.
DR.LUCIA: Angie. — A voz de uma mulher chamou.
Olhei para o lado, de onde vinha a voz e encontrei de pé, ao meu lado, minha médica.
DR.LUCIA: Esta se sentindo bem? — Ela perguntou com sua voz calma.
ANGIE: Acho que sim. — Respondi, ainda confusa.
DR.LUCIA: É, a palidez de seu rosto já está muito melhor.
ANGIE: O que aconteceu comigo? — Perguntei. Eu precisava saber o que eu estava fazendo em um hospital. Pelo o que me lembrava, eu estava no Studio, da última vez que estive acordada. Se bem que no momento eu não lembrava de muitos detalhes.
DR.LUCIA: Você desmaiou.
ANGIE: Eu desmaiei? — Questionei, ainda um pouco confusa.
DR.LUCIA: Sim, mas você foi trazida para o hospital e está tudo bem. — Tentou me tranquilizar.
ANGIE: E o bebê? Ela está bem? — Perguntei preocupada.
E se o bebê não estivesse bem? E se quando eu desmaiei, acabei machucando minha filha sem querer? Eu já tinha lido em revistas que desmaios são um sintoma da gravidez, mas mesmo tendo isso em mente, não poderia deixar de me preocupar. Eu já amava minha bebê antes mesmo de ter certeza de que estava mesmo grávida e não ia sossegar até saber se ela estava bem.
DR.LUCIA: Não precisa se preocupar. Tudo indica que ela está bem, mas preciso te examinar e fazer algumas perguntas. Tudo bem?
ANGIE: Claro. — Concordei, dando um suspiro de alívio ao saber que minha pequena estava bem.
A médica me examinou e me fez algumas perguntas, das quais eu respondi da melhor forma que eu lembrava. Eu ainda não tinha lembrado muita coisa daquela noite, ao não ser dos beijos que eu e German demos. Isso era impossível de se esquecer. Sorri com esse pensamento.
DR.LUCIA: Ao que se deve esse lindo sorriso? — Perguntou, me tirando de meus devaneios.
Senti meu rosto ficar vermelho e esquentar. Eu tinha sido pega no flagra.
ANGIE: Estava pensando em German. — Assumi por fim, com um sorriso tímido sobre meus lábios.
Ela sorriu docemente e falou:
DR.LUCIA: Por falar no seu esposo me informaram que ele está impaciente na sala de espera. Ele até queria vir junto quando trouxemos você para cá.
ANGIE: É, German é um marido muito preocupado. No entanto, que quando a senhora falar com ele sua primeira pergunta vai ser "Como Angie está"? — Presumi sorrindo.
Eu achava muito fofo o fato de German sempre se preocupar comigo, mas o mais fofo ainda era quando ele se preocupava com nossa bebê, que nem nascida era. Não tinha dúvidas de que German voltaria a ser um pai babão, igual eu suponho, que ele tenha sido com Violetta.
DR.LUCIA: Então irei chamar ele aqui, para te ver. Ele deve estar louco por notícias de vocês. — Falou. Eu não tinha dúvidas disso.
ANGIE: Obrigada.
DR.LUCIA: Não precisa me agradecer, querida. Irei deixar vocês sozinhos, mas não se esqueça que depois volto para fazer o ultrassom.
Concordei com a cabeça e a médica saiu da sala me deixando sozinha, ou melhor nos deixando sozinhas.
Levei minhas mãos até minha barriga e comecei acaricia-la calmamente. Eu estava muito ansiosa para fazer o ultrassom e poder ver minha filha novamente. Saber que ela era saudável e que o desmaio não a tinha afetado em nada me deixou muito aliviada. Queria muito ouvir seu coraçãozinho batendo.
Mesmo a gravidez me fazendo ter enjôos, tonturas e indisposição, e ter me feito engordar mais do que eu esperava, eu não trocaria essa experiência por nada. Cada chute que ela dava me fazia sentir viva. Eu não poderia estar mais feliz. Eu tinha ao meu lado pessoas que me amavam, um esposo maravilhoso, sobrinhas que eu considerava filhas, alunos e amigos que se preocupavam comigo, tinha uma mãe incrível e agora teria a oportunidade de ser mãe.
Finalmente, o quebra-cabeça da minha vida tinha sido montado por completo, nenhuma peça faltava mais. Tudo se encaixou no seu devido lugar. A única coisa que faltava era poder segurar minha bebê no colo saber que ela era minha. Minha e de German. Faria de tudo por aquela pequena vida dentro de mim.
Continuei divagando, até que o barulho da porta sendo aberta me despertou de meus pensamentos.
German entrou na sala e quando me viu, deu um suspiro aliviado seguido por um sorriso. Sorri também.
German veio ao meu encontro, e quando já estava perto o suficiente, depositou um beijo na minha testa, o que me fez fechar os olhos, aproveitando o momento rápido.
GERMAN: Como você está, meu amor? — Perguntou após se afastar um pouco, para poder olhar para mim.
ANGIE: Estou bem. — Respondi, enquanto envolvia suas mãos nas minhas.
GERMAN: E o nosso anjinho? — Perguntou e colocou uma de suas mãos na minha barriga inchada.
ANGIE: Esta muito bem. No entanto que agora que escutou sua voz resolveu dar piruetas. — Falei depois de sentir outro chute.
GERMAN: Deve ter sentido falta do papai.
E novamente senti outro chute.
ANGIE: Também senti sua falta.
Cada minuto que eu passei nessa sala longe de German parecia ser interminável. Eu estava louca para vê-lo.
GERMAN: Eu também. O sorriso em seu rosto tinha desaparecido e dado lugar a uma expressão séria.
BANGIE: O que foi? — Preocupei-me.
GERMAN: É que você me deixou muito preocupado. Eu já estava ficando louco em não ter noticias de você.
ANGIE: Mas agora está tudo bem. O desmaio não afetou nenhuma de nós. — Falei posicionando minha mão em cima da sua, que estava repousada em meu ventre, na tentativa de tranquiliza-lo.
GERMAN: Eu sei, mas fiquei desesperado. Você desmaiou de repente, Angie. Você estava sem cor e imóvel.
Apertei sua mão com mais força, depois a levei até meus lábios e depositei um beijo em sua palma.
ANGIE: Desculpa, eu devia ter avisado você, que eu estava sentindo tonturas.
GERMAN: Você não precisa se desculpar. Mas por favor, da próxima vez que não se sentir bem, por favor me avisa.
ANGIE: Tá bom. — Concordei.
GERMAN: Promete mesmo? — Ele olhou para mim com um sorriso divertido.
ANGIE: Prometo.
GERMAN: Foi tão difícil assim? — Provocou.
ANGIE: Não. — Respondi tentando imitar o sorriso de German.
GERMAN: Sua médica disse que vai fazer outro ultrassom. — Mudou de assunto.
ANGIE: É. Estou muito ansiosa para ouvir nossa filha novamente.
GERMAN: Eu também. — Concordou.
ANGIE: Ela está crescendo rápido. Cada vez que eu me peso parece que engordo dois quilos. — Brinquei, provocando risos em German.
GERMAN: Mesmo com alguns quilos a mais, você continua linda.
ANGIE: Quero ver se você vai falar isso daqui alguns meses. Quando eu estiver com nove meses. — Afirmei.
GERMAN: Como eu não vou te achar linda? Você está carregando nossa filha, meu amor.
ANGIE: Você é formado em deixar a Angie sem palavras. — Brinquei.
GERMAN: É, essa matéria eu tiro de letra.
ANGIE: Você deve ter gabaritado todas as provas. — Falei bem próximo ao seu ouvido.
GERMAN: Acertou em cheio. — Disse também, em meu ouvido. Me causando arrepios.
Nossos olhares se encontraram, e tudo o que eu queria fazer era beija-lo. Passei meus braços em torno de seu pescoço, puxando-o mais para perto de mim. German escorregou as mãos por minhas costas, até parar onde queria, deixando as mãos repousadas ali.
Abri um espaço na cama e German se sentou, me puxando delicadamente para mais perto de seu corpo. Eu adorava a sensação de sentir o calor de seu corpo me aquecendo. Suspirei.
Seu olhar mantinha-se vidrado em meus lábios, que queriam os seus sobre os meus. E, sem mais delongas, colei nossos lábios em um beijo de tirar o fôlego.
Beijei-o com toda a paixão que existia dentro de mim. O beijo se prolongou por mais algum tempo, até sermos interrompidos pelo barulho da porta sendo aberta.
German logo se afastou e se pôs de pé ao lado da maca.
Senti meu rosto quente ao olhar para frente e ver quem nos tinha pego nos beijando. Era muito fácil perder o controle das coisas quando eu e German estávamos juntos daquele jeito. Mas onde eu estava com a cabeça em ficar beijando German daquele jeito, dentro de um hospital. Sério Angie?
DR.LUCIA: Desculpe interromper, senhor e senhora Castilho. Mas esta na hora do ultrassom. — Falou sorrindo reconfortantemente como sempre. Ela não pareceu se incomodar nem um pouco com a cena que tinha visto. Agradeci mentalmente os céus por isso.
ANGIE: Ah, claro. — Concordei com um sorriso amarelo.
Uma enfermeira entrou na sala com o equipamento do ultrassom, o que me fez ficar nervosa. Eu já havia me convencido de que sempre seria assim. Eu sempre ficaria nervosa quando fosse as consultas e fizesse o ultrassom para ver como minha filha estaria. Mas por um lado, aquela ansiedade que eu estava sentindo era boa. Ela fazia com que eu tivesse certeza de que aquilo estava acontecendo mesmo. De que eu seria mãe.
Uma mão forte encontrou a minha, encaixando-se nela. Era incrível como com simples gestos German conseguia me transmitir calma. Mesmo que naquele momento eu tenha continuado um pouco nervosa. Em certos momentos até parecia que ele podia sentir o que eu sentia.
Virei para ele e sorri em um agradecimento silencioso. Ele sorriu também.
DR.LUCIA: Podemos começar? — Ela perguntou, fazendo com que minha atenção se voltasse para ela.
ANGIE: Sim. — Concordei apertando mais firme a mão de German.
Em poucos minutos tudo já estava pronto e a médica começou a espalhar o gel sobre minha barriga. Ele era bem gelado, igual o da última vez. Igual como eu me lembrava.
Minha atenção estava voltada para tela do aparelho. Se bem que eu não conseguia distinguir muito bem o que eu via.
Estranhei a médica não ter dito nada até agora. Olhei para ela e percebi que o sorriso que ela tinha no rosto tinha desaparecido e dado lugar a uma expressão séria, compenetrada.
Antes que eu pudesse lhe perguntar o que estava acontecendo, ela falou:
DR.LUCIA: Me dêem licença. Eu tenho que confirmar uma coisa. Estarei de volta rápido. — Explicou rapidamente e saiu da sala.
Depois de ouvir a porta se fechar, me virei para German, que também parecia muito confuso, igual a mim.
(...)
Fale com o autor