O Amor Retorna
43 Capítulo 43 - Conversando
Notas iniciais
Nesse momento então a luz acabou e Angie deu um grito.
GERMÁN: Calma, Angie.
ANGIE: Como vou ter calma?!
Estou em um lugar fechado, a energia acabou e estou aqui com vo... — Ela não concluiu a frase percebendo o que iria falar.
GERMÁN: Com quem?
ANGIE: Com ninguém eu não disse nada sobre isso. — Falou, tentando disfarçar.
GERMÁN: Eu devo ter ouvido errado. — Respondeu mesmo tendo certeza do que ela disse e ia terminar de dizer.
ANGIE: É. Será que ninguém vai dar falta de nós dois?
GERMÁN: Pode ser até que sim, mas como vão adivinhar onde estamos?
ANGIE: Esse é o problema.
GERMÁN: Tudo vai ficar bem.
ANGIE : Mas e se aqui tiver alguma barata?
GERMÁN: Aqui não tem barata nenhuma.
ANGIE: Mas e se tiver? Você sabe que eu morro de medo de baratas.
GERMÁN: É, eu sei, mas pela milésima vez fica calma. Querendo ou não vamos ter que esperar alguém nos procurar.
ANGIE: É você tem razão, mas e se só derem falta de nós amanhã? — Pensou na possibilidade.
GERMÁN: Dai eu não sei, mas teremos que ficar aqui.
ANGIE: Será que vai demorar muito pra energia voltar?
GERMÁN: Do jeito que está chovendo forte lá fora temo que sim.
ANGIE: Eu ainda tenho tantas aulas para organizar, não podemos ficar presos aqui.
GERMÁN: Eu também, tenho que organizar várias papeladas para algumas reuniões.
ANGIE: Eu não posso ficar presa aqui com você. — Declarou.
GERMÁN: Por quê? É tão ruim assim ficar perto de mim? — Perguntou olhando para enquanto se aproximava.
Mesmo por estarem praticamente no escuro e não conseguirem se ver completamente, Angie podia sentir que Germán estava próximo e distinguir seu corpo.
ANGIE: Você sabe. — Afirmou com a voz baixa e triste.
GERMÁN: Não, eu não sei. Me explica. — Pediu pegando delicadamente uma das mãos de Angie.
Ela respirou fundo e disse:
ANGIE: É complicado falar sobre isso. — Sua voz ainda era baixa.
GERMÁN: Sobre o que tivemos? — Disse segurando também a outra mão dela.
ANGIE: É, falar sobre isso, ou melhor da nossa briga ainda machuca um pouco. — Falou dolorosamente se lembrando daquela briga.
GERMÁN: Aquela foi uma das nossas piores brigas. — Concluiu pesadamente se lembrando da discussão.
ANGIE: É. — Simplesmente concordou, retirando suas mãos das de German.
GERMÁN: Angie, o que tivemos foi realmente incrível. — Ele pegou novamente suas mãos, as segurando firme e delicadamente sem machucar. — Eu não queria que tivesse um fim. Mas eu não quero te machucar. Quero te ver bem e para isso acho que talvez é melhor ficarmos afastados como estamos. Saiba que pode sempre contar comigo.Quero ser seu... amigo. — Disse depois de tanto esforço para dizer a palavra amigo.
ANGIE: Você está certo, é melhor sermos amigos. — Falou, deixando uma lágrima rolar, mas ela logo a enxugou. — Espero que seja feliz com a Priscilla. — Disse com a garganta seca.
GERMÁN: Obrigado. Espero que você também seja muito feliz.
ANGIE: Obrigada.
GERMÁN: Amigos então? — Perguntou com a voz mais animada.
ANGIE: Amigos. — Respondeu da mesma forma.
Angie sem pensar duas vezes, abraçou German, o que ele não esperava mas retribuiu carinhosamente o abraço. Ele sentia tranquilidade e paz quando estava com ela, estava claro que não tinha esquecido Angie, mas estava com Priscilla que para ele a fazia bem e podia fazer com que esquecesse Angie. Já Angie sentia conforto entre os braços de German, ele ainda a fazia sentir coisas muito fortes, mas sabia muito bem que ele estava com Priscilla e que poderia ter o perdido para sempre, mas era melhor ter sua amizade ao não ter nada.
A luz voltou e eles desfizeram o abraço.
ANGIE: Que bom que a luz voltou. — Falou, aliviada.
GERMÁN: É, mas não adianta muito, nós continuamos presos aqui.
ANGIE: Bom, isso é verdade.
Angie então bocejou.
GERMÁN: Está com sono?
ANGIE: Muito, não dormi muito bem a noite. — Contou.
GERMÁN: Por quê? — Preocupou-se.
ANGIE: É que eu fiquei a noite toda organizando algumas aulas e ainda por cima quando fui dormir fiquei com muita dor de cabeça. — Explicou bocejando de novo.
GERMÁN: Você precisa descansar mais Angie, não pode ficar o dia inteiro trabalhando sem parar. — Disse mostrando preocupação.
ANGIE: Geralmente eu não trabalho tanto assim, mas como eu voltei faz muito pouco tempo tenho bastante coisas para fazer. Mas daqui uns dias eu volto a trabalhar normalmente.
GERMÁN: Que bom. — Respondeu sorrindo.
ANGIE: Obrigada pela preocupação. — Falou retribuindo o sorriso e German ampliou ainda mais o sorriso em seu rosto.
Angie encostou a cabeça na parede e fechou os olhos.
GERMÁN: Angie, se quiser pode encostar sua cabeça aqui. — Disse colocando uma de suas mãos em seus ombros.
ANGIE: Você não vai se incomodar? — Perguntou já sonolenta.
GERMÁN: Claro que não.
Ela encostou sua cabeça no ombro de German e fechou os olhos.
Ele por sua vez, começou a passar carinhosamente as mãos nos cachos de Angie e a cobriu com seu casaco.
Angie pegou rápido no sono, já German ficou a observando e depois de um tempo acabou dormindo também.
#No outro dia
Todos já estavam preocupados com Angie e Germán.
#Na sala de canto
Vilu e Léon entraram na sala e começaram a conversar.
VILU: Aí Léon, eu já estou ficando preocupada com o papai e a Angie, não os vejo desde ontem a tarde.
LÉON: Calma, meu amor, não se preocupe. Eles devem estar bem.
VILU: É, você tem razão. Preciso relaxar.
LÉON: Que tal a gente ensaiar aquela sua nova música? — Propôs sorrindo.
VILU: É, você tem razão, vou entrar na salinha de instrumentos e pegar um violão.
Ela foi até a sala do Beto e com um pouco de esforço abriu a porta da salinha de instrumentos, logo encontrando German e Angie dormindo. Angie ainda estava encostada em German e ele estava com uma das mãos repousada no ombro dela pois dormira fazendo carinho em seu cabelo.
No momento, por causa da claridade eles acordaram.
GERMÁN: Ah, oi filha. — Disse se levantando e estendendo a mão para Angie se levantar também.
Ela pegou a mão dele, se levantou e disse:
ANGIE: Oi, Vilu. — Cumprimentou, um pouco envergonhada.
Os três saíram da salinha.
VILU: Oi para vocês dois. — Devolveu, tentando não rir da cara de envergonhados que o pai e a tia faziam. — O que vocês estavam fazendo lá dentro? Eu fiquei muito preocupada. O que aconteceu?
ANGIE: É que eu fiquei até mais tarde arrumando os instrumentos.
GERMÁN: E eu vim buscar alguns papéis do Studio para analisar.
ANGIE: É, mas seu pai resolveu me ajudar e quando nós estávamos aqui dentro arrumando os instrumentos a porta emperrou e tentando abrir, acabamos fazendo a maçaneta da porta cair, e foi assim que nós ficamos presos.
VILU: Que fofo, até parece coisa de filme. — Comentou sorrindo, lembrando de como havia encontrado seu pai e sua tia.
ANGIE: Vilu! — Repreendeu, um tanto envergonhada.
VILU: Me desculpem. — Respondeu, mais para acalmar a tia. — E papai, acho melhor você ter uma boa explicação para dar para Priscilla, lembra que ela e a Ludmila iam jantar ontem lá em casa?
GERMÁN: Nossa, eu esqueci disso! — Falou, passando as mãos no cabelo e o ajeitando.
VILU: A Priscilla está lá na sala de canto, acho melhor você ir conversar com ela e esclarecer tudo. — Sugeriu.
GERMÁN: Vou ir falar com ela. Com licença. — Disse e saiu da sala.
ANGIE: A Priscilla está muito brava, não é? — Arriscou perguntar.
VILU: Brava é apelido, ela está uma fera. Mas não é sobre isso que eu quero conversar com você.
ANGIE: Não? Então é sobre o quê? — Perguntou confusa.
VILU: Sobre você e o papai. — Disse como se fosse óbvio.
ANGIE: Mas eu e seu pai não temos mais nada, por que quer conversar sobre isso comigo?
VILU: Não se faça de boba, Angie. Me conta o que aconteceu ontem quando você e o papai ficaram presos aqui. O que rolou entre vocês dois? — Quis saber, curiosa.
ANGIE: Não rolou nada, Violetta, seu pai está com a Priscilla, esqueceu?
VILU: Não, eu não esqueci. Mas o papai era mais feliz quando estava com você. — A garota disse contrariada. Por que o pai e a tia não ficavam logo juntos?
ANGIE: Seu pai não estaria com a Priscilla se não gostasse dela.
VILU: Eu aposto que ele está com ela porque acha que se começar a gostar de outra pessoa pode tirar você da cabeça. — Opinou, convicta de sua resposta.
ANGIE: Acho melhor pararmos de falar sobre isso. — Falou. Ela não queria ter de conversar sobre algo que a machucava.
VILU: Tudo bem, mas só depois que você me responder uma coisa.
ANGIE: Responder o quê?
VILU: Se você e o papai se beijaram. — Um sorriso maroto surgiu no rosto da garota.
ANGIE: Não, Vilu, eu e seu pai não nos beijamos. — Respondeu séria.
VILU: Eu acredito em você. Do jeito que você está falando, deve estar dizendo a verdade.
ANGIE: Bom, Vilu, eu tenho que resolver algumas coisas. Nos falamos depois, então?
VILU: Claro, eu tenho que falar com a Fran e a Cami, depois nós falamos. Tchau, tia.
ANGIE: Tchau, Vilu.
As duas se despediram com um abraço e Angie foi até a sala de canto e escutou por trás da porta que estava entreaberta a conversa de German e Priscilla.
PRISCILLA: Como você conseguiu se esquecer do jantar? — Falou irritada.
GERMÁN: Eu já te expliquei um milhão de vezes o que aconteceu. — Disse, cansado.
PRISCILLA: Você não deveria nem ter vindo para o Studio, deveria ter ficado em casa.
GERMÁN: Eu já disse que tive que pegar alguns papéis aqui no Studio.
PRISCILLA: De ficar com a Angie você não esquece? — Questionou ironicamente.
GERMÁN: Foi sem querer. Eu acabei esquecendo do jantar. Me desculpe, isso não vai acontecer de novo. — Explicou, querendo acabar com a discussão.
PRISCILLA: Eu quero ficar sozinha. Conversamos depois.
GERMÁN: Tudo bem.
Ele saiu da sala e encontrou com Angie.
ANGIE: Ocorreu tudo bem lá com a Priscilla?
GERMÁN: Não muito.
ANGIE: Me desculpa, a culpa é toda minha.
GERMÁN: Você não teve culpa de nada, Angie.
ANGIE: Se eu não tivesse aceitado a sua ajuda não teríamos ficado presos e a Priscilla não estaria brava com você.
GERMÁN: Eu que me propus a te ajudar, a culpa não é sua.
ANGIE: Se você quiser eu posso conversar com a Priscilla e esclarecer as coisas. — Sugeriu.
GERMÁN: Não precisa, Angie, está tudo bem, é melhor você ir descansar.
ANGIE: Tá bom.
GERMÁN: Eu já vou indo, tenho que falar com a Violetta.
Até mais mais Angie. — Disse dando um sorriso de lado.
ANGIE: Tchau. — Falou retribuindo o sorriso.
Angie então entrou na sala de canto e foi falar com Priscilla e German e Violetta vendo que Angie e Priscilla estavam na mesma sala, ficaram atrás da porta espiando a conversa entre as duas.
ANGIE: Oi. — Cumprimentou timidamente.
PRISCILLA: Oi. — Respondeu secamente.
ANGIE: Olha, a culpa não é do German de ele não ter ido ao jantar.
PRISCILLA: E então de quem é? — Disse ainda no mesmo tom.
ANGIE: Foi um acidente. O German só me ajudou a arrumar alguns instrumentos e dai acabamos ficando presos. — Explicou.
PRISCILLA: Ele poderia ao menos ter me telefonado.
ANGIE: Nós tentamos ligar para avisar o que tinha acontecido, mas o meu celular estava sem bateria e o German tinha esquecido o dele no carro.
PRISCILLA: E você espera que eu acredite nisso? — Questionou, sarcástica.
ANGIE: Sim, o German está com você, ele não faria nada que pudesse acabar com o namoro de vocês.
PRISCILLA: Mas como vou saber se você não está mentindo para mim?
ANGIE: Eu não mentiria sobre isso. Olha, eu quero ver o German feliz e se você faz bem para ele, não deve ficar brava. Você precisa confiar nele.
PRISCILLA: Você está certa. Mas pensei que ainda gostasse dele.
ANGIE: Eu gosto do German, mas como um amigo. Quero que ele seja feliz. — Falou com uma certa dificuldade.
PRISCILLA: Você está certa, vou ir conversar com German.
As duas sairam da sala de canto e Priscilla foi falar com German e Angie foi para o Zoom.
Violetta que também estava espiando foi conversar com Léon.
(…)
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