O Amor Permanece!
9 Quase Completa...
Notas iniciais
*Ligação on*
–Alô? –Atendi o telefone.
–Oi, é a senhora Vargas?
–Sim. –Respondi.
–Aqui é do orfanato Siempre Felicidad.
Paralisei por alguns instantes.
–Algum, algum problema? –A pergunta saiu pausadamente e lenta de meus lábios.
–Eu sou a sra. Seyth, sou a dona do orfanato e soube que você veio aqui a algum tempo e falou com a diretora. –Ela falou.
A voz parecia falha, uma idosa provavelmente.
–Sim, um ano mais ou menos. –Falei.
–Sim. –Concordou simpática. –Queria saber de uma criança, não?
–Sim.
–Gostaria de te encontrar para conversarmos, você tem algum dia livre? –Ela perguntou.
–Está tarde estou livre se quiser. –Falei.
–Perfeito, pode ser as 16:00?
–Ótimo, estarei aí as quatro.
–Obrigada, tchau. –Ela se despediu.
–Tchau.
#Ligação off#
Desliguei o telefone e parei para pensar. O que ela queria falar? O que ela sabe? Por que resolveu me chamar?
Eram algumas perguntas que passavam pela minha cabeça.
–Quem era? –O Leon perguntou aparecendo com o Pedro no colo.
–A Fran, perguntou se eu não posso passar lá. Ela disse que está sozinha e quer companhia. –Menti.
–Tem certeza? –Ele perguntou me olhando desconfiado.
–Sim. –Assenti.
POV LEON
A Vilu falou que vai na Fran e estava se trocando para ir, enquanto isso eu estava com os meninos na sala de jantar, o Daniel estava comendo uma maça e o Pedro estava tomando leite em seu copinho com bico.
Meu celular apitou, peguei-o e no visor mostrava que era uma mensagem do Diego. Diego estava perguntando se poderíamos ficar com a Julia porque ele e a Francesca vão sair juntos hoje. Respondi que sim e deixei o celular na mesa.
Fiquei pensativo.
–O que foi papá? –O Daniel perguntou reparando na minha cara.
–Estou pensando, amigão. –Respondi.
–O que a mamma fez? –Ele perguntou sorrindo sapeca.
–Mentiu para mim.
–Normal. –Ele voltou a comer a maçã.
Olhei-o e ele arregalou os olhos.
–Eu não disse nada. –Ele negou com a cabeça.
–Sua mãe mente para mim? –Perguntei olhando-o.
Ele disfarçava a todo momento.
–Não. –Respondeu rápido.
–Tá bom. –Ri. –Vou falar com ela.
Levantei.
–Cuida do seu irmão. –Falei.
–Tá. –Ele assentiu.
Fui até meu quarto e encontrei a Vilu colocando seu celular dentro da bolsa.
–Vilu. –Chamei-a.
–Oi, Leon. –Ela pegou a bolsa e andou até mim.
–Onde você vai? –Perguntei.
–Na Fran. –Ela respondeu.
–Eu sei que você não vai na Francesca, ela e o Diego vão sair agora atarde. –Falei.
Ela abaixou a cabeça.
–Me fala a verdade... –Peguei em seu queixo carinhosamente e levantei sua cabeça fazendo-a olhar para mim.
Ela encostou a cabeça em meu peito e eu a envolvi entre meus braços.
–A algum tempo, mais ou menos um ano, fui em Orfanato aqui de Buenos Aires. –Ela disse.
–Mas o que você foi fazer lá... –Parei por um segundo. –Você foi lá por causa da Daniela, não é?
–Uhum. –Ela assentiu. –Mas agora a dona do orfanato me ligou e quer falar comigo.
–Por quê? –Perguntei.
–Não sei, Leon. Mas quero ir, ainda não sei no que acreditar.
–Tudo bem. –Beijei sua cabeça. –Eu cuido dos meninos.
–Obrigada. –Ela me olhou e me beijou. –Vou me despedir dos meninos.
Assenti.
Fomos até a sala de jantar onde encontramos o Daniel e o Pedro.
O Daniel estava fazendo gracinhas e o Pedro gargalhava sem parar, estava vermelho de tanto rir.
–Qualquer dia você vai morrer sem ar, Pedro. –A Vilu pegou o Pedro no colo.
–Onde você vai, mamma? –O Daniel perguntou.
–Vou ir ver uma coisa do trabalho. –Ela falou.
–E nós vamos ficar aqui e brincar bastante. –Falei fazendo cócegas nele.
...
POV VIOLETTA
Tinha acabado de chegar no orfanato, entrei pelo portão, e fui pelo jardim até a porta de vidro, entrei e logo o ar refrescante de ar condicionado me envolveu.
Me aproximei do balcão.
–Oi, eu tenho uma...
–Tem uma visita com as crianças, não é? Vai adotar, isso é lindo. –Ela falou animadinha.
Ela saiu do balcão e pegou meu braço começando a me puxar pelo corredor.
–Não eu... –Tentei corrigi-la.
–Não, eu sei, é sua primeira vez adotando, sei que é difícil. –Ela continuou me puxando.
–É que... –Ela não me deixava falar.
–Eu sei, está com medo, mas temos ótimas crianças, temos um grupinho de quatro anos muito fofos. -Ela não parava de me puxar pelos corredores.
Crianças passavam correndo por nós e ela não parava de falar, estávamos em um enorme mal-entendido.
–Eu, não...
–Não quer criança, prefere bebê? Tudo bem, temos vários, lindos todos. –Ela continuava.
–Eu sei, mas...
–Uhmm, problema com o marido, ele não quer bebê? Normal. –Mulherzinha chata.
–Não é isso, é que eu vim para...
–Vai querer uma menina? Temos cada menininhas lindas. –Ela falou sorrindo.
–Não, eu não quero adot... –Ela me interrompeu novamente.
–Hm, seu marido quer menino? Tudo bem, temos meninos lindos também.
Bufei brava, que mulher chata, pelo amor...
Passamos por uma escada, nos degraus da escada tinha uma menina de cabelos levemente e perfeitamente cacheados loiros, mas estavam mais escuros do que de costume, os olhos verdes lindos também estavam escurecidos, a pele branquinha estava a mesma, mas suas bochechas não estavam rosadas como eu costumava ver.
Eu a olhei e arregalei os olhos. Ela estava tristonha na escada, mas quando seus olhos encontraram os meus seus cabelos loiros voltaram, seus olhos verdes brilharam e suas bochechas logo ficaram rosadas novamente. Ela ganhou vida.
–Daniele... –Sussurrei.
–É, tem aquela menina ali da escada, ela sempre fica ali, é uma menina muito chatinha, eu não aconselho ela não, deus me livre, ela é muito desanimada e chatinha. Não brinca, só fala em Italiano e é mau criada, não faz nada. É meio burrinha e antipática. Não sei como um casal conseguiu gostar dela para adota-la, eles vem hoje busca-la, graças a deus, me livro dessa menina! –Adotaram minha filha?
–Espera um minuto! –Soltei seu braço do meu. –Aquela menina é a menina mais linda, simpática, carinhosa, bondosa, gentil e linda que existe. É muito inteligente, fala três línguas e é uma ótima menina, só para sua informação! –Falei revoltada.
Virei de volta para a escada e logo a Daniele estava em meus braços.
–Meu amor! –Abracei-a levantando ela no ar.
–Mamma! –Ela me abraçou.
–Eu te amo tanto, eu senti sua falta, Dani. –Beijei-a sem parar. –Olha como você cresceu, está grande, bonita, meu amor.
–Me desculpa, mamma! Eu não queria fugi, eu fiquei cum medo, eu não te achei de novo.
–Está tudo bem. –Falei com ela no colo. –Agora você está bem. –Estava emocionada, lágrimas escorriam de meus olhos.
–Eu te amo muito, mamma... –Ela estava abraçada ao meu pescoço.
–Eu também, querida. Eu te amo muito, nunca vou te perder novamente.
–Espera aí, ela é sua filha? –A mulher me olhou com desgosto. –Com quantos anos teve essa peste?
–Peste é a sua mãe. –Falei. –E 18 para sua informação.
–É, peste é sua mãe sua chata. –A Dani mostrou a língua para ela.
–Não faça isso Dani. –Falei. –Mas ela mereceu!
–Nunca gostei de você sua pirralha!
–Chama minha filha de pirralha mais uma vez que você vai levar um soco bem na fuça! –Falei brava. –Eu não vim adotar, vim falar com dona deste lugar!
–Eu sei onde fica, mamma! –A Dani disse.
–Perfeito, vamos lá filha.
A Dani foi me guiando pelo extenso local até chegarmos em uma sala, porta de madeira com uma janela de vidro na parte de cima da porta.
–É aqui, mamma. –A Dani falou ainda no meu colo.
–Ok. –Deixei-a no chão. –Vamos entrar.
Bati na porta e esperei, peguei na mão da Dani e esperei. Logo uma senhora de uns 70 anos abriu a porta. Tinha um rosto simpático.
–Sra. Vargas?! –Ela disse ansiosa.
–Sim, sou eu. Você deve ser a dona, a Sra. Seyth. –Falei.
–Sim, sou eu, venha entre. –Ela abriu passagem.
Entrei e dei alguns passos.
–Gostaria de algo? Água, chá, café? –Ofereceu-me.
–Água pode ser. –Falei.
–Claro, sentem por favor.
–Vem filha. –Sussurrei para a Dani.
Fui até as duas cadeiras em frente a grande mesa dela.
Ela me trouxe a água e eu bebi um gole.
–Essa é sua filha? –Ela perguntou se sentando.
Ela analisou cuidadosamente a Dani e sem tirar o sorriso do rosto.
–Sim. –Respondi.
–Sou Daniele Castillo Vargas! –A Dani disse estendendo a mão.
–Hm, que mocinha simpática, sou a senhora Carla. –Ela riu.
–Estranho não tê-la visto. –Falei. –Ela estava aqui no orfanato.
–Eu moro aqui e no Canadá, voltei pra cá a uma semana, não vi muito as crianças. –Ela falou.
Assenti.
–Sabe, sua filha me lembra muito uma menininha que veio para o orfanato a uns anos, ela veio recém nascida e foi embora com dois aninhos. Era uma criança encantadora, ela era incrível, ela não ligava que não tinha pais e deixava alegria em todos os lugares que passava, conversava comigo todo dia, era muito simpática, ela era igual sua filha sua filha, loira de olhos verdes deve ter a mesma idade que sua filha atualmente.
–Sim. –Falei meio incomodada com os pensamentos voltando.
–Eu soube que você veio aqui saber de uma menina, essa que eu comentei, a Jennifer.
–É, mas a Srta. Cartman não soube me falar nada.
–Ela é nova aqui, não chegou a conhecer a Jeniffer. Ela é minha sobrinha está aqui a pouco tempo. Bom, mas eu conheci a Jeniffer, foi a melhor criança daqui, sei tudo, é só perguntar.
–Eu queria saber sobre ela, de onde veio, com quanto tempo.
–Eu te respondo. Bom, a Jeniffer veio com dias, não tinha nem um mês. Ela veio da Itália, não sabem quem são os pais, disseram que a mãe morreu no parto e o pai a abandonou.
–A mãe morreu no parto? –Perguntei.
–Sim, essas foram as informações que chegaram a nós. E o pai já tinha outros filhos e a abandonou.
–Você sabe o nome do lugar onde ela nasceu, o hospital? –Perguntei.
–Eu tenho nos registros. –Ela virou a cadeira e mexeu nas gavetas, tirando de uma delas uma pasta com papeis.
–Estes são os registros da Jennifer. –Ela falou.
Ela abriu a pasta e olhou entre as folhas procurando algo, até que daquele bloco de folhas ela tirou uma folha.
–Aqui. –Ela falou. –Ela nasceu em um consultório particular, consultório do Dr. Paulo. –Neste momento meu coração parou.
–É o tio Paulo, mamma?
–Não sei querida. –Tentei sorrir. -Você sabe o dia? –Meu coração acelerou.
–Deixa eu ver. –Ela colocou os óculos de leitura. –Ela nasceu no dia 22 de agosto de 2014.
–Olha, mamma, eu nasci nesse dia! –A Dani falou.
–É querida, é uma grande coincidência. –Sorri forçado.
A Sra. Me olhava estranha desconfiando de algo.
–Sabe, achei incrível que ninguém a adotou, era tão linda e simpática. Mas uma mulher veio uma vez e não pensou duas vezes, se encantou pela Jeniffer e a adotou, uma boa mulher, simpática aqui de Buenos Aires.
–Que bom...
...
POV NARRADOR
Violetta estava radiante, tinha encontrado sua filha. Daniele não estava diferente, a única alegria que menina teve a muito tempo aconteceu, reencontrar a mãe depois de meses.
Violetta foi para a casa com Daniele, ela já tinha todas as informações que precisava. Daniele dormiu a caminho ainda no carro, a pequena estava exausta.
Ao chegar em casa Violetta pegou sua filha no colo e entrou em casa, deixou as chaves e a bolsa na mesinha e lá encontrou um bilhete de Leon. Ela o pegou e leu.
“Vilu, fui ao cinema com as crianças, depois do cinema vou levar a Julia para a casa e volto no fim da tarde. P.S. Te amo.”
Violetta sorriu e colocou o bilhete no lugar. Arrumou sua filha em seu colo e levou-a para a cama. Entrou no quarto de Daniele e deitou a menina na cama, cobriu-a e de baixo de seu braço colocou seu ursinho preferido. Sentou-se ao lado da filha e começou a passar a mão pelas madeixas loiras da filha.
Violetta não acreditava que por um acidente tinha encontrado sua filha. Ela estava emocionada até agora não parava de sorrir por um minuto e não parava de pensar na felicidade que estava por encontrar sua filha novamente.
Depois de meia hora com a filha, ela beijou a bochecha da filha e foi até a porta do quarto.
Leon tinha acabado de chagar em casa, Daniel estava dormindo e Pedro acordado elétrico como sempre. Leon colocou Daniel deitado no sofá e Pedro no chão, o mesmo saiu andando.
–Será que sua mãe chegou, amigão? –Leon perguntou a Pedro.
–Mamãe! –Ele falou desajeitado enquanto ria.
–Vamos ver. –Leon pegou o filho no colo.
Eles subiram e foram para o segundo andar, andaram até cruzarem com Violetta saindo do quarto de Daniele.
–Leon, não te ouvi chegando. –Violetta roubou Pedro do colo do marido.
–Vilu, já falei pra você não ficar entrando no quarto da Dani, não te faz bem, você sabe. –Leon afagou o braço da esposa.
–Eu sei Leon, mas eu não estou triste, olha. –Violetta abriu a porta do quarto.
Os dois olharam para dentro do quarto e logo lágrimas de emoção escorreram dos olhos de Leon ao ver sua filha dormindo tranquilamente.
–Onde ela estava? –Leon entrou no quarto.
–Ela estava no orfanato. –Violetta falou. –Estava bem tristinha lá, mas quando me viu...
–Eu não acredito, depois de meses. –Leon falou indo ao lado da filha. –Ela está tão grande. –Ela falou acariciando a bochecha da filha.
Eles não perceberam os olhinhos angelicais de Daniele se abrirem calmamente, até seus olhos mirarem o pai.
–Papá... –Disse a menina em um sussurro pelo cansaço.
–Oi, filha. –Leon falou encantado. –Eu estava com saudades.
–Eu também, papá. –A menina levantou e abraçou o pai.
–Nunca mais faça isso, Daniele, você quase nos matou. Se você fugir de novo eu vou te deixar de castigo, ouviu. –Leon falou feliz.
–Eu prometo, papá. –A Menina riu.
–Você está grande, e bonita. –Ele continuou.
Daniele rapidamente direcionou o olhar para a mãe.
–Esse é o Pedro? Ele tá bem grande, ele era pequenininho. –Daniele disse.
Violetta colocou Pedro no chão, o mesmo andou cambaleando até a irmã. Ele a olhou e apontou pra ela olhando para os pais com cara de dúvida tentando perguntar quem era a menina em sua frente.
–Essa é sua irmã, Pedro. –Violetta falou. –Não lembra da sua irmã?
Pedro parou de apontar e começou a analisar a menina em sua frente.
–Oi Pedro. –Daniele se ajoelhou na altura do irmãozinho. -Você é bonitinho?
Pedro a olhou e riu.
Finalmente a família Vargas estava completa, bom ou será que quase completa...
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