O Amor Permanece!
5 O que faz aqui?
Notas iniciais
Nota inicial
POV LEON
–Então você só liga para o seu filho, é assim, só se reocupa com seu filho e sua filha que está aqui ouvindo tudo você nem liga?
–Droga! –Falei em bom som me virando de costas e bufando.
–Não era isso que você queria? Pronto, está aí! –Ela falou brava. –Agora posso ir em bora?
–Não! –Parei-a.
Parei para pensar um pouco, não sabia como contar isso para a Violetta, ela vai me decapitar se eu contar a ela que tive uma filha com a Geri.
–Qual o problema de vocês mulheres? –Perguntei olhando para o nada ainda pensando.
–Qual? –Ela perguntou ainda arrogante.
–Esconder coisas. –Olhei-a bravo. –Caramba, você, a Violetta... Vocês duas fizeram a mesma coisa!
–Então quer dizer que ela te enganou? –Ela sorriu malvada. –Parece que ela é pior do que imaginava.
–Ela é melhor pessoa que já conheci, você não chega nem aos pés dela. Ela me deu os três preciosos presentes da minha vida!
–E eu uma. Para de excluir minha filha! –Ela quase gritou.
–Eu não sabia da existência dela até hoje para a sua informação.
Sentei no sofá e segurei o Pedro no meu colo enquanto ele estava distraído com um de seus brinquedos.
Ela se sentou ao meu lado, mas um pouco afastada com a Caroline dormindo em seu ombro. Nós ficamos em um silêncio mortal que estava dando para ouvir cada mosca que passava pela sala.
–Eu ia te contar. –Ela falou mais calma.
–Quando?
–No dia que você terminou comigo naquela praça, foi logo depois que você me contou que sua ex-namorada Violetta tinha voltado para Buenos Aires, eu tinha acabado de descobrir que estava grávida.
–Mas você não me falou. –Teimei.
–Você terminou comigo antes que eu pudesse fazer alguma coisa ou falar algo, por isso te beijei, não queria ficar longe de você Leonzinho, eu sabia quanto você gosta de crianças. –Ela se aproximou de mim.
–Não! –Levantei. –Não vou me aproximar de você novamente.
–Mas vai ter que pagar pensão por causa dela. –Ela falou mostrando a filha. –Então vai me ver mais do que você imagina, a Caroline vai nos reaproximar... –Ela estava se jogando em cima de mim.
–Mas não irei trair minha mulher, não com você nem com ninguém.
–Mas você não pode negar sua filha. –Ela levantou.
–E não vou, mas agora não quero falar disso. –Falei indo até a porta. -Diga ao Lucas que pego minhas coisas depois.
–Não vou deixar você escapar da nossa filha, ela é uma Vargas! –Ela falou alto.
–Não vou escapar dela, vou escapar de você. –Passei pela porta.
Saí da casa de cabeça quente.
Fui para o carro, coloquei o Pedro na cadeirinha e fui para o banco do motorista. Estava nervoso, não sabia como contar isso para a Vilu, não sabia como ela ia reagir. Olhei no relógio, eu tinha perdido total noção de tempo, me assustei ao ver a hora, eu passei quase duas horas discutindo com a Geri.
O Pedro dormiu logo que o carro começou a andar, assim deixando o carro silencioso, os únicos sons que conseguia ouvir era de buzinas e carros. Pequei um trânsito infeliz para chegar no hospital. Mas quando cheguei pelo menos o hospital estava tranquilo sem muito movimento.
O Pedro começou a gemer, e dar choros fracos fazendo bico e se mexendo no meu colo.
–O que foi, filho? –Perguntei ajeitando-o em meu colo.
Ele choramingou e logo um choro alto com berros começou. Percebi o motivo pelo choro dele, fome. Passei tanto tempo na casa do Lucas discutindo com Geri que esqueci de dar mamadeira para o Pedro.
–Desculpa, filhão. –Beijei a cabeça dele. –O papai esqueceu.
Fui para o quarto do Daniel ver se ele estava bem.
Subi os andares e entrei no quarto dele, fiquei aliviado. Fiz a mamadeira do Pedro e dei a ele, ele estava cansado então em pouco tempo ele foi fechando os olhinhos calmamente e em pouco tempo já estava em um sono profundo. Ele dormia que nem um anjinho, um menininho muito fofo.
Aproveitei que os dois estavam dormindo para encher minha cabeça de pensamentos. Eu não fazia ideia do que pensar do que fazer, não fazia ideia de nada naquele momento. Estava de cabeça quente com milhões de pensamentos passando por ela, eram tantos pensamentos voando pela minha mente que não conseguia pensar em uma só coisa ou me concentrar em um dos meus pensamentos.
Os meus pensamentos foram cortados com barulho da porta rangendo por estar sendo aberta, era uma enfermeira.
–Sim?
–A paciente Violetta Vargas solicitou sua presença, Dr. Vargas. –Ela falou meio envergonhada não querendo rir por perceber que ela era uma Vargas, resumindo, minha esposa.
–Obrigado, estou a caminho. –Me segurei para não rir.
Ela saiu do quarto com um sorriso no rosto e bochechas coradas querendo rir ainda.
POV VIOLETTA
–Me chamou? –Vi o Leon entrar pela porta.
–Sim. –Sorri. –E então, pegou as coisas no seu amigo?
–Não. –Ele sorriu escondendo algo.
–Era alguma coisa importante? –Pergunte curiosa.
–Não, ele é médico, são só alguns livros de pediatria, nos conhecemos na faculdade. –Ele explicou.
–Hm, entendi. –Assenti. –E como está meu pequeno?
–Bem, exausto, mas bem. –Ele colocou o Pedro dormindo ao meu lado.
–O que ele fez para ficar tão exausto? –Tentava tirar algo dele.
–Apenas brincou. –Ela continuou disfarçando.
–Hm. –Assenti novamente. –E o Dani? Como está?
–Dormindo, ele parece cada vez pior. –Ele falou ficando triste.
–Ninguém apareceu ainda para doar?
–Apareceu mas não é compatível com o Daniel. –Ele contou.
–Não podia estar pior. –Cruzei os braços brava.
–Não fale assim, Vilu. –Ele levantou e andou até meu lado. –Eu e o Pedro ainda estamos aqui.
–Eu sei, mas estou no hospital, Leon, sem poder ver meu filho e muito menos minha filha que está sumida.
–Nós vamos dar um jeito em tudo, vai acabar tudo bem. –Ele afagou minha mão.
–Espero que sim. –Fechei os olhos. –Quero descansar, Leon. Não dormi direito esta tarde, tive um pesadelo.
Falar sobre o pesadelo foi um enorme de um equívoco.
–É sobre aquele assunto? –Ele perguntou me encarando.
Olhei-o e engoli seco.
–Sim. –Falei. –Mas não foi nada, Leon, sério.
–O que tinha no seu pesadelo? –Ele continuou a perguntar.
–Nada de importante.
–Se é nada de importante porque não quer me contar? –Ele me fuzilou com os olhos.
Suspirei e olhei-o brava.
–No meu pesadelo tinha uma mulher. –Parei.
–E o que essa mulher estava fazendo?
–Ela estava em um orfanato conversando com outra mulher, diretora do orfanato. –Continuei.
–Prossiga, Vilu. –Ele pediu.
Suspirei novamente.
–E elas estavam falando sobre uma bebê que a mulher sequestrou e levou-a para o orfanato.
–E você pensou na Daniela. –Ele falou.
–Claro Leon!
–Mas ela não deu indícios nenhum, não tem como saber. –Ele questionou.
–Ela comentou que a bebê nasceu na Itália, e ela trouxe a bebê até Buenos Aires! E sim, eu pensei na minha filha, mas estou tentando aceitar que ela morreu, que a vi morta, que fui em seu enterro naquela tarde nublada e fria, que carreguei-a por nove meses a toa! –Falei já com lagrimas molhando todo meu rosto.
–Ei... –Ele limpou uma de minhas lágrimas. –Não fique assim, não quero te ver assim. Não queria que você lembrasse.
O quarto ficou silencioso, não queria falar mais, não queria sofrer mais lembrando do assunto.
–Quero dormir. –Pedi.
–Tudo bem. –Ele me deu um beijo na bochecha. –Eu vou ficar aqui com você.
Ele começou a afagar minha mão, carinho e conforto era o que ele me transmitia, o suficiente para eu apagar em pouquíssimo tempo.
Acordei com o barulho de voz, o Leon. Com os olhos entreabertos e a visão ainda embaçada eu olhei para a parede para olhar no relógio do hospital, estava de manhã. Olhei para o outro lado e vi o Leon no celular, ele aparentava estar nervoso, enquanto isso gargalhadas vinham do Pedro que estava brincando com seu mordedor e seu chocalho.
–Depois nos falamos, falei que não estou afim de falar sobre isso hoje. –O Leon falou nervoso.
Logo em seguida ele desligou o celular e tacou-o no sofá. Ele bufou nervoso e passou a mão nos cabelos ainda de costas para mim.
–Leon? –Chamei-o.
Ele se virou assustado mas sorriu ao me ver acordada.
–Bom dia. –Ele falou vindo em minha direção.
–Obrigada, mas parece que você não está tendo um bom dia. –Falei preocupada. –Com quem estava falando?
–Não era ninguém, coisa do trabalho. –Ele sorriu.
–Sabe Leon, desde ontem sinto que você está escondendo algo de mim, devo me preocupar?
–Não. –Ele continuou disfarçando. –Não é nada demais, não quero te preocupar.
–Vou acreditar em você. –Falei. –Quero ver o Pedro. –Pedi sorridente.
Ele levantou e andou até o bebê conforto onde o Pedro estava brincando e gargalhando. Ele soltou o Pedro e pegou-o no colo, o Pedro sorriu olhando-o e o Leon trouxe ele até mim.
–Sua mãe quer te ver. –Ele falou olhando o Pedro.
Ele colocou o Pedro ao meu lado e o segurou para que não caísse da cama.
–Oi, pequeno. –Falei acariciando sua mão. –Como o papai cuidou de você ontem, hein?
Ela sorriu e mordeu o brinquedo.
–Isso é um sinal positivo? –Perguntei ao Leon.
–Claro! Sou um ótimo pai. –Ele falou modesto como sempre.
–Vou pensar nisso. –Ri e o fazer bico.
–Ma! –O Pedro me olhou e me chamou.
–Não posso te pegar, amor. –Acariciei seus fios escuros de cabelo.
–Não mesmo! –O Leon pegou-o.
Fiz bico.
–Chato! –Falei.
–Mas apaixonado. –Ele me deu um selinho.
Depois de um tempo nos beijando o Pedro interrompeu colocando a mão no meu rosto e dando um gritinho.
Rimos com o ato dele. Dei um beijo na bochecha do Pedro.
–Lindo. –Falei enquanto ele sorria.
Ele resolveu que queria implicar com o gesso de seu braço e começou a bater no gesso incansavelmente até que acabou se machucando, ele bateu o braço com o gesso em seu rosto fazendo-o chorar muito.
–Viu só, qualquer dia ia se machucas mesmo. –O Leon pegou-o no colo.
O Leon começou a nina-lo até ele se acalmar um pouco e o choro cessar ao longo do tempo.
–Vilu, a Angie me ligou mais cedo e falou que ela e seu pai viriam, eles devem estar vindo. Preciso ir falar com a Francesca, tudo bem você ficar sozinha por um tempo? –Ele perguntou um pouco nervoso.
–Claro, tudo bem. –Falei forçando um sorriso. –O que você precisa conversar com a Francesca? Ela é minha melhor amiga.
–Mas também é minha amiga, e é pelo motivo de ela ser sua amiga que eu quero conversar com ela.
–Tudo bem, mas ainda não me falou o que quer falar com ela. –Continuei insistindo.
–Ela me ligou preocupada e eu vou ir conversar com ela para acalma-la.
–Tá. –Falei. –Ela é muito preocupada mesmo.
–É, conheço ela.
–Não é difícil. Mas tudo bem, Leon, vou ficar bem. –Falei.
–Então vou indo. –Ele se aproximou de mim.
Ele me deu um selinho antes de ir em bora, depois passou pela porta do quarto me deixando sozinha novamente.
O Leon estava muito estranho, saiu de mais e fica me escondendo algo, vou descobrir o que ele está escondendo de mim, mas depois, agora tenho que me preocupar com meus filhos.
Enchi minha cabeça de pensamentos que estavam me preocupado muito, mas me livrei deles num susto dado pela minha maninha.
A Julietta estava no colo do papai, ela estava gargalhando enquanto o papai fazia cocegas nela.
–Oi! –Falei feliz em vè-los.
–Como você está, Vilu? –A Angie perguntou.
–Estou bem.
–O que aconteceu, filha? –Papai perguntou preocupado.
–Acidente, nada mais...
POV LEON
–Leon? –Perguntou Francesca espantada. –O que faz aqui?
–Vim conversar. –Falei.
–Hã, tá, tudo bem, entre. –Ela deu passagem confusa.
Entrei e parei no meio da sala.
Ela fechou a porta e andou até mim.
–O que quer falar? –Perguntou pegando o Pedro do meu colo. –Sente.
–Claro. –Sentei no sofá em sua frente.
–Leon, não é normal você aparecer aqui do nada então gostaria de saber o eu veio fazer aqui.
–Quero falar sobre a Violetta. –Falei.
–Entendo agora, conheço-a bem, mas você também então ainda não estou entendendo porque veio aqui, seja mais específico. –Ela pediu brincando com o Pedro.
–Eu sei, conheço bem minha esposa mas atualmente estou confuso, não sei o que fazer. -Falei olhando-a em pedido de ajuda.
–Confuso com o quê? –Ela perguntou.
Lembrei que a Geri me mandou milhares de mensagens me enchendo e acabou mandando uma foto da Caroline. Procurei a foto no meu celular e quando encontrei-a mostrei pra a Francesca.
–Estou confuso com isso. –Mostrei a foto.
–Fofinha, quem é? –Ela perguntou.
–Esse é o problema. –Guardei o celular.
–A menininha? Ela é fofinha, qual o problema? Duvido que seja culpa dela. –Ela me olhou desconfiada.
–Não, a culpa não é dela. –Falei. –O problema sou eu, a Vilu e a mãe dela. –Falei passando a mão entre o cabelo nervoso.
–Oh não, não me diga que... Não, não pode ser. –Ela negou.
–Não sei se é verdade, mas a Geri disse que é minha filha. –Falei nervoso.
–Não a vi gravida, a menina tem quantos anos? Dois?
–Quase dois, não sei exatamente.
–Vocês estavam mesmo juntos. –Ela olhou o Pedro que queria pular de seu colo. –É sua mesmo?
–Não sei, mas espero que não seja...
*Duas semanas e meia depois
A Vilu já está em casa, está andando e feliz de poder pegar o Pedro no colo, bom, para recompensar o tempo sem pega-lo agora ela não o larga por nada deste mundo.
O Daniel está mais fraco do que nunca. Está pálido, os lábios estão sem cor, estão brancos, os olhinhos verdes perderam sua cor, ele não para acordado e sempre se sente mal. Eu e a Vilu estamos fazendo o máximo possível, mas até agora nada!
–Não é possível que ninguém tenha sangue O-. –A Vilu falou triste.
–Nós vamos encontrar alguém. –Falei. –Alguém em Buenos Aires deve ter sangue O- para doar. –Falei enquanto andava com ela pelo corredor do hospital.
–Eu tenho sangue O-. –Disse uma pessoa atrás de nós.
Viramos os dois para olhar.
Tinha uma pessoa que eu não conhecia, mas pelo jeito a Vilu sim.
–O que faz aqui?
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