O Amor Permanece!
1 Não pode ser a Daniele...
Notas iniciais
NOTAS INICIAIS
POV VIOLETTA
–Vilu, o Daniel precisa de doação de sangue. –O Leon disse.
–Ai não... –Me sentei no sofá.
–Mas o sangue dele é O-. –Falamos juntos.
–É, eu sei. –Suspirei nervosa.
–O banco de sangue está sem O- no momento, se não encontrarem logo ele não vai sobreviver por muito tempo. –O Miguel falou indo na direção da porta. –Tenho que ir, tenho um paciente.
O Miguel se retirou do quarto, deixando-o um silencio. Eu derramei uma lagrima e olhei para o Leon. Logo ele me aconchegou em seus braços em um abraço calmo e tranquilizador.
–Fica calma, nós vamos encontrar alguém. –Ele falou tentando me acalmar.
–Eu sei. Nós temos que achar. –Falei tentando me acalmar. –Desde que eu soube que ele tinha sangue O- fiz de tudo para que ele ficasse praticamente intacto, a única coisa que eu não queria era que ele precisasse de uma doação de sangue.
–Mas esse momento chegou, Vilu, e nós vamos salva-lo, com certeza tem alguém em Buenos Aires com o sangue O- para doar. –Ele colocou uma mecha de meu cabelo para trás da orelha, tendo melhor visão de meu rosto.
–E eu vou encontrar essa pessoa. –Levantei. –Vou perguntar para todo o pessoal se eles têm ou sabem de alguém que tem e poderia nos ajudar. –Ele levantou e ficou na minha frente.
–Quer que eu vá com você? –Ele perguntou preocupado comigo.
–Não, eu vou. Se o Daniel acordar quero que você esteja aqui para ficar com ele. –Falei pegando minha bolsa.
–Tudo bem, você vai ficar bem? –Ele perguntou pegando o Pedro.
–Sim, é bom que assim o Pedro pode fazer um passeio, ele adora passear. –Falei tentando parecer pelo menos um pouco feliz.
–Eu te amo. –Ele me deu um selinho.
–Eu também te amo. –Dei outro selinho nele.
Ele me deu o Pedro.
–Tchau, meu amor. –Ele me abraçou. –Tchau amigão. –Ele beijou a testa do Pedro que por incrível que pareça está dormindo.
–Tchau, Leon. –Dei um último selinho nele.
Fui para o carro, deixei o Pedro na cadeirinha e fui para o Banco do motorista. Pensei em quem ir primeiro. Resolvi ir para a Cami pois ela é a que mora mais perto do hospital. Não demorou muito para eu chegar, a única coisa que me atrasou foram os sinais vermelhos que peguei, nada mais.
Quando cheguei, peguei minha bolsa e o Pedro (que agora está acordado). Andei até a porta e toquei a campainha esperando até que alguém me atendesse. Demorou um pouco, mas finalmente a porta foi aberta pela Cami, de cabelos molhados.
–Desculpa, não queria atrapalhar o banho. –Falei meio sem graça.
–Tudo bem, Vilu. Eu já tinha saído do banho, só estava me trocando. –Ela me abraçou me cumprimentando. –Entre. –Ela deu passagem.
Entrei e logo dei de cara com o Henry brincando no chão em cima do tapetinho amarelo dele. Quando me viu deu um gritinho feliz e lançou o brinquedo que estava em sua mão o mais longe possível. Coloquei o Pedro ao lado dele, ele logo se interessou pelos brinquedos coloridos do Henry, não muito diferentes dos que ele tem.
–O que te trás a minha humilde residência? –Ela mesma riu da piada.
Dei um risinho sem querer.
–É que...
Comecei a contar toda a história para ela, do início ao fim, desde o parquinho até hoje no hospital, comentando sempre o Daniel e a Daniele. A cada palavra que saia da minha boca a Cami ficava mais triste e com mais dó. Ela chorou um pouco, me abraçou e sempre falava que qualquer coisa eu podia contar com ela. Quando perguntei a ela sobre o tipo sanguíneo dela, a expressão dela não foi boa, passou de ruim para péssima.
–Eu sinto muito, amiga, mas não tenho, nem o Broduey. –Ela me abraçou na tentativa de me acalmar.
–Tudo bem. –Passei o lado de mão de leve no nariz. –Vou ver com o resto do pessoal se algum deles tem e poderia me ajudar. –Sorri fracamente.
–Somos em muitos, com certeza alguém deve ter o sangue O-. –Ela falou confiante.
–Tem que ter Cami. –Dei outro sorrisinho fraco. –Mas agora tenho que ir, vou pra casa, já é tarde e o Pedro tem que jantar e tomar um banho, assim como eu.
–Está bem. –Ela sorriu.
Peguei o Pedro no colo e tirei cuidadosamente o brinquedo que estava em sua mão, ele começou a chorar porque queria o brinquedo novamente eu suas mãos para ele voltar a analisar e brincar.
A Cami ficou com dó.
–Pode levar, Vilu, o Henry tem de monte. Depois você me devolve. –Ela acariciou a bochecha do filho que agora se mantinha em seu colo.
–Tudo bem, Cami. Logo ele para.
Peguei minhas coisas e fui para o carro, partindo para a casa.
O caminho até em casa foi cansativo, era volta de trabalho de muita gente então peguei transito. Mas, depois de uma hora de transito eu finalmente cheguei em casa. A primeira coisa que fiz foi ligar para cada um dos meus contados. Comecei desde o começo, liguei número por número sem pular nenhum. Liguei, liguei, liguei, liguei, liguei e liguei... Nada, todas as respostas que tinha “Sinto muito, Vilu.” Quando acabei de ligar para todos eu deixei uma lagrima escorrer, e depois outra e outra, não conseguia parar de chorar pensando no meu pequeno que está no hospital e na minha pequena que está desaparecida. Suspirei limpando as lágrimas.
–Vai ficar tudo bem. –Falei a mim mesma.
Sentei no sofá e amamentei o Pedro um pouco. Depois coloquei ele no chiqueirinho. Fiz janta apenas para mim e jantei logo, depois que terminei pensei no que fazer para tentar me distrair. Fui até o piano calmamente, me sentei e comecei a tocar. Em pouco tempo eu já estava tocando e cantando.
–Habla si puedes, grita que sientes, dime a quién queres, y te hace feliz... –Fui interrompida.
–Ma... –O Pedro choramingou. –Ahh, ma... –Ele fez bico.
–Já vou, amorzinho. –Levantei mais tranquila.
Andei até ele e o peguei no colo.
–Pronto... –Comecei a nina-lo. –Shh...
Ele parou de chorar e ficou me olhando.
Ele ficou mexendo os braços e rindo, dando gritinhos e gargalhadas alegres.
–Sorte sua, filho. –Suspirei segurando sua pequena mãozinha. –Não faz ideia do que está acontecendo.
Acho que neste momento, a única coisa que me tranquiliza é o Pedro, meu bebê lindo. Ele olhava para mim gargalhando e sorrindo, sei que ele me reconhece, toda vez que ele me vê ele sorri feliz, ou quando me vê ou quando vê ao Leon.
Resolvi brincar um pouco com ele para ver se me acalmo e esqueço um pouco da vida. Levei-o para a minha cama, me sentei e deixei-o deitado, peguei sua mão e dei uma mordida com os lábios para não machuca-lo. Ele recolheu a mão rapidamente dando uma gargalhada. Ele por um momento se interessou pelo edredom que cobre minha cama, voltou a olhar pra mim pegando meu dedo em seguida e analisando-o.
Depois de um bom tempo brincando com ele, dei um banho nele, troquei-o, amamentei-o e o coloquei para dormir. Quando ele já estava adormecido eu fui tomar meu banho, ele foi um pouco demorado mas tive meus motivos, ficava pensando na vida. Logo que saí do banho ouvi meu celular tocar, coloquei meu roupão de banho e atendi o telefone em seguida.
#Ligação on#
–Oi, amor. –Atendi.
–Oi, Vilu. –Ele falou simpático. –Como você está?
–Péssima. –Falei brava. –Não achei ninguém.
–Fique calma, nós vamos encontrar alguém. –Ele falava tranquilo.
–Eu sei. –Tentei ser confiante. –O Daniel acordou?
–Sim, a primeira coisa que ele falou quando acordou foi perguntar por você. Ele está morrendo de saudades.
–E eu dele, quero vê-lo acordado. –Sorri.
–Amanhã provavelmente ele estará. –Ele disse. –Eu vou voltar para a casa.
–Tudo bem. –Andei até o quarto.
–Eu te amo. –Ele falou romântico.
–Eu também te amo, Leon.
–Daqui a pouco estou aí.
–Te espero. –Ri baixo. –Tchau.
–Tchau, Vilu.
#Ligação off#
Me troquei e fiquei no meu quarto, deitada sem saber no que fazer ou mesmo no que pensar. O Pedro não acordou nem um estante, o que eu agradeci.
POV LEON
Em 20 minutos eu cheguei em casa, foi até rápido pela distância do hospital e a casa. Logo que cheguei fui na direção do quarto, onde tinha certeza que encontraria a Vilu.
Quando entrei no quarto ela andou até minha direção.
–Como você está? –Abracei-a.
–Tentando ficar tranquila, mas está sendo impossível, sabia? –Ela me abraçou de olhos fechados.
–Já te falei, fique tranquila, nós vamos conseguir. –Falei confiante enquanto acariciava seu cabelo.
–Eu sei...
–Então vamos dormir e amanhã continuamos a procurar, pode ser? –Me afastei dela para olha-la nos olhos.
–Tá. –Ela assentiu.
–Vou tomar banho e já volto. –Dei um beijo na bochecha dela e fui ao banheiro.
Tomei um banho rápido, mas relaxante. Quase não tenho ficado em casa, ou estou trabalhando, ou estou no hospital cuidando do Daniel. Não tenho ficado muito em casa, e sinto que a Vilu está se sentindo sozinha o que a faz ficar bem pior do que ela já está.
Saí do banho, coloquei uma roupa confortável para dormir e fui me deitar. Quando saí avistei a Vilu dormindo tranquilamente. Deitei ao seu lado.
–Eu te amo. –Beijei sua testa. –Nunca vou te abandonar.
Dormi rapidamente, estava completamente cansado.
Acordei cedo pois tinha trabalho. Acordei 6:00 triste, normalmente acordo este horário porque tenho que levar maus filhos à escola, mas isso não vai acontecer, infelizmente. Nem acordei a Vilu, sei que ela vai ficar triste então vou deixa-la dormir mais um pouco.
Tomei meu banho matinal, me troquei socialmente para o trabalho ninei um pouco o Pedro até ele se acalmar e depois desci para fazer o café. Fiz café e torradas. Coloquei tudo em uma bandeja e levei para o quarto. Deixei a bandeja em cima da mesinha do quarto e me sentei na cama ao lado da Vilu.
–Vilu, meu amor... –Chamei-a. –Querida. –Descobri-a.
–Oi, amor. –Ela abriu os olhos sonolenta.
–Trouxe o café. –Andei até a mesa.
Peguei a bandeja e levei até ela.
–Obrigada. –Ela se sentou. –O Pedro?
–Está bem, está acordado no berço.
Quando os dois terminaram de comer eu fui trabalhar e a Vilu também.
13:23
POV VIOLETTA
–Terminamos. –Falei apressada.
–Ainda não, Vilu. Falta uma lista de matriculas. –A Fran se levantou.
–Preciso ir Fran. –Resmunguei.
–Mas ainda não terminamos. –Ela me seguiu.
–Vamos terminar amanhã. –Pedi.
–Bom, você que sabe, você é a chefe.
–Obrigada. –Abracei-a. –Pega o Pedro na creche, hoje?
–Tudo bem. –Ela suspirou dando um sorriso em seguida.
–Você é a melhor, Fran. –Dei um abraço apertado nela.
–Eu sei. –Ela riu.
–Obrigada. –Saí correndo.
Peguei minha bolsa e parti para o hospital.
O Leon ainda estava no trabalho então o Daniel estava sozinho no hospital. Não quero deixar meu pequeno sozinho.
A polícia ainda não encontrou a Daniele, mas disseram que se tivessem alguma informação sobre ela, a primeira coisa que irão fazer vai ser ligar para mim e para o Leon.
Logo que cheguei no hospital me reconheceram e me deram o cartão de visitante para eu poder entrar no hospital. Eu entrei e fui direto ao quarto dele. Eu abri a porta cautelosamente para não acorda-lo caso estivesse dormindo. Quando eu entrei, vi ele assistindo TV. Ele olhava para cima concentrado em assistir o filme que passava.
–Oi, querido. –Me aproximei dele.
Essa foi a primeira vez que vi ele acordado depois do acidente.
–Oi mamma. –Ele me abraçou fraco.
–Como você está, querido? –Perguntei olhando em seus olhinhos tristes.
–Eu não consigo faze nada, tô sempre cansado. –Ele reclamou.
–Eu sei amor. –Beijei sua cabeça. –Você ficará bem, eu prometo.
–Quem foi que me machuco, mamma? –Ele perguntou fraco.
–Eu não sei, querido. –Afaguei sua pequena mão comparada a minha.
–Foi quem machuco a Dani, não foi? –Ele me perguntou triste.
Suspirei.
–Eu acho que sim, filho. –Falei triste. –Mas você vai ficar bem.
–Eu sei. –Ele assentiu de olhos fechados. -Onde tá a Dani, mamma?
–Ela... –Lagrimas surgiram em meus olhos. –Filho, a Dani fugiu de casa e... nós... nós não sabemos onde ela está.
–Vocês vão acha ela, não vão? Eu amo a Dani. –Ele disse mais triste ainda.
–Eu se...
De repente começou passar o jornal, e a mulher do jornal me interrompeu.
#TV-Jornal on#
–Os policiais de Buenos Aires encontram um corpo de uma criança na cidade de Buenos Aires. O corpo da criança foi encontrado em um beco no bairro Monte Castro. –É o bairro onde moro. — A vítima é do sexo feminino e aparenta ter entre 5 e 7 anos de idade, loira com cabelos cacheados, aparentemente morta a 12h. Pelas investigações os policiais acham que é a desaparecida Daniele Castillo Vargas que foi dada como desaparecida a dois dias. –Mostrou no canto da tela uma foto da Daniele. — Não temos confirmação ainda, mas os policiais vão pedir reconhecimento aos pais de Daniele Castillo Vargas para a confirmação da vítima.
#TV-Jornal off#
Neste momento meu coração se despedaçou, não pode ser minha filha, não pode ser a Daniele...
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