O Amor Permanece!
13 Ela vai ficar bem...
Notas iniciais
POV VIOLETTA
—Ela é irmã de vocês. –Eu e o Leon dissemos juntos.
—Só pode ser brincadeira! –A Daniele levantou e saiu andando.
—Isso é sério? –O Daniel perguntou.
—Totalmente. –Leon respondeu.
—Isso é legal. –O Daniel sorriu. –Somos trigêmeos.
—Não, isso não é legal! –A Dani falou andando de um lado para outro com as mãos na cintura e respirando fundo.
—Daniele! Sente aqui, agora! –O Leon mandou bravo.
Até o Pedro que está no seu colo se assustou.
A Dani relutante se sentou novamente onde estava antes.
—Pelo menos expliquem como não sabiam que éramos trigêmeos?
—Filha, quando vocês nasceram ocorreram certas preocupações no parto e me disseram que sua irmã estava morta, nós descobrimos que ela estava realmente viva quando vocês tinham sete anos.
—Eles não sabiam, eu fui adotada quando tinha dois anos. –A Jennifer comentou.
—Vai demorar um tempo até eu assimilar tudo isso. –A Dani bufou.
—Bom, an... vamos as apresentações. –O Leon falou. –Jennifer, estes são Daniele, Daniel, e Pedro, ele tem 4 anos.
O Pedro me cutucou com o dedinho.
—Fala, amor.
—“Quem é ela?” –O Pedro perguntou em libras, ele estava com vergonha de falar.
—“Ela é sua irmã.?” –Respondi também em libras.
—Ele é surdo ou mudo? –A Jenni perguntou.
—Surdo, mas tem um aparelho auditivo que o permite escutar, ele só está com vergonha. –O Leon respondeu.
O Daniel levantou e abraçou a Jennifer.
—Agora tenho mais uma irmã para brincar comigo. –Ele falou quando eles já tinham se separado.
Ele se sentou novamente e as gêmeas ficaram se olhando.
—Eu não quero ficar brigada com você, nem te conheço direito. –A Jennifer disse.
—Eu tenho meus motivos e tenho certeza que voc... –A Daniele parou de falar e olhou para o pulso da Jennifer.
Jennifer segurava a mão direita enquanto ouvia.
—O que é isso? –A Dani pegou no pulso dela.
—É meu. –Jennifer escondeu o braço atrás das costas.
Sabia que a Daniele ia fazer algo muito feio e que poderia machucar a Jennifer então a impedi.
—Daniele, nem pense nisso. –Olhei feio para ela.
Ela bufou.
—Posso ver sua pulseira? –Ela perguntou sorrindo.
A Jennifer tirou a mão de trás das costas.
—Onde arranjou isso? –A Dani perguntou.
—É meu, sempre foi meu, desde que eu era pequena.
—Eu tenho um. –A Daniele mostrou o pulso.
Eu sabia o que era aquilo: quando descobri que teria duas meninas eu encomendei duas pulseiras com pingentes para elas, para que elas usassem quando crescessem, eu escolhi os pingentes e mandei fazer especificamente para elas. Dei a Dani quando ela fez oito anos, a outra eu tinha deixado com a bebê morta, não sei como foi parar com ela.
—De onde é esta pulseira? –Perguntei.
—Não sei, quando eu era pequena a mulher do orfanato falou que veio comigo.
—Essa pulseira foi feita para vocês duas. –Contei. –Pedi para fazer quando ainda estava grávida.
—E como foi parar com ela? –O Leon perguntou.
—Eu não sei...
....
O Dia passou rápido, o Daniel apresentou toda a casa para a irmã e eles passaram o dia juntos. A Daniele com certeza está com ciúmes de ter outra menina em casa. Ficou de mau humor o dia inteiro. O Pedro gostou da notícia, como ele ainda é pequeno queria brincar com ela o dia todo.
—Hey, Pedro. –Peguei-o no colo enquanto ele seguia a Jennifer. –Deixa ela em paz, pequeno. –Falei com ele no colo.
—Quelu blincar. –Ele falou fazendo bico.
—Ela já brincou com você. –Ri.
—Mas eu quelo... –Ele parou para bocejar. –Blinca mais...
—Não, chega de brincar, vou te dar um banho para você dormir um pouco.
Comecei a andar em direção ao banheiro com ele no colo. Dei um banho nele e logo depois que saiu, antes que eu colocasse uma roupa nele ele cochilou.
Quando terminei de troca-lo a campainha tocou. Tirei o aparelho do Pedro e o coloquei na cama.
Fui até a porta e quando abri encontrei a Brenda, ela estava com um olhar triste, mas sorriu ao me ver.
—Eu preciso falar com você. –Ela falou.
—Claro, entre...
....
—Eu sinto muito, mas o que você vai querer fazer?
—Não quero que a Jennifer fique sofrendo com isso, queria saber se você pode ficar com ela até tudo se ajeitar.
—Claro, sem problemas. –Falei.
—Obrigada, eu vou leva-la e amanhã a trago para deixa-la aqui, pode ser?
—Pode, claro...
...
—Leon! –Abracei-o quando ele chegou em casa.
—Oi, meu amor. –Ele me beijou.
—Temos que conversar. –Falei séria.
—O que aconteceu, você está tensa. Aconteceu alguma coisa com os meninos?
—Não, eles estão bem, estão todos na cama dormindo. É sobre outra coisa.
—O que então. –Ele fechou a porta.
Fomos até o sofá e nos sentamos.
—A Brenda, foi hoje ao hospital... E... Ela descobriu que está com... Com câncer. –Falei.
—Ela está bem?
—Que pergunta idiota Leon!
—Não grita, vai acordar as crianças.
—Não fui eu que comecei! –Fiquei brava.
—Vilu, eu estou cansado e você também, que tal conversarmos amanhã?
—Ótima ideia.
—Então vamos antes que eu desmaie aqui mesmo no sofá.
Levantamos e fomos em direção a escada, quando pisamos no primeiro degrau avistamos a Daniele do outro lado da escada nos olhando.
—Daniele, você deveria estar dormindo. –O Leon falou.
—Eu sei, mas não estou conseguindo.
—Querido, vai indo para o quarto que eu já vou. –Sussurrei em seu ouvido.
—Ok. –Ele me deu um selinho e foi para o quarto.
Esperei para que ouvisse a porta do quarto se fechando até chamar a Dani. Pedi para que ela descesse para que pudéssemos conversar um pouco, sabia porque ela estava sem sono e queria acabar com isso de uma vez.
—Minha menininha teimosa e ciumenta. –Abracei-a.
—O quê? Do que está falando mamma?
—Você está com ciúmes agora que descobriu que tem uma irmã. –Ri baixo.
—Eu não sei do que está falando. –Ela virou a cara.
—A Daniele, eu te conheço amor, sei que está com ciúmes. Aconteceu a mesma coisa quando fiquei gravida do Pedro, você não dormia, tinha vezes que não comia e até fugiu de casa.
—Tá, mas é diferente. Ela é minha irmã gêmea.
—Mas isso não é novidade para você, você sempre soube que o Daniel era seu irmão gêmeo, é só acrescentar mais uma. –Comentei.
—Ela é garota!
—Qual o problema, pelo menos você vai ter companhia.
—Não vou não, ela não mora aqui.
—Então, sobre isso... –Cocei a nuca.
—Não, não, não e não! Nem pense nisso mãe, ela não pode morar aqui!
—Por que não? –Perguntei rindo.
—Porque ela tem a casa dela e nós temos a nossa!
—Filha, aconteceu uma coisa e ela vai ter vir morar com a gente por um tempo.
—Lá se vai minha vida... –Ela se jogou no sofá.
—Daniele, por favor sem drama. Depois você fala que não está com ciúmes.
—E não estou. –Ela cruzou os braços.
—Vou fingir que não, mas agora está tarde e nós duas temos que dormir.
Ela assentiu.
Levei-a até seu quarto e fomos dormir porque tanto eu quanto ela estávamos exaustas.
POV DANIELE
Estava no Studio Life in Art (o studio da minha mãe).
Estava passando por um dos corredores com algumas amigas indo para um dos auditórios, estávamos atrasadas para a aula de teatro. Nós apertamos o botão do elevador e estávamos esperando ele chegar, enquanto isso ficamos conversando.
Chegamos na aula e como sempre o professor não brigou comigo, ele sabe que minha mãe é a dona e diretora da escola, e eu acho que ele tem uma quedinha por ela, o que me irrita muito.
Eu fui para um dos camarins deixar minhas coisas, o camarim estava vazio. Todos estavam sentados nas cadeiras do auditório esperando para que a aula começasse.
Quando me virei para a porta levei um susto ao ver o professor lá parado me olhando.
—Que susto professor. –Exclamei nervosa.
—Vim te procurar para a aula. –Ele falou.
—Eu já estou pronta. –Falei. –Já podemos ir.
Fui na direção da porta, mas ele me barrou.
—Como está sua família, Daniele?
—Hmm... Bem, muito obrigada. –Respondi ainda nervosa.
—Sua mãe está bem? Não a vi ontem.
—Sim, está.
Eu queria sair dali, ele estava me encarando e sorrindo, estava ficando assustada.
Nós dois levamos um susto quando a porta se abriu rapidamente. Fui salva pelo gongo, ou melhor, pela tia Fran.
—Dani... Sua, sua mãe pediu para eu te chamar.
—Bom, professor tenho que ir. –Saí do camarim. –Vamos tia Fran.
A caminho da sala da minha mamma tirei uma dúvida com a tia Fran.
—Como sabia que eu estava no camarim? –Perguntei.
—Sua mãe colocou câmeras na escola toda e quando ela te viu lá.
—Esse cara me assusta, como minha mãe pôde contrata-lo.
—Sei lá, você conhece sua mãe, ela é pirada.
Assenti rindo.
Fomos até a sala da minha mãe, a tia Fran me deixou lá e depois voltou para terminar a aula dela.
Ao entrar na sala não avistei ninguém então fui até a salinha do lado. Entrei devagar, mas levei um susto quando o Pedro saiu de lá de dentro correndo e rindo.
—Pedro! Não faça isso! –Falei assustada.
Ele apenas gargalhou.
—Ei, Pedro, onde a mamma está?
—Ali. –Ele apontou para outra sala, a sala de reunião.
—Tá, agora volta lá pra sua salinha que eu vou falar com ela.
Fui para a sala de reuniões e quando entrei me deparei com a Jennifer e o Daniel.
—Ah, você...
—Daniele! –Minha mãe apareceu.
—Estava te procurando. –Falei.
—É, mandei a Fran te pegar.
—Quer falar comigo? –Perguntei.
—Quero, vem aqui. –Ela me levou até uma cadeira onde me sentei.
Sentamos eu, ela, o Daniel e a... Jennifer.
—Meninos, a Jennifer está aqui porque de hoje em diante por um bom tempo ela vai morar conosco.
—Sério?! –Lá estava meu irmão todo animadinho.
—Sim, então vão ter que se acostumar a viver com mais uma em casa.
—Uhm. –O Daniel assentiu.
—Quero dizer que não quero brigas nem, discussões, nem manha.- Ela me olhou fixamente.
—Tá. –Bufei.
Três meses depois
Primeiro dia de aula com a minha irmã gêmea. É uma droga!!! O Dani está todo animado, mas eu não. Não tem nada de legal nisso, nada!
—Pronta querida? –Meu pai apareceu na porta.
—Sim, e o Dani?
—Seus irmãos já estão prontos, só faltava você. Dani, querida... –Ele veio até mim. –Pare de excluir sua irmã, por favor.
—Pai, o Daniel é meu irmão, o Pedro é meu irmão, eles são meus irmãos.
—E a Jenni também.
—Ainda não me acostumei com isso.
—Então se acostume, pelo menos tente, querida.
Ele me encarava como se tivesse me implorando para fazer. Não podia falar não a ele.
—Tá. –Bufei. –Vou tentar, mas não prometo nada.
—Obrigado! –Ele me abraçou.
...
Lá vou eu, primeiro dia na escola com minha irmãzinha. Vou chamar de irmãzinha porque pelo que soube eu fui a primeira a nascer e ela é uma bocó, parece uma criancinha.
O Daniel, claro, um bobão ficou com ela, mas foi só entrar na escola que a deixou de lado e foi ficar com os amigos, resumindo, ela ficou sozinha no meio do pátio.
Cheguei perto das minhas amigas, elas estavam cochichando algo.
—Do que estão falando? –Perguntei parando ao lado da Clara.
—Estamos reparando na menina nova... –Elas apontaram para a Jennifer. –Quem entra na escola nessa época do ano? Muito estranha.
Começaram a falar um monte de coisas assim como outros grupos de crianças que estavam no pátio. Não me arrisquei a falar que ela era minha irmã, só não comentei nada sobre ela, fiquei quietinha lá meio encolhida.
Depois de um tempo lá de lado uma de minhas amigas olhou para a Jennifer e depois para a mim, depois para a Jennifer e voltou para mim. Ela fez isso por alguns instantes até falar algo.
—É impressão minha, Dani, ou você é muito parecida com a aluna nova.
Bufei.
— Ela é minha irmã gêmea.
—Mas, não é o Daniel seu irmão gêmeo?
—Também, pelo jeito nós somos três, descobri a pouco tempo.
—Legal! –Uma de minhas amigas, Sarah, disse.
—Não, não é legal!
Bati o pé.
—Você só fala isso porque não é filha única, se você não tivesse ninguém para conversar ou brincar você gostaria de ter irmãos.
—Tá, a questão é que eu já tenho, o Daniel e o Pedro, não precisava de mais uma.
-É, mas você não tinha irmã, não tinha ninguém para conversar sobre coisas de meninas. –Disse a Carla.
Fiquei quieta pensando...
...
—CRIANÇAS VENHAM COMER!!!
Minha mãe gritou nos chamando para a janta. Parei de brincar e fui até a porta do meu quarto, estava passando pelo corredor indo na direção da escada quando comecei a ouvir um choro baixo. Parei e deixei de fazer aquele caminho, dei meia volta passando por todas as portas, até chegar a porta que vinha o choro. O quarto da Jennifer.
Bati na porta e entrei de mansinho. Vi a Jennifer na cama abraçada ao cobertor horando baixo.
—Jennifer?!
Ela levou um susto, provavelmente não me ouviu bater.
—Você está bem?
Perguntei.
—Não... –Ela disse sem me olhar.
—Quer conversar?
Ela me olhou, fungou uma vez e limpou os olhos.
—Estou com medo. –Ela disse. –Não quero que minha mãe morra.
—Ela não vai morrer, vai ficar tudo bem com ela...
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