O Amor Não Morreu
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Elly Dixon, esse é meu nome. Após esse fim de mundo, eu e meus irmãos, Daryl Dixon e Merle Dixon, vivemos juntos nesse apocalipse para nos proteger. Não temos moradia fixa, pois é muito perigoso por conta dos infectados. Eles ficam cambaleando por aí em busca de carne fresca para devorar. Estamos caminhando em busca de suprimentos, mas a única coisa que conseguimos achar foram errantes por todos os lugares.
— Estamos andando há três horas inteiras por nada? Até agora só achamos essa merda de errantes — argumentei, franzindo o cenho, já sem paciência.
— Precisamos encontrar algum lugar para passar a noite... mas essa porra de sol não ajuda — disse Daryl Dixon, o Dixon mais novo.
— Ah, relaxa. Se a noite não matar a gente, o sol mata. Ou os mortos. Ou vocês dois sendo dramáticos demais — rosnou o Dixon mais velho, dando um gole longo na garrafa.
Continuamos andando por mais duas longas horas, mas aquele calor insuportável não ajudava. Ele só me fazia sentir mais fome e sede do que o normal. Eu estava tão fraca de fome que minha pressão já estava baixa, a ponto de eu quase desmaiar.
— Eu tô com fome! — berrei para um dos Dixons.
— Garota, abaixa a voz. Quer trazer todos os errantes pra cá? — Merle rosnou, me encarando de forma ameaçadora.
— Eu também tô. Vou procurar alguns esquilos pra gente comer — disse Daryl, enquanto arrumava a besta que Merle havia roubado de um traficante.
Credo! — avistei de longe uma caminhonete e algumas pessoas em cima de uma coluna. Fiquei olhando melhor, tentando entender se eram errantes ou gente de verdade.
— Ei, seus merdas! Olhem lá — apontei para o mesmo lugar que eu tinha avistado minutos atrás e, ao olhar para trás, percebi meus dois irmãos me encarando
— Ô, sua pirralha! Quem te ensinou a falar assim? — berrou o Dixon mais velho, logo ele, que era o campeão em falar palavrões e baboseiras.
— Nem me diz... bora ir logo, véi — falei, já me apressando para chegar primeiro. Olhei para trás e vi os Dixons tentando me alcançar, xingando enquanto vinham atrás de mim. Sorri de canto, satisfeita por estar na frente.
Foi então que ouvi uma voz a alguns metros de distância.
— Ei! Para aí!
Congelei na hora. Meu corpo inteiro ficou tenso. Me virei devagar, levando a mão instintivamente até a arma. Em cima da coluna estavam algumas pessoas, armadas, me observando com desconfiança. Não pareciam errantes — se moviam demais, pensavam demais.
— Relaxa — disse um homem de barba, descendo com cuidado. — A gente não quer problema.
Daryl e Merle chegaram logo atrás de mim, ambos em posição de ataque.
— Quem são vocês? — Daryl perguntou, seco.
O homem suspirou, como se já estivesse cansado daquela pergunta. — Sobreviventes. Igual vocês.
Observei cada um deles com atenção. Crianças, mulheres, homens armados... um grupo. Grande demais para confiar. Pequeno demais para se sentir seguro.
E foi então que meus olhos cruzaram com os de um garoto usando um chapéu velho demais para a idade dele.
Naquele momento, eu ainda não sabia, mas aquele encontro ia mudar muita coisa.
— Que tal a gente se acalmar e guardar as armas, por questão de segurança? — disse o xerife, abaixando a arma.
Daryl hesitou por um segundo, Merle resmungou algo baixo, mas no fim fizemos o mesmo. Abaixei a minha arma devagar, sem tirar os olhos deles. Não gostei da ideia, mas discutir ali só ia piorar as coisas. Confiar em estranhos nunca acabou bem nesse mundo.
Fingimos que nada tinha acontecido enquanto o xerife recolhia nossas armas uma a uma. Cada segundo sem elas me deixava inquieta. Se algo desse errado, estaríamos indefesos. Mesmo assim, permaneci em silêncio, observando cada movimento deles, pronta para reagir se fosse preciso.
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— Já tinha se passado um bom tempo desde que aquela briga acabou. Meus irmãos estavam em uma caçada com aquele xerife. O lugar estava em silêncio absoluto, até que uma mulher começou a procurar por alguém. Ela tinha acabado de sair de uma mata grande, e foi isso que eu achei estranho.
— Carl! Carl, venha aqui, querido — disse a mulher que aparentava ser a mãe do garoto esquisito. Ela se aproximou e sussurrou algo no ouvido dele.
Observei de longe, tentando entender o que estava acontecendo. Ela falava baixo demais, como se quisesse esconder algo importante. O garoto assentiu, sério demais para alguém da idade dele. Aquilo me incomodou. Crianças não deveriam carregar segredos em um mundo como esse.
Cruzei os braços, mantendo os olhos neles.
— Eii, você quer brincar? — disse ele, chegando até mim sem fôlego, já que estava correndo o mais rápido possível para me alcançar.
— Eu não, você que é estranho — falei, olhando nos olhos azuis dele. Mas aquelas sardas me chamaram a atenção; me lembravam um cachorro. E foi assim que acabei apelidando ele de Sarnento.
— Por que você é assim? Eu só te fiz uma pergunta... sua chata — disse ele, meio sem graça, dando de ombros.
— Você que é chato, seu sarnento! — falei, empurrando-o, fazendo com que ele fosse para trás.
o sarnento tropeçou um pouco, mas conseguiu se equilibrar. Ele arregalou os olhos, claramente surpreso, te levou a mão ao braço onde eu o tinha empurrado.
— Eu não sou sarnento! — rebateu, ofendido. — Isso aqui são sardas!
Ele cruzou os braços, fazendo um bico irritado, claramente incomodado, mas sem perder aquele jeito infantil.
Dei um meio sorriso, satisfeita por finalmente arrancar alguma reação dele. Me virei para sair, fingindo que não me importava, mas senti o olhar dele ainda preso em mim.
— Ei... — ele chamou. — Você vai ficar por aqui?
Não respondi de imediato. Apenas olhei por cima do ombro.
— Depende — falei. — Se você parar de me encher.
Ele sorriu de leve, como se tivesse vencido alguma coisa.
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