Notas iniciais
Mais um capítulo! Espero que gostem~
Boa leitura!

Último dia de aula antes do descanso, todos já estavam cansados àquela altura, inclusive Kiku, que agora só queria esquecer a escola por um tempo. Mas dois loiros não pareciam tão cansados assim, cada um correndo por seu caminho até a saída da escola, chamando em uníssono:

- Kiku!

Pararam um de frente para o outro e o oriental ficou no meio, movendo os orbes de um para o outro. Pareceu que uma tensão foi criada no ar... Estremeceu, coçando a nuca.

- Anh... Sim?

Alfred foi o primeiro a quebrar o olhar, virando-se para o japonês com um amplo sorriso, segurando-lhe os ombros e fazendo-o ficar de frente para si.

- É uma pena, mas terei de viajar! Prometo trazer muitas lembrancinhas para você, Kiku! Queria que viesse comigo... Mas eu volto!

Colocou as mãos na cintura, fazendo pose, logo após aproveitando a cena e abraçando o oriental – que de tão confuso estava não sabia o que responder. Aproveitando que o menor não via sua face, fez língua para o inglês, que corou e franziu o cenho, irritado.

- Ei! – Aproximou-se, afastando os dois. – Estão na porta do colégio! Não obstruam a passagem!

Corando, o japonês concordou e Alfred fez bico, cruzando os braços e murmurando algo como “chato”, todavia esse pequeno detalhe o professor ignorou. Tossindo forçadamente, atraiu a atenção dos alunos para si, embora permanecesse com os orbes esverdeados fixos no moreno.

- Cuidem-se essas férias. Nos vemos na volta.

- Ok, professor. Vamos embora, Kiku!

Sem deixar que o menor respondesse, o americano agarrou-o pelo pulso e saiu correndo para distanciar-se da escola e acompanhá-lo até o ponto de sempre.

x

Nas férias de verão, cada um foi para seu canto. Alfred foi visitar o país natal, Arthur fingiu fazer uma viagem a Inglaterra para recarregar suas energias, pois ficar em uma forma humana tanto tempo era muito desgastante e Kiku aproveitou para zerar alguns jogos que comprara. As aulas recomeçaram e a excursão escolar foi anunciada.

Honda nunca gostou muito daqueles programinhas, porém, ao ouvir que Alfred iria, reconsiderou. Mesmo sendo de salas diferentes, planejava passar o tempo livre com ele. E assim foi.

- Vou comprar um presente para você! – Agarrou o braço do japonês, puxando-o pelas ruas da cidade histórica.

- N-não precisa, Alfred-san! – Retrucou, apesar de apressar o passo para acompanhá-lo. – Você já trouxe todos aqueles quadrinhos e jogos para mim...

- Mas eu quero... – fez bico, diminuindo o passo ao adentrar a área comercial. – Me sinto mal de não ter te dado muita atenção antes das férias.

- Ah... – abaixou o olhar, mordiscando o próprio lábio inferior. Já tinha até se esquecido. – Eu entendo. Tiveram os jogos e as provas... Até eu fiquei ocupado.

Alfred parou de andar, passando somente a segurar a mão do japonês, pela primeira vez sentindo as bochechas quentes. Não gostava daquelas desculpas que Kiku sempre lhe dava para não mimá-lo... Se fazia, era porque gostava dele e queria fazê-lo!

- Apenas me deixe fazer isso, ok?

Mediante aquele tom, não reclamou mais. Somente assentiu, deixando-se guiar pelas lojas e terminando com muitos embrulhos. Alfred era animado demais e não lhe ouvia. Toda vez que comentava algo ser “fofo” ele dava um jeito de levar mesmo sob protestos e, tudo bem, era bom sentir que Alfred gostava de si – mesmo que coisas materiais não fosse para ele o melhor exemplo de demonstração – mas... Era exagero! E não tinha como... Ou melhor, não sabia como retribuir. Frustrante.

Quando voltou ao ponto de encontro, podia ouvir os meninos rindo e as meninas os encarando com um olhar estranho e fervoroso.

- Ele é esperto, se aproveitando assim...

- São um casal?

- Que consumista...

Kiku encolhia-se cada vez mais, no fundo sabendo que falavam de si. Andar com Alfred só fazia com que as atenções ficassem voltadas para si e isso era vergonhoso. Não, não tinha intenção de deixar seu amigo de lado por causa disso, todavia preferia não ouvir aquelas coisas! Eram amigos! Somente amigos...

- Kiku? Kiiiiiku! Me ouça! Os meninos estão planejando um teste de coragem hoje à noite. Vamos participar? Vamos, vamos?!

E começou a cutucá-lo, esperando que aceitasse. O menor ficou com um ar estranho – não tinha boas lembranças desses testes – porém o loiro ganhou por insistência.

- Tudo bem... Mas depois dele eu quero te entregar uma coisa.

- Que coisa? – Balançou a cabeça, ele não contaria. — Mas yay! Se isso te fizer participar, tudo bem! Eu espero, hahahah!

Apoiando as mãos na cintura, o americano riu alto, criando uma barreira invisível e intransponível em torno deles.

Arthur, nessa excursão, disse a si mesmo que não iria interferir – só se estritamente necessário. Alfred e Kiku caminhavam bem... Podia ver os sentimentos se desenvolvendo dentro deles, por mais que pensasse agora que deveria ter arrumado um pretendente melhor. O estadunidense era mal educado, arrogante e ligeiramente egocêntrico, entre outros defeitos que era melhor não comentar. Se fosse um humano, Arthur seria um namorado bem melhor do que Alfred jamais seria e...

Franziu o cenho, corando e batendo na própria cabeça. Deveria ser pecado só pensar nisso! Respirou fundo, acalmando a mente e o coração. Estando em forma humana, estava sujeito aos mesmos pecados que eles; deveria tomar cuidado.

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Kiku adorava observar os cenários. No outono, em especial, agradava-lhe ver as folhas de várias cores no chão formando um belo tapete. Em casa, trataria de juntá-las para assar batatas doces.

Mas, dentro daquele bosque, a paisagem lhe parecia assustadora. Os galhos balançando, as folhas quebrando abaixo de seus pés a cada passo que dava e aquela sensação de estar sozinho. Alfred até tentou, mas sorteio era sorteio. Como havia um número ímpar de pessoas, por um baita azar, acabou sozinho naquele teste de coragem. Era ele e somente uma lanterna para garantir que seu caminho fosse iluminado.

Deveria ter ficado no hotel, se demorado mais naquele banho quente ao ar livre... Uma pena. Bem, o americano ficara feliz quando disse que iria participar, então se consolava com aquele sorriso que lhe fora oferecido. Por mais que precisasse esquecê-lo ao ouvir um galho quebrando. Congelou no mesmo lugar, apontando a lanterna para várias direções em busca do que poderia ter feito aquele barulho. Não achando, suspirou, prosseguindo a caminhava. Nem estava no ponto em que deveria ter os tais “obstáculos”. Devia ser sua imaginação.

O garoto só não sabia que algum dos seus grandes “amigos” mudou a placa de direção, acabando por ir para o lado contrário ao que deveria. A cada passo, mais perdido estava e ninguém sabia disso – nem mesmo Arthur, pois este estava confraternizando com os outros professores responsáveis que foram na viagem, então não podia ficar de olho no pequeno.

Aos poucos, o desespero foi tomando conta de si. Não estava certo aquilo, já era para estar voltando e se encontrando com os outros... Apertou o passo por instinto, tentando pegar o caminho de volta, mas só se aprofundando mais por entre as árvores. Tropeçou em um galho, caindo no chão e, por utilizar as mãos para se apoiar, a lanterna rolou para alguns metros à frente. Soltando uma exclamação, mesmo com as palmas arranhadas, engatinhou até o instrumento que desligara. Ajoelhado, trêmulo, apertou o botão diversas vezes, entretanto não conseguiu nenhuma luz.

Largou o instrumento no chão, frustrado. O pior era que não podia ficar parado, ia ficar mais tarde e perigoso... Apesar de ter certeza, lá no fundo, que já estava completamente ferrado. Respirando fundo – em uma tentativa de acalmar o coração que bombeava violentamente o sangue – ficou de pé. Mesmo com a dor nos joelhos, começou a caminhar, abraçando o próprio corpo.

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- Pessoal, o Kiku ainda não voltou!

- E daí? Vamos comer algo!

- Ei, ei! Mas já passou da hora...

Ninguém ouviu Alfred, que ficou emburrado, franzindo o cenho. Se eles não ajudassem, deveria pedir a outra pessoa... Ficou ainda mais irritado ao pensar em Arthur como primeira alternativa. Não que o odiasse, ele só era suspeito e não queria ele mais perto do nipônico do que já estava. Sem pensar – não costumava fazê-lo antes de agir, mesmo – pegou uma das lanternas e saiu na direção que fizera o teste de coragem. Se Kiku estava perdido, iria salvá-lo!

Enquanto isso, Arthur achava que estava tudo bem, porém sentia falta de Alfred e de seu protegido entre os alunos que retornaram do passeio noturno. Por um momento, pensou que eles estivessem juntos. Ok, isso era bom... Menos mal, diria, por mais que tivesse criado certo desgosto pelo americano. Mas preferia que Kiku estivesse com o tal do que ouvir o que aqueles pirralhos comentavam:

- Não tem problema? Ele deve ter se perdido.

- Bah, aquele Kiku pode ser idiota, mas tem seus truques. Vai conseguir achar o caminho de volta.

Rangendo os dentes, agarrou os dois garotos pelo colarinho.

- O que vocês fizeram?

- P-professor!... – Falaram em uníssono. – N-não é nada do que você está pensando.

Arthur os soltou com violência, fuzilando-os com os olhos esverdeados.

- Então, vocês estavam fazendo um teste de coragem e provavelmente mudaram a placa de lugar para o Honda se perder – viu os dois estremecendo. Já tinha visto a verdade, mas era melhor que tivessem mesmo essa reação. – Vão para seus quartos AGORA! Amanhã levarei o caso à Direção.

Sem perder mais tempo com aqueles dois – depois poderia investigar se tinha mais gente envolvida no caso, seria fácil – saiu da pousada em que o colégio usara como hospedagem, retirando o relógio do bolso e esperando que ele o ajudasse em algo.

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O garoto já estava cansado de andar. Não importava quantos passos desse, tinha a impressão de não sair do local em que estava, andando em círculos pela área. Resolveu caminhar reto, pararia em algum lugar... A floresta não poderia ser infinita, ainda mais dentro de uma cidade. Tomava cuidado, já tinha perdido a conta de quantas vezes tropeçara e caíra, pois a luz prateada da lua não era suficiente. E só ficava mais e mais frio. E nem toda a cautela do mundo o ajudou a parar de cair. Seguindo o caminho cheio de plantas e arbustos, acabou pisando em um barranco e não conseguiu se equilibrar, deslizando até o final dele.

Por sorte, não era tão alto, mas já estava exausto e com as pernas, mãos, braços e rosto machucado. Decidiu ficar sentado, encolhido e abraçado às próprias pernas, buscando não perder calor tão rápido. Fechou os olhos, cansado. Só queria ficar quieto e desistir.

- Kiku!

Ouviu uma voz abafada, bem ao longe, levantando a cabeça e não vendo ninguém. Alucinações auditivas, só podia! Voltou a fechar os olhos e apoiar testa nos braços cruzados sobre os joelhos, quase caindo no sono, só acordando por aquela voz novamente o chamar – e agora ao seu lado.

- Kiku? Kiku! Está bem? Deus, está frio... – retirou o terno, colocando sobre os ombros do oriental, puxando-o para si. – Vou te levar se volta. Está tudo bem. Não se preocupe.

A última coisa que viu antes de apagar foi uma mão quente sobre sua testa.

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Alfred estava frustrado. Mais que frustrado, se sentia mal. Agora seria obrigado a pedir ajuda aos professores para achar o japonês. Quando voltou à pousada, logo na entrada havia uma roda de pessoas; esboçou uma expressão interrogativa, se aproximando para ver o que era. Acabou ficando paralisado quando seus orbes azuis visualizaram a cena através das lentes dos óculos.

Arthur tinha salvado Kiku. Arthur que nem sabia de nada. E agora todos os rodeavam como se estivessem se importando com o estado do amigo. Era para ELE estar ao lado de Kiku. Era para Alfred estar carregando o oriental nos braços. E agora não se sentia nem mais digno de estar ao seu lado.

Notas finais
E aí? Gostaram? 8D
Hohoho, esperem pelo próximo.
Obrigada a quem está acompanhando!
Beijos~