O Amor Nunca Morre

4 Segunda-Feira Cansativa


Odiava segunda e ainda considerando que era novo semestre. Estou me cansando da escola, quero sair correndo e viver o pouco que me resta de juventude. E para piorar meu dia, teríamos um novo aluno. O lindo do Sebastian. Entrando na sala, com minha calça jeans e cabelos novamente cacheados, reparo em sua presença no fundo da sala, conversando com Natalya e Denise. Elas sempre foram o tipo de garota que se acham superiores, ficam com os garotos mais gatos e sempre estão bem vestidas. Ricas, posso dizer que sim, mas o que elas não sabem, é que meu querido pai tem mais dinheiro. Não estou me gabando ou querendo me comparar, pois se estivesse já teria deixado isso em evidencia, coisa que odeio. Sendo assim, automaticamente tenho um profunda raivo pelas aquelas duas.

Os três conversavam, riam e as duas mandavam alguns sorrisos e olhadas maliciosas para Sebastian. Isso estava me deixando enfurecida! Não com ciumes, mas só de saber que aquelas falsas brincavam com meu amigo, pelo menos o considero. E ainda ele retribui as risadas.

Não conseguia mais olhar para aquilo. Me sentei no lugar de sempre, perto janela. Gostava de ficar lá, pois assim. conseguia ver a chuva caindo nos dias nublados. Estava distraída ouvindo minha música quando Anna e Maia se aproximaram de mim.

–Você já viu o aluno novo. Muito gato!- Anna disse animada com sempre.

Olhei rápido para Sebastian, que ainda conversava com as duas metidas. Nossos olhos se encontram, mas desvie rápido.

–É, muito gato.

A aula continuou da maneira de sempre. Com as novas matérias devido ao começo de semestre, fez com que se tornasse mais entendiante. Finalmente o sinal bateu, indicando o intervalo. Eu e minhas amigas sentamos na mesa de sempre. Era um local cheio de árvores e um pequena lanchonete, onde alunos podiam comprar diferentes coisas. Adorava ficar com a brisa passando pelos os poros de meu rosto. Era final de inverno, então a primavera vinha a caminho, e por isso havia os ventos gostosos e as chuvas que me deixavam alegre.

–Como vai você Isa?- disse Sebastian, interrompendo meus pensamentos.

Nem havia reparado sua chegada. Minhas amigas parar de conversar e olharam para mim. Todos esperando minha resposta.

–Ótima! Obrigada por perguntar- disse sorridente.

–Posso me sentar com vocês?- ele perguntou.

Ia responder mas minhas amigas foram mais rapidas.

–Por nós esta tudo bem- falou Anna.

Porém ele ainda matinha-se em pé, esperando a minha aprovação.

–É claro. Sente do meu lado- retirei minha mochila dando espaço para ele poder se acomodar- E então, esta gostando do colégio, Sebastian?

–É melhor do que minha escola antiga.

–E novos amigos? Vi conversando com Natalya e Denise.

–Elas não são tão ruins.

Minhas amigas já estavam impressionadas pela a conversa fluir tão bem entre nós. Não havia contado sobre minha história com Sebastian, fazia parte do passado e eu havia mudado de escola e deixado para trás. Eu nem queria imaginar o relatório que elas iam pedir.

–E você Isa, não vai me apresentar suas amigas?-ele continuou.

–Essas são Anna e Maia.

–Prazer- as duas disseram em coro, o que foi engraçado.

Em retribuição ele mandou um sorriso amigavel.

–Posso falar com você Isa? A sós, de preferencia.

Assenei com a cabeça que sim. Fomos até as sobras de uma árvore, não muito distante do pátio, mas o suficiente para ninguém nos ouvir.

–Olha se é sobre a festa, me desculpa...- eu já me adiantei.

–Não é sobre a festa- ele disse entre risos curtos.

–Então, o que foi?

–Minha mãe, contei para ela que nos rencontramos e queria marcar um dia de ir em casa.

Fiquei aliviada. Encarar mais uma discussão com ele ia ser duro, mas rever sua mãe, isso era tranquilo. E ainda ela sempre me adorou, só espero que ele não tenha mencionado nada sobre a festa, porém duvido que tenha feito.

–Ah, é isso. Claro, sexta, pode ser?

–Combinado.

Já estava voltando para minhas amigas, quando ele segurou meu pulso, delicadamente.

–E sobre a festa, não faz mais aquilo.

–Eu prometo- e sorri.

O resto do dia passou tranquilamente e tudo se manteve normal. Depois da aula, de costume, fui ao parque, mas não para fazer exercícios físicos. Eu sentava em baixo de uma árvore e lia. Livros atrás de livros. Adorava aproveitar a tarde e ficar lá. Algumas vezes, os garotos do basquete praticavam numa quadra não muito distante, porém era raro nos encontramos. E dava graças a isso.

Raphael também estava no time, mas não estava mais tão interessada nele. Praticamente nem me notava. Fiquei a tarde escutando música e lendo ao mesmo tempo. Era incrível como o tempo passava rápido e eu me divertia. O céu já estva começando a alaranjar, o que indicava final de tarde. Percebi que os garotos do basquete já saiam de seu treino, suados e gatos.

Reparei numa figura loira que ria junto a eles. Certifiquei-me que era Sebastian quando ele caminhou para perto de mim. Interropi leitura e tirei os fones.

–Posso me sentar?

–Claro-imdiquei um local perto do meu- Então, entrou no time?

Ele olhou para os garotos, não muito atrás, antes de responder: -Nada oficial, mas provavelmente sim.

–Você é alto e talentoso. Conserteza esta no time!

–Talentoso?- ele abriu um sorriso de canto.

–Você entendeu.

Um outro garoto vinha em nossa direção. Conhecia aqueles cabelos escuros, olhos castanhos e músculos definidos. Raphael vinha até nos com o uniforme de basquete.

–Sebastian e Isa? Você já se conhecem?- ele disse.

–Sim, somos amigos desde bem pequenos- Sebastian respondeu por nós dois.

–Não sabia. Vocês vão para a casa de campo na sexata. Os meus pais viajaram e vou dar uma festa. Se quiserem...

–Mas o Rafa, demora uma hora até lá, certo?

"Rafa? Não entendi".

–Certo, por quê?

–Eu e Sebastian temos outros planos...-dessa vez eu quem me pronunciei. Não podíamos esquecer do almoço, ou jantar, com a mãe de Sebastian.

–Mas se quiser podemos trocar, tudo bem por você?- ele perguntou.

"Não". Ir numa festa com um bando de esnobes, pois esses eram os amigos de Raphael, não obrigada. Se Sebastian quise entrar nesse grupo teria que ir sozinho. Porém não poderia ser grossa, não tinha desculpa e ainda as palavras saíram da minha boca sem autorização.

–Claro!

–Legal- concluiu Raphael- Vejo vocês lá- e saiu.

–Não sabia que tinha intimidade com Raphael- comentei.

–Nós não éramos tão chegados. Ele era meu vizinho. Brincávamos as vezes, mas ficava maior parte do tempo ao seu lado.

Pensei na quantidade de tarde que fomos tomar sorvete, ou ir ao parquinho e as viajens que fazíamos com nossas famílias. Nossas vidas eram muito próximas. Até o maldito dia que sua família resolveu se mudar.

–Então, sexta está certo?- perguntou.

–Pode ser, só preciso que alguém me leve.

–Isso deixa comigo. Vou pegar meu carro, passo na sua casa ás cinco, certo? Não se esquece que é cerca de uma hora de viagem.

Ficar uma hora no carro com Sebastian ia ser constrangedor. Nem sei no que iríamos falar. Tenho certeza sobre nosso primeiro beijinho que não seriá.

–Certo, só eu mudei de casa. Mando o enderecó por mensagem.

–Com certeza.

Ele se levantou e o acompanhei. Dei um ultimo sorriso e ele retribuiu, antes de nós nos despedirmos. "Meu Deus! Eu estou ferrada." Não só por ir numa festa cheia de pessoas esnobes, mas também ficar duas horas, se contarmos a volta, dentro de um carro com Sebastian. Maia e Anna ia pedir um relatório completo.