Notas iniciais
este capitulo conta como renato conheceu Raphael.

Renato estava andando ainda perto de sua casa quando Amanda o encarou. Os seus olhos brilhavam junto ao luar. Renato sabia que este encontro era para juntar Alex com sua irmã e alegrá-lo um pouco.

- Renato eu o deixarei na casa mal assombrada com Raphael ou Rapha está bem assim?

- Amanda e onde estará você? – perguntou ele, demonstrando interesse naquela conversa. – eu não quero ficar muito tempo com um estranho!

- não se preocupe, o irmão do Alex tem a sua idade e ele é ator, então ele se dará muito bem com você! – disse ela, entrando no ônibus que ia direto para o parque, que ficava na penha. Durante todo o percurso ambos foram calados. Renato ia cantarolando, enquanto Amanda contava o dinheiro para o parque.

Ele se tremeu. Algo tinha atravessado ele, naquele momento e um terrível pressentimento o abateu. Uma onda de pavor e angustia sufocavam o seu coração, algo que ele jamais sentira antes.

- minha irmã tome bastante cuidado, você ouviu? – disse ele, segurando firme em sua mão.

Ela riu e deu-lhe um suave beijo em sua testa.

- não se preocupe meu amor, eu sempre estarei do seu lado.

Assim que desceram do ônibus. Renato logo conseguiu avistar Alex. Este porem era um rapagão alto e belo, com lindos olhos verdes e um sorriso encantador. Ao cumprimentá-lo Renato logo avistou outro menino, com longos cabelos que batiam em seu ombro. Um menino educado, pois não tinha se intrometido na conversa dos três e havia esperado o seu irmão apresentá-lo.

- este é Raphael, mas pode chamá-lo de Rapha, pois este é o seu apelido.

O menino sorriu para Renato, que o olhou. Assim que eles se viram um calor esquentou o coração de Renato que ficou vermelho. Estranhando aquela sensação, Renato resolveu esconder o seu real sentimento e deu de ombros. Ele queria curtir aquele lindo lugar e não ficar pensando em seus sentimentos que eram muito tristes. Rapha era completamente o oposto de Renato, pois ele era alegre, sabia conversar, fala três idiomas e ainda era um ótimo ator.

- para onde você quer ir? – perguntou Rapha, olhando atentamente Renato que sentiu o seu rosto arder, de tanta vergonha. – eu queria ir primeiro no trem fantasma, mas eu vou a onde você for.

Renato havia ficado sem graça, pois entre tantos elogios e tanta educação aquele menino só poderia ser um anjo. Rapha era muito diferente dos meninos que Renato conhecia. Ele, depois de Miguel eram os únicos que viam Renato por dentro e não por fora, como a sociedade fazia.

- eu também gostaria de ir ao trem fantasma – disse Renato, se dirigindo ao portão de entrada. A fila estava pequena, logo eles se acomodaram no vagão. Renato tremia numa mistura de ansiedade e de medo.

- você está tremendo muito, por acaso você está com medo? – perguntou Rapha, se aproximando de Renato que se arrepiou assim que as mãos de Rapha encostaram-se às suas.

- sim um pouco...

- eu segurarei as suas mãos assim, você não terá medo algum – sugeriu Rapha – mas só se você autorizar é claro.

- sim eu permito.

Assim que Rapha segurou nas mãos de Renato. Ambos se olharam. Renato estava com uma vontade louca de beijá-lo, mas isso era errado. Pois o seu pai sempre dizia que "Homem que se relaciona com outro homem, vai direto para o inferno!"

- vai começar! – berrou o maquinista, ligando o brinquedo. Assim que o vagão começou a se locomover. Fantasmas, bruxas, vampiros e outros monstros assustaram os dois. A cada monstro que passava o brinquedo tirava uma foto. Ao sair daquele brinquedo, eles tomaram um baita de um susto assim que viram as suas fotos. Caretas, lagrimas e risadas estampavam as fotos.

- estas caretas estão muito engraçadas – brincou Rapha.

- a sua está pior...

- vamos à montanha russa?

- eu não sei – disse Renato, este era o pior brinquedo que ele poderia ir.

- vamos vai ser legal, qualquer coisa eu segura a sua mão – disse Rapha, com aquelas lindas palavras e um belo sorriso. Renato percebeu a sinceridade nas palavras de Rapha que continuou rindo.

- está bem – concordou ele, se dirigindo ao brinquedo que também estava vazio. – este lugar está muito estranho, você não acha?

- sim, isso tudo é por causa do "Estuprador de Crianças!" – disse Rapha, com um ar sombrio.

O rosto de Renato ardeu assim que a palavra "estuprador" passou em sua mente. Ele escondia um terrível segredo. Seus pais tinham obrigado ele a esconder este segredo para sempre e nunca mais revelá-lo a mais ninguém, nem mesmo a sua própria irmã.

- pai, nem mesmo para a Amanda?

- não – disse Paulo, acertando uma tapa no rosto de Renato que caiu no chão. – ninguém mais pode descobrir isto, pois arruinaria a sua vida e da minha família.

- meu filho, escute seu pai esqueça isso, pois se não você ficará viciado nisto...

O brinquedo estava quase parando e agora seria a vez dos dois. Renato estava quieto como sempre, pois morria de medo de coisas muito rápidas. Já Rapha gritava e pulava como sempre, ele adorava adrenalina e gostava de desafios perigosos.

- Renato é agora – gritou ele, assim que o maquinista ligou o brinquedo. O vagão foi subindo e subindo. Renato cada vez, mas tremulo e assustado, mas quando o vagão chegou a certo ponto, Rapha gritou. O veiculo descia em alta velocidade e a cada vez mais, vários solavancos incomodaram Renato que chorava.

- para o brinquedo – pediu Renato, em lagrimas.

- não chore, pois eu estou aqui do seu lado – disse Rapha, beijando-o. Renato tinha se assustado com aquilo. Um beijo de um homem, isso era incomum naquele tempo. Mas não podia resistir. Aqueles lábios carnudos tocando a sua boca. Os cabelos de Rapha se misturavam aos seus e o seu cheiro deixava-o louco. O que estava acontecendo aqui? – se perguntou ele, assim que soltou Rapha. A vontade era de continuar, mas o medo falava mais alto e isso incomodava Renato.

- acabou o passeio! – disse o homem, retirando todos do brinquedo. Assim que os dois saíram se dirigiram a uma sorveteria e ali permaneceram, calados até um rapaz aparecer e mexer com Renato.

- Renato, há quanto tempo? – disse o rapaz, abraçando Renato que se tremia de medo.

- se afaste de mim, Fabrício – o ordenou, mas sem nenhum sucesso.

- o que está acontecendo aqui? – perguntou Rapha, se colocando entre os dois.

- não é nada garoto isso é só uma conversa entre amigos...

- eu seu amigo, isso jamais acontecerá sua cobra peçonhenta – disse Renato, se abaixando assim que viu que Fabrício ia dá um soco em seu rosto. Mas por sorte foi impedido por Rapha que segurou o seu braço.

- saia daqui agora ou vou te arrebentar...

Renato pela primeira vez, tinha visto que alguém tinha enfrentado Fabrício o machão da cidade. A coragem de Rapha tinha o deixado apaixonado, pela primeira vez ele tinha se interessado por alguém. Uma pessoa simples, mas corajosa e muito amorosa.

- o que você disse? – perguntou Fabrício, empurrando Rapha contra uma pilastra que se encontrava na sorveteria.

- você está surdo, deixe-o ou te arrebentarei...

- Rapha deixe-o para lá este verme não merece atenção e nem respeito de ninguém – falou Renato, puxando Rapha para fora da sorveteria. Neste momento espíritos sóbrios, circulavam em volta de Fabrício que tomava cada vez mais um ódio imenso pelos dois. Já fora do alcance de Fabrício, Renato se sentou e pôs a chorar.

- o que está acontecendo com você? – perguntou Rapha, acariciando o rosto de Renato que o fitou.

- não é nada – mentiu Renato, virando o rosto e reparando que a sua irmã já estava se aproximando. – esqueça este assunto, você promete?

- sim eu prometo...

O olhar de Renato não tinha enganado Rapha, que aceitou sem protestar. Algo tinha acontecido entre os dois. Renato não era agressivo e muito menos chamava alguém de cobra sem motivo algum.

- vocês se divertiram? – perguntou Amanda, abraçando Alex que sorriu.

- sim, eu e o seu irmão fomos ao trem fantasma e na montanha russa.

- muito corajoso Renato, eu pensei que você não gostasse de coisas muito rápidas...

Renato a olhou e respondeu secamente.

- e não gosto!

- está ficando tarde vamos embora? – sugeriu Alex, segurando na cintura de Amanda. – eu levarei vocês dois.

- não se preocupe conosco, eu sei ir sozinha e tenho a companhia do meu irmão.

Ambos saíram juntos do parque. Alex e Amanda tinham ido até uma barraquinha de hot dog, deixando Rapha e Renato sentados em um ponto de ônibus bem afastado.

- agora me conte o que aconteceu? – perguntou Rapha, se virando para Renato que tremeu.

- você prometeu...

- esquecer este assunto, mas como posso esquecer se ao menos você não me explica.

Renato suspirou e contou o seu terrível segredo. Vendo que aquilo o incomodava, Rapha o colocou em seu ombro, e começou acariciá-lo. Delicadamente ambos se olharam e um suave beijo, aqueceu o coração de Renato, que parou de chorar.

- pare com isso! – protestou Renato, afastando Rapha de perto. – você é marica?

- por que você fala isso de mim?

- meu pai falou que homem deve beijar mulher e somente mulher – disse Renato, encarando Rapha, mas ainda com uma tremenda vontade de beijá-lo.

- o seu pai é um preconceituoso, ele não sabe as coisas que aconteceram na vida da humanidade. Ele está cego pela ignorância e pelo ódio contra os homossexuais – disse Rapha, se levantando e agora demonstrando um lado desconhecido de seu humor.

- me desculpe, mas eu não conheço nada disso – disse Renato, envergonhado. – eu estou confuso, pois ainda estou com vontade de beijá-lo.

- então me beije – disse Rapha, puxando Renato para trás de uma parede e o beijando lentamente. Para Renato, aquele beijo tinha sido melhor que o beijo que Elena tinha dado naquele dia. Um beijo com amor e delicadeza, ao contrario de Elena que era por dinheiro e por prazer.

Para Renato ele ficaria ali até o dia seguinte não importaria a hora, se ele pudesse beijá-lo até o dia clarear ele faria, com um lindo sorriso em seu rosto.

- Rapha...

- Renato – chamou Amanda, se dirigindo até o ponto de ônibus e encontrando os dois aos beijos – o que está acontecendo aqui?

- não é nada minha irmã – disse Renato, se recuperando do susto.

- não precisa se explicar Renato eu sempre soube, que você não gostava de meninas, mas tenha mais cuidado aonde você faz estas coisas – disse Amanda, levando os dois até Alex, que reclama do atraso do irmão.

- mas que demora em – brigou ele, dando uma tapa no crânio do irmão.

- não faça isso com ele, não foi culpa dele... Eu amostrei a ele umas garotas que estávamos tentando azarar – mentiu Renato, para defender Rapha, que riu disfarçadamente.

- adeus Alex – disse Renato apertando a mão do namorado de sua irmã. – adeus Rapha, até a próxima vez está bem?

- mas é claro, que tal na sexta-feira a noite um cinema?

- eu não sei, vou perguntar ao meu pai e mandarei a resposta pela Amanda.

- está bem...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.