Cidade Do Rio de Janeiro.

Fazia um calor infernal, quando as portas do curso onde Renato estudava se abriram. Crianças gritando e jogando Papeis uns nos outros, uma verdadeira bagunça. Enquanto as maiorias das crianças estavam festejando o tão esperado final de semana. Renato estava escondido em um ponto de ônibus, que era um pouco afastado da escola. Com os seus cabelos ao vento ele só escutou o seu nome e se tremeu.

— olha se não é a marica? – zombou um menino loiro, que estava acompanhado de outros garotos que riam feito demônios.

— não sou marica – gritou Renato, se levantando do banco e se preparando para correr. E infelizmente foi isso que aconteceu. Ele correu e correu até chegar a sua casa. Aqueles garotos sempre faziam isso com ele, sem motivo algum. Renato já tinha 15 anos, mas ainda era virgem e não tinha nenhuma namorada e isso era motivo para chacotas em sua escola e um inferno em sua casa.

— o que está acontecendo aqui? – perguntou uma linda jovem, de cabelo loiro-escuro e um olhar doce. Seu nome era Amanda, a gentil irmã de Renato. Naquele momento ele não conseguiu falar, pois ele só teve tempo de abraçá-la e cair em lagrimas. – eu já sei foi aqueles pivetes não foram?

— eles me xingaram de novo – disse ele, olhando para a sua irmã. O rosto de Renato ardeu assim que viu o rosto de seu pai na janela de casa. Renato era uma criança maravilhosa, esperto, educado e muito generoso. Mas isso passava despercebido pelo seu pai Paulo. Ele era um homem duro e muito carrancudo. Maltratava demais de seu único filho homem. O xingava de vários nomes, só porque Renato não se dava bem com as garotas. Para Amanda isso era tortura, por varias vezes ela enfrentava o pai, para ajudar Renato, já que sua mãe Ângela agüentava isso tudo calada.

— mas que droga, ele chegou cedo! – disse Amanda, afagando novamente Renato em seus braços. – não se preocupe com ele, eu resolvo isto está bem?

— sim – disse Renato, fazendo um sinal com a cabeça e em seguida enxugando as lagrimas. O dia ainda clareava os parques e isso era a melhor coisa que agradava Renato.

— vamos entrar! – ordenou Amanda, colocando Renato em sua frente e o empurrando assim que ele abriu a porta.

— Renato – chamou o pai.

Ele o olhou, e abaixou a cabeça. Estava traumatizado com tantas surras que levava todos os dias por motivos bobos, como copos d' água em cima da geladeira; luz acesa de dia entre outras coisas. A vida era um verdadeiro inferno para Renato.

— pai ele vai me ajudar a tirar o meu guarda-roupa do lugar – mentiu Amanda, tentando salvar o irmão, mas sem sucesso.

— depois eu subo e te ajudo, agora vá para o seu quarto que quero conversar com essa marica de seu irmão.

— pai...

— eu mandei você subir.

Sem poder fazer nada, Amanda disfarçou e foi ao encontro de sua mãe que estava na cozinha preparando a janta.

— agora que estamos a sós, eu posso falar de homem para homem.

— sim pai.

— você é veado? – perguntou o pai, em um tom totalmente agressivo. Renato continuou calado, estava com medo de apanhar novamente. – eu te fiz uma pergunta!

— não pai, eu sou homem – disse ele, com a voz tremula e quase inaudível.

— então, por que não age como tal? – disse o pai, entregando vários deveres de Renato. Agora estava esclarecido. Paulo esteve na escola, na reunião dos pais. E a professora sempre entregava os deveres para os pais. Paulo estava aborrecido com os desenhos de lindos homens e mulheres abraçados em campos de flores; poemas, e músicas que Renato tinha feito na aula de artes. – eu não quero saber dessas merdas em minha casa!

— mas pai só é um desenho – disse Renato, assim que viu Paulo rasgar todos os seus trabalhos de escola.

— só desenho? – perguntou ele, com os olhos vermelhos – isso é uma viadagem.

Renato engoliu o choro. Ele sempre fazia isso, odiava chorar na frente de seu pai. Essa era a vida de Renato, sempre esculachado pelo seu pai, que a cada dia o maltratava ainda mais.

— suba e não quero que conte nada desse assunto a sua irmã, você me ouviu?

— sim pai.

Assim que ele passou na cozinha para pegar um copo d'água, ele se assustou ao ver Amanda e sua mãe Ângela que já o esperavam ali.

— eu disse meu filho, para você parar de desenhar estas bobagens de meninas.

— mãe ele está certo, a vida é dele e só ele pode dizer o que ele quer para ela.

As duas o olharam enquanto ele abria a geladeira, calado.

— Renato, amanhã fique arrumado, pois assim que eu chegar do meu curso de inglês britânico, eu o levarei para o parque e aproveitarei para irmos ao cinema ver "sexta-feira treze" está bem?

— sim, mas você já perguntou ao papai?

— eu pedi para a nossa mãe e ela deixou.

Ao se deitar, Renato olhou para todo o quarto e pegou uma revista de mulher pelada, que estava escondida bem debaixo de sua cama. Como todo menino, Renato tinha sonhos e vontades que o satisfazia se masturbando. Depois de seu encontro com Monica vargens, ele se deitou e dormiu. Seus sonhos eram o único refugio de um mundo preconceituoso e tão mal onde ele era punido por muito pouco. Assim que o despertador tocou às oito horas, ele se levantou e abriu a janela. O dia estava bonito. Era uma linda manhã de sábado.