O Amor Coloriu
48 Festa
– Vamos descer.
– Pra quê? Para o meu pai descarregar a arma em mim dessa vez?
O Vitor estava deitado na cama dele todo jogado.
– O tio e o meu pai já foram.
– Vou ficar por aqui mesmo, não confio no meu pai.
Ri do tom de voz dele.
– Vamos descer, Vivi. Só pra se despedir da Soph e ver onde o Hanson vai ficar.
– Ta.
Ele me abraçou e nós descemos.
– Vitor o tio mandou te entregar.
O Dinho veio andando em nossa direção e parou bem na frente do Vitor olhando para ele.
– Entregar o que?
Ele deu um tapa forte na cabeça do Vitor e saiu correndo rindo.
– VIADO!
O Vitor se queixou e eu ri.
– Não fica assim, vamos ver a Soph.
O puxei para a cozinha. Conversamos apenas por mais um tempo.
– Eu já vou, gente. Muito obrigada!
Hanson disse, realmente ele era um cara muito inteligente, foi morar na rua porque perdeu a família, entrou em uma depressão e tudo mais.
– Não vamos deixar você voltar para a rua, Hanson. Você me ajudou muito, vamos arrumar um local para você ficar essa noite e amanhã vou conversar com o tio Paulo sobre um emprego para você.
– Não precisa, Lia.
– Lógico que precisa, cara. Você foi fundamental para ela estar aqui hoje.
Vitor acrescentou.
– Se quiser ele pode ficar essa noite lá em casa, o Biel vai dormir lá também.
A Sophia resolveu nosso problema.
– Ótimo, agora você tem onde ficar.
Nos despedimos de todos e eu fui para o meu quarto. Necessitava da minha cama, foi cansativo ficar sequestrada.
– Vim dormir com você.
Vitor colocou apenas a cabeça para dentro do quarto.
– Vem aqui!
Bati no espaço vazio ao meu lado, ele entrou e se jogou.
– Sentiu muita saudade minha?
Aconcheguei-me deitando no braço dele.
– Eu não, pensei até em chamar umas garotas e fazer uma festa enquanto você estivesse lá...
– Corno!
Dei um tapa na barriga dele o interrompendo, ele riu.
– Mentira, senti muita saudade sua.
– Sei que sou muito importante e você me ama.
– Não sei se você me ama, quase levei dois tiros hoje e você nem se importou.
– Quem manda ser otário.
– Filha da puta.
Ri e subi em cima dele.
– Mesmo você não merecendo às vezes, te amo demais Vitor.
Dei selinhos pelo rosto dele.
– Quem vê até pensa que é carinhosa. Eu também te amo muito!
– Eu sei, Vivi.
Ele riu e me beijou. Suas mãos subiram minha camisola até a cintura.
– Eu vou dormir, amanhã nós fazemos isso.
Dei mais um selinho nele e voltei para o meu lado na cama.
– Queria fazer agora.
– Vitor eu acabei de voltar do meu próprio sequestro, eu preciso dormir.
– Mas você descansou muito, não fez nada, passou horas sentada em uma cadeira descansando.
O encarei, não acredito que ele disse isso.
– É PORQUE NÃO FOI VOCÊ QUE FICOU HORAS OLHANDO PRA CARA DA LUANA, que o capeta a tenha, E DO JAMES, SEU RESTO DE MERDA. E AINDA FICOU SEM COMER E MORRENDO DE TÉDIO, OTÁRIO.
O empurrei da cama e ele riu.
– Cadê o "eu te amo demais"?
– Ta aqui.
Mostrei o dedo médio pra ele.
– Eu estava brincando. — Ele se levantou do chão e deitou na cama do meu lado de novo. — Vem cá, vou te deixar dormir.
Me deitei com ele novamente e logo adormeci. Acordei com o barulho da televisão, abri os olhos devagar. O Vitor estava assistindo um jogo de basquete na TV.
– Bom dia!
– Boa tarde!
Ele me deu um beijo na testa.
– Que horas são?
– 4 da tarde.
– Eu dormi isso tudo?
– Sim, estou esperando desde 1 da tarde você acordar para a gente transar, mas desisti. Pensei que tinha morrido aqui mesmo e fui assistir TV.
– Já disse que você é um idiota?
Enfiei minha cara no travesseiro morrendo de preguiça.
– A Sophia ligou.
– O que ela queria?
– Chamar você para ir para uma festa de despedida de uma amiga dela, mas já avisei que elas não iam contar com a sua presença.
Olhei para ele que nem estava olhando para mim, estava mudando o canal da televisão sem parar em nenhum.
– Posso saber por que não?
– Porque em festas de despedidas rolam strippers e outras coisas também, não quero você em ambientes assim ainda mais com a Sophia, não confio você a ela.
– Eu vou.
Me levantei e fui para o banheiro.
– Lia você está me contrariando?
Vitor disse assim que saí do banheiro.
– Eu estou resolvendo a minha vida, Vivi. — Desci e fui para a cozinha, alguns instantes depois escuto os passos do Vitor atrás de mim. — Quando você vai consertar a janela?
Perguntei olhando para a janela que foi acertada pelo tio Paulo ontem quando ele errou o tiro no Vitor.
– O otário do meu pai que vai ter que consertar, foi ele quem atirou e nem bom de mira é.
Ele riu, nem com quase um tiro na testa o garoto aprende.
– Ainda bem que é ruim de mira, talvez nem estivesse aqui para ver essa janela quebrada caso ele não fosse...
– Para de me enrolar, você está mudando de assunto. Só quero avisar que eu não vou deixar você ir para a despedida de solteira da amiga da Sophia.
– Me diga um bom motivo para eu não ir?
– Ela é amiga da Sophia.
Ele disse como se fosse obvio.
– E?
– GUILHERME EU VOU TE MATAR!
De repente o Dinho apareceu correndo na cozinha sendo seguido pelo Gui.
– HEY! O que ta acontecendo aqui?
O Vitor perguntou e o Dinho se escondeu atrás de mim rindo.
– O baitola do Dinho que colocou uma câmera no meu banheiro, é muito viado mesmo, vou te matar.
O Gui começou arremessar coisas no Dinho que estava me usando como escudo.
– E o que ele gravou de interessante?
– Além de ele tomando banho, tem ele batendo umas. Vou colocar na internet.
Dinho me respondeu e eu e o Vitor rimos.
– Cadê o tio com a arma dele nessas horas?
– Ta, Gui. O Dinho não vai colocar nada na internet.
Vitor empurrou o Gui para fora da cozinha e saiu o conduzindo.
– Moro com 4 idiotas.
Comentei rindo do Gui.
– Mas você nos ama. — Ele me abraçou por trás apoiando seu queixo no meu ombro. — O que você tava discutindo com o Vitor?
– Ele não quer que eu vá para a festa de despedida de solteira de uma amiga da Sophia.
– Com razão, é capaz de você ficar bebada e ser abusada pela Soph.
Ri com o que ele disse.
– Vou ligar para ela.
Liguei e combinei tudo, eu ia me encontrar com elas em uma boate um pouco conhecida e meio perto daqui. Já eram 19hrs e eu resolvi me arrumar, para não precisar de pressa, ficou de começar 22hrs.
– Pra onde você pensa que vai?
Vitor entrou no meu quarto e eu estava me maquiando.
– Não penso, vou para a festa da amiga da Soph.
– Você não vai, Lia. Você vai ficar aqui comigo e nós vamos fazer sexo e dormir.
– Eu vou para uma festa e não sei que horas vou chegar, se quiser sexo você tem uma mão que pode fazer o serviço.
– Você não vai.
– Me impeça Vitor.
Estávamos nos encarando, não estávamos brigando.
– Não queria recorrer para isso.
E ele deu meia volta e saiu do quarto, não entendi nada. Terminei minha maquiagem, peguei minhas coisas e desci para convencer o Vitor a me levar lá.
– Lia para onde você pensa que vai?
Meu pai e o tio Paulo estavam lá embaixo, o Vitor estava parado atrás deles rindo, não acredito que ele chamou o tio e meu pai para me impedir de sair.
– Para uma festa de uma amiga da Sophia, pai.
– Pelo que o Vitor me falou acho melhor você não ir.
O tio disse sério e o Vitor sorriu mais ainda atrás deles.
– Tio fala sério, o Vitor mentiu não importa o que ele disse, ele quer que eu fique aqui só para a gente transar.
Sorri para o Vitor que instantaneamente tirou o sorriso da cara porque sabia que ia sobrar para ele.
– Ah, Vitor. Não me esqueci sobre a noite passada.
Tio Paulo se virou para ele.
– Sua filha da puta.
O Vitor disse para mim e eu comecei a rir.
– Becos não é? Você quer experimentar como é morrer em um também? Eu posso ajudar com isso.
– Qual é, pai? Vai dizer que o senhor e a mamãe nunca fizeram umas loucuras.
– Isso não é da sua conta, abestado.
– Minha filha não é garota de ficar fazendo sexo em becos ou em qualquer outro canto da rua, Vitor.
Meu pai brigou com ele e pronto, o foco tinha mudado totalmente.
– Mas pergunta se ela não gostou.
O Vitor sorriu maliciosamente, esse pede para apanhar.
– Tira essa expressão da sua cara, resto de aborto.
Ele levou um tapa na cabeça, eu só estava rindo da situação.
– O senhor me odeia tanto que às vezes desconfio que não sou seu filho.
– Eu também desconfio disso.
– Paz e amor, amores.
Abracei meu pai e o tio Paulo.
– Isso vai ter volta, Lia
– Te amo, Vivi. — Mandei um beijo para o Vitor que me olhava de cara feia. Vocês poderiam me dar uma carona, né? Ia pedir para o Vitor me levar, mas agora era capaz dele parar em um beco e me esquartejar.
– Eu estou com vontade.
Ele disse ainda bravo.
– Temos uma surpresa para você.
Meu pai disse e eu já fiquei toda alegre.
– O que?
– Tá lá fora, vamos.
Eles me puxaram para fora e o Vitor nos seguia reclamando da vida.
– SURPRESA!
Minha mãe gritou do lado de fora e ela e a tia Dora estavam ao lado de uma bugatti preta maravilhosa.
– Ai meu Deus!
Eu ganhei um carro, não acredito.
– Feliz aniversário.
Eles me abraçaram.
– A Lia ganha um carro e eu ganho tiros, minha vida não podia ser melhor.
Escutei o Vitor reclamar e o abracei de tanta alegria que estava.
– Mesmo você não merecendo, parabéns.
– Obrigada, Vivi. — Lhe dei um selinho. — EU GANHEI UM CARRO, CHORA MUNDO!
Gritei e corri abraçando minha mãe e a tia Dora.
– Você gostou?
– Mãe, eu amei.
– Toma a chave, Lia.
O meu pai jogou e eu segurei.
– Agora vou ir para a festa da Soph com o MEU carro.
Gritei transbordando alegria.
– Quem foi o idiota que deu a ideia de dar um carro para a Lia?
Assim que falei da festa o Vitor mudou de humor, eu comecei a rir.
– Foi eu.
Tio Paulo o olhou esperando que o Vitor falasse mais alguma coisa.
– Tinha que ser ideia do otário.
O Vitor respondeu já correndo para trás da tia Dora.
– Lia pode inaugurar seu carro passando por cima do Vitor.
– Paulo não fale assim com o nosso filho.
– Esse idiota não é meu pai, mãe.
Vitor não tem amor a vida mesmo, estava confiando na tia Dora.
– Não sou teu pai mesmo não, você foi encontrado no esgoto, seu merda.
– Pelo menos não saí do seu saco.
Até a tia Dora riu.
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