Notas iniciais
Desculpe a demora! Me perdoem ^^

Havia passado uma semana, tudo era difícil pra mim, realmente, eu não aguentava ter que ficar cego, o celular vibrou e eu o procurei até encontrar.

– Alô? — Disse ainda deitado na cama.

– Henry? — Era uma voz masculina grossa.

– Pedro? — Perguntei.

– Sou eu sim. Então, cara, quanto tempo... — Disse ele se enrolando para falar algo.

– É sim. O que foi? — Eu perguntei me levantando.

– Aí cara, vai rolar uma festa e então... Cê vai?

– Hum... Pode ser. — Disse.

Eu realmente não gosto muito de festas mas se é pra passar o tempo.

– Então tá bom. Tchau. — Disse e logo desligou.

Quando finalmente chegou as sete horas da noite, eu tomei um banho e me arrumei, com ajuda é claro, e com a ajuda de minha " empregada " logo fui até a porta, o motorista logo dirigiu até o lugar, na verdade, eu já estava mais acostumado a ser cego. Quando ele chegou, eu saí do carro e logo entrei na festa badalada, uma música muito agitada tocava, senti uma mão no meu ombro.

– Henry, cara. — Era a voz de Pedro.

– Oi. — Disse.

– E então, acha que as gatinhas desta festa vão vir pra cima de mim? — Ele perguntou.

– Não sei. Não tô te vendo. — Disse.

– Como assim? — Ele perguntou.

– Eu... Tô cego. — Disse andando até me debater com uma cadeira e me sentar nela.

– Coitado. Isso é osso duro de roer... Olha, que gostosa.... Eu já vou. — Ele disse e senti a cadeira balançar após sua saída.

Realmente não estava tão divertido assim, afinal, eu não podia ver nada, mas senti alguém se sentando perto de mim.

– Olá. — Disse a tal pessoa, uma voz feminina soou.

– Está falando comigo? — Perguntei sorrindo.

– Sim.... — Ela disse um pouco confusa.

– Desculpe. Eu não posso te ver. — Disse tentando colocar a mão no balcão.

– Você... é cego? — Ela perguntou.

– Sim... — Disse e logo abaixei a cabeça.

Eu coloquei a mão nos ouvidos por um tempo e só depois quando tirei pude ouvir o quanto a música estava alta.

– Eu sou Tiê. — Ela disse após beber algo.

– Eu sou o Henry. — Disse sorrindo.

– Olá. Henry. — Ela disse pausando.

– Olá. Tiê. — Disse.

Eu ouvi um riso, um riso maravilhoso, eu gostaria muito de poder ver como ela é.

– E então... Como você é? — Disse puxando assunto.

– Hum... Vejamos. Meus cabelos são longos, castanhos, e eu tenho uma franja na testa... O que mais? Tenho olhos castanhos um pouco escuros... Eu acho que meu nariz possa ser um pouco empinado... Eu sei lá.

Eu apenas a imaginava, mas não conseguia completamente, ela devia ser linda, maldita cegueira.

– Então... Do que você gosta? — Ela me perguntou.

– De poemas. — Disse.

– Não basta abrir a janela
para ver os campos e o rio.
Não é o bastante não ser cego
para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

Eu dei um sorriso.

– Acredito que o amor que é cego,é amor. — Ela disse enquanto mudava de assunto.

– Nunca devemos julgar as pessoas que amamos. O amor que não é cego, não é amor. — Disse recitando o poema.

Ela riu.

– Na verdade... O amor não é cego, é autista. Ele vê tudo, ele sabe tudo.
mas no seu mundo...
só ele explica o que se sente.
a arte de autistar...
o que se ganha o que se perde
só ele tem a saber.

– Uau, temos um cara que decora poemas, muitos poemas. — Ela disse e pude ouvir sua risada.

– Estamos brincando de recitar poemas, por acaso? — Pergunto com um sorriso no rosto.

– Parece que sim. Aham aham. — Ela riu — Vamos lá.

E riu novamente.

– [...] você, cego de orgulho bobo, surdo de estupidez, nunca notou. Nunca notou que mulheres como eu não são fáceis de se ter; são como flores difíceis de cultivar. Flores que você precisa sempre cuidar, mas que homens que gostam de praticidade não conseguem. Homens que gostam das coisas simples. Eu não sou simples, nunca fui. — Ela falava séria.

– O amor tem muitas formas.
As mais comuns são em forma de cego,
forma de burro, forma de retardado, de idiota... — Disse rindo ainda mais.

– O amor é cego,é verdade...
Porém é cego ao seu jeito:
quem ama vê qualidade,
mas não enxerga defeito. — Ela disse e riu mais uma vez.

– Estamos falando do amor ser cego? — Perguntei dando uma risada.

– Pois é. — Ela disse.

– Estou cego a todas as músicas,
Não ouvi mais o cantar da musa.
A dúvida cobriu a minha vida
Como o peito que me cobre a blusa.
Já a mim nenhuma cena soa
Nem o céu se me desabotoa.
A dúvida cobriu a minha vida
Como a língua cobre de saliva
Cada dente que sai da gengiva.
A dúvida cobriu a minha vida
Como o sangue cobre a carne crua,
Como a pele cobre a carne viva,
Como a roupa cobre a pele nua.
Estou cego a todas as músicas.
E se eu canto é como um som que sua. — Disse sério.

– Como um cego, grita a gente: ‘Felicidade, onde estás?’ Ou vai-nos andando à frente, ou ficou lá para trás. — Disse ela já rimando.

– Falar de amor para algumas pessoas, é como tentar falar a um cego em linguagem de surdo. — Disse sorrindo.

– Paixão é uma cascata de luz
No rio cego da noite
Um estrondo no ermo da nave gótica
A violência doce de um fim anunciado
O tudo e o nada
Do tempo que nos remete
Sem mapa
Para a certeza das galáxias.
Sem ti sou uma pedra aos tombos
Na calçada
Umas vezes batida
Outras parada.
Só nos teus olhos me faço ave
E voo sem destino
À gargalhada. — Disse ela e pude sentir um riso.

– Eu não escuto o que a verdade diz,
Apego-me ao impulso da paixão,
Sou cego pra tudo o meu coração não quis,
Esta loucura é minha única razão.
Desenho nas nuvens tuas formas,
E quando o céu esta limpo; vôo até te encontrar,
E tua ausência me sufoca,
Mas só quando estou ao seu lado é que fico sem ar.
Eu não aceito o que realmente aconteceu,
Escondo-me no passado que foi feliz,
Não tenho agora o que era e é meu,
Dói olhar de lado e não te ter aqui.
Me insinuo para o seu retrato,
E na moldura na vejo resposta,
Fico aqui imaginando que de fato,
Que só me resta sonhar agora. — Disse falando devagar.

– Sabe, estou boquiaberta agora com este seu poema. — Ela disse.

– Bom saber disso, estou impressionado com os seus. — Disse rindo.

Pude sentir ela se aproximar de mim e senti seu perfume adocicado, ela me deu um beijo na bochecha.

– Por que isso? — Perguntei.

– Não sei. — Disse ela e senti ela se afastar.

Uma música mais agitada começou, pude sentir em meu braço uma mão.

– Vamos dançar. — Disse ela.

– Okay. — Disse e fui com ela.

Fomos dançando mas eu não podia notar o jeito como dançava, após algum tempo, ela sussurou em meu ouvido.

– Tchau, baby. — Ela disse e logo pude ouvir um barulho da porta e senti um papel em minha mão.

Eu claro não podia o ler e fiquei ali, parado, ouvindo o final da música.

Notas finais
Tiê: https://encrypted-tbn2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcR1sVUrLdUpzZ5ryek8yfDkbRrtBLVGaEKvrV14DLCpj3FWP3Lm Roupa dela: http://www.polyvore.com/cgi/set?id=130547387&.locale=pt-br Roupa dele: http://www.polyvore.com/henry/set?id=130547719
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.